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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Trump fez um manguito

Rita Pirolita
 
Anda tudo indignado com o virar costas de Trump ao acordo de Paris... 
Os países ricos e civilizados contribuíram para o aumento da poluição à procura de lucro fácil e rápido ao produzirem em países pouco desenvolvidos, a explorar mão de obra quase escrava. Contribuem para a manutenção da guerra ao produzir armas para a combater. 
Quando a guerra e os efeitos da poluição estavam longe das vidas limpas e civilizadas, ninguém se preocupou, agora que todos sofremos os efeitos também ninguém faz nada e todos são indignados do sofá. 
Perguntem à França quanto armamento produz e a quem vende, à Alemanha o que se passou com os carros da Volkswagen, Espanha insiste na actividade da central nuclear de Almaraz que já devia ter encerrado há pouco menos de uma década, as fábricas da Coca-Cola na India dão trabalho às mesmas populações a quem roubam água potável, milhões na China trabalham horas a fio em troca de abrigo e uma tijela de arroz, em Africa e no Brasil terra fértil continua a ser destruída em busca de metais preciosos e a Arábia Saudita continua o seu domínio tentacular ao controlar a exploração do elemento mais poluidor à face da terra...
De que nos serve separar o lixo ou não deixar água a correr enquanto escovamos os dentes se depois as Câmaras Municipais reciclam muito pouco, porque sai caro e queimam quase tudo ou criam áreas enormes de relva que necessitam de quantidades astronómicas de água para a sua manutenção, quando podiam apostar em espécies autóctones em auto-gestão.
Eu sei que uma gota no oceano pode fazer a diferença e muitas ainda melhor mas Donald Trump apenas fez um manguito a uma coisa que não existe. 
Precisamos de acções e não de acordos de papel.
05
Ago20

Massificação

Rita Pirolita
Caracóis regados com muita jola, abertura da época de caça cujos dias acabam sempre em ambrósias comezainas de javali, lebre ou seres com penas, touradas...
Mediante tanto animal à solta, surgem sempre os indignados ou defensores destas práticas.
Um dos problemas é a massificação e condições em que os animais são criados difícil de contornar por sermos tantos neste planeta.
Comer deveria ser encarado como acto de sobrevivência e não como uma palermice gourmet de desperdício, não havendo necessidade de sermos bárbaros, progredindo com inteligência e respeito pelo equilíbrio da natureza que nos dá o alimento.
Mas se não fossemos quem somos outras coisas haveriam que não guerra e fome...
25
Jul20

Investimento no futuro

Rita Pirolita
Passamos a vida a matar o prazer do presente e a agourar e precaver catástrofes no futuro. 
Usamos cremes para evitar rugas antes que elas apareçam, porque já temos a certeza que vão aparecer ou porque queremos retardá-las ou até eliminá-las? 
Como saber se não teremos uma pele melhor sem a sufocar com make-up, ou desgastá-la com limpezas e peelings?
Não teremos curiosidade em saber como seremos naturalmente daqui a uns anos? 
Cada vez mais quero saber, é um desafio ver e até ir aprendendo a ficar satisfeita com o avanço, mais que desiludida ou irritada, treino assim a boa disposição, aceitação e positivismo e é sinal que estou viva!
Esfalfamo-nos a trabalhar, obrigam-nos a entregar rendimento do presente para assegurar o futuro na velhice, perdemos os melhores anos a juntar para gastar nos piores.
E se não chegarmos lá ou chegarmos em tão mau estado que só nos reste esperar ou desejar a morte?
Apostamos nos homens e mulheres de amanhã, lutando por  lhes dar a melhor educação quando os putos chegarem a adultos com a velocidade que isto leva, tudo o que se ensinou estará desactualizado, mas fizemos  o nosso melhor a pensar num futuro cristalizado, num presente que nem sabemos processar na sua causa e consequência.
Fazemos dietas para o próximo verão, para parecer bem aos outros, mais que para nos sentirmos melhor e mais saudáveis desde o presente dia que as iniciamos!
Deixa-se crescer o cabelo para se cortar no ano seguinte, porque a moda assim o manda e até sempre nos ficou bem, tirando anos de cima, num visual renovado! 
Fazer a guerra agora para alcançar a paz depois, quando a paz é que deveria ter presente e manter-se para evitar a guerra e não ser só futuro prometido.
Aprisionamos animais em cativeiro a prever a total extinção, tão evitável se agirssemos agora e já!
Fazemos seguros a puxar desgraça para acidentes que podem ou não acontecer, quem anda à chuva molha-se e se tiver guarda-chuva...também se molha!
Na próxima relação é que vou viver, descontrair, ter prazer e nunca traição!
Vamos adiando fazer e dizer em jeito desajeitado, à espera que tudo melhore! 
Se investimos no futuro, desinvestimos no presente e o futuro será tudo o que fizermos agora! 
A escolha é livre e não pode ser possuída mas pelas mãos nos passa a órfã responsabilidade!
20
Jul20

As mulheres que não querem

Rita Pirolita
As mulheres que não querem ter carreiras, que querem ficar em casa a cuidar dos filhos a organizar o seu tempo, a não ir à guerra fora de casa, a procurarem no supermercado as únicas promoções que fazem parte do seu dia-a-dia...
Embora não discordem e até apoiem, não faz parte do seu quotidiano andarem metidas em confusões de liderança e representação empresarial mais activa, atribuindo a desigualdade salarial à simples existência dos homens.
Se forem trabalhar têm que pôr os filhos na creche e lá se vai o dinheiro, mais vale ficar em casa, não se ganha mas também não se gasta e mais importante, cansa na mesma mas não desgasta tanto. 
Eu tenho costela de doninha de casa mas sem filhos e muito menos sem um gajo chato de quem não dependa.
Embora não faltassem pretendentes, quando era mais nova não ligava a essas coisas nem tinha paciência para submissões em troca de dinheiro, agora que estou mais velha a visão mudou mas também já não vou a tempo de nada e a pouca paciência que tinha...esqueci-me onde a pus.
Nunca tive o sonho de me armar em empreendedora ou mulher lutadora para mostrar orgulhosamente que era independente, também ainda não casei com um gajo rico que tivesse dinheiro suficiente para me sustentar sem andar a contar tostões à pobre. 
Sou rapariga sossegada, vegan, não uso peles, não gosto de caviar, ostras ou alcool, sou boa dona-de-casa, sei coser meias, embora isso não acrescente nada ao currículo porque nos dias que correm, meias com buracos deitam-se fora e agora a moda até é andar sem elas. 
Só preciso de um cão para ir passear e conhecer Sugar Daddys. Mesmo em idade avançada ainda me considero em bom estado e disponível para adopção.  
Nunca fez sentido dar o meu melhor, quanto mais armada ao pingarelho do profissionalismo, quanto mais e melhor fazes mais trabalho te dão e não te pagam mais por isso, com a grande desvantagem de só atraíres inveja das cabras do trabalho.
Nunca tive jeito para mandar em cães e crianças, quanto mais domar gente e lucrar com o seu suor.
Tive oportunidade de subir na horizontal porque tenho atributos que atraem esse tipo de promoção como néons, não o fiz mas se o fizesse, quase de certeza hoje não estaria arrependida e as únicas a insurgirem-se pelos corredores seriam as gordas do trabalho. 
Eu sei que não é justo mas também não venham com  a conversa da ressabiada, têm a opção e liberdade de fazer dieta, podem é não ir a tempo de ficar com o lugar.
14
Jul20

Nem de lá nem de cá

Rita Pirolita
Costumo deleitar olhar e alma com televisão made in Madeira ou Açores.
Magazines culturais, de costumes, de festas e eventos religiosos. 
Sambas importados não e muito menos meninas de traço rude e cabelo oxigenado das américas do norte e latinas, essas se dispensam pela distância de hábitos e desfile de modas de além-mar, de lantejoula ou cetim agarrados a curvas em demasia, por isso deixo já de falar delas, mesmo fazendo parte da paisagem no verão das ilhas!
As notícias são de lá e por lá ficam, dadas com timidez cândida, sem contaminação, só a eles pertencem, só a eles dizem respeito com todo o respeito pelas do mundo. 
Se vivem sem guerra, longe da desgraça mundial, porque não evitarem o contágio?!
Existe poder informativo acima de qualquer palhaçada espectacular. 
Se têm programas pirosos? Se calhar, não vejo nem conheço mas aqueles que falam pelas gentes, são a delicia de ouvir sotaque recatado de boca mais fechada, conhecimento sem invenções ou circo de turismo. 
Almas habitantes das ilhas não se podem sentir perdidas nem na terra onde poisam o corpo nem no mar que nunca será seu, pela imensidão de ligar outros solos.
Em todos os locais de Portugal há uma rua Direita, da Igreja ou da Sé e uma praça Central, ali não será excepção mas a rua Direita pode não ser tão directa como isso. 
Mal sabiam as moçoilas na ansiedade de se livrarem da insularidade ao agarrarem-se a um continental, que se estavam a afastar da simples quietude e não do atraso ou monotonia, que iam mergulhar num mundo caro demais para o engano!
O isolamento pode desesperar e enlouquecer mas também protege da insana invasão. 
São estes piratas de barco fundado, feito de montes de preta pedra, de hortenses e esterlícias, que falam da terra em  permanente desterro orientado na imensidão do oceano, que se sabe Portugal e não ilha-país como tantas há por esse mundo fora.
Pedaço de nação que já foi o único que nos restava, resistente Adamastor a investidas espanholas de nos tirarem pedaço em terra-continente. 
Ilhas de refúgio real, de escritores e loucos artistas, prodigiosos poetas e prosistas de linguajar denso e polposo-sumarento.  
Se atrasados são estes, eu que não sou gente nascida lá nem muito menos sou de cá, será que me deixam ser de lá?...
 
01
Jan20

E o Homem criou Deus

Rita Pirolita
E o Homem criou Deus para se desculpar e vitimizar!
A religião é perversa, foi criada para limpar o mal que já sabíamos ser e ter de antemão em nós. 
Invoca-se Deus para perdoar o mal que já está feito. 
Se fossemos alguma coisa de jeito o mal que surgisse era assumido de tal forma que nos responsabilizávamos a ponto de o corrigir e não perpetuá-lo, pagando guerra com guerra ou violência com violência! 

Não há um Deus que castiga e julga e em seu nome tudo podemos fazer mas todas as acções têm uma reacção e nada se evapora, tudo é deste mundo, ou acham que o simples facto de porem gasolina no vosso carro, por causas tão nobres como ir trabalhar para alimentar os filhos, vos demite da culpa das guerras nos países do Ouro Negro?

Acham que se podem vitimizar, dizer que não têm medo e combater o terrorismo com homenagens de velinhas e  limitando as comunicações e divulgação de imagens dos ataques??? 
As vidas na Europa, valem mais que no resto do mundo??? O sofrimento de ver familiares a morrer, é maior na Europa??? 
Os que sempre viveram rodeados de pobreza e guerra e nunca conheceram vida melhor, estão por isso habituados a ver morte e fome e não ligam tanto e ultrapassam melhor???

Os que mataram foram abatidos, nunca sentirão a culpa de matar, apenas sofrem uma bala de julgamento rápido e eficaz!  

Se culparmos os políticos que elegemos por trocarem armas por petróleo, não temos nós também que assumir a vergonha dessa hipocrisia e ganância???

Deixamos que os jornalistas nos convençam e criem a desordem, para desviar a atenção com notícias encomendadas! 
Que a Europa está a ser invadida por Árabes terroristas, para legitimar a continuação das guerras, que  na América, negros e brancos não se gramam, lançando apelos e fazendo manifestações com membros infiltrados, pagos para espalhar a confusão. Ao empolar o racismo, fazem nascer ódio onde ele não existe, quando na realidade os negros são assassinados na sua maioria por negros e os brancos por brancos. 

Apelidamos os que se fazem explodir ou atropelam, de ignóbeis, quando os nossos filhos nunca viram a família morrer na guerra. 
A maioria dos pais demite-se do  importante trabalho de educar, depositando essa responsabilidade em igrejas e escolas com doutrinas redutoras de alienação, que controlam e manipulam o pensamento e mentem no que ensinam.
Ou pensam que os vossos filhos criados no conforto do ar condicionado, não são facilmente recrutáveis por um futuro incerto e vazio para a dependência das drogas, para matar e roubar em nome do Deus da desresponsabilização!

Se o Homem não tivesse imaginado deuses tínhamos a consciência do equilíbrio e não acreditaríamos numa vida  justa depois da morte, porque essa já existiria aqui na terra! 

Somos crianças mimadas, partimos os brinquedos, escondemos os cacos e pedimos por mais para destruir! 
O Universo não é uma dádiva humana infinita mas a transformação é ilimitada e ensina, nós é que nunca quisemos aprender! 
A facilidade da destruição aliada à felicidade da ignorância, trazem os resultados mais atrozes!

A verdadeira Biblia do Homem está a ser escrita à revelia da Bíblia dos Contos de Fada, numa tradução incompreensível!
10
Dez19

Mariquinhas pé de salsa

Rita Pirolita
Da boca de todas nós já saiu pelo menos uma vez...não, não estou a falar de asneiras, comigo então, saem-me todos os dias nas mais variadas situações, estou a falar de ditos populares que apelidam os homens de mariquinhas, como não aguentando uma unha encravada, se tiverem uma dor de cabeça vão morrer, preparam as homilias mas antes o mundo acaba sem poder ouvir mais os seus ais, se alguém tem um tumor benigno, eles estão em fase terminal de metástases até à ponta dos cabelos, se estão com uma gripe não há chá, vitamina C ou farmácia que os valha, só a canjinha da mamã, que também é a única que lhes consegue enfiar supositórios pelo cu acima, sem estrebucharem ou pensarem que podem vir a gostar tanto que mais tarde viram panilas!
Já sem paciência para aturar as suas lamúrias, chegamos ao ponto de lhes desejar pelo menos ter um filho que seja, na sua máscula vida sem útero, não sei por isso como seria possível darem à luz, não sendo, desejamos que as pedras dos rins se mexam e que vão parar às urgências com uma cólica renal daquelas, o chamado parto dos homens! 
Isto tudo são coisas comprovadas e vividas por quase todas, se não todas nós mas pergunto eu, desde os primórdios não eram os homens que caçavam, iam à guerra, defendiam as suas damas em duelos ou à porrada e batiam nas mulheres por necessidade de domínio e superioridade de força física também, porra??? 
Excluindo a porrada nas mulheres, que raramente retribuíam, lá havia uma ou outra que pegava na moca ou na frigideira e mandava a vulnerabilidade feminina e vitimização da violência doméstica às urtigas, na maioria das situações as alhadas em que os homens tinham que se meter para marcar território e mostrar bravura, deviam doer como o caraças!...
Emboraestou cá desconfiada, em algumas alturas foi mais uma feira de vaidades, um regabofe de gabarolice marialva...
Ora, se os homens já têm essa informação genética no corpinho desde os antípodas da humanidade, porque estará a desparecer? 
Querem que se acrescente, à já extensa lista de iniciais LGBT+, o MPS de mariquinhas pé de salsa?...
Gaja que é gaja, anda com dores de cabeça sem tugir nem mugir, das poucas situações em que grita e nem é de dor é mais para fazer força, é para deitar cá para fora aquele monte de carne ensanguentado com olhos, que todos já fomos...
Nos funerais as mulheres também são mais efusivas, nas discussões podem ser umas éguas relinchadoras, são muitas vezes umas cabras dissimuladas na competição, são de certeza umas loucas nas compras e perdem a compostura nos saldos e na caça aos gajos com graveto...
Já chega de expor as características femininas mais irritantes, segundo a opinião masculina, não a minha, cof, cof. 
Está visto que tenho de escrever um texto só dedicado a esta raça milenar! A seu tempo.
De resto, parece que andamos sempre armadas em pit-bull, com uma sensibilidade quase nula à dor e algumas quando agarram o osso já não largam...eu não, que sou vegan!
09
Dez19

A dor do próximo

Rita Pirolita
Já se questionaram porque estamos cada vez mais insensíveis à dor alheia?
É por saturação e banalização ou uma questão de sobrevivência?
 
Num passado não muito distante, éramos mais próximos e solidários com a dor da família, do vizinho ou até de alguém do bairro que era o nosso mundo, a fome e a pobreza eram tabu na TV, agora tudo é manipulado, somos mais ricos e ainda queremos mais, sofrendo de ganância e inveja por coisas dispensáveis, somos mais ciosos, matamos para defender o que pagámos caro com a mesma facilidade que matamos irmãos ou pais por meia dúzia de tostões ou metros de terra, temos mais e partilhamos menos, tratamos pior os que estão ao nosso lado e somos mais solidários à distância, porque essa ajuda é mais fácil e como não temos a desgraça ali ao lado, é todo um processo mais limpo, ausente de sofrimento, no quentinho do sofá, cheio de falsa bondade narcisista,  ao ponto de estarmos à mesa e não vomitarmos o jantar a ver uma criança morrer de fome ou corpos despedaçados com a violência da guerra, ela própria mais implacável que nunca, o inimigo já não se confronta corpo-a-corpo mas elimina-se com um simples carregar de botão no outro extremo do mundo e assim aliviamos o peso da responsabilidade e consciência da vida.
É banal sermos cada vez piores!
 
Como um corpo que entra em estado de choque num acidente, a dor é atenuada, não se sente, deixa-se de ouvir, ver e pensar, o corpo concentra energias para se agarrar à vida o mais que pode e afastar o infortúnio.
 
Será que nós também ficámos mais insensíveis por uma questão de sobrevivência na ilusão de agarrar uma inconsistente e esporádica felicidade?
 
Eu gostava de acreditar que há algo mais que possa ser feito antes de nos matarmos a todos...só porque já não sentimos a dor do próximo por estarmos em choque constante?...
01
Dez19

Nem pró menino nem prá menina!

Rita Pirolita





Ditadura da liberdade, é disso que sofremos e somos escravos, de uma liberdade coersiva, tão descartável que nem dá tempo para sermos consistentes, soltos e assumidos.

Fazemos tentativas inglórias de educar crianças num vazio sem referências, pensando que lhes estamos a dar liberdade para que cresçam sem grilhões, para que possam decidir o que querem ou fiquem confusas e mudem de ideias constantemente e queiram experimentar tudo sem se decidir por nada, como se fossem animais em cativeiro, objecto de experiências que logo se vê no que dá mas na realidade apenas nos estamos a demitir do trabalho que dá educar, porque em muitos casos também não sabemos como o fazer.

Não educar e deixar ao abandono é o poço da desorientação.  

Saltamos esquizofrenicamente da segregação sexual para uma mal enjorcada igualdade de género, acabamos por condicionar na mesma o carácter, com a nossa ansiosa mostra de adultos lutadores, que desfilam por causas nobres, em vez de expormos as crianças a cenários variados, para que a escolha seja mais consistente. 

Nenhuma criança vai pedir um brinquedo que não existe, se não que o invente ela própria e estimula assim mais a sua capacidade cognitiva.

A ausência de discriminação deverá sempre ter origem na igualdade de acesso às oportunidades e aí reside o problema, que nem nas auto-proclamadas democracias se cumpre, onde ninguém ocupa lugares por concursos justos de acesso e selecção ou mérito, onde até um lugar de pouco destaque e interesse é ocupado por cunha.

Salvo as raras excepções dos que se revelam génios, sem estarem expostos ao elemento para que mostram forte apetência e inclinação, dependem mesmo assim do factor económico ou sensibilidade de quem os acompanha, para poderem explorar e singrar na área para que estão dotados.

Sem comparação, é muito mais grave meter uma arma nas mãos de uma criança, que dar uma Barbie a um menino que a peça ou uma bola a uma menina.

As pessoas vão-se definindo e enriquecendo com a variedade de escolha e exposição aos vários ambientes que estimulam a capacidade de ultrapassar e resolver dilemas, problemas e questões, mais que pela imposição de uma longa, confusa e espartilhada lista de regras e condicionamentos de comportamento.

Não queremos adultos a sair do armário constantemente, porque nunca ninguém os aceitou como eram mas também não queremos aproximar géneros e desvanecer diferenças saudáveis e complementares com medo de ferir susceptibilidades.

É muito difícil, se não impossível, proporcionar igualdade de oportunidade de acesso, é mais fácil por preguiça política, colocar todos a pensar e concordar com o mesmo, numa consciencialização forçada e tolerância paralisante que culminam num desnorte de conceitos!

A diferenciação de género e do indivíduo deve-se basear na livre escolha e acesso a oportunidades e não na incongruência de quem não sabe o que quer ou não sabe ter ideias próprias, porque foi criado com mimo e dinheiro!

Post Scriptum em jeito de grito...

Porque há coisas mais importantes para resolver no mundo, que atiram este tema para um canto!

Pensem apenas em crianças que nunca brincaram e cresceram no meio da morte, miséria, guerra e fome...o resultado é assustador, não é???

A não ser que sejam gerações depuradoras, que tragam a mudança por oposição ao erro em que nasceram!





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