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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Jul20

Breakfast at Tiffany's

Rita Pirolita
Quantas pessoas não sonham em tomar o pequeno-almoço na cama nem que seja uma vez na vida? E nunca tomam ou nem têm quem lho prepare ou sirva?! 
Eu gostava de saber onde raio tem origem este gosto burguês, recuará ao tempo dos reis ou apenas começou com os filmes americanos e novelas brasileiras?
Se querem que vos diga acho uma foleirada tomar a primeira refeição da manhã ou qualquer outra na cama, com os dentes cheios de gosma, a boca a cheirar a aterro sanitário, ramelas nos olhos inchados, cabelo no ar e pijama desalinhado!... 
Ou não me digam que para comer na cama se levantariam com antecedência para se arranjarem, para não arrepiar a torrada e entornar o sumo de laranja com o susto da vossa fronha logo pela manhã?... 
Querem parecer ricos e fazem o que está ao vosso alcance, sem o carro e a vivenda mas enfiados num qualquer buraco da Amadora ou Baixa-da-Banheira? 
Sonhar é gratuíto e existe uma vida melhor que esta mas é cara como a porra!
Não têm sumo de laranja espremido na altura e decidem comer todos os dias os entediantes cereais? 
Acham que é sensato e prático comê-los na cama com o azar previsível de entornarem tudo e terem que limpar lençóis e mantas, do que mais se parece com vómito? 
Queriam além de tudo ter um príncipe alto, moreno, musculado e de olhos azuis a preparar o repasto todo nu no meio da cozinha, aparecer à entrada do quarto e vocês fingirem-se excitadas com a surpresa, quando estão é mortas de fome e em 10 minutos têm que enfardar tudo pela goela abaixo, tomar banho, maquilhar-se, vestir-se e zarpar para o trabalho que já estão atrasadas?... 
Minhas queridas sonhadoras de meia tigela de cereais a boiar em leitinho de amêndoas, estes pequenos almoços são apenas para a classe que não trabalha, que tem um rapaz bem-parecido e espadaúdo para tratar da piscina da mansão, que por acaso também se ajeita no bricolage de tronco nu. 
Vão lá ao café Tiffany's por baixo do vosso prédio, beber um galão e comer um salgadinho, armadas em finas de unhaca de gel espetada no ar, a exigir o galão com 12 gotas de leite de soja, café biológico de máquina com o princípio mas sem o fim, bem prensado e a escaldar, servido em copo frio para não queimar os dedos. 
O salgado tem que ser aquecido em micro-ondas apenas 30 segundos e o Correio da Manhã tem que estar disponível em mesa limpa de mealhas ou sumo peganhento.  
Sejam lá felizes com estes parcos minutos à patroa a mandar no empregado de café que com jeitinho até desentope canos lá em casa tarde e a más horas!
24
Jul20

A margherita primeiro, depois logo se vê...

Rita Pirolita
Em dia de Verão calor envolvente de manta transparente, caminhava eu e o moço por rua calma de meia-tarde quando muito perto de nós, senhora de meia-idade acompanhada de amiga de idade-meia tropeça em protuberância cimentada no passeio, desequilibra-se e cai de fronha em terra batida de relva rapada, rebola que nem tartaruga, levanta meio corpo e de sorriso escarrapachado frisa com alguma malícia e expedita rapidez, que está bem e ainda não foi desta que se juntou aos anjos mas que viu algumas estrelas e passarinhos, lá isso viu, apenas um pequeno corte no sobrolho dá à luz uma linhazinha de sangue que nem é suficiente para escorrer!  

A amiga petrificada e lenta na reacção de ajudar no amparo da queda que já se tinha consumado, no pós-traumatismo também não tentou ajuda, já que era o Estica a tentar levantar o Bucha mas para entreter disse-lhe que era melhor ir ao hospital em vez de irem ao bar para onde se dirigiam nessa tarde, ao que a acidentada respondeu prontamente que apesar do costume ser cair quando se sai do bar e não a caminho tinha fortes intenções de não arrepiar caminho e ir beber a agendada margherita que tão bem calhava com o calor que embora não sendo tropical se fazia sentir agradavelmente naquele dia.

Depois de refrescante bebida logo se via se o ferimento era de monta, que pedisse suturação em clinica ou hospital!

Não há queda que desvie uma verdadeira lady do seu percurso em busca de tal hedonismo! 

A esta altura tínhamos uma senhora anafada muito bem disposta sentada na escassa relva de sobrolho deitado abaixo, uma amiga esterlicada e atrapalhada a sorrir timidamente, nós os dois e mais alguém que se tinha aproximado a prestar ajuda, ali estávamos divertidos com a conversa a aguardar que sua excelência galhofeira se levantasse para confirmar se caminhava direita pelo menos até ao virar da esquina, o bar era já ali!

Um brinde aos caminhos que se cruzaram e voltaram a descruzar nesse tépido dia!

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