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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

02
Mai21

O dia da mãe e seus filhos...

Rita Pirolita


Vou falar dos rebentos resultantes de alguns tipos de progenitoras.
 
Cuidado gays, andam por aí uns que são bichonas, fruto de mães solteiras ou divorciadas que têm imensos ciúmes das outras mulheres
Satisfazem-se em ter filhos que andam com homens, género de quem elas adoravam levar uns amassos de vez em quando mas ninguém as quer aturar faz muito tempo.
 
Os tímidos:
Filhos de beatas, não paciência para fazer de professora o tempo todo, de vez em quando também gostamos de um professor que nos castigue por não fazermos os TPC. 
Também podem virar taradões e violadores. É fugir destes!!!
 
Os desenrascados:
São todo-o-terreno, ainda poucos modelos mas têm boa performance
Infelizmente para eles, felizmente para nós resultam quase sempre da ausência da mãe.
 
Os machistas:
Ainda que demais são cada vez menos. 
Resultado da típica família em que o homem é que manda, mulheres só na cozinha a fazerem bifinhos do lombo para o maridinho e o filhote que está sempre a crescer até morrer.  
Hoje em dia se batem numa mulher o resultado pode ser pouco simpático para eles.
Mulher que se preze não gosta desse ar de pimp de camisa aberta até ao umbigo a mostrar figas de ouro em emaranhado de lo! 
 
Os que querem salvar o mundo:
Filhos de pais vegan, são fofinhos, nos primeiros anos de vida crescem sem saber que o McDonalds existe, pensam que o arroz ou as amêndoas têm tetas e dão leite, e que produtos 100% biológicos...vá lá amiguinhos, não existem,  em Vénus porque estão protegidos da poluição por camisas!
 
As filhas podem ser:  
Esgrouviadas, complicadas, independentes, Drama Queen ou loiras filhas de cabeleireiras!!!  
28
Abr21

Super-mulher

Rita Pirolita

Sou mulher mas não sou super!
Tudo o que escrever poderá ser posto em causa por falta de vivência de algumas coisas visto que não posso estar na pele de todas as mulheres de todas as épocas.  
Nunca quis eu casar ou ter filhos, coisa a que muitos torceram o nariz e puseram em causa a minha feminilidade, estas coisas não me fazem sentir mais ou menos mulher nem nunca foram a razão da minha existência que continuo sem saber qual é, ou porque não existe mesmo ou porque não me interessa encontrá-la! 
Há uns tempos veio a discussão sobre a lei que permite ao homem contrair matrimónio 180 dias após um divórcio, enquanto a mulher tem que esperar 300 dias mas se quiser apressar a coisa terá que provar que não está grávida. 
As leis são um mal necessário, mostram que não somos pessoas de bem, somos seres das cavernas armados em senhores civilizados.
As conquistas de direitos e liberdades femininas devem ser aproveitadas e usadas com consciência e respeito por quem lutou por elas mas reconheço que muitas vezes numa sofreguidão exacerbada de independência, acumulamos tarefas para provar que somos capazes e esquecemo-nos de arranjar tempo para nos diferenciarmos dos homens.
Tenho a certeza que não existem super-mulheres por isso nem tento vestir a fatiota! 
09
Ago20

Os CTT e o emprego

Rita Pirolita
Com o encerramento de muitos postos de atendimento dos CTT os filhos ou netos podem começar agora a pensar em se revezar ao levar os velhotes na carripana para levantar a reforma num posto bem longe da casinha e incentivar o regresso ao velho hábito de enviar cartas, pelo menos uma por semana, nem que seja para o primo que vive duas ruas abaixo.  
Em vez de se começarem já a queixar vejam as coisas pelo lado dos CTT que tanto precisam, coitadinhos, para se livrarem do que não dá lucro, deixam as despesas a cargo das Câmaras e Juntas de Freguesia.
Ora bem, quem dá boleia aos velhotes pode começar a cobrar de mansinho nos primeiros tempos quantia que dê para a gasolina, vai depois aumentando a tarifa até dar para pagar a prestação de um andarzeco nem que seja na Buraca, continuam até atingirem o patamar de deixarem os seniores sem pilim nenhum mas felizes de andarem de cu tremido no carro do netinho, que também ajudaram a pagar. 
Com estas atitudes de verdadeira nobreza matam-se muitos coelhos com uma só paulada, a ver vamos: 
Criam-se micro-empresas e postos de trabalho.
Podem todos criar startups tão na moda, S.A., em nome individual ou Filhos e coiso ou Irmãos e coiso, uma espécie de rede UBER sénior!
É dada ajuda e atenção aos velhos tão resmungada de há longa data, ficando colmatada esta lacuna, automaticamente os seniores sentem também que estão a proporcionar e investir num melhor futuro para os seus ascendentes, aliviando o típico aperto do fim do mês e preparando adultos melhores e mais felizes, porque vão mais vezes comer caracóis e beber jolas à tasca da esquina, mesmo que levem os velhos a reboque é sempre uma festa!
Dinamização e recuperação da velha tradição das cartas e mundo da filatelia com lançamento de novos selos que sempre animaram a face das missivas, com as suas esfuziantes cores de flores e animais ou importantes figuras da história.
Portanto, a todas as pessoas que se manifestam nos locais contra o encerramento destes postos e todos os outros que se insurgem no sofá, digo já que não percebem nada desta maravilhosa governação secreta e subreptícia pensada só para o vosso bem! 
Deixem-se lá dessas ideias de que estamos a ser vendidos a retalho, os beneméritos querem tanto manter o anonimato e discrição que quase nem nos apercebemos destas medidas tão valorosas para o avanço da nação! 
 
04
Ago20

O vizinho contrafeito

Rita Pirolita
Estão a imaginar aquele vizinho de baixo que só conhecemos há dois dias mas já vivemos por cima dele faz mais de um ano? 
No Canadá é um achado conheceres o vizinho do lado quanto mais o de baixo, o de cima não posso conhecer, só se for Deus, porque vivo no último andar do meu querido apartamento, sempre posso dizer que o céu é o limite ou não?
Bem, imaginem também que a probabilidade de encontrar alguém normal nesta terra é como ver um porco a guiar uma mota, foi isso que não nos calhou na rifa como seria de esperar, somos tão amorosos que ao jogo só podemos ter azar!
Nem sei por onde começar, este vizinho é uma mistura de cocainado com serial killer, sem talvez nunca ter snifado uma linha que fosse ou até morto uma galinha!
Diz ter família em Espanha, mulher e dois filhos e trabalha no Canadá em pipelines, tem um trabalho à peça e sazonal, com a vantagem de aceitar umas épocas e recusar tantas outras quando já tem dinheiro suficiente para tirar uns dias de descanso! 
Pareceu-nos um ser porreiro com salero de castanholas, que amiúde daria para ir matando saudades da nossa querida nação tuga, ali mesmo encostadinha, a fazer conchinha! 
Entre um copo de vinho, dois dedos de conversa, pizza e pasteis-de-nata, que os consigo arranjar por aqui feitos por um italiano, vamo-nos apercebendo que este homem também na casa dos 40, começa a repensar toda a sua vida por causa do nosso discurso tão libertador e liberto de empecilhos, sem filhos e gosto por viajar, toda uma filosofia de vida de "menos é mais" e "keep it simple", que o fascinam e com que parece estar a contactar pela primeira vez! 
Com a idade que tem já vai atrasado mas nunca é tarde! 
Fica fascinado com a sabedoria filosofal do moço, sorve as suas palavras como as de um aprendiz de guru! Não me dita tanta importância, secretamente apercebo um fascínio para lá do normal, uma atracção sensual pela inteligência do meu moçoilo. 
Detenho-me a contemplar o cenário e vou falando cada vez menos para deixar o bobo divertir-me e fascinar-se com a simplicidade que descobriu agora, como criança imberbe e pueril. 
Este ser dá desculpas para tudo, arranja pretextos e deixa rabos para nos voltar a ver, o seu discurso é soluçado e sofrego. 
No dia a seguir a nos termos conhecido veio cá acima bater à porta, a pedir ajuda ao moço para montar uma televisão que tinha comprado após ter visto a nossa, embora já tivesse uma, esta era um monstro colossal e Smart.
Mais uma vez tinha ficado fascinado com o facto de apenas pagarmos internet e não estarmos fidelizados com pacotes de canais, assim assistimos ao que queremos à hora que nos convém, desde canais online, a Neteflix ou Youtube...  
Esteve uns dias sem dizer nada, até nos esquecemos dele mas voltou novamente a dar à costa desta vez com o pedido de um favor, já estava a tardar.
Pediu-nos para cuidarmos de uma planta que tem ao canto da sua sala, acabou por admitir que a comprou para preencher o espaço vazio. 
Com pezinhos de lã perguntou primeiro se gostávamos de plantas e eu sem dar oportunidade ao meu moço de responder, disse logo que gostava de as ver lá fora, à solta, não presas em casa mesmo que fossem consideradas domésticas. 
Ora, quem tem um trabalho de passar meses fora de casa, não vai a correr comprar uma planta, quanto muito que compre flores de plástico ou um cão de loiça para preencher o vazio da casa e da alminha perdida.
E ainda mais lhe disse e perguntei, se ele fazia alguma ideia porque é que eu não tinha filhos e ele feito parvo ainda respondeu que não e eu expliquei que não queria estar agarrada a nada que me tirasse liberdade ou me exigisse responsabilidade e rotina, que apenas queria ser responsável por mim e já era muito, portanto muito menos iria cuidar de uma planta que nem era minha...
Bardamerda que dê a planta a alguém ou para a próxima que pense melhor no que anda a fazer!
Juro que a esta altura da troca de galhardetes, sem exaltações, que o caso não merecia, imaginei este homem a meter-se num avião, ir a Espanha matar mulher e filhos e regressar livre de amarras, só porque estava fascinado pela nossa postura.
Durante este diálogo, o moço mostrou uma paciência como só ele e fez muito esforço para não desatar à gargalhada! 
Quando este ser abandonou o nosso lar voltei a indagar-me como já tantas vezes fiz, até demais, porque continuo a atrair gente maluca? Porque há realmente muitos ou porque estou condenada a algum castigo de me cruzar com tolos e passar a vida a fugir deles???
Juro que a próxima vez que venha cá acima e me pergunte se não está a incomodar feito assassino que se mostra simpático para atrair as vitimas e depois as degolar, vou-lhe dizer que estou muito ocupada e tenho que ir visitar alguém ao hospital! 
Eu que sou maluca reconhecida, natural, original, diria até genial, daquelas de trazer por casa e arejar de vez em quando a mioleira sem incomodar ninguém, digam-me porque tenho que aturar malucos contrafeitos?
24
Jul20

Peladinha em campo farfalhudo

Rita Pirolita
Continuo a não conseguir assistir um minuto que seja a debates sobre jogos da bola. 
Tanto têm que discutir sobre a peladinha em campo farfalhudo ou o rumo que os árbitros ditam pelo tamanho do suborno? 
Gastam tanta saliva a justificar que o resultado nunca é natural e justo o que é característico do jogo, nem sempre ganha o que joga melhor mas sim aquele que mais  vezes enfia a redonda lá na baliza! 
Ainda assim se acredita em prognósticos e vitórias que podem ser influenciados pela fé e força de adepto ferrenho que segue o seu clube para todo o lado, que o ama de coração mais que aos filhos e à mulher, que sofre horrores como não sofreu com nenhuma morte de familiar, que se desorienta, que grita até lhe saltarem as veias, que bebe, que faz desacatos, que anda à porrada e se zanga com os amigos, tudo para defender uma dama rica que com futebol pouco ou nada tem a ver. 
Estes são os portugueses como a maioria no mundo, sujeita a fé de clubes e religiões que arrastam multidões e arrasam corações, nunca pelas mais nobres razões!
24
Jul20

OCD - Obsessive Compulsive Disorder

Rita Pirolita
Como hei-de arranjar uma forma descontraída de começar a escrever sobre uma adição, descontrolo, vício, comportamento desviante, tudo meu que só a mim prejudica e muitas vezes é aproveitado por preguiçosos e outros que se encostam à sombra da bananeira!
Eu sou a chamada OCD - Obsessive Compulsive Disorder, com a limpeza, organização e cheiros no meu espaço e corpo, com os outros não me preocupo, desde que não tenha que lhes tocar por isso consegui viajar para verdadeiros paraísos cheios de lixo, mau cheiro e gente que não tomava banho, por falta de água ou porcalhice mesmo. 
Respeito todos os costumes e culturas, mesmo os que gostam de viver na merda, desde que seja longe de mim ou eu esteja só de passagem e tenha agilidade para quando vier a vontade me empoleirar e cagar de alto sem tocar em nada...
Vou ao ponto de mesmo que passe umas meras horas a dormir num hotel, antes de usar a cama desvio os lençóis e sacudo tudo para ter a certeza que não durmo com cabelos e pintelhos alheios, alguns fluídos já devem estar entranhados no colchão, não vejo mas sei que estão lá e mesmo isso me mete nojo mas não tendo alternativa, tenho que dormir em qualquer lado mais fofo que o chão.
As colchas dos hotéis nunca são lavadas, por isso nem o cu mesmo com cuecas sentem lá. 
Para mim é preferível acampar sempre que o tempo e local permitem e dormir na MINHA tenda, aconchegada no MEU saco-cama!
O WC...ora este compartimento sofre o meu olhar de escrutínio e leva com toalhitas húmidas quase até ao tecto, nunca me encosto à cortina ou paredes da banheira, tomo sempre banho de chinelos, não vá apanhar pé de atleta ou qualquer outro tipo de nojenta micose humanóide, na sanita faço logo duas descargas de autoclismo, para não correr o risco de respingos estagnados e conspurcados, limpo-a quase até por dentro, não gosto da ideia da minha merda tocar superfície onde outras tantas tocaram, a minha será sempre especial mas nunca deixará de ser merda claro, apesar de mais preciosa e acarinhada por vir das minhas entranhas já que me preocupo tanto com uma alimentação equilibrada! 
Costumam dizer os gurus das práticas saudáveis, 'que somos o que ingerimos' e eu acrescentaria, o que cagamos é o que metemos cá para dentro! 
Teorias tão antigas como o cagar. 
Comecei a falar de limpeza e quase acabo a falar só de merda, não tenho arranjo para este meu desarranjo mental que me ocupa tanto que nem tempo tenho para aturar maluqueira alheia.
Ora bem, ia eu nos hotéis que não são casa minha, gostava eu muito que fossem, fosse eu a Paris Hilton a ver se não vivia até morrer num hotel meu, na penthouse claro!
Se sou assim com sítios temporários imaginem com sítios alugados ou de caracter mais permanente como uma casita, tudo tem que estar impecável mas detesto o acto em si de limpar, eu explico. Gosto de viver em espaços imaculados mas detesto limpar, por isso não há cá biblots em casa, para apanhar pó e teias de aranha já basto eu que vou para velha, tal como adoro andar lavadinha mas detesto o acto de tomar banho, é uma trabalheira além de que com uma pele seca que nem jacaré como a minha, tenho sempre que hidratar ou seja depois de sair do banho sujo-me outra vez a barrar o corpinho com um creme viscoso.  
Não gosto desta minha condição paranóica mas estão a perceber porque me amofina tanto a vida e depois ainda tenho o desplante de marrar com o moço para que seja tão picuinhas com os pormenores como eu. 
A minha tese é que ele não deve só deitar uma mão, numa de macho que até ajuda lá em casa deve sim partilhar irmamente tarefas, porque suja e usa tanto como eu o mesmo espaço e pode deitar a mão mas é a outras coisas. 
Cada vez se tem encostado mais a reboque da minha genica e pouco se mexe, nem em nome de contrariar o sedentarismo natural do processo de envelhecimento, qualquer dia bebe e come deitado, como um cão que tivemos! Embora muitas vezes me acuse e com razão, de gastar o chão e a roupa com tanta esfrega que lhes dou!
Mesmo assim não consigo deixar de lhe achar piada, mesmo quando fico brava e ele se cala perante o meu fortíssimo poder de argumentação, tão bom que comigo como advogada o Pedro Dias saia em liberdade e ainda lhe faziam uma estátua no átrio da Igreja!
Mesmo assim o moço que se deixe da lanzeira de ter corpo de rico e carteira de pobre e largue a nota para pagar a uma empregada, deixa assim de explorar a minha força de trabalho de forma escravizante! 
Bem também não é tanto assim, as máquinas de lavar e secar, essas sim é que são esmifradas cá em casa até ao último parafuso, além de que se tivesse empregada ia-lhe moer tanto a cabeça que não aguentava nem meia hora por este doce lar, porque achando-me eu tão perfeita nestas lidas da casa, nunca vou sequer considerar que alguém faça tão bem o trabalho como eu e depois confesso, não sei mandar de todo em pessoas ou animais mas sei fazer, ai isso sei e nunca me enrasco com nada. 
O que não sei, se for necessário aprendo e morro a tentar. 
Eu sei que sou uma chata do caraças e que é muito difícil preencher os meus requisitos de limpeza e nível de exigência mas também tento sempre viver em espaços com tamanho ajustado ao uso que lhes dou, no fundo uma pessoa não precisa de um ringue de patinagem quando nem patins tem mas mesmo assim tem que lhe limpar o cotão, porque para ter portas fechadas numa casa que parece assombrada, antes prefiro viver no anexo do jardim, é mais saudável e também porque não sou nada cagona e o segredo está em ter uma boa vida mas não ostentar para não ser alvo de invejas, maldade, percalços e medo de ser roubado, rodeado de alarmes, grades, portões até ao céu que nem consigo ver o mundo lá fora, arame farpado, cães ferozes... 
Enfim nem quero pensar quando for rica, se me vou preocupar tanto em defender aquilo que é meu ao ponto de nem gozar a vida?...Prefiro ter pouco guito e morrer consolada de papo cheio de felicidade!
Mas se alguém me quiser fazer milionária eu não digo que não e compro uma ilha só para mim!
Também já tive muita gente a pedir-me ajuda para limpezas e mudanças mas como sabia eu que eram uns tesos da merda e ia dar cabo das minhas ricas costas de graça, dei sempre desculpas esfarrapadas para que os estúpidos não tivessem dúvida nenhuma que eu não era pacóvia e que sabia os interesseiros que eles eram. 
Porque não usam a amizade que lhes sai da boca para outros convites? Oferecer uma massagem nem que seja na esteticista lá do bairro, fazer um jantarzinho vegan de vez em quando...cuidar dos filhos é que não me peçam, já disse por aqui que não sei mandar em putos nem me dou ao respeito, além de que quem os tem que os ature e carregue, que o meu corpinho é um templo!
21
Jul20

Se eu fosse a irmã do Ronaldo

Rita Pirolita
O que faz o Ronaldo correr para ser o melhor? 

Podia ter uma linha em cada campo, junto à baliza, com o seu raio de acção, muito curto, recebe e marca com mestria, não se aventura em cambalhotas Maradonescos ou circos Messianos, quer ser o melhor marcador e não jogador, porque não pode ser tudo, principalmente com mais trabalho que dom, escasseia tempo para ser espontâneo.

É movido por gosto, ganância ou arrogância de ser o melhor e mais rico, o que tem mais bolas de ouro de sempre? 

Quando deixar de jogar vai ser treinador, aparecer em mais anúncios, ter uma equipa de futebol madeirense, gerir hotéis e o seu museu, chatear os filhos para seguirem desporto e serem tão bons como ele? Vai cair no vazio de não ter gozado a vida, ter perdido tempo a ser o melhor numa das profissões mais bem pagas e mais curtas do mundo, não ter tempo até morrer de gozar toda a riqueza? Ter mais filhos? Mais namoradas? Aviões, barcos, carros, ilhas?...

Pode ter tudo, sentir-se o melhor do mundo, o que haverá mais para lá disso? Não quero saber.

Nunca quereria ser a melhor do mundo em nada, não tenho arcaboiço nem dedicação para alimentar ou manter as expectativas de todos os olhares que se cravassem em mim mas se tivesse nascido irmã do Ronaldo...gozava bem a vida e calava-me bem caladinha!
20
Jul20

Não sou de recados

Rita Pirolita
Não sou de mandar recados, seria uma trabalheira falar em casos particulares e um dos confortáveis usos da escrita também é este, uma só pessoa dizer a muitas o que pensa e cada um daí tirar o que lhe aprouver e deitar fora o que não gostar ou magoar.  
Sou rude e directa mas aceito que para os mais sensíveis ou mesmo susceptíveis poderei parecer agressiva e zangada.
Sou sarcástica, ácida e treino a lucidez todos os dias e acreditem que mesmo escrevendo sobre coisas sérias, estou com um sorriso nas fuças, imaginem-me assim em frente ao écran do computador e estarão a ver a realidade mas reconheço que devo dizer muita coisa que muitos não querem ouvir ou fogem de pensar e por isso ainda me chamam de arrogante. 
Não sou de andar a caçar elogios, digo o que penso e por isso alguns chamam-me de vaidosa de tão segura! Inveja? Talvez mas não é minha, é de mim, não me detém nem arrepia, quem a tem que lide com ela, que a guarde nas catacumbas da alma sem luz a ver se definha. 
Só peço que poucos ignorantes me cruzem caminho e por ignorantes neste preciso caso, considero aqueles que se apoderam das certezas incertas da vida, os que estão seguros que os amigos são para toda a vida, os filhos também e a família, fazem planos para viver a reforma sem antes ir gozando o dia-a-dia, dizem não querer agradar a ninguém mas depois mexem-se apenas por competição, para provar aos outros o que valem e para manter amigos de companhia, já deviam saber que a competição mata a originalidade e assente nas premissas erradas, puxa pelo pior de nós, exigem satisfações, dão constantes palpites sobre vida alheia e assim vivem a vida dos outros tão ou mais vazia que a sua, cobiçam felicidade, viagens e ausência de rugas, estão sempre mal por estarem sós ou mal acompanhados, não suportam o ruído da sua própria alma, se aprendessem a amar a sincera solidão, ouviriam ecos de melodia.   
Não sou eu que vos digo todas estas coisas, é a vida que o diz através de mim, por isso qualquer nome que me queiram chamar, chamem primeiro à porca madrasta finita que nos vai moldando, fazendo sonhar e tropeçar na realidade e a cuja morte leva sempre a melhor e não se esqueçam de supor menos e rir mais enquanto é tempo.
Não se deitem a adivinhar, atirem-se de cabeça!

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