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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

19
Out19

Grávidas ou gordas?

Rita Pirolita
 
Por causa de umas fotos de uma cantora, que mostrou o seu corpo após um mês de ter sido mãe do segundo filho e também porque sempre existiram grávidas, magras, assim-assim, balofas, gordas, baixas, altas...
 
Estar grávida deve ser muito bom e motivo de orgulho para quem gosta. 
Eu que não tenho filhos por opção, tenho uma visão muito objectiva e distânciada o suficiente, para não criticar e apenas constatar factos. 
Na boca de muitas mães, a beleza da maternidade sobrepõe-se a mazelas, ao mau estar, à depressão, à emoção, ao choro por tudo e por nada, ao peso excessivo, às  noites mal dormidas, às crostas nos mamilos, às estrias, às pernas inchadas que nem um elefante, a uma recuperação lenta e dolorosa fisica e sexual, mas muitas e com as redes sociais ainda mais, começaram a mostrar que como tudo também este estado de graça das mulheres, tem um lado menos bom e mais desconfortável, que elas, de sorriso na cara, querem partilhar com o mundo e preparar futuras mães para coisas naturais que acontecem a quem tem um ser dentro de si a crescer sem parar, até que não caiba mais e tenha que saltar cá para fora.
Não me choca nada ver grávidas ou mulheres após o parto com uns quilos a mais, o seu corpo conta uma história que espero, esteja mais repleta de curvas felizes que tristes percalços. 
As mulheres acabam sempre por ser as piores críticas umas das outras, a verdade é que não se deve incentivar a obesidade ou a anorexia e sim promover a aceitação.

Neste caso vou falar de momentos embaraçantes entre géneros diferentes, pondo a cabrice feminina de parte.
O moço tem sido vitima de enganos sucessivos que lhe têm custado amizades e provocado alguns amuos. 
 
Das muitas vezes que encontrou colegas que já não via faz muito tempo, para ai desde a secundária, em alguns casos precipitou-se e perguntou para iniciar conversa por cortesia, quantos meses faltavam para a feliz hora da cria saltar cá para fora? Ao que percebia pelo embaraço ou simples linchamento com o olhar, que aquilo não era gravidez mas sim casos graves e de gravidade lipídica. 
Começou a aprender com as repetições de maus encontros, que se não conseguia distinguir uma orca de uma orca grávida, mais valia ficar calado para não andar sempre a meter a viola no saco e não ir cantar a mais freguesia nenhuma. 
Estes breves encontros, encurtados ainda mais pela nossa estupidez e precipitação, acabavam com a triste justificação do outro lado, que o seu estado se devia a um problema de tiróide e não de gula. 
Para mim esta explicação chegava e sobrava, para aquilo que queria saber de alguém que não via faz anos.
 
A mim também me aconteceu com amigos meus, que não tinham gravidez nenhuma a não ser de cerveja, parece que tinham sido atacados por um enxame de abelhas e andavam num torpor tal como se fossem alérgicos às picadas e estivessem só na esplanada à espera que passasse, para se atirarem ao caminho para casa, de cabeça mais leve.

É por estas e por outras, que o moço para não se sentir discriminado continua seriamente e com afinco a tentar a sua sorte, como candidato à maior barriga Nenuco do ano.
 
Nenhum de nós alguma vez fez observações intencionalmente maldosas, fosse a quem fosse mas a nossa inocente distracção, culminou em momentos de vergonha e embaraço.
 
Perdemos a oportunidade de reatar contacto com alguns amigos à pala desta brincadeira e mesmo que emagreçam ou deixem de beber tanta cerveja, nunca mais na vida os vamos recuperar.
10
Ago19

52 semanas

Rita Pirolita
Porque falam as grávidas em semanas em vez de meses, se querem mesmo baralhar, falem em dias ou horas. 
Eu sei que 52 semanas equivalem a um ano e isso é o tempo de gestação de um burro!

Dá-se música clássica às barrigas para parirem génios?!... 
Eu não tive nada disso e reparem na sumidade que sou!
 
Amor e educação dos progenitores não são garantidos, a vida, a escola ou a escola da vida que façam esse trabalho.
 
Crescemos em moralidade imposta, nunca compreendida ou explicada por quem nunca a praticou.
 
Não sou parecida com ninguém de família mas todos me dizem que conhecem alguém parecida comigo.
Se calhar sou fruto de (a) parição espontânea.
 
Gostava de ser melhor todos os dias por intuição e não por oposição aos que me alimentaram a quem peço que não me humilhem e não me deixem dívidas.
12
Mai19

O Retiro

Rita Pirolita
Rentabilize o seu tempo, não faça nada, faça jejum, limpeza espiritual, durma em cima de tábuas, faça silêncio e ouça a sua alma respirar, tudo isto como se estivesse no conforto da sua casa e pela módica quantia de 500€ o fim-de-semana.   
 
Ainda bem que isto é caro e por isso só dirigido a pessoas que não têm dificuldades em sobreviver, o comum dos mortais com pouco dinheiro, dorme que nem uma pedra ou sofre de insónias, cansaço do trabalho e de aturar filhos, come com um orçamento apertado o que o obriga a uma ginástica mental capaz de atrasar o aparecimento de Alzheimer, acorda sem paciência para as filas de trânsito ou para aturar o patrão, não há tempo nem para invocar Buda ou dizer Namastê pela manhã mas lá vai lutando pelo tempo que encurte até à reforma.
 
Ele há pacotes de yoga+surf, para grávidas, para rir, suspenso, suspenso a beber cerveja, em cima da prancha de paddle, palestras de coaching espiritual, livros de auto-ajuda tão repetitivos e enfadonhos que concluímos que tudo se poderia resumir a um panfleto de uma página ou nem precisava de ter sido escrito. 
Tudo tem níveis de evolução com preços diferentes e quando somos virgens nestas andanças se não tivermos cuidado fazem-nos sentir burros, sobretudo com a pergunta 'o que andamos cá a fazer?' Acham que se andássemos cá a fazer alguma coisa de jeito já não tínhamos encontrado a resposta?...  

Qualquer tentativa de denunciar estas actividades por extursão nunca resultará porque só lá vai quem quer, como os bruxos e demais charlatães - "Traz até mim o teu dinheiro, assim ficas com menos para gastar em coisas que não te trazem felicidade e eu sei dar-lhe melhor destino."
Já todos sabemos o fim infeliz que muitas seitas tiveram e cujos mentores apenas queriam satisfazer os seus desejos mais doentios, numa tentativa de se iludirem e iludirem os seus seguidores de que tudo era em nome do bem e da salvação. 
 
Se isto é tão importante e natural porque não promovem encontros gratuítos, na India não há cá frescura, ninguém pode pagar e os gurus estão na rua a receber a comida que quem passa pode dar, emborcam arroz com caril até ao fim da vida, mantêm-se magros porque comem quando há e o jejum forçado abre portas à clarividência espiritual.
 
Sou muito boa a fazer nada, não passo fome com comida à frente, é uma ofensa para quem não tem o que comer, cada vez falo menos porque aprendi que só traz vantagens e quase sempre me falha a paciência para ouvir gente, durmo que nem um passarinho, respiro muito bem porque desde que nasci fui obrigada a fazê-lo e não desperdiço dinheiro, muito menos em promessas vãs

A felicidade é uma perspectiva e cada um com a sua, não se compra nem se ensina, quando pensas que és feliz...já foste!

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