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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

O poder dos intermédios

Rita Pirolita
 
Se já são gordas não comam em público com cara de nojo de quem está a fazer uma dieta rigorosíssima para ser modelo plus size, com o vosso corpinho ninguém acredita que não querem devorar num minuto o que têm à frente!...
Se já fizeram todas as dietas do mundo e nada resultou ou estão naquela idade de merda que tudo cresce menos o dinheiro na carteira, mais vale serem rechonchudas felizes ou gordas assumidas que magras impossíveis de aturar. 
Tudo o que fazemos nunca chega e ficamos escravas do absurdo inatingível. Queremos ser o imaginário de ninguém.
O culto da independência esconde a incapacidade de saber estar acompanhado. 
Vivemos na ilusão dos amigos distantes, para nem cheirarem a nossa orgulhosa solidão numa selfie. 
Se temos 500 mil likes no facebook, outros 5.500 biliões não sabem de nós, se acabamos de sair do cabeleireiro ninguém nota...e o meu moço tem uma ejaculação ocular com a mulher do anúncio que exibe pernas até à cintura...e eu não me importava de ser lésbica ou pegar na mão dele e ir ter com a photoshop baby para um ménage à trois!
Eu sei que aquelas gajas não existem assim na vida real, mas quando tenho mais umas gramas em cima do pêlo sinto-me uma porca em pé e até os brincos me ficam mal! 
Imagino que só existo com photoshop e sem intermédios!
 
25
Jul20

Policias dos outros e de nós

Rita Pirolita
Preparados para a mentira em banho maria, mais que desacreditar, somos polícias munidos de insultos com pouca opinião e muita raiva, pequeninos jornalistas de parangonas a viver de likes. 
Alguns dizem que Zuckerberg controlará o mundo a partir de Silicone Valley, como qualquer mortal que tem poder da noite para o dia quererá ser imperador do mundo, ter a informação de crédito de muitos, da orientação politica, dos desejos  e vícios. 
Sentir importância no Twitter ou Instagram, termos a ilusão de mudar o mundo, de sermos notados mas estamos todos controlados por publicidade mudada ao minuto, ao sabor  do nosso humor, para nos condicionar e iludir na liberdade de pensamento.
Que nos interessa saber se quem está do outro lado é real ou falso, se queremos todos os dias alhear-nos da realidade da nossa vida com enganos de construir carreira, educar bem os filhos, fazer melhor aos amigos, sermos bondosos e altruístas...todos queremos ser grandes imperadores do nosso pequeno mundo e sair logo de manhã a dominar ou pelo menos a não nos deixarmos engolir por outros miseráveis imperadores! 
Se o ilusionismo sempre foi admirado e passa-se à frente dos nossos olhos, se todos os grandes homens se fizeram no logro, mentira e alienação para chegarem ao poder, porque não sermos enganados sem ver o mentiroso e nem querer saber do crédito na verdade, tudo é baralhado a velocidade alucinante. 
Esta luta não se fará minha!
Cada vez mais quero viver num sítio com poucos ou quase nenhuns, ser feliz a saber pouco do mundo e que o mundo quase nada saiba de mim!
21
Jul20

Hipocrisia e compaixão

Rita Pirolita

Se não fizemos nada para que os incêndios de origem natural ou criminosa deixassem de ser uma tragédia e não uma mudança na paisagem que conseguimos controlar porque se passa cá em baixo e ainda lhe podemos deitar a mão, então agora é só fazer o contrário ou outra coisa ligeiramente diferente para melhorar a situação.
Se continuamos a responder a acções de solidariedade com tal superação de expectativas que chovem elogios ao povo português, conseguiremos manter isso todos os dias e não só pontualmente para nos sentirmos bem com  a ilusão que somos boas pessoas e de uma forma egoísta confirmarmos que não nos aconteceu a nós, que estamos melhor porque estamos vivos e os nossos amigos e familiares também.
A cada ano as famílias atingidas irão continuar sem casa ou se as voltarem a pôr de pé, desenrascam-se sozinhos ou com ajuda de bondade alheia, porque o Estado está sempre à espera de ajuda comunitária e a que chega na altura das tragédias já alguém meteu ao bolso. 
O que se passou na Madeira com as chuvas e os incêndios é um bom exemplo do mau exemplo! 
Se as consequências desastrosas não resultassem do abandono das gentes e ganância de poucos, que nestas alturas aparecem sempre com discursos de fazer sociedades e recorrer a fundos europeus para avançar com as criativas medidas para sanar o problema, com menos palavras e mais vontade tudo estaria num melhor caminho. 
A fala dos jornalistas e as imagens dos repórteres são cada vez mais movidas por guerras de audiências das televisões com tragédias e quantidades inaceitáveis de mortos, choca e muito. 
Parece que quem dá as notícias é obrigado a esquecer sensibilidade e bom senso, ao lado de cadáveres ou a proferir palavras como 'giro' ou 'pormenor engraçado'. 
Somos capazes de ajudar e dizer 'que horror' perante tal tragédia, mais ainda porque foi com os nossos e aqui perto? Somos pontualmente capazes de dar a roupa do corpo,  oferecer água, comida e casa. 
Se todos fazem o que podem e muito mais, porque não melhoram as coisas? 
Porque uns deixam arrastar e adensar os problemas e muitos outros, que serão sempre poucos, combatem tamanha desgraça resultante de tamanha ignorância?  
Porque somos hipocrisia e compaixão num equilíbrio precário de quem renasce sempre dolorosamente das cinzas!  
16
Out19

Nem cornos, nem asas

Rita Pirolita
 
As crenças dos que me rodeiam e o crédito nos que me rodeiam são como os  Unicórnios brancos e as Barbies voluptuosas, existem mas até há bem pouco tempo nunca pensei que pudessem ser bonecas rechonchudas, os cavalos brancos também existem mas nunca tiveram cornos nem asas.
 
Todos existem como pesadelo ou ilusão.     
 
Pagam para sair da solidão e assistir a seminários de tocar pessoas, comunicar em silêncio, habituar o corpo ao jejum. 
Quão coerente parece isto quando em vez de estarem a evoluir estão apenas a fugir da solidão para não perderem o sentimento de pertença e até de existência, mesmo que estejam zangados com os mais próximos e se escudem na desculpa de resolver os problemas não falando neles nem com as pessoas que fazem parte deles. 
 
Comerem produtos biológicos, quando a poluição está por todo o lado e a pureza é por isso duvidosa ou mesmo inexistente. Tomarem pouco banho para não gastar nem água nem pele. Reciclarem ao ponto de enterrar tudo no jardim, como prova da sua orgulhosa pegada ecológica. 
Não preciso de jardim para saber que vivo em cima de camadas de lixo e cadáveres. 
Não ando a abraçar ou tocar desconhecidos mesmo que não tenha amigos, pagar para o fazer legitima a aprendizagem? Isto aprende-se? Se se aprende tem que haver alguém que ensine? Quem ensinou os que ensinam???
Nao há resposta para isto, porque isto não se ensina!!!
 
Devemos ser curiosos e na procura ou simples observação retirar o conhecimento suficiente para separar o melhor do erro e partilhar gratuitamente com outros essa informação.
Gostava de me rodear mais de quem não segue seitas, pessoas, gurus e promessas de sabedoria e menos de alienados, iludidos e enganados.  

O mundo existiria tão bem sem nós e talvez deixe de existir mais cedo por nossa causa.
 
21
Set19

A liberdade da responsabilidade

Rita Pirolita
 
 
Mais liberdade mais responsabilidade...é verdade, quase todos os dias o sinto na pele, mas só na minha pele, porque alguns invejam a minha liberdade ao ponto de a tentar gerir ou tirar.
 
Gosto de ser livre sem criar mais responsabilidades, assumindo as que vêm com a minha vida, mas alguns invejam o meu tempo e tentam partilhar mais chatices que alegrias porque estou disponível e feliz demais. 

Quem é inseguro torna-se perigoso para a minha liberdade mas cuidado com pessoas massacradas como eu...sabem como sobreviver. 
Quem se sente arrependido e não consegue sair das malhas da vida que criou tenta arrastar quem está são para perto de si para que também apodreça.
 
Seria tão mais fácil não medir consequências nem assumir responsabilidades, não questionar a existência ou o caminho a seguir...Para os irresponsáveis tudo é mais fácil, algo os demite do Karma e cria a ilusão de imunidade e salvação.  

Vou confessar um desejo secreto, gostava tanto de ser loira, não saber que era burra e ser podre de rica como a Paris Hilton!!!
 
Gostava de ser palerma ao ponto de pensar que os cubos de gelo podem entupir a pia...seria tão mais feliz, assim sei que estou sempre insatisfeita.
10
Set19

Ilusão vs sonho

Rita Pirolita
 
Há pouco tempo, num momento de torpor e preguiça de pensar, o que é muito raro em mim, nessas alturas prefiro ficar calada mas desta vez, numa voz sonolenta e arrastada tal como o pensamento, misturei, meti tudo no mesmo saco e troquei as voltas ou talvez não...
Tratei as ilusões como sonhos intangíveis. 
Ora, ilusões são de facto na sua maioria desilusões mais à frente e o sonho não o é se não for descabido e deixa de  ser sonho quando se concretiza. 
Tudo faz parte da vida, seja ela mais pragmática ou iludida. 

Uma ilusão pode passar a sonho mas uma desilusão passa a inferno que nos faz correr de raiva ou ficar no nosso canto como animal ferido. 
O sonho pode-se desfazer, concretizar ou ser substituído por outro, pode ser solitário ou acompanhado. 
Se o sonho a dois se desfaz, passa a decepção, culpa e insulto. 
Se a ilusão a dois cair, não é muito grave, é como passar a ponte sem pagar portagem.
 
O sonho é sério como um cantor de ópera e a ilusão pula como um palhaço. 
Nao sei qual escolher quando posso ter ambos, talvez estejam mais próximos um do outro do que eu julgava e o meu raciocínio entorpecido não está assim tão longe da minha verdade. 

Cada vez menos me iludo e tenho menos sonhos, as minhas projecções são tão terrenas e desprovidas de megalomania que não chegam a ser sonhos, que afinal dão tanto trabalho e eu quero o simples e o sereno sem ilusões.
Nao se avança sem sonho e quando se vive o sonho, desaparece. 

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