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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Séries

Rita Pirolita

As séries são novelas suportáveis mas já enjoam as histórias de advogados e médicos que se comem todos uns aos outros na sala de arrumos.
Ninguém repete uma única blusa, vestido ou fato, se tivessem tanta roupa na vida real tinham que alugar guarda-fatos na Lua por falta de espaço aqui, a não ser que estivessem todos presos e ai andavam com a mesma farpela até ao fim da série.
Filmes de zombies, tanta gente com mau aspecto, vampiros bonzões, Lost em ilhas, ninguém se perde numa ilha o mais que pode acontecer é andar às voltas o dia todo.
A melhor série que fizeram até hoje, duvido que façam uma tão boa nos próximos 100 anos, foi o Breaking Bad e no seguimento o Better Call Saul mas como tudo o que é bom tem um fim...os autores parece que queimaram o fusível numa espiral de alucinação criativa...ou consumiram cristal a mais!
Ando a chuchar no dedo faz algum tempo, à espera de alguma coisa que me surpreenda.
14
Jul20

Nem de lá nem de cá

Rita Pirolita
Costumo deleitar olhar e alma com televisão made in Madeira ou Açores.
Magazines culturais, de costumes, de festas e eventos religiosos. 
Sambas importados não e muito menos meninas de traço rude e cabelo oxigenado das américas do norte e latinas, essas se dispensam pela distância de hábitos e desfile de modas de além-mar, de lantejoula ou cetim agarrados a curvas em demasia, por isso deixo já de falar delas, mesmo fazendo parte da paisagem no verão das ilhas!
As notícias são de lá e por lá ficam, dadas com timidez cândida, sem contaminação, só a eles pertencem, só a eles dizem respeito com todo o respeito pelas do mundo. 
Se vivem sem guerra, longe da desgraça mundial, porque não evitarem o contágio?!
Existe poder informativo acima de qualquer palhaçada espectacular. 
Se têm programas pirosos? Se calhar, não vejo nem conheço mas aqueles que falam pelas gentes, são a delicia de ouvir sotaque recatado de boca mais fechada, conhecimento sem invenções ou circo de turismo. 
Almas habitantes das ilhas não se podem sentir perdidas nem na terra onde poisam o corpo nem no mar que nunca será seu, pela imensidão de ligar outros solos.
Em todos os locais de Portugal há uma rua Direita, da Igreja ou da Sé e uma praça Central, ali não será excepção mas a rua Direita pode não ser tão directa como isso. 
Mal sabiam as moçoilas na ansiedade de se livrarem da insularidade ao agarrarem-se a um continental, que se estavam a afastar da simples quietude e não do atraso ou monotonia, que iam mergulhar num mundo caro demais para o engano!
O isolamento pode desesperar e enlouquecer mas também protege da insana invasão. 
São estes piratas de barco fundado, feito de montes de preta pedra, de hortenses e esterlícias, que falam da terra em  permanente desterro orientado na imensidão do oceano, que se sabe Portugal e não ilha-país como tantas há por esse mundo fora.
Pedaço de nação que já foi o único que nos restava, resistente Adamastor a investidas espanholas de nos tirarem pedaço em terra-continente. 
Ilhas de refúgio real, de escritores e loucos artistas, prodigiosos poetas e prosistas de linguajar denso e polposo-sumarento.  
Se atrasados são estes, eu que não sou gente nascida lá nem muito menos sou de cá, será que me deixam ser de lá?...
 
12
Set19

A TV das ilhas

Rita Pirolita
 
Não sei se já repararam nos estúdios, adereços e roupa dos apresentadores de qualquer programa feito nas ilhas seja da Madeira ou dos Açores.

O décor dos estúdios parece o departamento de revenda de móveis danificados da Moviflor, as roupas são do mais requintado look tropical emigrante, as notícias são dadas com isenção e parcimónia em tom coloquial.
 
Quando esteve ‘desempregada’, a Manelita podia ter aproveitado para revolucionar o formato da informação nas ilhas, com o risco de ficar sem um ou os dois bracinhos na tentativa de adoptar um fila de S. Miguel.
Esta raça não ‘embarca no inferno’ de jornalistas desinformados, ignorantes, inconsequentes e mal educados.
 
Estes trabalhadores da comunicação além mar, não se cobrem de brilhantina e falso profissionalismo, não fazem reportagens esquizofrénicas em directo a encher chouriços, a trocar tempos verbais à Jorge Jesus e quase nunca perguntarem o nome de quem entrevistam, haja o mínimo de respeito pelos anónimos. 
 
Em vez de uma senhora obesa na meteorologia dos Açores, todos preferiam ver uma sereia a anunciar altas temperaturas para o grupo central mas não é isso que vai fazer parar a chuva, característica quase diária destes territórios insulares. 
Esta senhora não é nenhuma caloira, não está ali para se despir e assim subir na hierarquia televisiva, lá está, o aspecto não influencía em nada a qualidade da informação sempre manipulada de raiz.

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