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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

Massificação

Rita Pirolita
Caracóis regados com muita jola, abertura da época de caça cujos dias acabam sempre em ambrósias comezainas de javali, lebre ou seres com penas, touradas...
Mediante tanto animal à solta, surgem sempre os indignados ou defensores destas práticas.
Um dos problemas é a massificação e condições em que os animais são criados difícil de contornar por sermos tantos neste planeta.
Comer deveria ser encarado como acto de sobrevivência e não como uma palermice gourmet de desperdício, não havendo necessidade de sermos bárbaros, progredindo com inteligência e respeito pelo equilíbrio da natureza que nos dá o alimento.
Mas se não fossemos quem somos outras coisas haveriam que não guerra e fome...
25
Jul20

Fungagá da bicharada!

Rita Pirolita
 
E pronto os animaizinhos de estimação lá vão puder ir a restaurantes designados para o devido efeito, com os seus donos extremosos e pimpões! Ou nem tanto assim?...
Não acredito que existam restaurantes a aderir, correndo o risco, se isto está tão mau como dizem, de ainda perderem mais clientela. 
Até os próprios visados, sem pôr em causa a estima que têm pelos seus companheiros de estimação, dizem que em casa é um conto e no restaurante o transtorno pode ser enorme, não só relativo a pessoas, bem como à interacção animal. 
Se levar o papagaio, o gato da mesa ao lado vai achar graça? Muita de certeza. 
Se levar a cadela com cio, o cão da mesa ao lado vai achar tanta graça que lhe salta para a espinha à frente de todos e arfa durante meia hora, debaixo de olhares repreensivos pela falta de controlo sobre os instintos patudos? 
Uma piton atira-se ao piriquito, ao hamster ou ao coelho anão? Com muita gana de certeza! 
Não estaremos a obrigar os animais a satisfazer e a andar a reboque dos nossos caprichos egoístas e prazeres que queremos sejam deles também, reflectir as nossas frustrações e desejos em seres vivos que também têm personalidade e sentimentos mas vêem o mundo de uma forma tão diferente da nossa? Isto não será também falta de respeito? Se não nos podemos pôr no lugar deles pelo menos que não lhes retiremos liberdade de serem o que são, animais de estimação, companhia e carinho! 
Não os deveriamos humanizar, isso é ultrajar a sua condição animal! 
É que um cão por exemplo, não tem noção do prazer que dá ir a um restaurante, sitio de e criado para humanos, talvez seja mais feliz a correr num parque ou na praia, a cheirar o cu aos outros cães!?
Já existe um restaurante em Portugal, que eu tenha conhecimento, se calhar existem mais e ainda bem, onde pode deixar o seu animal de estimação em segurança num espaço exterior.
Não seria um exemplo a seguir? Não sendo a solução a usar por hábito mas esporadicamente por necessidade, só mesmo em caso de não ter ninguém com quem deixar os animais?
Não era melhor preocuparem-se mais com a higiene na preparação das refeições e não introduzir mais factores que tronam mais difícil a manutenção da mesma? 
Misturar comida com animais que não distinguem locais para fazer as necessidades, coçar-se ou largar pêlo e penas, difíceis por isso de controlar, dando aso a alergias, manifestações de fobias e incómodos de torcer nariz, assemelha-se mais a um Fungagá da Bicharada!
Ah afinal tem que ir tudo à trela ou só são permitidos animais de trela? Estarão incluídos furões, crocodilos, porcos vietnamitas, cabras anãs?...
Se os donos não são todos civilizados, como teremos a garantia de os animais serem educados como deve ser? 
Além de que, pelo pouco que sei, as reacções imprevistas de personalidade e comportamento verificam-se em todos os seres vivos!?... 
Não era melhor preocuparem-se com os casos de roubo, corrupção, mentira e desgoverno que grassa no país? 
Com o caso das adopções ilegais da IURD? 
Com os casos de pedofilia na Igreja e fora dela?
Com os direitos e defesa dos idosos e criminalização dos maus tratos e abandono?
Com os direitos dos animais?
Acabarem com as touradas e tortura generalizada de animais na indústria alimentar?
Com o tráfico humano, a violência, a guerra, a fome, as alterações climáticas, a falta de água, a destruição das florestas, a poluição?...Somos uns selvagens que nem de nós sabemos cuidar, quanto mais ter ou legislar animais de estimação.
Como querem que algum Deus que existisse nos levasse em conta e tivesse respeito por nós?! Mas que a Arca de Noé foi a primeira ideia de startup de um restaurante que aceita animais, aí isso foi!  

01
Abr20

No aconchego da família

Rita Pirolita
É tão bom sentir o aconchego dos jantares de família aos fins-de-semana ou em dias de celebração, quando os presentes são mais que muitos num lar farto de bonança, bafejado por harmonia e tão iluminado que até as bochechas afogueadas dos petizes reluzem. 
Calorosos ajuntamentos que acabam sempre na sonolência de discussões imberbes onde não se degladia razão. 
Estar à lareira embrulhada em ronhice de gato a beber um bom vinho e ter ainda melhor companhia, mesa ambrosia, crianças a brincar, a correr e a gargalhar.
Os cães lá fora ladram aos pássaros numa azafama própria de quatro patas e os felinos meio domésticos, meio abandonados, são cúmplices de vigília. 
Saber que mesmo depois de adultos quando estamos de maleita, chateados ou magoados a mãe nos aconchega, o pai nos defende de ataques e investidas e os irmão ficam do nosso lado em total conluio cigano. 
Ter a certeza que nunca vamos ficar na rua ou passar fome, não o merecemos, somos boas pessoas, só nos deram amor e cuidaram com carinho extremoso, não fazemos mal a ninguém, não precisamos de dilacerar a nossa alma em acontecimentos viscerais, tudo é doce e suave, até a morte dos mais velhos é chorada com admiração e mantida viva a memória da herança de exemplos altruístas, de compaixão e união indestrutível.
As lágrimas e os soluços são sustentáveis na partilha, já os sorrisos são distribuídos por todos em doses generosas quase a ficar sem ar de tamanho júbilo.
A casa de família é conservada por todos e cuidada como ninho perfeito do amor desinteressado, as férias são sempre em grupo numeroso no meio de dádiva e alegre confusão.
As mais pequenas discussões são resolvidas em nome e respeito pelos mais velhos que ainda vão estando mas também pelos que já partiram e rondam na garantia do equilíbrio, para proteger das incautas e fugazes desavenças e roturas.
Em alguns domingos vai-se à igreja cumprir tradição, arejar a perfeição e agradecer por tamanha harmonia que só poderá vir de bafejo divino.
Os nascimentos são celebrados efusivamente como continuação de tanta bondade que impera no seio de todos.
Esta podia ser eu, bem gostava que fosse mas não, nunca tive nada disto e imagino que a maioria de vocês também não e deduzo isto só para não me sentir tão só nesta minha estranha forma de vida mas se a vossa é melhor, aproveitem ou tivessem aproveitado.
09
Dez19

A dor do próximo

Rita Pirolita
Já se questionaram porque estamos cada vez mais insensíveis à dor alheia?
É por saturação e banalização ou uma questão de sobrevivência?
 
Num passado não muito distante, éramos mais próximos e solidários com a dor da família, do vizinho ou até de alguém do bairro que era o nosso mundo, a fome e a pobreza eram tabu na TV, agora tudo é manipulado, somos mais ricos e ainda queremos mais, sofrendo de ganância e inveja por coisas dispensáveis, somos mais ciosos, matamos para defender o que pagámos caro com a mesma facilidade que matamos irmãos ou pais por meia dúzia de tostões ou metros de terra, temos mais e partilhamos menos, tratamos pior os que estão ao nosso lado e somos mais solidários à distância, porque essa ajuda é mais fácil e como não temos a desgraça ali ao lado, é todo um processo mais limpo, ausente de sofrimento, no quentinho do sofá, cheio de falsa bondade narcisista,  ao ponto de estarmos à mesa e não vomitarmos o jantar a ver uma criança morrer de fome ou corpos despedaçados com a violência da guerra, ela própria mais implacável que nunca, o inimigo já não se confronta corpo-a-corpo mas elimina-se com um simples carregar de botão no outro extremo do mundo e assim aliviamos o peso da responsabilidade e consciência da vida.
É banal sermos cada vez piores!
 
Como um corpo que entra em estado de choque num acidente, a dor é atenuada, não se sente, deixa-se de ouvir, ver e pensar, o corpo concentra energias para se agarrar à vida o mais que pode e afastar o infortúnio.
 
Será que nós também ficámos mais insensíveis por uma questão de sobrevivência na ilusão de agarrar uma inconsistente e esporádica felicidade?
 
Eu gostava de acreditar que há algo mais que possa ser feito antes de nos matarmos a todos...só porque já não sentimos a dor do próximo por estarmos em choque constante?...
01
Dez19

Nem pró menino nem prá menina!

Rita Pirolita





Ditadura da liberdade, é disso que sofremos e somos escravos, de uma liberdade coersiva, tão descartável que nem dá tempo para sermos consistentes, soltos e assumidos.

Fazemos tentativas inglórias de educar crianças num vazio sem referências, pensando que lhes estamos a dar liberdade para que cresçam sem grilhões, para que possam decidir o que querem ou fiquem confusas e mudem de ideias constantemente e queiram experimentar tudo sem se decidir por nada, como se fossem animais em cativeiro, objecto de experiências que logo se vê no que dá mas na realidade apenas nos estamos a demitir do trabalho que dá educar, porque em muitos casos também não sabemos como o fazer.

Não educar e deixar ao abandono é o poço da desorientação.  

Saltamos esquizofrenicamente da segregação sexual para uma mal enjorcada igualdade de género, acabamos por condicionar na mesma o carácter, com a nossa ansiosa mostra de adultos lutadores, que desfilam por causas nobres, em vez de expormos as crianças a cenários variados, para que a escolha seja mais consistente. 

Nenhuma criança vai pedir um brinquedo que não existe, se não que o invente ela própria e estimula assim mais a sua capacidade cognitiva.

A ausência de discriminação deverá sempre ter origem na igualdade de acesso às oportunidades e aí reside o problema, que nem nas auto-proclamadas democracias se cumpre, onde ninguém ocupa lugares por concursos justos de acesso e selecção ou mérito, onde até um lugar de pouco destaque e interesse é ocupado por cunha.

Salvo as raras excepções dos que se revelam génios, sem estarem expostos ao elemento para que mostram forte apetência e inclinação, dependem mesmo assim do factor económico ou sensibilidade de quem os acompanha, para poderem explorar e singrar na área para que estão dotados.

Sem comparação, é muito mais grave meter uma arma nas mãos de uma criança, que dar uma Barbie a um menino que a peça ou uma bola a uma menina.

As pessoas vão-se definindo e enriquecendo com a variedade de escolha e exposição aos vários ambientes que estimulam a capacidade de ultrapassar e resolver dilemas, problemas e questões, mais que pela imposição de uma longa, confusa e espartilhada lista de regras e condicionamentos de comportamento.

Não queremos adultos a sair do armário constantemente, porque nunca ninguém os aceitou como eram mas também não queremos aproximar géneros e desvanecer diferenças saudáveis e complementares com medo de ferir susceptibilidades.

É muito difícil, se não impossível, proporcionar igualdade de oportunidade de acesso, é mais fácil por preguiça política, colocar todos a pensar e concordar com o mesmo, numa consciencialização forçada e tolerância paralisante que culminam num desnorte de conceitos!

A diferenciação de género e do indivíduo deve-se basear na livre escolha e acesso a oportunidades e não na incongruência de quem não sabe o que quer ou não sabe ter ideias próprias, porque foi criado com mimo e dinheiro!

Post Scriptum em jeito de grito...

Porque há coisas mais importantes para resolver no mundo, que atiram este tema para um canto!

Pensem apenas em crianças que nunca brincaram e cresceram no meio da morte, miséria, guerra e fome...o resultado é assustador, não é???

A não ser que sejam gerações depuradoras, que tragam a mudança por oposição ao erro em que nasceram!





11
Ago19

Lamúrias de rico

Rita Pirolita
 
Todos os ricos dizem que se esforçaram muito para chegar onde chegaram, que engoliram sapos e fizeram das tripas coração, que começaram a fortuna a limpar retretes, blá, blá, blá...
OK, chega de tanta carnificina e coisas viscosas! Quanto às retretes, eu também já limpei muitas, incluindo a de cá de casa e continuaria a limpar a merda dos outros se não tivesse mudado de trabalho.

Ninguém cai nessa lamúria, já todos chegamos à conclusão que a trabalhar ninguém lá chega e que esse estado de graça se consegue com muita, mas muita sorte, estar no sítio certo e no momento certo para agarrar a oportunidade.              
Até ao último suspiro todos estamos sempre alerta para um furo!
 
Se me dissessem que com a minha pobreza, toda a injustiça, fome e guerra desapareciam, era capaz do sacrifício mas também porque não sou rica e por isso não sei se seria difícil abdicar de boa vida, mesmo para salvar o mundo. 
 
Se fosse rica os pobres não seriam da minha responsabilidade, teria um massagista/chef vegan, sempre on call, aliás se fosse bem parecido até podia viver na casa de apoio à piscina.  
 
PT? Ia dispensar, detesto fazer exercício e muito menos que me gritem aos ouvidos e me dêem ordens quando sou eu a pagar, mesmo que fosse para outras coisas.
Lembrem-se que já deixei lá atrás, a proposta do massagista e chef bem parecido, tudo num só.
 
Se tivesse coragem, mudava tudo em mim, desde a ponta dos cabelos às unhas dos pés, como sou pobre tenho que me contentar com o que tenho e fingir que 'estou feliz por mexer, ter dois bracinhos para trabalhar e se for preciso vou limpar escadas'. Coisa mais orgulhosamente pobre para dizer não há.
 
Se tivesse coragem tinha filhos e a nanny que os aturasse, ficam sempre bem na foto de família, é suposto ter herdeiros para deixar tamanha fortuna e mostrar que mesmo depois de parir três ou quatro bezerros continuo em forma, à custa de muito  trabalho e sacrifício, nunca cirurgias. 
A treta do 'sacrifício' tem sempre que se meter nas conversas dos ricos, haja oportunidade e pimba.
 
Notem, a casa que tenho não me foi oferecida pela câmara, não estou desempregada e não vivo de subsídios. 
Sempre pertenci à classe de burros que trabalham para os ricos ficarem mais ricos e se enaltecerem com a esmola que dão aos desgraçadinhos! Eu e a maioria pagamos isto tudo.
 
Mas como já disse se estivesse do lado dourado não ligava a estas injustiças, já que seria graças a elas que quando me sentisse deprimida entrava no meu Mustang a chorar e a dizer mal da minha vida, com o cartão de crédito a saltar da Louis Vuitton para umas comprinhas ou mais uma viagem a locais modestos claro, só para desanuviar.

Com tudo isto seria uma pessoa além de linda por fora uma boa samaritana, que é uma coisa que não tem preço nem se pode medir, o que quer dizer, que não gastaria dinheiro a comprar lindeza interior, nem precisava de provar o grau de belezura das entranhas; não comeria animais, a não ser escargot; usava sempre vegan leather e fake fur; falaria tão bem inglês como escrevo português e o meu lema seria:
PROTEGER OS ANIMAIS E EXPLORAR AS PESSOAS.
23
Jun19

Peixe de apicultura

Rita Pirolita
 
 
Descobri por navegação aleatória nas redes sociais, que um amigo que já não vejo há mais de 15 anos se dedica à divulgação da aquicultura ou aquacultura e desde já aqui fica o esclarecimento do termo por parte de quem percebe da coisa:
Existem os dois termos, aquicultura e aquacultura, sendo este último um neologismo.
O vocábulo aquicultura vem registado na 10.ª edição do Grande Dicionário da Língua Portuguesa (1949-1958), de António de Morais Silva, designando o tratamento dos rios, lagos e esteiros, para a boa produção piscatória. No Dicionário Geral e Analógico da Língua Portuguesa (1948), de Artur Bivar, surge o significado de desenvolvimento, por processos apropriados, dos animais aquáticos úteis. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que está em linha, referem-se como acepções deste termo: preparação de lagos, rios, etc., para a boa reprodução dos animais aquáticos; criação de animais aquícolas dirigida cientificamente; o mesmo que aquacultura. Por sua vez, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, refere estes dois significados: estudo e tratamento das águas doces como rios, lagos, para uma melhor aproveitamento económico de animais e plantas aquáticos com interesse para o homem; criação de animais, vegetais... aquícolas ou aquáticos dirigida cientificamente.
O vocábulo aquacultura ainda não aparece registado nos dois primeiros dicionários referidos. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo como neologismo com as seguintes acepções: cultura em água; criação (de peixes, crustáceos, etc.) em viveiros aquáticos; o mesmo que aquicultura. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, refere estes significados: criação de peixes em viveiros com fins comerciais; cultura em água doce.
Finalmente, o Dicionário Aurélio Século XXI remete aquacultura para aquicultura, com o significado de arte de criar e multiplicar animais e plantas aquáticas.
Em síntese, o segundo termo (aquacultura) também é correcto. Trata-se de um neologismo. Há dicionários que apresentam os dois termos como sinónimos. No entanto, poderá dizer-se que o termo aquicultura é mais abrangente e de cariz mais técnico e científico. 
Maria Regina Rocha 21 de Agosto de 2001
 
E agora vou eu falar da minha experiência com estes peixinhos que apenas sei, são alimentados com merda, muita mesmo. 
 
Todos sabemos que a sobre-populaçao do planeta tem arruinado tudo e mais alguma coisa. 

Desde agricultura intensiva, poluidora e destrutiva dos recursos naturais à criação de tal forma elevada de proteína animal, que leva a aberrações de métodos e resultados apenas com fins lucrativos.
 
Embora todos justifiquem a exploração da terra com base na irradicação da fome e pobreza com a criação de mais postos de trabalho e mais comida, o que não me parece totalmente verdade e passo a explicar porquê
 
As grandes multinacionais agarram em nichos de mercado que se vendem facilmente em nome do lucro fácil e apoderam-se de áreas até ai mais ou menos auto-suficientes e exploram ao máximo a força de trabalho e a terra por ordenados escravizantes, dedicam-se assim a produzir mais comida, que os pobres que a cultivaram não podem comprar e os que a podem comprar desperdiçam. 
Ou seja destroem a terra e aumentam a pobreza e fome dos explorados que não têm poder nem conhecimento para se revoltar. 
Aparecem depois os intermediários com a conversa da treta sobre agricultura sustentável, biológica e a preços justos para produtor e consumidor. 
Nós destruímos a sustentabilidade natural do planeta e agora queremos fazê-la renascer de um monte de lixo tão tóxico que está quase morto, só para parecer fino e ganhar uns trocos???
Agricultores, pescadores e outros 'cultores' continuam a ser explorados e estão no fundo desta cadeia de chupistas que lucram com toda esta exploração de bens e almas.
A população mundial continua a viver a ilusão civilizacional, andamos cá há milhares de anos mas não somos assim tão evoluídos.
 
Não seria melhor controlar o aumento da população  e regular de forma eficaz as infrações à pesca e culturas intensivas, refreando assim o consumo e diminuindo o desperdício, teríamos produtos mais saudáveis que provocariam menos doenças diminuindo o controlo e lucro pornográfico dos laboratórios. 

Não seria melhor acabar com as guerras e não ter refugiados e sofrimento, nem gente voluntária que não ajuda o vizinho do lado nem sabe o que fazer da vida mas depois larga tudo e vai ajudar os coitadinhos lá longe, restos de população que os 'ricos' cospem e fazem questão de aumentar.  
 
Para que tudo funcionasse melhor não poderíamos ter o grande defeito de sermos feios, porcos e maus e andarmos a chafurdar na nossa própria merda em vez de vivermos dela com proveito e inteligência.
 
Todos contribuimos para que o mundo acabasse neste estado, os 'pobres' anseiam ser 'ricos' pelos mesmos métodos escravizantes de que são vitimas e que tanto contestam.

A responsabilização desta salganhada vem em forma de castigo primitivo e selvagem - Não temos para onde fugir!
 
Resumindo e concluindo, o peixe de aquacultura sabe mal e deixa-me muito mal disposta por isso, obrigada amigalhaço que não vejo faz muitos anos, por me transformares em vegetariana.
Se te encontrar conto-te das boas, por andares a ganhar dinheiro à custa de arruinar fígados com metais pesados. 
Dedica-te ao peixe de apicultura e a cardumes de cães!
 
 
19
Mai19

Emigra tuga

Rita Pirolita

 

 
Não vou falar do Jean Pierre que estava sentado na cadeira em francês, depois caiu e partiu a cabeça em português vernáculo, falarei antes da imagem que o emigrante tuga cultivou e que povoa o nosso imaginário num misto de nostalgia e piroseira.
Na altura do Salazar quem conseguia escapar da miséria para o estrangeiro, deixava para trás muitas bocas para alimentar com o 25 de Abril continuaram a emigrar mas deixaram de fazer tanta filharada

Agora que vejo imagens desses tempos pergunto?  
O que levaria esta gente a abandonar uma casa modesta com um pedaço de terra, único sustento da família e ir viver para os bidonville, arrabaldes de cidades com barracas, esgotos a céu aberto, lama, doenças, fome?...
Como não havia internet, estas pessoas de certeza que foram todas ao engano
Alguns sonharam tanto e trabalharam ainda mais que por lá ficaram, nunca quiseram abandonar o resultado de tanto suor e sangue, afogados em saudade até ao fim da vida.
Esta vaga de emigrantes que se deram tão bem ou tão mal, nunca foram a um café ou jantar fora, para poupar para a construção da casa de 'vacanças' na terrinha, havia de tudo para todos os gostos no catálogo 'Le plu bele Mesons ao Portugal', casarões, palacetes, chalets e até mesmo miseráveis imitações de 'chatôs' com ameias feitas em tijolo colocado na vertical. Tré joli!... 

Vinham em Agosto.
Aparatosamente chegavam em Mercedes para que toda a gente pensasse que faziam vida de reis lá pelas 'estranjas' o resto do ano, era esta a marca de carro preferida dos putanheiros e patos bravos no Portugal mas os emigras não andavam a par das modas no país de origem. Ninguém podia saber que tinham suado a estopinhas para pagar o aluguer da 'vuatura', interessava sim que viessem carregadas de 'suvenires', falava-se alto numa mistura de mau português e pior francês, os da terra arregalavam os olhos com tanta coisa reluzente e gestos esbanjadores dos familiares 'francius'.
Eram convidados para petiscar em todas as casas da aldeia, todos queriam saber como era lá nas 'franças' e pelo meio os 'francius' sabiam das beatices da aldeia, casamentos, homicídios, adultérios, óbitos, zangas, escândalos...
As noites quentes de verão eram passadas em alegre convívio nas casas dos tugas emigras.
Todos aproveitavam para fazer uma visita guiada à 'meson' que se destacava na aldeia por não ter nada de típico. 
Algumas pareciam casas de banho viradas do avesso, com revestimento exterior em azulejo brilhante com motivos florais berrantes, eu percebo, como tinham o meu querido mês de Agosto para gozar, não vinham com paciência nem tempo para andar a pintar as paredes todos os anos, se é piroso, foleiro e horrível, isso não interessa nada para o caso, é prático e pronto!
Ora, ia eu na visita guiada aos interiores, os sofás mantinham o plástico de fábrica, as flores de plástico estavam na mesma linha do azulejo, sempre hirtas, firmes e de baixa manutenção
Terminada a visita aos 50 'chambres' da 'villa', voltava-se a fechar as 'fenétres' e 'portons' para manter o  e cheiro a humidade bolorenta do mausoléu e iam todos petiscar para o anexo, onde efectivamente dormiam, comiam e cagavam. 
Sentavam-se em sofás piores que aqueles reservados aos cães e eram felizes até ao final do mês, numa folia alucinante de beijos, abraços, bebedeira e bailarico.
Iam embora com o Mercedes carregadinho de chouriças e presunto, na entrega da máquina, não sei se tinham agravamento no seguro de aluguer por causa do cheiro impregnado da carniça portuguesa.  
Ao fim de muitos e longos anos, quando estavam cansados de dar o litro nas 'estranjas' faziam as malas, traziam uma boa 'retrete' e morriam de ataque cardíaco com a emoção de finalmente habitarem o 'chatô' do reino perdido e longínquo

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