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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

26
Jul20

Velha do Restelo

Rita Pirolita
Já aqui abordei o tema num texto logo no início de vida do blogue, que não iria escrever segundo o acordo ortográfico pela simples razão que não o aprendi de raiz e com a quantidade de alterações que tem à língua portuguesa...não me apetece estudar outra vez, ter a sensação que estou na primária, quero ter tempo para aprender, isso sim muitas outras coisas mais proveitosas para a minha sana existência.
Esta de facto está muito fora da minha lista, tão fora que nunca a praticarei.
Não implica com a apreensão das minhas mensagens nem prejudica em nada a comunicação com outras pessoas que me lêem, mesmo que não sejam de idade aproximada.
Eu e muitos, é que nunca conseguiremos entender pessoas que não sabem escrever português e cada vez as há mais, ó se há!
É por isso preferível para mim escrever como sei melhor, com poucos ou nenhuns erros, que escrever de uma forma que não sei de todo. 
Muitas vezes viro costas ao computador e se estou fora de casa, em vez de gravar em audio os meus pensamentos faço questão de escrever para não perder a noção dos erros que possa dar e para evitar dar mais, já que com as novas tecnologias tudo tem correctores que nem sempre dão bom resultado e pactuam muito com a preguiça de puxarmos pela memória.   
Eu sei que a língua não é imutável e estanque, é algo vivo e as mudanças são uma adaptação para melhorar e até simplificar o seu uso, embora neste acordo veja mais confusão que utilidade e flexibilidade linguística mas isto sou eu que estou cada vez mais selectiva e simples e que já me vou considerando antiga mas não Velha do Restelo.
02
Dez19

Vitima nunca

Rita Pirolita

A violência doméstica continua na ordem do dia. Vou falar dela pela perspectiva de quem já viu e viveu alguma coisa e está alerta para não repetir erros de outros ou deixar prolongar situações pouco agradáveis por comodismo.

Ao mesmo tempo que se alerta para a importância da queixa, o não sentir medo ou vergonha de expor a situação, por outro lado a sociedade empurra no sentido contrário, silenciando com criticas e rótulos quem sofre este tipo de violência tacanha, encurralando a vítima num beco de silêncio e solidão.

O agressor será sempre alguém sem escrúpulos que não tendo respeito por si também não sabe respeitar a integridade e espaço dos outros e cuja única forma de amar que conhece é doentia, agressiva, dominante e humilhante num desespero de esconder a sua própria insegurança e complexo de inferioridade. Atacar antes que o ataquem.

A vítima por outro lado, também ela mal amada ou nunca amada, sempre incrédula e descrente na felicidade, que não  se sente no direito de viver, que é demais para agarrar, que não merece e não lhe pertence. A dor e mal estar são constantes num comodismo quotidiano.

Assim se convencem que têm que aguentar o sofrimento como uma cruz que carregam, segredado a algumas pessoas para angariar defensores da sua causa de comiseração e queixume, única forma de ter alguma atenção e pena, como um animal ferido que sorve parcas e mesquinhas manifestações de carinho e preocupação dos outros, que estão mais interessados em saber o que se passa do que em denunciar a situação ou mesmo ajudar.

No fundo tanto o agressor como a vítima sofrem do mesmo mal, baixa auto-estima e desamor, um manifesta isso com ódio, o outro com medo e submissão. 
Se estas pessoas se cruzam na vida, a violência continua entre quatro paredes, com umas queixas aqui e ali, até um desfecho algumas vezes macabro.

Estas famílias direcionam toda a sua energia para o desentendimento e ficam assim alheados do resto, não conseguindo proteger os mais vulneráveis desta vivência. 
Os filhos ou vivem e acumulam revolta e ódio generalizados por todos os que se aproximarem deles ao longo da vida, encontrando a melhor oportunidade para exorcizar este ódio nas relações intimas que vão tendo e destruindo, ou conseguem quebrar este ciclo, nunca incólumes de todo mas com a sanidade e clarividência suficientes para mudarem o curso das suas vidas, não voltarem a cometer os erros de que foram vítimas e conseguirem relacionar-se com o mundo de uma forma integrada, de partilha do melhor e esquecimento do pior.

Agressor e vítima só coexistem se ambos derem espaço um ao outro. Sem vitimização da vitima, o agressor dilui-se e perde força.

Gente criada com carinho e dedicação tem meio caminho andado para a felicidade, gente criada com pouco e mau,  não deve desperdiçar muitas oportunidades para iluminar os cantos escuros da alma, que todos temos. 

 
20
Set19

Não cobro um tostão!

Rita Pirolita

NAVA é acrónimo de uma Nova Arte de Viver Aqui e Agora, inventado por Anamar e Fortuna, o seu novo livro com uma  frase por página.

Assim também eu escrevo um livro em 2 dias com trezentas páginas e se lhe acrescentar bonecada, passa a quinhentas com facilidade.

Aqui deixo uma das frases, como bom exemplo de pensamento profundo em águas baixas e paradas. "Enquanto chove aqueço os motores." in FORTUNA
 
"Jesus Via Alexandra Solnado", assim terminam todos os seus textos, escritos em português e com muitos erros. 
Ou a Alexandra é uma tradutora fenomenal até de línguas que já não existem e desculpamos os erros de tradução ou Jesus é o maior poliglota deste Universo e até fala a nossa língua. 
 
"(...) Quando falas contigo, estás a falar com Ele; quando te ouves, estás a ouvi-Lo; quando escolhes sentir, estás a senti-Lo; quando te respeitas, estás a respeitá-Lo; quando te assumes, estás a assumi-Lo.
Ele é o amor. E tu és o amor que Ele é. (...)" in "AMA-TE, Nível 2 - ASSUMIR A ALMA" de Gustavo Santos.
 
Quem escreve assim nãé gago e mexe bem os dedos no teclado, acha-se esperto e anda a iludir.
 
Ou eu sou muito burra, vou arder no Inferno para sempre e não consigo tirar nenhuma conclusão nem sentir nada ao ler estas bonitas frases, ou estas sentenças querem dizer tudo ou ainda, são tão vazias de conteúdo, que qualquer pessoa em qualquer situação de vida, se identifica com o seu significado e cada um interpreta como lhe dá jeito.
 
Os livros não são de graça, as palestras e conferências também não e os níveis para atingir a espiritualidade desejável também se fazem pagar bem.
 
Estes ensinamentos são todos muito ancestrais mas os seus divulgadores mostram pouca sabedoria na manipulação  e transmissão das ideias e uma atitude gananciosa encapotada pelo desejo puro de ajuda e divulgação da verdade de uma forma quase gratuita. 
Muitas almas alienadas caem na conversa do bandido, pagam, são enganadas e ainda agradecem muito. 
 
Nestas andanças os mentores cultivam o agradecimento por tudo, principalmente pelos papalvos que lhes dão dinheiro a ganhar. 
Estes "gurus" da era moderna não possuem inteligência ancestral mas sim, esperteza oportunista, como todas as religiões, cultos e seitas desde sempre.
O mundo está num tal estado de fraqueza social e mental que é terreno fértil para o aparecimento destes charlatães e neles só acredita quem quer. 
Ambos os lados se consomem numa espiral de necessidade sôfrega de bem estar ilusório e não no caminho calmo da lucidez e clarividência.
 
Se todos temos a possibilidade de tudo e de nada dentro de nós, porque existem pessoas tão iluminadas que nos têm que ensinar? São seres privilegiados? Se não são, só estão a partilhar a sua experiência? Porque sai tão caro partilhar e aprender a amar outros, quando sempre ouvi, que partilhar deve ser gratuito e desinteressado e sentimentos não têm preço?...
Tudo à nossa volta é isso mesmo, uma partilha com impossibilidade de posse.
 
Como já repararam, a minha pessoa não acredita em nada disto, desconfio muito, tenho poucas certezas e tenho a perfeita consciência da minha pequenez neste imenso Universo, esse sim, ensina, reinventa-se, transforma e transforma-se e segue o seu caminho sem se deter por causa de nós, mas segue connosco no seu colo infinito.

Se fossemos seres assim tão evoluídos não acham que  este planeta seria um lugar melhor para todos e não só para alguns? Que já não tínhamos tido tempo de corrigir os erros em milhares de anos de existência??? Que em vez de evitar que milhões morram à sede com água por perto, andamos à procura do precioso liquido em Marte?
 
A razão da nossa existência é a mesma do Universo, se existe não sabemos e se um dia soubermos será talvez a maior desilusão e não nos servirá de nada.
 
A minha visão mais humorística de tudo isto não merece mais que um sorriso e resume-se à frase de minha autoria:
"Somos um grão de areia enfiado no olho (do cu) do Universo, mais conhecido por buraco negro!"

Grata pela atenção e não cobro um tostão que seja...pelas vossas criticas!
 
01
Jul19

Gostava de ter uma vida simples mas sai muito caro

Rita Pirolita

Cada um vive com a felicidade que conhece.
Os nossos pais cometeram erros crassos, como por exemplo ,só começar a gozar a vida depois da reforma.

Têm sorte se chegarem aos 65 anos e ainda mais sorte se lá chegarem sem se cagarem todos ao piscar um olho. 

Apercebem-se do erro que fizeram, é tarde demais para remediar, por vergonha fecham-se em copas e incutem o mesmo caminho errante aos filhos. 
Transformam-se em velhos amargos, querem dizer num dia tudo o que a época salazarenta abafou.
Fazem-nos sentir culpados e ignorantes por termos nascido 20 anos depois deles.

Verdade seja dita, não aproveitamos a liberdade de expressão, não sabemos falar e escrevemos ainda pior, passamos os dias a inventar desculpas incríveis para os atrasos ou ausências nos encontros. No tempo dos telefones fixos não tínhamos que puxar tanto pela imaginação, bastava não aparecer e tínhamos dias para inventar uma boa desculpa.

Todos protestamos, todos queremos mais, todos batemos com os burros na água. 
Respeitosos rezingões, agradeçam o facto de terem família, eu não tenho filhos e tive que emigrar! 

Pagas só por existires, se não pagares sobrevives na miséria:
Por inveja do bem estar dos outros, frustração e vingança dizem que temos que aprender errando, neste caso trata-se do erro de uma vida. 
Podiam dar uma grande ajuda se nos pusessem mais à frente na linha de partida, iríamos mais longe de certeza. 

O carácter não faz a diferença, o poder sim:
Que ninguém se queixe, já todos metemos cunhas e tentamos esquivar-nos a pagar um qualquer imposto só para poupar meia dúzia de patacos, os políticos fazem o mesmo, com a diferença que têm mais poder e mais dinheiro para distribuir pelos amigos. 

Os pobres querem ser ricos, os ricos sem eles seriam pobres:
Os pais precipitam o nosso percurso académico para o abismo dos cursos superiores, para colmatarem as suas frustrações de não terem dado nada na escola ou simplesmente por não lhes ter sido dada oportunidade e dinheiro suficientes, fazem-no também para provarem, quais novos ricos, que podem ascender a uma classe mais alta.

A liberdade física não existe, podes voar em pensamento mas ninguém vive de ideias:
Os de cima impedem a ascensão e escalada da classe abaixo, desta luta resultam filhos frustrados que não arranjam trabalho, a frustração é proporcional aos anos que passaram a queimar pestanas, os que apenas fizeram o secundário ou tiraram um curso profissional não sofrem tanto e vão com menos dificuldade para trás de uma caixa registadora de uma qualquer superfície comercial.

Tenho pena que os mais velhos e supostamente mais experientes, apenas nos deixem duas tristes certezas - morrer e pagar impostos!

Porra para a sabedoria, vem quando não precisamos dela!

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