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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

31
Mar20

Já que estou aqui a envelhecer

Rita Pirolita
Cada vez mais me vou apercebendo que no envelhecer se perde muito mais do que aquilo que se ganha e o pouco que se ganha já não faz tanta falta e falta força para gozar.
A sabedoria já vem tarde, só não queremos ter dores e chatices, queremos estar e comer como bem nos apetecer com a porra dos muitos limites, porque o corpo já não é o que era.
Podemos ser tão mais livres e deixar de trabalhar mas depois não temos onde gozar a liberdade, com dependências emocionais, se forem monetárias, pior e se forem somente monetárias, muitíssimo pior, de filhos e netos que nos rodeiam, por quem nos sentimos responsáveis e por quem sofremos e nos alegramos em amiúde ansiedade de bem estar. 
Neste momento em que ainda não sou velha nem nova, já amaldiçoo a sabedoria da experiência, cada vez menos me serve ou até sobra para uma vida de quem não teve filhos, de quem já superou o choque da violenta morte de uma mãe, que prepara e amacia o pêlo para a do pai mas que ainda me pesa e apoquenta que tenha de passar por ela ou por cuidado e amofinação na doença, por ser a filha única que tem que cuidar se assim for necessário, por obrigação e não por dedicação, a um pai apenas de concepção e não de presença ou educação! 
É um misto de desejo que a morte venha e não venha para quem ainda nos prende ou em último caso que nos leve antes para evitar o sofrimento de ver outras! 
Sinto-me mais simples até que um dia a morte já só leve um corpo, porque toda a vida já foi gozada mas se a sabedoria me trouxesse mais liberdade, menos amarras a gente que vou chutando para canto, menos chatices de que me vou esgueirando e cobranças que vou evitando, não pedindo favores a ninguém para não ter que retribuir...ah se a sabedoria me trouxesse essa liberdade já me tinha empanturrado e morrido de overdose vital! 
17
Dez19

1000 vezes 'mais boa'!

Rita Pirolita

Num raro dia de caminhada não forçada, assim sou eu, feita de vontades e poucos sacrifícios, ia já eu com meia hora no lombo, quando passa por mim a correr à profissional da coisa, com alto impacto de calcanhares no chão que até a terra estremecia, uma p*ta duma gaja com um corpo daqueles, que quando cheguei a casa, a melhor maneira que encontrei para descrever ao moço a boazuda, foi fazer a comparação, estás a ver a porca em pé da Mónica Lewinsky e a Heidi Klum, a ex mulher daquele cantor que tem uma voz do caraças, tão preto que tem reflexos azulados como os besouros e tem um corpo do outro mundo, já me estou a desviar, bem, esquece a Mónica Lewinsky, esta gaja que passou por mim seria a Heidi Klum, numa versão de jogo de computador tipo Lara Kroft ou seja 1000 vezes melhor e 25 anos mais nova que eu. Nem eu com a idade dela, tinha a ilusão ou a vontade de trabalhar para ter aquelas formas.

Esta miúda era um pouco mais baixa que eu mas com tudo proporcional, desde a altura das pernas, o tamanho dos gémeos e dos glúteos e penso que também das mamas, não a vi de frente mas posso dizer que tinha um cabelo liso e sem volume nenhum, de um loiro surfista até meio das costas, como eu sempre sonhei ter e nunca terei, porque tenho um cabelo seco, crespo e com muito volume, tenho que usar 50 mil óleos para o hidratar e mesmo assim está sempre uma bela merda.
Por acaso se Deus existisse e viesse à terra fazer milagres, ou se encontrasse uma lâmpada com um génio lá dentro que me concedesse um desejo, gastava logo o pedido com um cabelo Pantene, daqueles que nem é oleoso nem seco, brilhante que até fere as vistas, tão liso que acordas sempre penteada e quando tomas banho não precisas de escovas lólóló, nem ferros mimimi, nem sequer um simples secador, ou seja, estás sempre impecável e nem te lembras que tens o cabelo mais invejado das proximidades e arredores.

Vejamos, voltando à vaca fria que passou por mim, nem um milímetro de carne a tremer na sua corrida estrondosa, curvas todas no sítio e qb para uma mulher, sem parecer a azeitada da Ana Malhoa.

Esta miúda a correr desta maneira, daqui a um ano está com os joelhos feitos num oito, tem que ser operada, ficar imobilizada e não poder treinar durante muito tempo e vai engordar que nem uma porca ou daqui a 2 ou 3 anos tem o primeiro filho e fica que nem um barril desdentado ou ainda com a proteína que toma f*de o fígado, rins e coração e fica arrumada! 
Das duas três ou desejo que lhe aconteça tudo isto ou desejo que seja muito feliz, porque é uma criatura que vai envelhecer como todas as outras mas talvez melhor e mais tarde.

Se o Universo enviou este ser para se cruzar comigo e fazer pirraça, para me mergulhar numa depressão profunda ou pelo contrário para me incentivar a ser cada dia uma gaja 'mais melhor boa' mas que nem em sonhos ficarei por lá perto, porque já não tenho idade nem tempo de vida para tal, não resultou, porque assim que cheguei a casa enfiei os cornos no congelador e devorei um corneto sem bolacha mole que eu odeio e com bolacha crocante como eu adoro.

Esta loira curvilínea pode morrer amanhã, coisa que eu gostava que não acontecesse já, apenas porque quero que o moço tenha a oportunidade de a ver, nas raras vezes que vai caminhar comigo, só para não me chamar de mentirosa, depois disso pode morrer, ela e outras que tais.

Na sua ainda curta vida, este ser existiu melhor e lavou mais vistas que 20 mulheres em 100 anos. 

Mas se há coisa que me mete mais raiva que isto, é ver alguém a conduzir o carro que eu gostava de ter.

 

22
Set19

Eu sou...sei lá

Rita Pirolita
 
Quem leia os meus textos pode pensar que sou louca, que me estou a marimbar para tudo, que não levo ninguém a sério nem a mim própria, que me rio de toda a gente mas nem toda a gente se ri de mim.
 
Eu sou tudo isto num comportamento bipolar de riso, choro, depressão e euforia.
 
O que querem? Nasci para ser rapaz, saiu miúda, para me portar bem espontaneamente sem exemplos de boa educação, para não ser artista que isso não dá dinheiro, para tirar um curso e ter filhos de alguém da classe média alta.
Nada disto até agora, nem à vista.
 
Outros ainda podem pensar que destilo ódio numa escrita com raiva e sofreguidão ou que sou acutilante com poucas ilusões mas muitos sonhos. Que sou poeta da banha da cobra ou prosista das causas pequenas e pequeníssimas.

Também posso ser tudo isto mas de certeza sou aquilo que escrevo e muito mais, com muita pressa de aprender e menos de envelhecer.

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