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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

28
Abr21

Super-mulher

Rita Pirolita

Sou mulher mas não sou super!
Tudo o que escrever poderá ser posto em causa por falta de vivência de algumas coisas visto que não posso estar na pele de todas as mulheres de todas as épocas.  
Nunca quis eu casar ou ter filhos, coisa a que muitos torceram o nariz e puseram em causa a minha feminilidade, estas coisas não me fazem sentir mais ou menos mulher nem nunca foram a razão da minha existência que continuo sem saber qual é, ou porque não existe mesmo ou porque não me interessa encontrá-la! 
Há uns tempos veio a discussão sobre a lei que permite ao homem contrair matrimónio 180 dias após um divórcio, enquanto a mulher tem que esperar 300 dias mas se quiser apressar a coisa terá que provar que não está grávida. 
As leis são um mal necessário, mostram que não somos pessoas de bem, somos seres das cavernas armados em senhores civilizados.
As conquistas de direitos e liberdades femininas devem ser aproveitadas e usadas com consciência e respeito por quem lutou por elas mas reconheço que muitas vezes numa sofreguidão exacerbada de independência, acumulamos tarefas para provar que somos capazes e esquecemo-nos de arranjar tempo para nos diferenciarmos dos homens.
Tenho a certeza que não existem super-mulheres por isso nem tento vestir a fatiota! 
09
Ago20

Os CTT e o emprego

Rita Pirolita
Com o encerramento de muitos postos de atendimento dos CTT os filhos ou netos podem começar agora a pensar em se revezar ao levar os velhotes na carripana para levantar a reforma num posto bem longe da casinha e incentivar o regresso ao velho hábito de enviar cartas, pelo menos uma por semana, nem que seja para o primo que vive duas ruas abaixo.  
Em vez de se começarem já a queixar vejam as coisas pelo lado dos CTT que tanto precisam, coitadinhos, para se livrarem do que não dá lucro, deixam as despesas a cargo das Câmaras e Juntas de Freguesia.
Ora bem, quem dá boleia aos velhotes pode começar a cobrar de mansinho nos primeiros tempos quantia que dê para a gasolina, vai depois aumentando a tarifa até dar para pagar a prestação de um andarzeco nem que seja na Buraca, continuam até atingirem o patamar de deixarem os seniores sem pilim nenhum mas felizes de andarem de cu tremido no carro do netinho, que também ajudaram a pagar. 
Com estas atitudes de verdadeira nobreza matam-se muitos coelhos com uma só paulada, a ver vamos: 
Criam-se micro-empresas e postos de trabalho.
Podem todos criar startups tão na moda, S.A., em nome individual ou Filhos e coiso ou Irmãos e coiso, uma espécie de rede UBER sénior!
É dada ajuda e atenção aos velhos tão resmungada de há longa data, ficando colmatada esta lacuna, automaticamente os seniores sentem também que estão a proporcionar e investir num melhor futuro para os seus ascendentes, aliviando o típico aperto do fim do mês e preparando adultos melhores e mais felizes, porque vão mais vezes comer caracóis e beber jolas à tasca da esquina, mesmo que levem os velhos a reboque é sempre uma festa!
Dinamização e recuperação da velha tradição das cartas e mundo da filatelia com lançamento de novos selos que sempre animaram a face das missivas, com as suas esfuziantes cores de flores e animais ou importantes figuras da história.
Portanto, a todas as pessoas que se manifestam nos locais contra o encerramento destes postos e todos os outros que se insurgem no sofá, digo já que não percebem nada desta maravilhosa governação secreta e subreptícia pensada só para o vosso bem! 
Deixem-se lá dessas ideias de que estamos a ser vendidos a retalho, os beneméritos querem tanto manter o anonimato e discrição que quase nem nos apercebemos destas medidas tão valorosas para o avanço da nação! 
 
04
Ago20

O vizinho contrafeito

Rita Pirolita
Estão a imaginar aquele vizinho de baixo que só conhecemos há dois dias mas já vivemos por cima dele faz mais de um ano? 
No Canadá é um achado conheceres o vizinho do lado quanto mais o de baixo, o de cima não posso conhecer, só se for Deus, porque vivo no último andar do meu querido apartamento, sempre posso dizer que o céu é o limite ou não?
Bem, imaginem também que a probabilidade de encontrar alguém normal nesta terra é como ver um porco a guiar uma mota, foi isso que não nos calhou na rifa como seria de esperar, somos tão amorosos que ao jogo só podemos ter azar!
Nem sei por onde começar, este vizinho é uma mistura de cocainado com serial killer, sem talvez nunca ter snifado uma linha que fosse ou até morto uma galinha!
Diz ter família em Espanha, mulher e dois filhos e trabalha no Canadá em pipelines, tem um trabalho à peça e sazonal, com a vantagem de aceitar umas épocas e recusar tantas outras quando já tem dinheiro suficiente para tirar uns dias de descanso! 
Pareceu-nos um ser porreiro com salero de castanholas, que amiúde daria para ir matando saudades da nossa querida nação tuga, ali mesmo encostadinha, a fazer conchinha! 
Entre um copo de vinho, dois dedos de conversa, pizza e pasteis-de-nata, que os consigo arranjar por aqui feitos por um italiano, vamo-nos apercebendo que este homem também na casa dos 40, começa a repensar toda a sua vida por causa do nosso discurso tão libertador e liberto de empecilhos, sem filhos e gosto por viajar, toda uma filosofia de vida de "menos é mais" e "keep it simple", que o fascinam e com que parece estar a contactar pela primeira vez! 
Com a idade que tem já vai atrasado mas nunca é tarde! 
Fica fascinado com a sabedoria filosofal do moço, sorve as suas palavras como as de um aprendiz de guru! Não me dita tanta importância, secretamente apercebo um fascínio para lá do normal, uma atracção sensual pela inteligência do meu moçoilo. 
Detenho-me a contemplar o cenário e vou falando cada vez menos para deixar o bobo divertir-me e fascinar-se com a simplicidade que descobriu agora, como criança imberbe e pueril. 
Este ser dá desculpas para tudo, arranja pretextos e deixa rabos para nos voltar a ver, o seu discurso é soluçado e sofrego. 
No dia a seguir a nos termos conhecido veio cá acima bater à porta, a pedir ajuda ao moço para montar uma televisão que tinha comprado após ter visto a nossa, embora já tivesse uma, esta era um monstro colossal e Smart.
Mais uma vez tinha ficado fascinado com o facto de apenas pagarmos internet e não estarmos fidelizados com pacotes de canais, assim assistimos ao que queremos à hora que nos convém, desde canais online, a Neteflix ou Youtube...  
Esteve uns dias sem dizer nada, até nos esquecemos dele mas voltou novamente a dar à costa desta vez com o pedido de um favor, já estava a tardar.
Pediu-nos para cuidarmos de uma planta que tem ao canto da sua sala, acabou por admitir que a comprou para preencher o espaço vazio. 
Com pezinhos de lã perguntou primeiro se gostávamos de plantas e eu sem dar oportunidade ao meu moço de responder, disse logo que gostava de as ver lá fora, à solta, não presas em casa mesmo que fossem consideradas domésticas. 
Ora, quem tem um trabalho de passar meses fora de casa, não vai a correr comprar uma planta, quanto muito que compre flores de plástico ou um cão de loiça para preencher o vazio da casa e da alminha perdida.
E ainda mais lhe disse e perguntei, se ele fazia alguma ideia porque é que eu não tinha filhos e ele feito parvo ainda respondeu que não e eu expliquei que não queria estar agarrada a nada que me tirasse liberdade ou me exigisse responsabilidade e rotina, que apenas queria ser responsável por mim e já era muito, portanto muito menos iria cuidar de uma planta que nem era minha...
Bardamerda que dê a planta a alguém ou para a próxima que pense melhor no que anda a fazer!
Juro que a esta altura da troca de galhardetes, sem exaltações, que o caso não merecia, imaginei este homem a meter-se num avião, ir a Espanha matar mulher e filhos e regressar livre de amarras, só porque estava fascinado pela nossa postura.
Durante este diálogo, o moço mostrou uma paciência como só ele e fez muito esforço para não desatar à gargalhada! 
Quando este ser abandonou o nosso lar voltei a indagar-me como já tantas vezes fiz, até demais, porque continuo a atrair gente maluca? Porque há realmente muitos ou porque estou condenada a algum castigo de me cruzar com tolos e passar a vida a fugir deles???
Juro que a próxima vez que venha cá acima e me pergunte se não está a incomodar feito assassino que se mostra simpático para atrair as vitimas e depois as degolar, vou-lhe dizer que estou muito ocupada e tenho que ir visitar alguém ao hospital! 
Eu que sou maluca reconhecida, natural, original, diria até genial, daquelas de trazer por casa e arejar de vez em quando a mioleira sem incomodar ninguém, digam-me porque tenho que aturar malucos contrafeitos?
24
Jul20

OCD - Obsessive Compulsive Disorder

Rita Pirolita
Como hei-de arranjar uma forma descontraída de começar a escrever sobre uma adição, descontrolo, vício, comportamento desviante, tudo meu que só a mim prejudica e muitas vezes é aproveitado por preguiçosos e outros que se encostam à sombra da bananeira!
Eu sou a chamada OCD - Obsessive Compulsive Disorder, com a limpeza, organização e cheiros no meu espaço e corpo, com os outros não me preocupo, desde que não tenha que lhes tocar por isso consegui viajar para verdadeiros paraísos cheios de lixo, mau cheiro e gente que não tomava banho, por falta de água ou porcalhice mesmo. 
Respeito todos os costumes e culturas, mesmo os que gostam de viver na merda, desde que seja longe de mim ou eu esteja só de passagem e tenha agilidade para quando vier a vontade me empoleirar e cagar de alto sem tocar em nada...
Vou ao ponto de mesmo que passe umas meras horas a dormir num hotel, antes de usar a cama desvio os lençóis e sacudo tudo para ter a certeza que não durmo com cabelos e pintelhos alheios, alguns fluídos já devem estar entranhados no colchão, não vejo mas sei que estão lá e mesmo isso me mete nojo mas não tendo alternativa, tenho que dormir em qualquer lado mais fofo que o chão.
As colchas dos hotéis nunca são lavadas, por isso nem o cu mesmo com cuecas sentem lá. 
Para mim é preferível acampar sempre que o tempo e local permitem e dormir na MINHA tenda, aconchegada no MEU saco-cama!
O WC...ora este compartimento sofre o meu olhar de escrutínio e leva com toalhitas húmidas quase até ao tecto, nunca me encosto à cortina ou paredes da banheira, tomo sempre banho de chinelos, não vá apanhar pé de atleta ou qualquer outro tipo de nojenta micose humanóide, na sanita faço logo duas descargas de autoclismo, para não correr o risco de respingos estagnados e conspurcados, limpo-a quase até por dentro, não gosto da ideia da minha merda tocar superfície onde outras tantas tocaram, a minha será sempre especial mas nunca deixará de ser merda claro, apesar de mais preciosa e acarinhada por vir das minhas entranhas já que me preocupo tanto com uma alimentação equilibrada! 
Costumam dizer os gurus das práticas saudáveis, 'que somos o que ingerimos' e eu acrescentaria, o que cagamos é o que metemos cá para dentro! 
Teorias tão antigas como o cagar. 
Comecei a falar de limpeza e quase acabo a falar só de merda, não tenho arranjo para este meu desarranjo mental que me ocupa tanto que nem tempo tenho para aturar maluqueira alheia.
Ora bem, ia eu nos hotéis que não são casa minha, gostava eu muito que fossem, fosse eu a Paris Hilton a ver se não vivia até morrer num hotel meu, na penthouse claro!
Se sou assim com sítios temporários imaginem com sítios alugados ou de caracter mais permanente como uma casita, tudo tem que estar impecável mas detesto o acto em si de limpar, eu explico. Gosto de viver em espaços imaculados mas detesto limpar, por isso não há cá biblots em casa, para apanhar pó e teias de aranha já basto eu que vou para velha, tal como adoro andar lavadinha mas detesto o acto de tomar banho, é uma trabalheira além de que com uma pele seca que nem jacaré como a minha, tenho sempre que hidratar ou seja depois de sair do banho sujo-me outra vez a barrar o corpinho com um creme viscoso.  
Não gosto desta minha condição paranóica mas estão a perceber porque me amofina tanto a vida e depois ainda tenho o desplante de marrar com o moço para que seja tão picuinhas com os pormenores como eu. 
A minha tese é que ele não deve só deitar uma mão, numa de macho que até ajuda lá em casa deve sim partilhar irmamente tarefas, porque suja e usa tanto como eu o mesmo espaço e pode deitar a mão mas é a outras coisas. 
Cada vez se tem encostado mais a reboque da minha genica e pouco se mexe, nem em nome de contrariar o sedentarismo natural do processo de envelhecimento, qualquer dia bebe e come deitado, como um cão que tivemos! Embora muitas vezes me acuse e com razão, de gastar o chão e a roupa com tanta esfrega que lhes dou!
Mesmo assim não consigo deixar de lhe achar piada, mesmo quando fico brava e ele se cala perante o meu fortíssimo poder de argumentação, tão bom que comigo como advogada o Pedro Dias saia em liberdade e ainda lhe faziam uma estátua no átrio da Igreja!
Mesmo assim o moço que se deixe da lanzeira de ter corpo de rico e carteira de pobre e largue a nota para pagar a uma empregada, deixa assim de explorar a minha força de trabalho de forma escravizante! 
Bem também não é tanto assim, as máquinas de lavar e secar, essas sim é que são esmifradas cá em casa até ao último parafuso, além de que se tivesse empregada ia-lhe moer tanto a cabeça que não aguentava nem meia hora por este doce lar, porque achando-me eu tão perfeita nestas lidas da casa, nunca vou sequer considerar que alguém faça tão bem o trabalho como eu e depois confesso, não sei mandar de todo em pessoas ou animais mas sei fazer, ai isso sei e nunca me enrasco com nada. 
O que não sei, se for necessário aprendo e morro a tentar. 
Eu sei que sou uma chata do caraças e que é muito difícil preencher os meus requisitos de limpeza e nível de exigência mas também tento sempre viver em espaços com tamanho ajustado ao uso que lhes dou, no fundo uma pessoa não precisa de um ringue de patinagem quando nem patins tem mas mesmo assim tem que lhe limpar o cotão, porque para ter portas fechadas numa casa que parece assombrada, antes prefiro viver no anexo do jardim, é mais saudável e também porque não sou nada cagona e o segredo está em ter uma boa vida mas não ostentar para não ser alvo de invejas, maldade, percalços e medo de ser roubado, rodeado de alarmes, grades, portões até ao céu que nem consigo ver o mundo lá fora, arame farpado, cães ferozes... 
Enfim nem quero pensar quando for rica, se me vou preocupar tanto em defender aquilo que é meu ao ponto de nem gozar a vida?...Prefiro ter pouco guito e morrer consolada de papo cheio de felicidade!
Mas se alguém me quiser fazer milionária eu não digo que não e compro uma ilha só para mim!
Também já tive muita gente a pedir-me ajuda para limpezas e mudanças mas como sabia eu que eram uns tesos da merda e ia dar cabo das minhas ricas costas de graça, dei sempre desculpas esfarrapadas para que os estúpidos não tivessem dúvida nenhuma que eu não era pacóvia e que sabia os interesseiros que eles eram. 
Porque não usam a amizade que lhes sai da boca para outros convites? Oferecer uma massagem nem que seja na esteticista lá do bairro, fazer um jantarzinho vegan de vez em quando...cuidar dos filhos é que não me peçam, já disse por aqui que não sei mandar em putos nem me dou ao respeito, além de que quem os tem que os ature e carregue, que o meu corpinho é um templo!
20
Jul20

Não sou de recados

Rita Pirolita
Não sou de mandar recados, seria uma trabalheira falar em casos particulares e um dos confortáveis usos da escrita também é este, uma só pessoa dizer a muitas o que pensa e cada um daí tirar o que lhe aprouver e deitar fora o que não gostar ou magoar.  
Sou rude e directa mas aceito que para os mais sensíveis ou mesmo susceptíveis poderei parecer agressiva e zangada.
Sou sarcástica, ácida e treino a lucidez todos os dias e acreditem que mesmo escrevendo sobre coisas sérias, estou com um sorriso nas fuças, imaginem-me assim em frente ao écran do computador e estarão a ver a realidade mas reconheço que devo dizer muita coisa que muitos não querem ouvir ou fogem de pensar e por isso ainda me chamam de arrogante. 
Não sou de andar a caçar elogios, digo o que penso e por isso alguns chamam-me de vaidosa de tão segura! Inveja? Talvez mas não é minha, é de mim, não me detém nem arrepia, quem a tem que lide com ela, que a guarde nas catacumbas da alma sem luz a ver se definha. 
Só peço que poucos ignorantes me cruzem caminho e por ignorantes neste preciso caso, considero aqueles que se apoderam das certezas incertas da vida, os que estão seguros que os amigos são para toda a vida, os filhos também e a família, fazem planos para viver a reforma sem antes ir gozando o dia-a-dia, dizem não querer agradar a ninguém mas depois mexem-se apenas por competição, para provar aos outros o que valem e para manter amigos de companhia, já deviam saber que a competição mata a originalidade e assente nas premissas erradas, puxa pelo pior de nós, exigem satisfações, dão constantes palpites sobre vida alheia e assim vivem a vida dos outros tão ou mais vazia que a sua, cobiçam felicidade, viagens e ausência de rugas, estão sempre mal por estarem sós ou mal acompanhados, não suportam o ruído da sua própria alma, se aprendessem a amar a sincera solidão, ouviriam ecos de melodia.   
Não sou eu que vos digo todas estas coisas, é a vida que o diz através de mim, por isso qualquer nome que me queiram chamar, chamem primeiro à porca madrasta finita que nos vai moldando, fazendo sonhar e tropeçar na realidade e a cuja morte leva sempre a melhor e não se esqueçam de supor menos e rir mais enquanto é tempo.
Não se deitem a adivinhar, atirem-se de cabeça!
20
Jul20

As mulheres que não querem

Rita Pirolita
As mulheres que não querem ter carreiras, que querem ficar em casa a cuidar dos filhos a organizar o seu tempo, a não ir à guerra fora de casa, a procurarem no supermercado as únicas promoções que fazem parte do seu dia-a-dia...
Embora não discordem e até apoiem, não faz parte do seu quotidiano andarem metidas em confusões de liderança e representação empresarial mais activa, atribuindo a desigualdade salarial à simples existência dos homens.
Se forem trabalhar têm que pôr os filhos na creche e lá se vai o dinheiro, mais vale ficar em casa, não se ganha mas também não se gasta e mais importante, cansa na mesma mas não desgasta tanto. 
Eu tenho costela de doninha de casa mas sem filhos e muito menos sem um gajo chato de quem não dependa.
Embora não faltassem pretendentes, quando era mais nova não ligava a essas coisas nem tinha paciência para submissões em troca de dinheiro, agora que estou mais velha a visão mudou mas também já não vou a tempo de nada e a pouca paciência que tinha...esqueci-me onde a pus.
Nunca tive o sonho de me armar em empreendedora ou mulher lutadora para mostrar orgulhosamente que era independente, também ainda não casei com um gajo rico que tivesse dinheiro suficiente para me sustentar sem andar a contar tostões à pobre. 
Sou rapariga sossegada, vegan, não uso peles, não gosto de caviar, ostras ou alcool, sou boa dona-de-casa, sei coser meias, embora isso não acrescente nada ao currículo porque nos dias que correm, meias com buracos deitam-se fora e agora a moda até é andar sem elas. 
Só preciso de um cão para ir passear e conhecer Sugar Daddys. Mesmo em idade avançada ainda me considero em bom estado e disponível para adopção.  
Nunca fez sentido dar o meu melhor, quanto mais armada ao pingarelho do profissionalismo, quanto mais e melhor fazes mais trabalho te dão e não te pagam mais por isso, com a grande desvantagem de só atraíres inveja das cabras do trabalho.
Nunca tive jeito para mandar em cães e crianças, quanto mais domar gente e lucrar com o seu suor.
Tive oportunidade de subir na horizontal porque tenho atributos que atraem esse tipo de promoção como néons, não o fiz mas se o fizesse, quase de certeza hoje não estaria arrependida e as únicas a insurgirem-se pelos corredores seriam as gordas do trabalho. 
Eu sei que não é justo mas também não venham com  a conversa da ressabiada, têm a opção e liberdade de fazer dieta, podem é não ir a tempo de ficar com o lugar.
14
Jul20

Sem previsão ou razão

Rita Pirolita
Farta de me esquecer dos sonhos que tenho vou acertando na realidade, titubeante vou juntando cacos de vida, nem tudo liga à primeira e há tanta peça despernada, nem vos conto!...
Se me dissessem que seria assim, hoje como me sinto, não me lembro se o previ.
Isto a propósito da irmã de um amigo meu, para cujo casamento fui convidada.
Sem mais me sair da memória, reza assim o acontecimento.
Antes da noiva sair de casa chorou baba e ranho de arrependimento, o mano, sempre senhor do bom senso que até irritava, meteu-a no quarto e encarregou-se de lhe dizer que se chegou a este dia com um vestido, cerimónia marcada e convidados, não caiu de certeza do céu, foi ela que também foi programando e dizendo que sim ou nim a tudo, que não deitasse um namoro de 7 anos para o charco, com pais a frequentarem-se e os do lado da noiva com alguma sovinice, a quererem ver a filha bem casada com um homem de famílias com posses, assim não teria problemas monetários pelo menos, teve outros mais graves a meu ver!
Presenciei a cena do choro antes do casório com uma dor no peito, sabendo que aquela noiva, linda que nem uma boneca, uma bailarina de caixa, amava outro, o das artes, das danças como ela, almas mais próximas do que o caçador burgesso com quem ia casar, com ar de tasqueiro, a viver à sombra do amealho dos pais.
Em pleno copo de água as amigas para disfarçar a bebedeira que a noiva apanhou, enfiaram-na várias vezes no WC, estive lá algumas e vi-a passar a porta, de riso nervoso a choro de desespero, as amigas gritavam de loucura para abafar aquela tristeza que tão bem se via nos olhos marejados da noiva!
Presenciei tudo, com vontade de pegar na mão dela e tirá-la dali para fora, para que corresse para os braços do seu amor mas não, fui cobarde, além de ser amiga do irmão e conhecer bem os pais, se fizesse algo para impedir aquele sofrimento, ninguém me ia agradecer, nem a própria talvez.
Apesar de nunca pensar que ficassem o tempo suficiente para ter três filhos, ainda o mais velho era adolescente e o mais novo muito novo, ironia do destino, quando ela já se tinha acomodado a uma família e deixado talvez de sonhar em concretizar o amor da vida, adivinhem o que aconteceu, o bazófias do marido, abandona a rapariga e embeiça-se pela empregada do restaurante que tinha.
Fogem para o Sul, ficam todos a condenar a atitude de merda e a dar apoio à irmã do meu amigo que se viu a braços com a educação de três miúdos.
Sinto uma pontinha de culpa mas ela deve sentir uma enorme frustração de vida perdida que alguma coisa boa deixou, os filhos, que se espera saiam à mãe e não atirem ao pai!
22
Jun20

Crónicas Femininas - Pensos diários e não rápidos

Rita Pirolita
Esta será a primeira de algumas, muitas ou poucas, espécie de crónicas sobre coisas de gaja! 
Não vou andar com rodeios, aliás como é meu apanágio, vou direitinha e crua ao assunto que for, descasco, espanco, desnudo e desmascaro à descarada. 
Nesta média-curta aviso já que não vou escrever testamento como costumo, porque os assuntos serão parcos e áridos, de despacho rápido.
 
Nesta primeira incursão, nada aconselhável a mente máscula, vou dissertar assertivamente, espero eu, sobre pensos diários. 
Ainda sou do tempo em que apanhei a minha avó e suas quatro filhas a usarem panos turcos, branco-alvo de tão repetidamente lavados, depois de postos a corar com sabão azul e branco ao sol, para amparar o sanguinário menstruo. 
Eu já não usei nada disso e apanhei os práticos pensos, compra, suja e deita fora, gordos que nem almofadas, faziam imenso calor, parecia que andávamos com um edredão de Inverno metido entre as pernas, com um interior de plástico que às primeiras passadas ainda fazia um barulhinho mas depois de amachucado era pacifico e deixava de se ouvir. 
Lá se foram adelgaçando, passando a haver para a noite, para o dia, fluxo de chihuahua, gazela ou elefanta, super absorventes ou nem tanto, com abas para voares ou sem para não fugires do período, perfumados, neutros, sensitive...
Começaram depois a aparvalhar nos formatos dos pensos diários e a merda deu-se, com uma cola irritante que sempre me fez alergia, não raras vezes me indaguei, se as outras mulheres tinham o mesmo problema que eu, passo a explicar. 
Não é suposto um penso diário evitar que se sujem as cuecas à frente e borrem atrás? Então porque é que fazem um penso para cona de formiga, que me obriga a pensar seriamente em usar dois, um coladinho atrás do outro mas depois lá fico com o problema de acumular tanta coisa na coisa que corro o risco de tudo ir parar ao chão ou deixar numa qualquer cadeira de serviços públicos o fedorento mata-borrão, o que seria um embaraço! 
Se assim não fôr será que tenho uma distância maior que todas as outras mulheres, desde o primeiro até ao último buraco? 
Será que estes pensos são imaginados por homens que pensam só termos 2 buracos em vez de 3 e com uma distância tão curta que são quase 2 em 1? Nada disso, temos da frente para trás, chichi, período-fornicação-bebés e cocó!
 
O mais estapafúrdio é o formato tanga, como é que uma pessoa segura um pedacinho de penso a um pedacinho de pano? Às tantas aquela coisa perde a cola com o suor e começa a escapar-se pelas bordas em risco de cair ali em plena rua, o completo terror, se formos de saia é directo no chão, sempre podemos continuar a andar e disfarçar que nada caiu dos entrefolhos, se formos de calças, começa-se a enfiar por uma das pernas e também é capaz de cair, tanto mais se as calças não forem muito justas!...
Ora isto causa uma insegurança tal que mais vale cagar as cuecas e mudá-las todos os dias!

Vezes demais me dá vontade de não usar cuecas, só não o faço para não ficar toda assada e para segurar o nojento e fétido período, claro.
É verdade que ter uma galinha degolada entre as pernas todos os meses é sinal que somos jovens, saudáveis e não estamos grávidas mas para pessoas como eu que sempre souberam desde a infância que não queriam ter filhos, se Deus existisse, podia-nos conceber mulheres sem período, desde que não afectasse a nossa longevidade e a continuação da raça, mas tudo em concessão criteriosa, senão cada uma que visse um parto, pedia logo para não ter filhos, como desconfio que se legalizarem a eutanásia, há muita gente que vai querer experimentar, o problema é que só o fazem uma vez mas voltando à hemoglobina que vomitamos por baixo, há para aí gente a pontapé que gostava tanto de ter filhos e depois nascem sem útero, é marado, deve ser como um homem nascer sem tomates, deve sentir umas correntes de ar na blica de vez em quando, os tubaros sempre devem dar algum aconchego, além da sua função de armazenar num ambiente tépido aqueles girinos-rabejadores microscópicos!
 
Prometi que não ia escrever muito, mesmo assim o texto fez-se mais longo que os pensos, assim eu tenha realidade para imaginar e dissertar sobre!
Não falei dos tampões mas esses também são pensos em cápsula e a única observação de monta é a preocupação em esconder aquele fio verde-água nas bordas, porque se formos a confiar no bikini para guardar segredo, escapa sempre uma ponta!
Também não falei dos Tena-Lady, fica para quando tiver perdas de urina, não deve faltar muito! 
E as fraldas para borrados? Bom, por altura de usar essas já nem devo ter força para me peidar quanto mais escrever um texto!
01
Abr20

Quizzzzzzz

Rita Pirolita
Se me perguntarem qual a minha cor preferida?...

Turquesa-mar quase sempre, laranja muitas vezes, verde, roxo com verde pistachio, vermelho com fuskia, tantas vezes o preto e branco.

Que carro gostaria de ter?...

Não precisar!

E viver numa mansão?

Antes o aconchego

Numa Ilha?

Sem sair

Casar?

Nunca

Ter filhos?

Muito menos

Um filme denso?

Esplendor na relva

Romântico?

Detesto o género

Musical?

Idem

Destino preferido para viajar?

Em mim 

Para viver?

O isolamento

Partilhar?

O simples 

Não complicar?

O simples 

Trabalho?

Que forma estranha de vida

Felicidade?

Sempre, sem pensar

Pobreza? 

Nunca, nem saber o que é

Ir à Lua?

E voltar

Contemplar?

Sem parar 

Aceitar?

O que é 

Não reclamar?

Do que não é

A natureza? 

Das coisas

O Universo?

Avança

E eu descanso...
28
Jan20

Feios e meigos

Rita Pirolita
Tentam convencer as mulheres que por mais pequeno que seja, bem trabalhado proporcionará sempre prazer, que com conversa tudo se resolve e chega lá, pode é envolver mais mão-de-obra e demorar um pouco mais, que os preliminares são condição sine qua non para ter excitação garantida quanto mais um orgasmo, que o clítoris existe e todas gostam que seja estimulado à exaustão, que o ponto G não é a inicial da Gronelândia, que a maioria não sabe onde fica ou pensam que é um reino enregelado da DisneyWorld.
Não sei quem inventa tanto mas se todas somos diferentes nada disto pode ser a regra e as mulheres devem fazer ver que muito menos em matéria de sexo e prazer, não podem ser reduzidas a estatísticas e formatações.  
Faz falta ouvir mulheres reais dizerem que o tamanho para algumas importa, que não se resignam aos feios embora  trabalhadores e meigos, ou que pelo contrário serão o macho ideal por não serem tão solicitados e por isso menos susceptíveis de trair, que também não se queixem da infidelidade dos bonzões, já deviam saber melhor da cobiça e cabrice que anda à solta no mercado.
Que conhecer uma única queca na vida e ficar com o grande amor da adolescência para o resto da vida é careta e não mostra mundo, a não ser que vivam nas redondezas da Lagoa Azul. Que nem sempre estamos à procura de relações estáveis e para a vida, tipo conto de fada, quando a coisa acontecer logo damos conta do recado, com casório, divórcio e filhos tardios, ou não.  
Que podemos descontrair e ficar para tias mas com um passado recheado, para contar aos sobrinhos e mostrar o lado melhor da vida, aquele em que se faz o que nos deixam e muito mais que possamos inventar.

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