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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Estou confusa

Rita Pirolita
Nesta fase de grande mudança física e emocional estou confusa como estava na adolescência. 
A menopausa é uma merda e para agravar o mau estar, somos bombardeadas todos os dias com exigências de manter um corpo bonito a qualquer custo e agora até os homens se quiseram meter ao barulho sem ninguém os ter chamado. 
Detesto exercício fisico, rotinas e obrigações, gosto de me mexer muito, não obedecer a imposições e ter a liberdade de ser feliz na parte que me toca fazer por isso.
Não entendo o sacrifício e malefício que são necessários fazer o corpo passar, com dietas de limões e folhas de alface de manhã à noite, choques elétricos, queimadores de gordura, injecções de gordura, bisturi tira gordura, bisturi põe silicone...depois todos dizem que sem esforço nada se consegue e que o sacrifício é proporcional aos bons resultados. 
Que mal fiz eu para continuar a ouvir sentenças bíblicas relacionadas com pecado e vergonha para descobrir o Santo Graal da aparência perfeita à custa de tudo menos ser saudável. 
Cirurgiões que deixam a sua assinatura na obra, fazendo o mesmo tipo de lábios ou mamas em todas as parvas que lá vão. Miúdas de 20 anos que já parecem ter 40 e se vestem como trabalhadoras do sexo reformadas, mulheres que parecem homens de tão musculadas, ratos do ginásio que não se parecem com nada que seja humano. 
Já ninguém ingere comida, todos sobrevivem com batidos e selfies no espelho do ginásio. 
Eu não sou nenhuma Miss mas esta gente faz-me sentir que sou normal, feliz e gostada, no fundo eu existo, já esta gente não sei se pensam quanto mais existirem.
28
Fev20

Fogo-fátuo

Rita Pirolita
Será que acredito que existo?

Sempre senti que o conhecimento já veio agarrado a mim desde o momento da parição mas a existência sempre teimou em afastar a realidade. 

Sinto-me num corpo desalmado, que flutua e vê de fora por dentro, que julga a justeza de seres alheios que tenta expiar os males do mundo como um redentor que sofrendo as dores de outros, purifica e alivia quem em desespero de guerra e doença luta por ficar vivo. 

Será que é assim tão importante ficar por este mundo o máximo de tempo que conseguirmos a fintar a morte? 

Quase todos acreditam noutra dimensão mas ninguém nunca teve confirmações do além a não ser inventadas, nunca nada vem de luz divina fora da nossa imaginação. 

Que Deus tão fogo-fátuo que vive no nosso meio, inventado à nossa medida e nos abandona na morte, quando o deixamos de pensar. 

E se não acredito em mundos divinos e sim num Universo matemático, porque me sinto fantasma desta terra, observadora a planar por cima de catástrofes e a chorar da pena que sinto do sofrimento que não acaba, pela recusa do simples e Belo, que a humanidade sempre teve de graça mas nunca aproveitou até hoje?...

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