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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

28
Abr21

Super-mulher

Rita Pirolita

Sou mulher mas não sou super!
Tudo o que escrever poderá ser posto em causa por falta de vivência de algumas coisas visto que não posso estar na pele de todas as mulheres de todas as épocas.  
Nunca quis eu casar ou ter filhos, coisa a que muitos torceram o nariz e puseram em causa a minha feminilidade, estas coisas não me fazem sentir mais ou menos mulher nem nunca foram a razão da minha existência que continuo sem saber qual é, ou porque não existe mesmo ou porque não me interessa encontrá-la! 
Há uns tempos veio a discussão sobre a lei que permite ao homem contrair matrimónio 180 dias após um divórcio, enquanto a mulher tem que esperar 300 dias mas se quiser apressar a coisa terá que provar que não está grávida. 
As leis são um mal necessário, mostram que não somos pessoas de bem, somos seres das cavernas armados em senhores civilizados.
As conquistas de direitos e liberdades femininas devem ser aproveitadas e usadas com consciência e respeito por quem lutou por elas mas reconheço que muitas vezes numa sofreguidão exacerbada de independência, acumulamos tarefas para provar que somos capazes e esquecemo-nos de arranjar tempo para nos diferenciarmos dos homens.
Tenho a certeza que não existem super-mulheres por isso nem tento vestir a fatiota! 
19
Jul20

Eu não vou ver os U2

Rita Pirolita
Quem é que não vai a um concerto dos U2 mesmo que lhe pagassem e não tivesse que ir fazer figuras tristes a dormir ao relento com este frio, para conseguir um bilhete?...

Quem é, quem é? 

Bem, se me pagarem 1 milhão de euros vou de tampões nos ouvidos, se me pagarem outro milhão tiro os tampões mas enfio-me na casa-de-banho dos homens, porque sem tampões não aguento a das gajas!
21
Mar20

Millennials, centennials e snow flakes

Rita Pirolita
Mais um jantar de amigos de conquilha coberta de coentros e acidosa laranja amarela, tarte de côco em bocadas tropicais, vinho tinto mostoso e verde picante, cerveja luposa no goto e ao gosto de cada um e de todos! 
Noites quentes de calafrio tardio, cão satisfeito a rondar a mesa em tentadas infrustradas de petisco fácil. 
Por cada olhar canino tão convincente, que parte corações, iriamos até ao fim do mundo buscar um osso de roer, mesmo que não precisasse e estivesse a rebentar de obesidade, não é o caso ainda mas com tanta insistência não demorará a chegar ao estado de intumescida salsicha com pernas!
Ar feliz em casa de mar, cheiro a fumeiro e cacimba de lua, as conversas saem parvas com ruidosas gargalhadas sem vizinhos para queixa, as falas tornam-se sérias por breves segundos, a minha tentativa forçada de tirar nabos da pucara para escrever este texto sai frustrada com perguntas tão corriqueiras que nem as reconheço como minhas, armada em psicóloga da fava bruxosa ou terapeuta de banha cobreira que recorre a métodos brumosos para obter respostas. Ainda bem que a tentativa não tem resposta que a alimente, em pouco tempo percebo que nem a noite nem o convívio são de forças medidas, nunca serão, shame on me!...
As ideias e deduções seguintes são imaginação despretenciosa de como se foi confirmando ao que hoje se chegou!
O tema que desse fruto, esperava eu, seria a desgastada caixa de Pandora que revive como Fénix, homens e mulheres que de tão reprodutiva coelhice, nunca se extinguirão a não ser por força maior catastrófica de natureza desalmada e impiedosa com a pequenez sexual.
As mulheres são mais inteligentes? 
Para mim que o sou, não... 
Os homens que planam na pragmância levam a vida com mais esperteza e contemplativo esforço! 
As mulheres são difíceis de aturar e não se aturam a elas! Engalfinham problemas para inventarem soluções, baralham-se e voltam a dar-se!
São primorosas picuinhas de introspecção dilatada, porque uterinam as crias? 
Os homens acomodam-se em atitude de vida que está bem assim na constança do ócio, as mulheres esbracejam e sangram energia em gritos de protesto, não foram à guerra mas querem arranjar uma sua!
Dos primórdios os homens não engravidam, um só espalha crias em úteros abertos e receptivos que depois de fecundados, se a cepa pegar e o enxerto não desmaiar, tão depressa não estarão disponíveis para nova aventura. 
Os olhos fêmeos brilham de atracção ao melhor exemplar testeróneo que garanta cria forte e sobrevivente, não uma semente definhosa, que não desponte da terra, nem lhes cresça para dentro bem fundo e arreganhe em orla de gordura sangrenta.  
Degladiam a procriação pelo macho mais dotado que lhes dê varão, usam dos métodos mais escabrosos e escondidos de traição às restantes fêmeas pela primazia da escolha, a evitarem a segunda-mão no leito que cabe às mais ousadas e tratadas com menos requinte e respeito. 
Fémea usada e engravidada não é surpreendida na virgindade nem tem novidade, macho experiente tem procura para envolver, dominar e sustentar.
Abespinham-se com piropos e criam leis que os condenam, quando os machos querem é espalhar semente ao vento, debaixo de humidade moliqueira ou apenas dar música de acasalamento em competição garbosa e marialva.
O choque é de vontades e aumenta o fosso, quando os seres que se julgam civilizados ainda lutam para serem instintosos, como se vestíssemos um macaco com fato Hermenegildo Zegna e o largássemos a engatar macacas numa discoteca, cheias de perfume a lixiviar as feromonas, o símio fica baralhado e acaba por se lenganhar no fácil sem consequência, engancha o esporádico de prazer fugidio, sem prolongamento genético! 
Ela pensa da altivez da eleita e escolhida mas ele é que se entrega à escolha, em torpor e libertino desleixo.
Elas já não são domésticas nem falsas submissas, apaixonam-se por cartões de crédito não podem por isso reclamar muito crédito, vivem e largam o momento.
A estabilidade dos millennials e centennials está na mudança supersónica, snow flakes que morrem ao focinhar chão! 
Nos jantares que nunca chegam ao fim, forçamos o cansaço a fazer despedidas, de barriga cheia e alma regada, o cão adoptado de rua e lixo espraia-se nas pernas de um macho rendido a sofá fundo e morno de lareira!        

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