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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

08
Ago20

Depois dos 40 não há ternura

Rita Pirolita

Não, não vou falar daquele cantor que não matou a mulher que não se suicidou.

Só comecei com esta paneleirice dos cremes aos 40.

Gastamos rios de dinheiro por ano e nunca saberemos se cumpriram o propósito descrito na embalagem.

Nenhuma de nós sabe como estará daqui a 10 anos se não usar cremes, se calhar estaremos na mesma, melhor, pior mas ninguém quer arriscar porque o tempo não volta para trás e não dá para pôr os cremes todos de 10 anos num só dia, pelo sim pelo não fazem-se plásticas.
Eu sei que um dia e vai acontecer numa noite, vou acordar com olheiras, com as mamocas descaídas até ao joelho e com as nádegas quase a tocar a região poplitea.
15
Jul20

A ideia de mim

Rita Pirolita
Não sei que ideia fazem de mim fisicamente mediante aquilo que escrevo! 

Se calhar não gostava de saber ou tanto se me faz, não posso mudar o que tenho e não me achando feia, não tenho defeitos físicos, tenho imperfeições carismáticas, aceito de bom agrado aquilo com que nasci, sem algum dia ter tido a coragem de mudar artificialmente fosse o que fosse, bem ok, usei aparelho nos dentes mas não usei óculos nem botas ortopédicas, também não tinha que me calhar tudo!

Se têm de mim a ideia de uma figura frágil, submissa, cândida e doce...é porque não leram uma vírgula daquilo que escrevo, não me conhecem de todo, se pensam que sou muito expressiva e transmito rebeldia, provoco alvoroço, sou insubmissa, inquieta, arisca e muito convicta? Talvez vislumbrem algo mais próximo da realidade que eu imagino de mim! 

Como eu me vejo e sinto e aquilo que os outros pensam, costuma ter alguns pontos de encontro mas outros nem tanto se tocam!

Ora vejamos.

Muitos me acham bonita, eu acho-me interessante e nada sensual, muitos me acham atlética, não pratico nada e nunca fui adepta de exercício com rotinas, comparo-me mais a uma mulher russa dos murais de propaganda comunista, alta, rude, de membros fortes, ombros largos, mãos e pés grandes, de aspecto nada frágil, lábios largos, olhos rasgados, maçãs do rosto proeminentes, orelhas pequenas, cabelo farto, forte e indomável.

Não tenho ar feminino e doméstico, a pedir cuidado e protecção, sou a mulher que caminha ao lado de alguém, não faço frente a todos nem me acanho escondida, vou quando me dá na gana da justiça! 

13
Jul20

Obra do Espirito Santo

Rita Pirolita

 


Nasci num restaurante dos meus avós com parteira e tudo, naquela altura no norte interior não havia cá nascer em clínicas privadas, não havia graveto para isso e hospitais nem vê-los por aquelas bandas.
Não queria sair para este mundo vil, já sabia o que me esperava, estava tão quentinha lá dentro mas lá me puxaram pelas orelhas e lá vim eu qual lombriga comprida, magra, feia, de peles encolhidas. Frase de boas vindas quando me viram pela primeira vez - 'É tão feia e não se parece com ninguém.'
Mais tarde vim a saber que os meus primos nasceram todos quais porquinhos anafados à volta dos 4 Kg, ao menos a minha mãe não se queixou muito da boca do corpo.
Cor-de-rosa, loiros ou sem cabelo, o típico bebé de anúncio de fraldas, que só comiam e dormiam. 
Quem dorme medra e isso não era comigo que já na altura queria beneficiar da dieta da Lua e provar que conseguimos viver só de sopa e ar. 
Fiquei mais bonitinha, embora continue a não parecer filha nem do pai nem da mãe.
Devo ser obra do Espírito Santo, espero não sair ao lado tóxico da família.
02
Dez19

Contos da Estrelinha Serigaita - A gorda

Rita Pirolita
Brincadeiras de fim de tarde antes de jantar. 

Desavença que surge entre a mais gorda da escola e uma das mais magras, eu.

A gorda é peluda, feroz, feia e carrancuda, eu sou só feia e magriça, rápida no pontapé e murro, nunca puxei cabelos, coisa de menina e não de maria-rapaz.

Foi a única e última vez que alguém me meteu medo, um murro em plena têmpora, fez-me cair na soleira da porta do meu prédio...que humilhação! 

Não sei como a amorfa figura se antecipou à minha agilidade rapazola. 

Estou feita, já não me consigo levantar a tempo de responder com força. Quando acordo, todos me abandonaram, viraram costas à fraca figura que se deixou abater por uma gorda, sem tempo de virar o resultado no ringue de rua.

A partir desse dia nunca mais me pôs um dedo em cima, a gorda que sofria daquele tipo de gordurice que se ia agarrar aos ossos até ao fim da vida, esperava eu. 

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