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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

13
Fev21

O padre do Carnaval

Rita Pirolita


Num outro dia que não este, em que vos escrevia em terras de ursos e veados, castores e esquilos, fui visitar duas pessoas ao hospital que por acaso estavam no mesmo piso, num quarto ao lado uma da outra e até se conheciam, por isso trocaram visitas em modo Vira do Minho e Corridinho do Algarve. 
Acredito que se ficassem algum tempo internados, o bar do hospital mudar-se-ia para aquele piso e então frequentado por clientela portuguesa está-se mesmo a ver a festa que daria!
Ora bem, antes de assistir ao forrobodó lá em cima, não deixei de reparar num padre ortodoxo com quem me cruzei e que se parecia mais ou menos com o da fotografia acima mas com um ar ainda mais divertido e gingão. 

Ia eu a entrar e ele a sair com um ar feliz da vida, a cantar com sotaque brasileiro, 'Mamã eu quero, mamã eu quero, mamã eu quero...' e lá desapareceu porta fora para o gelado dia que se fazia sentir, impedindo-me de matar a curiosidade de ouvir a palavra 'mamar' saída daquela beatifica boca!...

É verdade, o típico Carnaval brasileiro é tão forte na tradição, que nem com 22º negativos um padre deixou de ser contagiado pelo calor da emoção e nada o impediu que as cordas vocais vibrassem com a melodia mais marota da festa menos ortodoxa, mais pagã, carnal e não cardeal, à face da terra! 

Fiquei a olhar para trás até ele desparecer, atraída por ouvir falar português e o moço não perdeu a oportunidade de espetar a sua farpa doutrinal, 'se eles fazem tanta coisa que não devem e dizem que não podem, menos mal virá ao mundo por cantarem uma canção atrevidota!'
Sempre cheio de razão este meu fresco e fofo moçoilo!
24
Jul20

A margherita primeiro, depois logo se vê...

Rita Pirolita
Em dia de Verão calor envolvente de manta transparente, caminhava eu e o moço por rua calma de meia-tarde quando muito perto de nós, senhora de meia-idade acompanhada de amiga de idade-meia tropeça em protuberância cimentada no passeio, desequilibra-se e cai de fronha em terra batida de relva rapada, rebola que nem tartaruga, levanta meio corpo e de sorriso escarrapachado frisa com alguma malícia e expedita rapidez, que está bem e ainda não foi desta que se juntou aos anjos mas que viu algumas estrelas e passarinhos, lá isso viu, apenas um pequeno corte no sobrolho dá à luz uma linhazinha de sangue que nem é suficiente para escorrer!  

A amiga petrificada e lenta na reacção de ajudar no amparo da queda que já se tinha consumado, no pós-traumatismo também não tentou ajuda, já que era o Estica a tentar levantar o Bucha mas para entreter disse-lhe que era melhor ir ao hospital em vez de irem ao bar para onde se dirigiam nessa tarde, ao que a acidentada respondeu prontamente que apesar do costume ser cair quando se sai do bar e não a caminho tinha fortes intenções de não arrepiar caminho e ir beber a agendada margherita que tão bem calhava com o calor que embora não sendo tropical se fazia sentir agradavelmente naquele dia.

Depois de refrescante bebida logo se via se o ferimento era de monta, que pedisse suturação em clinica ou hospital!

Não há queda que desvie uma verdadeira lady do seu percurso em busca de tal hedonismo! 

A esta altura tínhamos uma senhora anafada muito bem disposta sentada na escassa relva de sobrolho deitado abaixo, uma amiga esterlicada e atrapalhada a sorrir timidamente, nós os dois e mais alguém que se tinha aproximado a prestar ajuda, ali estávamos divertidos com a conversa a aguardar que sua excelência galhofeira se levantasse para confirmar se caminhava direita pelo menos até ao virar da esquina, o bar era já ali!

Um brinde aos caminhos que se cruzaram e voltaram a descruzar nesse tépido dia!
20
Jul20

Dolorosos segundos

Rita Pirolita


Aviso desde já os mais impressionáveis que vou falar de exames médicos potencialmente dolorosos ou desconfortáveis e aviso desde já também os meus inimigos que faço exames de rotina com frequência, por prevenção e na idade indicada mas nunca estive internada, tenho um historial familiar muito limpinho, excepto na questão da maluquice, que tem afectado gerações numa escala acima da média, em comparação às mais corriqueiras famílias, o certo é que nunca parti ossinho nenhum, nem nunca me remexeram os avessos, já passei umas noites no hospital mas por causa do mau estado de alguns e divertidas bebedeiras de outros!  



Até agora tenho tido uma saúde de ferro graças à boa genética deixada pelos antepassados da qual vou aproveitando o balanço para preservar até ao fim da vida com bons hábitos, embora saiba que ninguém morre cheio de saúde, um dia já não vou conseguir fintar a mafarrica e ela apanha-me num qualquer entroncamento sem fim.



Ora, já fiz um exame à bexiga, de perna aberta, enfiam uma sonda pela uretra e ai vai disto...que não dói nada e é rápido...Estava tudo bem pela sacola do xixi!



Sempre que vou fazer o Papa Nicolau, outra vez perna aberta e vá de desanuviar o embaraçante momento com conversas sobre viagens.  



Já fiz uma mamografia. Uma amiga minha disse-me logo que já tinha feito e lhe doeu imenso...Ora bem, comigo não doeu nada mas também não foi agradável.



Amassarem-me as maminhas daquela maneira tão indelicada sem preliminares, não é coisa doce, aquilo também não é para dar prazer, quanto muito espera-se que dê bons resultados para festejarmos boas notícias.



Descobri que se tivesse as mamas um pouco mais pequenas já não daria para fazer o exame, a máquina não teria nada para agarrar, no meu caso gostou tanto do meu tamanho que me deu um aliviante resultado negativo!



O último exame que fui fazer foi uma biópsia à tiróide, sim sofro de hipertiroidismo, Doença de Graves e não do mais comum hipotiroidismo, roam-se de inveja as cabras das dietas que querem emagrecer a qualquer preço mesmo à conta de prejudicar a saúde!



Esta é uma doença autoimune que não mata, podemos comer que nem mulas que não engordamos, a adrenalina está sempre a 100 à hora...e o coração às vezes prega uns sustos mas tudo controlado como deve de ser não há perigo!



Eu já andava desconfiada desde que nasci, era uma tal barata rabicha que mais tarde a minha tiróide revelou-se e deu nisto.  



Esta biópsia foi-me recomendada para despistar a mais remota hipótese da existência de um dos cancros mais 'inofensivos' e com um dos índices mais altos de cura.



Para quem não sabe ou nunca fez, espetam um c@r@lho duma agulha no pescoço e escarafuncham até tirar amostras de carne que cheguem para análise, se as amostras não forem suficientes ou bem tiradas, toca a espetar outra vez e fazer buracos no pescoço dos outros!



Já fiz piercings e tatuagens e por mais que se tente comparar para aliviar a tensão não é a mesma coisa, só o cheiro a hospital põe logo uma pessoa doente e a querer sair dali para fora o mais rápido possível e que não nos apanhem por lá, nem muitas nem poucas vezes, nem cedo nem tarde na vida!!!



Não adorei ao ponto de ir fazer isto de boa vontade todas as semanas, mas também não doeu, o que doeu foi a agulha da anestesia, queixei-me logo ao médico que aquilo estava a doer e que ele não me tinha avisado disso, ele feito espertinho sabichão com resposta na ponta da língua para tudo, disse que doía um pouco agora para depois não doer muito.



Make sense, a anestesia dói mais que o exame em si, continuando...



Nunca parei de falar, também ninguém me mandou calar a meio do exame por isso aproveitei e já de agulhona espetada nos gorgomilos disse ao médico que estava a sentir vontade de vomitar ao que ele respondeu logo, é NORMAL e eu pensei cá para com os meus botões, cabrão ANORMAL, ao menos podias ter avisado! Só pensei, não verbalizei nada porque ele estava na posse e controlo da agulha e era melhor eu não me mexer muito para lado nenhum, nem dali para fora, embora vontade não me faltasse...



Imaginando o cenário da fuga...aparecia na sala de espera à frente do moço com uma agulha gigante de acupunctura que atirava heroicamente para o balcão da recepção e começava depois a esguichar tanto sangue que o moço tinha que me chupar todinha até ao tutano para não me esvair até à morte...



Esqueçam, nada disto aconteceu, eu é que adoro um bom filme de terror.



Além de inglês até falei espanhol com a médica assistente que disse que sabia falar espanhol mas sabia eu mais japonês à conta dos emojis que ela espanhol, adiante, disse ao médico que por aquele caminho me ia vomitar toda e deitar cá para fora o precioso croissant de chocolate comido há uma hora atrás e o estúpido ainda perguntou, qual era o problema?...Ao que eu respondi, que depois tinha que me dar ao trabalho de gastar mais dinheiro noutra coisa doce e tomar dois pequenos-almoços na mesma manhã, o que para mim é peanuts!



Isso é que era bom, ele ficar sem resposta minha, mesmo esticadinha na maca e com uma agulha espetada no pescoço.



Às tantas o médico deu-me mais uma ordem em cima do joelho...agora não pode engolir!...Outra vez armado em palerma, não me avisou com antecedência deste procedimento e fiquei ali com a gosma a meio do caminho.  



Quando terminou o serviço no meu elegante gasganete de girafa, ainda teve a lata com um sorriso jocoso de dizer que se tinha saído muito bem na sua primeira vez a espetar agulhas no pescoço doutros.



Se brincasse mais com a pilinha não lhe sobrava tanto tempo para fazer piadinhas! 



A verdade é que estava um pouco ansiosa mas até foi fácil, rápido como tinha que ser e a equipa toda era simpática e trataram-me muito bem!



Só tinha que ser assim, eu também sou uma simpatia de rapariga quando quero e me convém!  



Se fosse fazer um exame que pusesse a minha vida em risco, pela lógica não deve haver nenhum que mate, mas imaginando, ainda conseguia entender que não me avisassem de nada para não entrar em stress, assim morria calma e ignorante que nem um passarinho apanhado pelas patinhas de trás...



Só fiquei um pouco lixada por não terem falado comigo antes sobre o que iam fazer e o que ia sentir, custava alguma coisa, em vez de começarem logo a esburacar-me o pescoço?...



Filhos da mãe, bem se diz que pimenta no cu dos outros é sempre refresco para nós!  



Depois de estar despachada, nem passado 5 minutos, sentei-me na maca e pediram-me para aguardar se me sentisse tonta...Tonta já eu sou que chegue e olhei logo para a médica assistente que já estava a observar os vidrinhos ao microscópio, mesmo ali à minha frente...Disse-lhe logo para tratar bem aquele pedaço de carne que era meu, embora não fosse uma coisa bonita de se ver, carnucha com sangue qual bife tártaro!



Quando o efeito da anestesia passou e sem antes dentro do carro não ter poupado o moço a pormenores mórbidos, ao ponto de ele me mandar calar porque já lhe estava a fazer impressão!...Cheguei a casa e sentei-me a escrever isto! 



Tenho uma sensação de torcicolo no lado direito e cada vez que engulo saliva parece que tenho uma bola de golf a ir pela canalização abaixo, já tenho mais de mil no papo!



O parvalhão do médico também não me avisou disto, enfim!  



Depois de me deixar em casa já enviei uma mensagem ao moço, a informar do número de bolas imaginárias que passam na minha portagem gutural a cada minuto, ao que ele respondeu, 'o que entra sai', eu ripostei que estava careca de saber isso mas que se acontecesse me arriscava a partir a sanita cá de casa, por isso dei a sugestão de me levar até ao campo de golf mais próximo para cagar nos buracos todos!  



Parva como só eu enviei mais uma mensagem ao moço com a piadola que ao beber água tónica me estava a sair o gás pelo buraco que me fizeram no pescoço, ao que ele, tão parvinho como eu respondeu, 'mistura gin que saem bolhas perfumadas'!...



Está visto que hoje só vou puder jantar coisas fofinhas, como por exemplo, um delicioso e leve pratinho de sumaúma!...



Vou ficar tranquilamente à espera dos melhores resultados, o contrário não seria de esperar desta alminha estupidamente positiva!



Vai tudo correr bem, é assim que acredito e projecto que seja!


21
Mar20

Spirit in the Sky

Rita Pirolita
Altamente recomendável ler este texto ao som da "minha música", é só clicar no video abaixo! 
O moço deu-me cabo da cabeça.
Além de ter mais roupa que eu, é um viúvo antecipado, veste quase sempre de negro.
 
Antes de irmos para uma homenagem fúnebre a uma amiga nossa, que se passou para outro lado qualquer que não este, pediu-me em tom de adolescente desesperado que o tinha que ajudar a escolher roupa e que não tinha quase nada para vestir, armado em gaja. 
Tem péssimo gosto para combinar cores e padrões, neste caso só tinha o preto como escolha e não havendo nada na lavandaria, tudo o que tinha estava disponível.
Já lhe disse que se morrer antes dele, não quero ninguém vestido de negro, só para contrariar a sua viúva indumentária, bem pode ir com bolas e riscas que eu não me importo, não vou ver mas se pudesse até me ria!
Vistam-me de branco ou rosa, dancem ao som brutal desta música e espalhem as cinzas no mar!
I'm an atheist but maybe if someone played this in church, i'd be born again!
 
 
Esta nossa amiga morreu de uma espécie de cancro raro que provoca aparecimento expontâneo de tumores em qualquer parte do corpo, podendo estar numas alturas adormecido e logo a seguir surpreender. 

Viveu mais tempo que os médicos tinham augurado. Algumas vezes fui visitá-la, inclusive no hospital, nunca lamechas, enfermeira de crianças, fazia parte do coro da igreja local e uma das vezes perguntei-lhe se acreditava em Deus e ela respondeu-me a sorrir, "tem dias!"
A cerimónia foi simples e como era de esperar, preparada por ela própria com o padre da paróquia que a acompanhou.
Apesar de eu não acreditar num Deus feito à nossa imagem e num livro escrito pelos homens, deixei-me envolver pelas suas palavras deixadas em discurso, foram de uma sinceridade, teve ela tempo de sobra para planear as exéquias e pensar a morte. 
Estive o tempo todo a conter as lágrimas, porque detesto chorar, choro muito pouco e então à frente de alguém para mim é uma vergonha mas a determinada altura não me contive e pensei eu que até daria uma boa carpideira profissional. 
Projectaram fotos que marcaram momentos de uma pessoa que estava sempre a rir, seguido de comezaina nas catacumbas da Igreja, depois do aperta-mão aos familiares mais próximos, já eu via gente com pirâmides de comida em pratos de papel, sem uma cervejinha ou tinto a acompanhar. Está-se na casa de Deus e aquilo de transformar água em vinho foi só para atrair crentes e vender mais Bíblias.
Não me levem a mal mas eu tinha acabado de sair de uma cerimónia de contenção de lágrima e depois espetam-me com mesas corridas, a transbordar de comida e jarros de limonada...tenham dó, a meu ver não fui à Igreja neste dia para me empanturrar de sandes com maionese, haja respeito e recorde-se a defunta num sítio mais descontraído, uma tasca por exemplo, a bem ver, se as houvesse por aqui, não havendo que fossem todos comer a casa! 
Aqui um funeral já é um balúrdio, ainda ter que dar de comer a gente lambona...Não me parece bem! 
De qualquer maneira a pessoa que se finou, sabia que esta comezaina se ia passar, fazendo parte da tradição por estes lados das américas nortenhas.
Alheia aos hábitos dedicou umas breves palavras escritas aos que estariam presentes neste dia, deixou a ideia que à altura que estivéssemos por ali que por acaso até foi no St. Patrick's Day, o seu próprio dia de aniversário, já ela estaria num sitio tão maravilhoso, que nunca poderia ter imaginado ou sonhado em vida! 
É assim que também penso, como é que a morte pode ser imaginada em vida? Não pode, nem eu quero. 
Se for muito bom do outro lado que me surpreenda, se for muito mau ou nada, nem quero saber! 

PS - O moço para castigo por me ter chateado logo de manhã, ficou com uma bela dor de cabeça ao fim do dia.
Eu calculo que deve ter sido também da emoção, embora se tenha feito de forte e dito que foi de ter conduzido durante 2 horas! Homens...
01
Fev20

A longevidade dos velhos

Rita Pirolita
A longevidade dos massacrados impressiona-me mas faz sentido, se resistiram ao sofrimento a ponto de sobreviverem é porque estavam destinados a ser mais fortes ou aí se tornaram mais resistentes para chegar muitas vezes perto ou mesmo ultrapassar os 100 anos. Como sobrevivem as mães de filhos mortos em atentados? Não deitam por todos os poros que têm no corpo, uma raiva e revolta que cala os gritos por impotência de contrariar a maré e trazer de volta os filhos mártires???
Pessoas com 90 anos, deixaram de fumar há 2 porque a reforma já não dava para o vício e vê-se que ainda estão ali para as curvas!...
Dizem que se não tivermos muitas flutuações na nossa vida, de local, de alimentação e talvez quem sabe de preocupações e com uma grande ajuda genética podemos viver para lá dos 100. 
Pessoas que rezam e têm muita , não têm rugas e parece que andam tanto tempo que até elas próprias pedem para ir embora porque acham que estão a roubar tempo de vida a outros e não é justo uns viverem até tão tarde e outros morrerem tão cedo.
Aqueles que se queixam de todas as doenças, nunca mais morrem e dão cabo da cabeça a quem os acompanha dia sim dia nãàs urgências do hospital. 
Os velhos velhacos por menos que durem parece que andam a atazanar meio mundo faz uma eternidade.
Já que Deus não existe para fazer justiça, gosto de acreditar que a bondade e o sorriso ajudam na longevidade e que os maus passam rápido por este mundo...mas na realidade os maus duram demais e os bons gozam sempre vida curta.

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