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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

07
Ago20

O Ronaldo não pagou a prestações!

Rita Pirolita
 

Parece-me que andam para ai algumas aves de rapina a usar as crias para segurar os machos! 

Como já se viu que não resulta pela quantidade elevada de divórcios, o que fizeram as mães dos petizes? 
Arranjaram maneira de alienar os filhos para conseguir a sua guarda e poder esfolar a pele dos ex com tudo o que tiverem ao seu alcance, desde pensão de alimentos a roupa, ama, todas as actividades extra curriculares possíveis e imaginárias, pré-escola, ATL, escola, mais caro se for colégio, universidade, mais cara se for privada ufffff...
Se ainda sobrar algum para ir de férias com o novo namorado...óptimo. 
Ainda se podia arranjar maneira de esticar o divórcio até os putos serem independentes, mas eles agora só saem de casa aos 40. É muita fruta, não dá para aguentar!

As mulheres sabem que deixar os ex na penúria chateia, faz moça e tira-lhes a tesão de fazer mais filhos a outras.

Só as ex-mulheres dos futebolistas é que beneficiam à grande com esta atitude. Para já não são parvas e pumba têm logo um ou dois filhos para começarem a pedir este e o outro mundo em nome do conforto dos rebentos. 
Olha o Cristiano Ronaldo o montão de dinheiro que ele poupou, pagou logo à cabeça e não foi na conversa dos bancos, em suaves prestações!
Os futebolistas diferem numa coisa do comum divorciado, além da riqueza andam sempre nas putas, as mulheres sabem mas são pagas mais que o suficiente para não refilarem. Os que não são futebolistas ou outra coisa do género, divertem-se mais quando se separam e se o fizerem enquanto casados, elas põem-lhes as malas à porta.
Queridos habitantes deste mundo que mais parece um penico de tão pequeno, antes de casar e ter filhos, amadureçam as ideias e façam muitos estudos de mercado sempre como cliente mistério. 
Têm tempo de casar até morrer, não havendo príncipes encantados, também não precisam de esperar até tão tarde. Quanto a filhos?...Há tanta criança já parida à espera de ser amada! 
23
Jul20

Outra vez sem mérito

Rita Pirolita
Já por aqui falei do meu percurso académico pejado de frustração, a escola sempre foi uma desilusão com balelas e poucas respostas, um estimulo de nada e coisa alguma, normalizadinhos é que todos somos bons.
Continuo sem perceber o facilitismo em que a educação continua a cair, com tendência para a abolição de avaliação por exames ou exames mais simples para que todos os alunos passem e preencham as estatísticas de bom comportamento e desempenho só para mostrar, porque cada vez menos sabem fazer contas, falar ou escrever em português decente, quanto mais expressar ideias e formar sentenças que façam sentido. 
Continua-se a querer que os mais inteligentes se atrasem pelos menos dotados, em vez de fazer os burros correrem mais pela cenoura, para nivelar por cima o grau de exigência.
Praticamente eduquei-me sozinha sem muito amparo, desde sempre, sem competir com outros, quis dar o meu melhor, testar os meus limites e destacar-me pela diferença, no meio de outras pessoas que gostava eu se sentissem diferentes também, porque de normais amofinados está o mundo cheio.
Se as competências nunca são dadas por mérito para quê ir para a escola aprender, porque não apenas marrar pela lei do menor esforço e tirar notas só para passar? 
Temos assim um sistema que não se quer mexer a incentivar gente que já pouco se mexe, a fazer ainda menos para evoluir, um sistema que vive bem de mentes formatadas, altamente absorventes e pouco críticas.
20
Jul20

Nem a Bimby

Rita Pirolita
Os meus pais passaram uma vida inteira em violência fisica e verbal sem me ligar nenhuma, eu como sempre armada em responsável que fui obrigada a ser desde a infância, por estar por minha conta e risco desde muito cedo, tinha o péssimo hábito de dar uns berros para eles se calarem por um segundo que fosse, como não tinha para onde fugir, nem família por perto, nem havia CPCJ, nem psicólogos, nem APAV ou SuperNannys, um dia dentro do carro o meu pai que era marinheiro do Alfeite e tinha a mania que dava porrada em todos, não vai de modas, estava ao volante e puxa a culatra bem lá à frente e espeta-me uma arrochada no banco de trás que apaguei, desmaiei e não tugi nem mugi. 
Nunca me habituei, não gostei mas levei muitas mais por tudo e por nada e sempre de bico calado que mesmo que alguma vizinha soubesse, passava-me a mão pela cabeça e dizia que era passageiro e a vida era assim para todos!
A minha mãe já não está cá e com o meu pai pouco ou nada falo, quase todos podem continuar a defender em prol do necessário para uma boa educação, que uma palmada na hora certa nunca fez mal a ninguém e todos lhe sobrevivem mas muitas e dadas com muita força marcam para sempre e matam, não só a alma!
Não se assustem, porque lá por não ter tido educação nenhuma de jeito e já ter visto muita coisa nunca bati em ninguém, a não ser na escola primária, não gosto de pessoas em geral, não confio nem desconfio, se me chateiam muito afasto-me e se me chateiam ainda mais tenho vontade de as fazer desparecer com um estalido de dedos. 
Fujo de conflitos como o diabo da cruz, tenho a estratégia salvadora de não criar intimidade nem espaço para intromissões e nunca me pôr a jeito de ser importunada! 
A selecção de quem tem sucesso ou fica votado ao anonimato é feita pela sociedade, os rituais de passagem e selecção, as relações na escola, no trabalho ou entre família serão cada vez mais violentas através de bullying, assédio, violações físicas e de espaço, castigos, chantagens, trocas de favores.
Os critérios para eleger quem serve ou não, serão cada vez mais enganosos, menos altruístas e honestos, até mais desumanos e chegar ao topo vai ser cada vez mais difícil no meio de tanta gente normal.  
Interessa acima de tudo combater o tédio do anonimato da normalidade, para se ser anormal e destacar dos demais vale tudo, até a vida e quando o anormal passa a normalidade, tudo tem que mudar a um ritmo alucinante para se realçar, num crescendo de loucura. 
Vejam só os exemplos de bravura inconsciente a que os adolescentes se submetem, como rituais de passagem e aceitação cada vez mais espartilhados, inexplicáveis, impenetráveis e secretos como a obscura maçonaria, Baleia Azul, queimarem-se com água quente, fazer orgias sem preservativos com pelo menos um infiltrado portador de SIDA...
Em vez de passarem tempo de qualidade e comunicarem para serem gente livre e independente na devida altura, cada um está no seu canto a ver TV, agarrado ao telemóvel ou a comer pastilhas de detergente!
Os pais meteram na cabeça que os seus filhos são os especiais e eleitos, umas crianças índigo, umas sumidades hiperativas e autistas, uns esgrouviados geniais, uns espertos inteligentes. 
Em nome de aturar tudo aos meninos, deixam que lhes batam, faltem ao respeito, façam birras de meia-noite e até lhes deixem de falar quando bem lhes apetece. 
Aos filhos responsáveis não é pedido mais que o normal e não fazem mais que a sua obrigação de tirar boas classificações na escola e se passarem com alguma distinção ainda melhor, para eles claro, os mimados que se fazem de mulas, são compensados a cada período escolar e no final de ano se passarem apenas mesmo à rasca, com presentes e elogios de génio!... 
Aos espertos que têm todos os desequilíbrios do foro psicológico, tudo lhes é permitido, até meterem-se nas drogas, porque não lhes cabe tanta inteligência nos cornos  passam sempre por sumidades e os outros não são mais que pessoas responsavelmente normais e só se lixam porque como aguentam bem com a vida, ainda lhes põem mais carga em cima, sem ajuda e para lhes ocupar o tempo, para não perderem o foco de uma vida equilibrada, votada ao sustento das birras de outros! 
É o culto dos coitadinhos que cria inválidos sociais e atrasados mentais a cada minuto.
Desculpem pais extremosos mas muitos de vocês são uns parvalhões, muitos outros não merecem os filhos que têm e quase todos merecem tudo o que os filhos lhes fizerem desde insultarem, abusarem, extorquirem ou até nem ligarem nenhuma!
Os adultos são os piores ao exporem as crianças nas redes sociais, sabendo de todos os perigos associados.
Querem tirar cristo da cruz sem marcas de tortura? 
Quando se pergunta aos fedelhos de hoje em dia o que querem ser, não poucas vezes respondem o Ronaldo, a Shakira ou até Youtuber ou se não conseguirem ir tão longe, já ficam contentes de participar num reality show para serem vistos e conhecidos na rua, depois caem em depressão pós-parto da fama tão pequenina, confinada ao bairro e a meia dúzia de admiradores nacionais nas redes sociais. 
Os miúdos sempre nasceram com informação genética e são tudo menos inocentes, absorvem tudo e reproduzem com níveis de crueldade cada vez mais altos.
Querem dar a comer malvadez e hipocrisia para cagarem amor e bondade??? Nem a Bimby faz isso!
06
Jul20

Um conto ou dois

Rita Pirolita
Nem sei se vos conte um conto ou dois, sem acrescentar três pontos. 
Eram assim aqueles dias de cabelo comprido, crespo e ondulado, os outros escorridos, loiros e brilhantes, alta e magra, joelhos negros de cicatrizes, outros alvos e gorduchos. 
Semblante de cigana de bairro pobre, quase a viver na rua, com casa virada do avesso.
Sou líder da minha tribo e rodopio para me transformar em super-mulher, tão invencível que até os rapazes se baralham mas não se deixam ficar.
Serei sempre a rapariga que joga carica e berlinde, à macaca, ao canivete e ao pião, aos carrinhos de rolamentos, monta bicicleta alheia, e ao fim do dia olha para as bonecas mas mexe nos carrinhos.
Televisão a preto e branco, escola à tarde, férias de verão em três meses de praia a perder de vista, dois de campismo, calor matinal, abrasador à tarde, noites cálidas, pão com manteiga e açucar, hortas de abelhas, moscardos e minhocas, ervilhas de cheiro e feijoeiros, correria na mata sem medos.  
Regresso às aulas, fim de dias longos, começo de humidade, chuva e estrelas de Natal, frio invernal de galochas.
Amanhã o silêncio será quebrado mas agora vou dormir sem história nem conto...
09
Dez19

Vou só ali vomitar...

Rita Pirolita
Mais uma vez me aborreço com a monotonia de quem vou comentando e encontrando pelas redes sociais.
 
Eu sei, vocês não, que não tive quem me desse educação, apenas deveres e obrigações para cumprir em troca de escola, comida e dormida. 
Eu sei que tive que me fazer, educar, cair e levantar, mais só que acompanhada.
 
Eu sei que não devo chorar muitas vezes e queixume nunca.
Eu sei que há maior desgraça que a minha, muito maior mas só da minha posso tirar conclusões e nunca fazer comparações, porque sou única como só eu sei. 
A raridade e diferença de outros não me é alheia, é até considerada mas por aí me fico, porque não posso ser outra!
 
Eu sei que estou noutro patamar de saturação de gente, assim vou seguindo no caminho do isolamento que cada vez mais sentido faz, porque a participação e tentativa de pertença, se têm mostrado com pouco sumo e de rara evolução! 
Eu sei que os que se pensam quase mestres na arte de fazer rir ou tentar ter piada, não aceitam ser ultrapassados ou ofuscados por aprendizes-alquimistas que não os veneram, os fazem parecer pouco naturais e até forçados e repetitivos na imaginação e na arte da escrita. 
Eu sei que sou uma aprendiz de geração espontânea, que nunca bebeu em mestres mas se identifica, revê e aprende com a crueza caricata da vida.
Serei uma aluna assustadora e desencantada que não se entrega a ilusões e modas, que não escreve um livro, que não faz palestras nem dá workshops de humor, que não come à pala em todos os eventos e mais alguns, que não se mostra no palco? 
Estarei puramente interessada em que apenas gostem do que escrevo, porque isso é também o que sou? Sendo mesmo assim desconfortável, que alguém me reconheça e saiba do menos bom em mim, não tenho pudor em mostrar, esteja rasgado na pedra ou escrito em veludo, desde que vá ficando por aqui. 
 
Mais uma vez sinto-me só em descampado, sem tertúlia que valha a pena para ficar e beber um copo ou dois.
Gente preguiçosa que gosta de ler coisas leves e fáceis, gente impaciente que não lê textos longos, só curtas do dia a evitar opinião ou baralho mental, gente que não sabe rir do sério com ironia.
 
Mais uma vez, cada vez mais, descubro mais gente, mais burra que um pepino, mais empapada que um molotov, mais instável que gelatina, mais peganhenta que arroz doce, mais morta que bife, mais podre que fermento...
 
Já conseguiram ficar com azia? Eu já, vou só ali vomitar...
 
04
Dez19

Contos da Estrelinha Serigaita - Ciganos

Rita Pirolita
Depois da mercearia, no caminho para casa, dois ciganos adolescentes que ainda permanecem na escola primária onde ando, perseguem-me, lançando olhares peganhentos e palavras melosas. 'Aiiiiiiii, fazia-te isto e aquilooooo, porque estamos fora da escola e no recreio só atrás dos pavilhões te podemos apanhariiiiiiii....' 
Acelero o passo e penso em porto de abrigo assim que entro no meu prédio e eles, travando o fecho da porta, pressentem local onde ninguém vê. 
Atiram-se a mim de mãos ávidas em má imitação adulta, à procura de curvas que ainda não estão lá, beijos de línguas salivadas e mau cheiro de quem não toma banho faz meses ou talvez nunca tenha tomado desde que nasceu, consigo gritar mesmo de mão na boca que me abafa, sem ninguém aparecer, assustam-se só com a ideia de vizinhos em meu socorro a enxotar a pouca vergonhice e desistem de continuar a invasão. 
Subo as escadas em relâmpago, entro em casa, largo as compras, nervosa na impotência digo à mãe, a mãe não dá muita importância e atalha os meus soluços de raiva... 
- A culpa é tua, para a próxima defende-te e não deixes que te toquem! 
22
Set19

Modelitos

Rita Pirolita
De vez em quando dou uma espreitadela às páginas dos famosos, dos menos famosos, dos que querem ser famosos à força, dos que são famosos pelas piores razões e nestes incluo os dos reality shows, más apresentadoras, cantoras e actrizes e acabo também por bisbilhotar gente da altura da escola, amigos recentes e por ai em diante. 
Garanto que as surpresas são imensas, esfrego e esbugalho os olhos de incredulidade pelo rumo que algumas vidas parece que tomaram e digo parece, porque quase nada é genuíno e muito menos nobre nestas amizades cibernáuticas.
 
Descubro que uma amiga que era porta-estandarte do pragmatismo e das ciências e cuja ideia mais sonhadora que tinha na vida era apaixonar-se por alguém rico e bonito, se dedica agora a escrever textos esotéricos, não diz ainda que fala com Deus como a Alexandra Solnado mas simpaticamente já a trato no meu intimo por bruxinha. 
Realmente os indícios já lá estavam quando há muitos anos, para ai uns 15 pelo menos, me ofereceu um livro sobre linhas da mão e interpretação da grafia, com a exigência encapotada de no final da minha leitura lhe dar uma consulta de graça, já que esta pessoa era, se calhar já não é, a maior bota de elástico, incapaz de gastar o seu abastado ordenado de engenheira numa consulta daquele tipo com um profissional encartado da banha da cobra, além da exposição que isso lhe traria ao mostrar que até se interessava por essas coisas menos terrenas, que bem contrariam a exatidão das ciências.
 
Descubro pessoas que publicam textos que não são da sua autoria, textos bonitos em jeito de sermão, altamente proféticos e filantrópicos mas que são o oposto das acções que lhes conheço na realidade.
Muitas vezes fala-se mais daquilo que não temos e precisamos, confirmo...há tanta falta de juízo! 
 
Aquelas que publicam fotos quando estão bem maquilhadas como se acordassem assim naturalmente, na casa da Aroeira, têm um ou dois cães, um gato, um ou dois filhos, um casal de gêmeos é mais que perfeito, um marido que nunca aparece nas fotos que partilham mas imagina-se implícito naquela vida maravilhosa e falsamente equilibrada e feliz, sorrisos rasgados a mostrar os dentes branqueados, óculos de sol de marca cara e espero eu original...já agora. 
Publicam frases dignas de um Mahatma Gandhi acompanhadas de fotos exclusivas e actualizadas todos os dias, os telemóveis da nova geração são exemplo de eficiência e rapidez para estas pessoas que dizem trabalhar muito mas que mesmo assim arranjam tempo para tirar fotos, escrever frases lindas e ainda responder a todos os comentários de bajulação com bonecada que até ferve e borrarem-se todas em "mil beijinhos, adoro-te titi, love you sis", enfim...  
Isto deve fazer o ego inchar tanto que qualquer dia rebenta e espalha merda por todo o lado!
 
Os que não conheço pessoalmente, só têm aquilo que merecem. O objectivo é serem conhecidos o mais rápido possível e assim num período muito curto de ribalta sentirem-se amados e senão fosse escarrapacharem tudo o que fazem, não teriam a experiência de ter uma vida quanto mais amigos, mesmo que tão falsos como eles. 
Algumas queixam-se que falam mal das suas maminhas de striper mas que não as incomoda porque isso é só inveja. Boa sorte, até caires de fuças ao chão e rebentares o silicone!
 
Actrizes e apresentadoras que têm o Face pejado de fotos descaradamente inocentes a gozar o sol, a trabalhar com os amigos de cena, que são amigos da onça, não conhecemos nós o mundo do espetáculo? Qual ninho de víboras em competição feroz porque o país é pequeno demais para tanta falta de talento! 
Também digo uma coisa, nunca achei saudável ter amigos do peito no trabalho, nunca dá certo, soa a falso e só por conveniência ou comodismo, nada mais. 
Fotos com a cara encostada ao focinho do cão ou do gato ou da sobrinha, sim, estas estrelas não têm filhos porque ainda não encontraram quem lhos quisesse fazer e ajudar a criar, por isso tiram fotos com os sobrinhos ou primos para mostrarem que têm familia ou com os animais de estimação para escarrapachar na cara de quem os segue "olhem como estou com a melhor companhia do mundo, sincero no amor e dedicação, estou só por opção, não porque tenho um feitio de merda e acho que sou famosíssima, intocável e por isso não mereço estar com um qualquer sarrabeco que não seja tão ou mais famoso que eu." 
Atenção, eu gosto muito de videos de gatinhos, cãezinhos e criancinhas, mas sou contra a exploração da sua imagem, tenho dito! 
 
As mais novas que têm um corpo giro...são o cumulo, postam fotos, "olha eu no CrossFit, olha eu na dança do varão", que passou de actividade putéfia a animadora de maridos apáticos com a monotonia de ter uma gorda em casa todos os dias à sua espera e agora finalmente passa a tão bem reputada modalidade, não de entretenimento mas de desporto capaz de criar corpos de sonho. 
Não percebem que tiraram a piada às acompanhantes ilícitas e badalhocas? Já estou a ver qualquer dia o varão fazer parte dos jogos olímpicos e quem sabe paralímpicos. 

Estes corpos de famosinhas que têm metro e meio e por isso não podem desfilar na passarela, desfilam o rabo na praia em poses de modelo de calendário de oficina, de dedo na boca, a comer gelados com goji ou bananas que complementam com os igualmente "saudáveis" batidos para queimar gorduras, que arruinam o coração, fígado e rins. Para quê viver longo tempo com um corpo normal e ajustado às mudanças da idade, quando em poucos anos posso deixar uma boa imagem para o mundo e morrer sem chegar à idade da reforma com um rabo de miúda de 15 anos? Não correndo o risco de ficar na lista de espera para um transplante de fígado ou agarrada a uma máquina de hemodiálise.
 
Os estilistas que são quase todos gays não gostam de mulheres, por isso as fazem desfilar o esqueleto em roupas que pouco ou nada favorecem as curvas femininas. 
São estimulados comportamentos doentios nos homens ao ponto de os fazer acreditar que desejar mulheres adultas com corpo de jovens ou mesmo jovens que têm idade para ser suas filhas, lhes retira anos de cima e os faz sentir com 20 outra vez, quando em todas as idades temos um corpo diferente que deve ser cuidado.
 
Nem todas podemos ser Saras Sampaio e muito menos nem todas o somos de forma natural, a maioria faz dietas loucas, come limões ao pequeno almoço, faz plásticas, consome baldes de proteína a torto e a direito e diz que tem tendência para ser magra mas que sem sacrifício não se consegue um corpo de Ana Malhoa, que se me mostrarem uma foto de costas mais parece um camião, quando os homens que desejam ser mulheres querem ganhar gordura e curvas...
Decidam-se e dediquem-se a ser naturais, dá menos trabalho.

As nossas avós não tinham celulite nem eram obesas, gastavam tudo na lavoura, a lavar roupa e a ter filhos, não estou a dizer para começarem a cavar um campo de batatas e estragar as unhas de gel, mas vós que passais tempo em festas de beneficência para os coitadinhos, onde se gasta mais dinheiro a organizar o evento em si que aquele que é angariado, a ser actrizes, bloggers, a tratar o corpinho com os patrocínios dos ginásios, da make-up "maquilha enquanto fala, caga ou toma duche", viagens, spas, batidos, sapatarias, roupa, lojas de pechisbeque disfarçado de jóia cara, cremes, bikinis, cabeleireiros e autobronzeadores...MEXAM-SE só pela vossa saúde.

Não queiram fazer o mundo acreditar que estão orgulhosamente sózinhas porque se acham muito especiais mas quando têm mouro na costa "postam" tudo...porque daqui a uns meses já sabemos que a paixão arrefece e o ódio desponta.
Passam a vida a dizer que são pessoas comuns mas no fundo querem ser distintas e na realidade são mais insignificantes que um cão abandonado e têm vidas mais vazias que o comum mortal, que tem mais que fazer e anda ocupado a viver e muitas vezes a sobreviver.
 
11
Ago19

Os meus dias

Rita Pirolita
…eram passados a deslizar em carrinhos de rolamentos e a andar na bicicleta dos outros, partia minhocas em bocados e apanhava ervilhas de mau cheiro nas hortas dos vizinhos, irritavam-me as coquettes, trocava facilmente as bonecas, que insistiam em me oferecer por carrinhos, a maldita bonecada era feia e cheirava mal, tinham cabelo crespo e vinham todas de Espanha, Barbies nem vê-las, brinquei ao berlinde, à carica, à macaca, ao pião...
15
Mai19

Jantares de amigos

Rita Pirolita
 
Começo já por informar que nunca organizei nem fui a nenhum jantar de amigos da escola mas tenho relatos que acredito serem muito fidedignos e tenho amigos que encontro de vez em quando, passado muito tempo, é quase o mesmo que os jantares mas sem comida pelo meio, um café talvez e é o suficiente para confirmar a decadência do brilho da juventude, aquisição de gestos lentos, olhos desiludidos e húmidos de tanto abrir a boca, corpo cansado e pernas inchadas, mãos desleixadas e queda de cabelo, mamas grandes e ancas largas, manchas na roupa e cheiro a alcool ou leite bolsado, cabelo oleoso, camisa por engomar ou t-shirt com buraquinhos de fim-de-semana, que o pessoal gosta de andar à vontade...
 
Nos jantares parecem hologramas, projectam o que não dá para esconder.
Eles põem o melhor e único fato que têm, como se trabalhassem num escritório, embora estejam desempregados desde que terminaram o curso, é o fato das entrevistas, elas lá se equilibram num salto alto que não usam desde 10 quilos e 10 anos atrás, disfarçam a dor de pés com um sentar rápido de quem está esfomeada, é maior que a dor de pernas quando passam a ferro durante 2 horas em pleno verão
O espanto e curiosidade começam logo na entrada do restaurante enquanto esperam uns pelos outros. Reconhecer algumas pessoas torna-se tarefa árdua de memória e perguntas ao colega do lado...'Quem é aquela? Nunca a vi tão gorda!' ou 'Grande avião, era a mais feia da turma!...'ou ainda, 'Ele ganhou barriga mas aqueles brancos dão-lhe charme.'
Quando já fizeram o reconhecimento de ADN uns dos outros, sentam-se e começam o jantar de menu e preço pré-combinado.  
Começam a vir para a mesa as histórias dos casamentos falhados, dos divórcios litigiosos, de saídas do vicio da droga e entrada no vicio do alcool, de quem morreu de acidente, overdose ou apanhou SIDA, de quem emigrou, quantos filhos tiveram ou deixaram de ter...
Os divorciados saem do jantar com contactos trocados para combinar encontros, na esperança de saltarem para a espinha de quem lhes escapou na secundária, outros voltam à vidinha tuga e eu nunca porei os pés num evento deste género, tenho desgraça que chegue na minha vida.

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