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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

O poder dos intermédios

Rita Pirolita
 
Se já são gordas não comam em público com cara de nojo de quem está a fazer uma dieta rigorosíssima para ser modelo plus size, com o vosso corpinho ninguém acredita que não querem devorar num minuto o que têm à frente!...
Se já fizeram todas as dietas do mundo e nada resultou ou estão naquela idade de merda que tudo cresce menos o dinheiro na carteira, mais vale serem rechonchudas felizes ou gordas assumidas que magras impossíveis de aturar. 
Tudo o que fazemos nunca chega e ficamos escravas do absurdo inatingível. Queremos ser o imaginário de ninguém.
O culto da independência esconde a incapacidade de saber estar acompanhado. 
Vivemos na ilusão dos amigos distantes, para nem cheirarem a nossa orgulhosa solidão numa selfie. 
Se temos 500 mil likes no facebook, outros 5.500 biliões não sabem de nós, se acabamos de sair do cabeleireiro ninguém nota...e o meu moço tem uma ejaculação ocular com a mulher do anúncio que exibe pernas até à cintura...e eu não me importava de ser lésbica ou pegar na mão dele e ir ter com a photoshop baby para um ménage à trois!
Eu sei que aquelas gajas não existem assim na vida real, mas quando tenho mais umas gramas em cima do pêlo sinto-me uma porca em pé e até os brincos me ficam mal! 
Imagino que só existo com photoshop e sem intermédios!
 
20
Jul20

As mulheres que não querem

Rita Pirolita
As mulheres que não querem ter carreiras, que querem ficar em casa a cuidar dos filhos a organizar o seu tempo, a não ir à guerra fora de casa, a procurarem no supermercado as únicas promoções que fazem parte do seu dia-a-dia...
Embora não discordem e até apoiem, não faz parte do seu quotidiano andarem metidas em confusões de liderança e representação empresarial mais activa, atribuindo a desigualdade salarial à simples existência dos homens.
Se forem trabalhar têm que pôr os filhos na creche e lá se vai o dinheiro, mais vale ficar em casa, não se ganha mas também não se gasta e mais importante, cansa na mesma mas não desgasta tanto. 
Eu tenho costela de doninha de casa mas sem filhos e muito menos sem um gajo chato de quem não dependa.
Embora não faltassem pretendentes, quando era mais nova não ligava a essas coisas nem tinha paciência para submissões em troca de dinheiro, agora que estou mais velha a visão mudou mas também já não vou a tempo de nada e a pouca paciência que tinha...esqueci-me onde a pus.
Nunca tive o sonho de me armar em empreendedora ou mulher lutadora para mostrar orgulhosamente que era independente, também ainda não casei com um gajo rico que tivesse dinheiro suficiente para me sustentar sem andar a contar tostões à pobre. 
Sou rapariga sossegada, vegan, não uso peles, não gosto de caviar, ostras ou alcool, sou boa dona-de-casa, sei coser meias, embora isso não acrescente nada ao currículo porque nos dias que correm, meias com buracos deitam-se fora e agora a moda até é andar sem elas. 
Só preciso de um cão para ir passear e conhecer Sugar Daddys. Mesmo em idade avançada ainda me considero em bom estado e disponível para adopção.  
Nunca fez sentido dar o meu melhor, quanto mais armada ao pingarelho do profissionalismo, quanto mais e melhor fazes mais trabalho te dão e não te pagam mais por isso, com a grande desvantagem de só atraíres inveja das cabras do trabalho.
Nunca tive jeito para mandar em cães e crianças, quanto mais domar gente e lucrar com o seu suor.
Tive oportunidade de subir na horizontal porque tenho atributos que atraem esse tipo de promoção como néons, não o fiz mas se o fizesse, quase de certeza hoje não estaria arrependida e as únicas a insurgirem-se pelos corredores seriam as gordas do trabalho. 
Eu sei que não é justo mas também não venham com  a conversa da ressabiada, têm a opção e liberdade de fazer dieta, podem é não ir a tempo de ficar com o lugar.
28
Dez19

Ossos largos

Rita Pirolita
 
E quando encontras aquela amiga que não vês faz muito tempo e com falso entusiamo e simpatia, para disfarçar a admiração de tal dilatação corporal que quase não a reconheces e já não vais a tempo de mudar de passeio, começas a abrir a boca para perguntar quando nasce a criança e ela ao ver o teu ar de parva surpreendida, disfarça que também está radiante por te ver e com um sorriso mais amarelo que mijo de diabético, atalha logo os teus pensamentos com a desculpa de que não está gorda nem pesadona, apenas desde a altura que nos deixámos de ver na preparatória, os ossos alargaram e a tiróide descontrolou-se. 
Respiro de alívio, sou salva à última da hora pela falta de olhos na cara e espelhos em casa da minha amiga.
17
Dez19

Variantes

Rita Pirolita

 

 
Cá vou eu falar outra vez de aparências, como gaja que sou!
Como já dei a entender noutras escritas, não sou nenhuma bomba mas também não sou nenhum aborto de pessoa.
Tenho altura para ser modelo mas não paciência e não gosto de drogas, detesto exercício fisico com sofrimento e por obrigação, adoro mexer-me e só estou parada quando estou a dormir e mesmo assim é complicado. 
Não faço dietas, como com ameno prazer o melhor que posso, detesto que liquidifiquem tudo em batidos, gosto de ver e sentir os alimentos, sou incapaz de beber sumo de limão, só limonada com algum açúcar. Sei o que são vegetais e fruta e dispenso produtos animais, em primeiro lugar porque não gosto e em segundo porque até dá jeito não os sacrificar e explorar. 
Na comida no sexo e na amizade, não há fretes nem risos amarelos, por isso se me comparar às vedetas que se mostram ao mundo através das redes sociais, chego à conclusão que muito bem estou eu sem sacrifícios, não tenho as mamas descaídas como algumas com pouco mais de metade da minha idade, que fazem plásticas, têm PT, devoram limões e batidos, não sabem o que é comida a sério há muito tempo, não fazem mais nada senão, tirar adiposidade, ir às massagens, fazer branqueamentos dentários, viagens e dietas loucas para atrair a atenção e elogio de outros tantos como elas e no entanto parece que andam presas por fios. 
Para completar o ramalhete, têm que arranjar quem tenha paciência para as aturar e dinheiro para sustentar.
Enganam e alimentam a insegurança com elogios alheios, abusando de imagens que mostram muita carne e pouco pano.
O que posso dizer destas alminhas em etérea e eterna deambulação???
Nada, porque o Gustavo Santos é que é bom em máximas absolutas. 
Apenas deixo uma questão. 
Quantas variantes existem de prostituição?
A foto que ilustra este texto foi escolhida com base nas mamocas descaídas, de resto não conheço a rapariga de lado nenhum mas tem cara de boa moça! 
02
Dez19

Contos da Estrelinha Serigaita - A gorda

Rita Pirolita
Brincadeiras de fim de tarde antes de jantar. 

Desavença que surge entre a mais gorda da escola e uma das mais magras, eu.

A gorda é peluda, feroz, feia e carrancuda, eu sou só feia e magriça, rápida no pontapé e murro, nunca puxei cabelos, coisa de menina e não de maria-rapaz.

Foi a única e última vez que alguém me meteu medo, um murro em plena têmpora, fez-me cair na soleira da porta do meu prédio...que humilhação! 

Não sei como a amorfa figura se antecipou à minha agilidade rapazola. 

Estou feita, já não me consigo levantar a tempo de responder com força. Quando acordo, todos me abandonaram, viraram costas à fraca figura que se deixou abater por uma gorda, sem tempo de virar o resultado no ringue de rua.

A partir desse dia nunca mais me pôs um dedo em cima, a gorda que sofria daquele tipo de gordurice que se ia agarrar aos ossos até ao fim da vida, esperava eu. 
12
Set19

A TV das ilhas

Rita Pirolita
 
Não sei se já repararam nos estúdios, adereços e roupa dos apresentadores de qualquer programa feito nas ilhas seja da Madeira ou dos Açores.

O décor dos estúdios parece o departamento de revenda de móveis danificados da Moviflor, as roupas são do mais requintado look tropical emigrante, as notícias são dadas com isenção e parcimónia em tom coloquial.
 
Quando esteve ‘desempregada’, a Manelita podia ter aproveitado para revolucionar o formato da informação nas ilhas, com o risco de ficar sem um ou os dois bracinhos na tentativa de adoptar um fila de S. Miguel.
Esta raça não ‘embarca no inferno’ de jornalistas desinformados, ignorantes, inconsequentes e mal educados.
 
Estes trabalhadores da comunicação além mar, não se cobrem de brilhantina e falso profissionalismo, não fazem reportagens esquizofrénicas em directo a encher chouriços, a trocar tempos verbais à Jorge Jesus e quase nunca perguntarem o nome de quem entrevistam, haja o mínimo de respeito pelos anónimos. 
 
Em vez de uma senhora obesa na meteorologia dos Açores, todos preferiam ver uma sereia a anunciar altas temperaturas para o grupo central mas não é isso que vai fazer parar a chuva, característica quase diária destes territórios insulares. 
Esta senhora não é nenhuma caloira, não está ali para se despir e assim subir na hierarquia televisiva, lá está, o aspecto não influencía em nada a qualidade da informação sempre manipulada de raiz.
02
Mai19

Santa com queda

Rita Pirolita
Em plena canícula do mês do emigrante, surge a notícia de última hora, andor da Senhora da Aparecida com cerca de 23 metros e 1500 quilos de peso, esbardalha-se e faz 7 feridos sem gravidade!
 
Aconteceu numa qualquer aldeola, perto da igreja, queda abençoada e amparada! 
Resta saber, quantos homens com que estatura e força iam a segurar o andor? 
Está visto que se dedicaram demais à catequese em detrimento da escola, chumbaram todos a matemática e física, depois queixam-se que aconteçam acidentes destes, evitáveis se tivessem feito contas ao peso, altura e força necessária para deslocar o gigantone em segurança e tivessem contado com a determinante lei da gravidade, mas não, andaram todos a rezar para passar nos testes, em vez de estudarem e deu nisto, meia dúzia de nódoas negras elevadas ao cubo! 
Já para não falar que acreditam em almas penadas do outro mundo, envoltas em fumos de enxofre do Mafarrico, quando as únicas que andam armadas aos cucos a dar trambolhões de meia-noite, estão por cá e bem vivas!
 
"Podia ter sido pior, no meio do azar tivemos sorte, e ninguém morreu, fomos protegidos", responde o tuga azeiteiro ao tuga jornaleiro.
Está na altura de admitirem que essa santa está feita uma gorda, ficou pesada demais e tentou pôr fim à vida ao atirar-se do andor abaixo, por não aguentar mais ser vítima de bullying às mãos das santas mais cabras ou é lambona e estava com pressa para ir às febras no pão ou ainda, atirou-se de cabeça para uma orgia com os seus carregadores espadaúdos e desdentados e pensou que Deus lhe ia aturar os vícios e pôr-lhe a mão por baixo! 
Rendeu-se aos pecados da gula e da luxúria, mesmo ali perante os olhos do Senhor e fodeu-se toda!
A teoria que me parece mais credível, é que esta santa alta e matulona, se calhar pensou que estava curada da paralisia e tentou andar para provar o milagre e pumba, trombas no chão! Deve ter ficado desiludida e não lhe pagaram de certeza, porque a encenação foi um logro! 
Agora deve ter ficado toda partida e paralítica a sério, não fez um seguro de profissão de alto risco e o seguro básico não paga casos de falta de fé! 
Todos os santos são peritos em ler nas entrelinhas e estão carecas de saber que Deus escreve direito por linhas tortas, tivesse esta lido as letras pequeninas do contrato ou tivesse visto para crer...
E se não fizessem andores tão altos e pesados? 
Ninguém perguntou à santa se sofria de vertigens!
E se não fizessem procissões? 
E se não fizessem nada e fossem todos segurar o balcão da tasca da esquina? 
Ficavam mais alegres e devotos ao Santo Volátil, esbardalhavam-se no curto caminho de regresso a casa, mas já levavam anestesia no lombo e de manhã acordavam apenas com uma dor de cabeça e os joelhos deitados abaixo.
 
E eu que sou tão parva e tão ateia, fartei-me de rir em frente à televisão com esta notícia, depois de saber que não havia mortos nem feridos graves, claro.
 
As coisas boas destas festas são mesmo o comes e bebes, o 'conbibio' e os carrinhos de choque ao som de Rosinha ou Quim Barreiros!!! 
Não escrevo mais que vou para a festa!

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