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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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22
Jun20

Crónicas Femininas - Pensos diários e não rápidos

Rita Pirolita
Esta será a primeira de algumas, muitas ou poucas, espécie de crónicas sobre coisas de gaja! 
Não vou andar com rodeios, aliás como é meu apanágio, vou direitinha e crua ao assunto que for, descasco, espanco, desnudo e desmascaro à descarada. 
Nesta média-curta aviso já que não vou escrever testamento como costumo, porque os assuntos serão parcos e áridos, de despacho rápido.
 
Nesta primeira incursão, nada aconselhável a mente máscula, vou dissertar assertivamente, espero eu, sobre pensos diários. 
Ainda sou do tempo em que apanhei a minha avó e suas quatro filhas a usarem panos turcos, branco-alvo de tão repetidamente lavados, depois de postos a corar com sabão azul e branco ao sol, para amparar o sanguinário menstruo. 
Eu já não usei nada disso e apanhei os práticos pensos, compra, suja e deita fora, gordos que nem almofadas, faziam imenso calor, parecia que andávamos com um edredão de Inverno metido entre as pernas, com um interior de plástico que às primeiras passadas ainda fazia um barulhinho mas depois de amachucado era pacifico e deixava de se ouvir. 
Lá se foram adelgaçando, passando a haver para a noite, para o dia, fluxo de chihuahua, gazela ou elefanta, super absorventes ou nem tanto, com abas para voares ou sem para não fugires do período, perfumados, neutros, sensitive...
Começaram depois a aparvalhar nos formatos dos pensos diários e a merda deu-se, com uma cola irritante que sempre me fez alergia, não raras vezes me indaguei, se as outras mulheres tinham o mesmo problema que eu, passo a explicar. 
Não é suposto um penso diário evitar que se sujem as cuecas à frente e borrem atrás? Então porque é que fazem um penso para cona de formiga, que me obriga a pensar seriamente em usar dois, um coladinho atrás do outro mas depois lá fico com o problema de acumular tanta coisa na coisa que corro o risco de tudo ir parar ao chão ou deixar numa qualquer cadeira de serviços públicos o fedorento mata-borrão, o que seria um embaraço! 
Se assim não fôr será que tenho uma distância maior que todas as outras mulheres, desde o primeiro até ao último buraco? 
Será que estes pensos são imaginados por homens que pensam só termos 2 buracos em vez de 3 e com uma distância tão curta que são quase 2 em 1? Nada disso, temos da frente para trás, chichi, período-fornicação-bebés e cocó!
 
O mais estapafúrdio é o formato tanga, como é que uma pessoa segura um pedacinho de penso a um pedacinho de pano? Às tantas aquela coisa perde a cola com o suor e começa a escapar-se pelas bordas em risco de cair ali em plena rua, o completo terror, se formos de saia é directo no chão, sempre podemos continuar a andar e disfarçar que nada caiu dos entrefolhos, se formos de calças, começa-se a enfiar por uma das pernas e também é capaz de cair, tanto mais se as calças não forem muito justas!...
Ora isto causa uma insegurança tal que mais vale cagar as cuecas e mudá-las todos os dias!

Vezes demais me dá vontade de não usar cuecas, só não o faço para não ficar toda assada e para segurar o nojento e fétido período, claro.
É verdade que ter uma galinha degolada entre as pernas todos os meses é sinal que somos jovens, saudáveis e não estamos grávidas mas para pessoas como eu que sempre souberam desde a infância que não queriam ter filhos, se Deus existisse, podia-nos conceber mulheres sem período, desde que não afectasse a nossa longevidade e a continuação da raça, mas tudo em concessão criteriosa, senão cada uma que visse um parto, pedia logo para não ter filhos, como desconfio que se legalizarem a eutanásia, há muita gente que vai querer experimentar, o problema é que só o fazem uma vez mas voltando à hemoglobina que vomitamos por baixo, há para aí gente a pontapé que gostava tanto de ter filhos e depois nascem sem útero, é marado, deve ser como um homem nascer sem tomates, deve sentir umas correntes de ar na blica de vez em quando, os tubaros sempre devem dar algum aconchego, além da sua função de armazenar num ambiente tépido aqueles girinos-rabejadores microscópicos!
 
Prometi que não ia escrever muito, mesmo assim o texto fez-se mais longo que os pensos, assim eu tenha realidade para imaginar e dissertar sobre!
Não falei dos tampões mas esses também são pensos em cápsula e a única observação de monta é a preocupação em esconder aquele fio verde-água nas bordas, porque se formos a confiar no bikini para guardar segredo, escapa sempre uma ponta!
Também não falei dos Tena-Lady, fica para quando tiver perdas de urina, não deve faltar muito! 
E as fraldas para borrados? Bom, por altura de usar essas já nem devo ter força para me peidar quanto mais escrever um texto!
19
Out19

Grávidas ou gordas?

Rita Pirolita
 
Por causa de umas fotos de uma cantora, que mostrou o seu corpo após um mês de ter sido mãe do segundo filho e também porque sempre existiram grávidas, magras, assim-assim, balofas, gordas, baixas, altas...
 
Estar grávida deve ser muito bom e motivo de orgulho para quem gosta. 
Eu que não tenho filhos por opção, tenho uma visão muito objectiva e distânciada o suficiente, para não criticar e apenas constatar factos. 
Na boca de muitas mães, a beleza da maternidade sobrepõe-se a mazelas, ao mau estar, à depressão, à emoção, ao choro por tudo e por nada, ao peso excessivo, às  noites mal dormidas, às crostas nos mamilos, às estrias, às pernas inchadas que nem um elefante, a uma recuperação lenta e dolorosa fisica e sexual, mas muitas e com as redes sociais ainda mais, começaram a mostrar que como tudo também este estado de graça das mulheres, tem um lado menos bom e mais desconfortável, que elas, de sorriso na cara, querem partilhar com o mundo e preparar futuras mães para coisas naturais que acontecem a quem tem um ser dentro de si a crescer sem parar, até que não caiba mais e tenha que saltar cá para fora.
Não me choca nada ver grávidas ou mulheres após o parto com uns quilos a mais, o seu corpo conta uma história que espero, esteja mais repleta de curvas felizes que tristes percalços. 
As mulheres acabam sempre por ser as piores críticas umas das outras, a verdade é que não se deve incentivar a obesidade ou a anorexia e sim promover a aceitação.

Neste caso vou falar de momentos embaraçantes entre géneros diferentes, pondo a cabrice feminina de parte.
O moço tem sido vitima de enganos sucessivos que lhe têm custado amizades e provocado alguns amuos. 
 
Das muitas vezes que encontrou colegas que já não via faz muito tempo, para ai desde a secundária, em alguns casos precipitou-se e perguntou para iniciar conversa por cortesia, quantos meses faltavam para a feliz hora da cria saltar cá para fora? Ao que percebia pelo embaraço ou simples linchamento com o olhar, que aquilo não era gravidez mas sim casos graves e de gravidade lipídica. 
Começou a aprender com as repetições de maus encontros, que se não conseguia distinguir uma orca de uma orca grávida, mais valia ficar calado para não andar sempre a meter a viola no saco e não ir cantar a mais freguesia nenhuma. 
Estes breves encontros, encurtados ainda mais pela nossa estupidez e precipitação, acabavam com a triste justificação do outro lado, que o seu estado se devia a um problema de tiróide e não de gula. 
Para mim esta explicação chegava e sobrava, para aquilo que queria saber de alguém que não via faz anos.
 
A mim também me aconteceu com amigos meus, que não tinham gravidez nenhuma a não ser de cerveja, parece que tinham sido atacados por um enxame de abelhas e andavam num torpor tal como se fossem alérgicos às picadas e estivessem só na esplanada à espera que passasse, para se atirarem ao caminho para casa, de cabeça mais leve.

É por estas e por outras, que o moço para não se sentir discriminado continua seriamente e com afinco a tentar a sua sorte, como candidato à maior barriga Nenuco do ano.
 
Nenhum de nós alguma vez fez observações intencionalmente maldosas, fosse a quem fosse mas a nossa inocente distracção, culminou em momentos de vergonha e embaraço.
 
Perdemos a oportunidade de reatar contacto com alguns amigos à pala desta brincadeira e mesmo que emagreçam ou deixem de beber tanta cerveja, nunca mais na vida os vamos recuperar.

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