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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

SIC - Inquérito a Sócrates

Rita Pirolita
As filmagens sobre o inquérito a Sócrates que passaram na SIC, são uma vergonha, um circo de malcriadez e arrogância azeiteira. 
Culpa dele por ter falado aos gritos e culpa de quem o deixou falar assim sem respeito!  
Não só ele mas muitos da esquerda à direita serão culpados de muita outra coisa, esta devassa da vida, como o próprio diz foi jogada política reportada a um momento! 
A justiça, educação e saúde não funcionarem para as pessoas que elegeram quem os desgoverna e rouba, mostra desleixo, falta de respeito e consideração. 
Tenho muita vergonha dos governantes e políticos em geral que sempre tivemos!
05
Ago20

A dinâmica do peido

Rita Pirolita
O peido que o Salvador Sobral não sei se deu mas mencionou no concerto solidário a favor das vitimas dos incêndios, tem toda uma dinâmica e perspectiva de vários ângulos, tantos quantas as pessoas que ouviram a frase.
Uns não pensaram nada tal é o adiantado estado de alienação e cansaço de mentiras, escândalos, miséria e pobreza de ideias que assolam o país, outros acharam inoportuno ou inacreditável, outros ainda má educação, que a fama lhe tinha subido à cabeça, que nunca gostaram dele e agora ainda menos, que foi um enorme desrespeito e desprezo pelo esforço de quem organizou o evento, comprou bilhetes e ainda está a chorar os seus mortos, a tentar levantar-se das cinzas. 
Maior desrespeito mostram os que desde sempre têm assaltado o país e vão continuar impunes pelos crimes de corrupção e mentiras.
Eu estava à espera que ele se peidasse e saísse com molho, também era o último a actuar, podia ficar a limpar a merda que fez.
Estou-me a cagar para os peidos dos outros muito mais para o cheiro, já tenho que aguentar os meus. 
04
Ago20

A gorda do banco

Rita Pirolita
Vocês às vezes devem pensar que algumas das histórias que conto por aqui não são verdadeiras por tantas vezes serem insólitas e caricatas mas asseguro-vos que tudo o que por aqui passa é verdade verdadinha, contada com muita ironia e graça, se eu não me rir do menos bom que me acontece quem o fará por mim e é verdade que tristezas não pagam dividas. 
Se calhar vocês até acreditam porque Portugal também é fértil em situações inusitadas mas graças aos anjinhos papudos, aos descobrimentos, ao fado, à pobreza, à corrupção, aos ladrões ou lá o que seja nós somos um povo muito mais inteligente e desenrascado que estes gajos das Américas do Norte! 
Gente que não passa grandes dificuldades não aguça o engenho, deixa-se ficar pela comida-conforto de peida sentada a engordar e a empanturrarem-se de diabetes, depressões, psicoses, mimo e mau feitio. 
Hoje, não interessa o dia, o meu querido e extremoso moço dirigiu-se a um banco onde não tinha conta aberta apenas para saber se podia fazer a operação online de transferências para a nossa querida pátria com mais facilidade e menos encargos que a oferecida no banco com que costumamos trabalhar.  
Eu não fui mas asseguro que o meu moço foi de certeza delicado e se expressou bem no seu inglês quase irrepreensível que nada tem a ver com o meu, trapalhão e com um sotaque de estrangeira que é de bradar aos céus e cada vez falo pior, tanto o inglês como o português, já caguei no assunto, quem me quiser perceber tudo bem quem não, que vá dar uma curva à esquina das putas!
Ora bem, estava eu a contar que imagino o moço a aproximar-se do balcão com delicados modos a fazer a pergunta com muita educação e óptima dicção, portanto não tenho dúvidas que a gorda do banco tenha percebido bem.
Perguntou pois ela de volta, se ele era cliente do banco, ele disse que não, então ela prontamente respondeu do alto do seu elevado colesterol e diabetes 'que vais morrer cedo que até te fodes, pelo menos com um pé amputado até à virilha', que se não tinha conta naquele banco tinha que abrir uma para depois descobrir a resposta à sua pergunta inicial das transferências, lembram-se?
Ele deve ter olhado para ela com aquele ar de gozo e desprezo que tão bem lhe conheço e disse que se era assim também não precisava dos serviços deles para nada, virou costas e veio-se embora! 
A gorda deve ter ficado com a mesma cara de cu com que acorda todas as manhãs ou seja não se deu conta da tamanha burrice que nem se deu ao trabalho de disfarçar. 
Acho que mesmo que a situação fosse filmada e fosse posta à frente daquela tromba de porca roncolha ela continuaria a achar que estava a prestar um serviço de qualidade e que não estaria a tentar amesquinhar e fazer de estúpido um potencial cliente!
E pronto, é esta gentinha que presta serviço num dos países mais civilizados e com melhor qualidade de vida do mundo, dizem eles deles próprios! 
Não sei como é que conseguiram chegar a este ponto mas que estão cá para ficar e se reproduzir, ai isso estão! 
Santa Ignorância, livrai-nos destas situações e não nos deixeis cair na tentação de mandar tudo à merda e começar a distribuir chapada por esta gente!
PS: A questão fisica da 'gordice' não serve à primeira para diminuir seja quem fôr mas quando a estupidez abunda até os brincos ficam mal!
25
Jul20

Investimento no futuro

Rita Pirolita
Passamos a vida a matar o prazer do presente e a agourar e precaver catástrofes no futuro. 
Usamos cremes para evitar rugas antes que elas apareçam, porque já temos a certeza que vão aparecer ou porque queremos retardá-las ou até eliminá-las? 
Como saber se não teremos uma pele melhor sem a sufocar com make-up, ou desgastá-la com limpezas e peelings?
Não teremos curiosidade em saber como seremos naturalmente daqui a uns anos? 
Cada vez mais quero saber, é um desafio ver e até ir aprendendo a ficar satisfeita com o avanço, mais que desiludida ou irritada, treino assim a boa disposição, aceitação e positivismo e é sinal que estou viva!
Esfalfamo-nos a trabalhar, obrigam-nos a entregar rendimento do presente para assegurar o futuro na velhice, perdemos os melhores anos a juntar para gastar nos piores.
E se não chegarmos lá ou chegarmos em tão mau estado que só nos reste esperar ou desejar a morte?
Apostamos nos homens e mulheres de amanhã, lutando por  lhes dar a melhor educação quando os putos chegarem a adultos com a velocidade que isto leva, tudo o que se ensinou estará desactualizado, mas fizemos  o nosso melhor a pensar num futuro cristalizado, num presente que nem sabemos processar na sua causa e consequência.
Fazemos dietas para o próximo verão, para parecer bem aos outros, mais que para nos sentirmos melhor e mais saudáveis desde o presente dia que as iniciamos!
Deixa-se crescer o cabelo para se cortar no ano seguinte, porque a moda assim o manda e até sempre nos ficou bem, tirando anos de cima, num visual renovado! 
Fazer a guerra agora para alcançar a paz depois, quando a paz é que deveria ter presente e manter-se para evitar a guerra e não ser só futuro prometido.
Aprisionamos animais em cativeiro a prever a total extinção, tão evitável se agirssemos agora e já!
Fazemos seguros a puxar desgraça para acidentes que podem ou não acontecer, quem anda à chuva molha-se e se tiver guarda-chuva...também se molha!
Na próxima relação é que vou viver, descontrair, ter prazer e nunca traição!
Vamos adiando fazer e dizer em jeito desajeitado, à espera que tudo melhore! 
Se investimos no futuro, desinvestimos no presente e o futuro será tudo o que fizermos agora! 
A escolha é livre e não pode ser possuída mas pelas mãos nos passa a órfã responsabilidade!
25
Jul20

Contos da Estrelinha Serigaita - Deficientes e outros normais diferentes

Rita Pirolita
Esta história tem origem na minha infância, aquela fase em já me sabia gente!
No meu tempo de escola primária as turmas eram igualmente enormes como hoje e mistas e por mistas não me refiro não só ao mix de sexos mas também ao mix de gente pequenina, normal fisicamente e gente com deficiência física e mental visível, porque burros e mais espertos sempre houve e que eu saiba só agora vão à psicóloga como se tivessem peçonha de rico, de boa qualidade, que não mata mas chateia e faz os pais andarem de um lado para o outro para se convencerem que estão a dar muita atenção e boa educação aos seus pimpolhos mais que tudo.
Naquela altura podiamos calhar numa turma com pelo menos um em cadeira de rodas, surdo, mudo, maneta, perneta, vesgo ou mesmo cego mas éramos todos saudáveis nas relações mesmo com os que eram um pouco diferentes e nós sabíamos, não virávamos a cara a nada, mas também não fazíamos de conta que eram como nós os ditos normais, considerávamos a deficiência na inocente visão pueril que dispensa peninhas e coitadinhismo, de gente que só não se mexia tão à vontade como nós mas corriam como podiam, caiam é mais.
Esta prática de melting pot não discriminava nem fazia separações, andavamos todos ao molho a aprender o mesmo e quase ao mesmo ritmo. 
Em vez de hiper-activos, putos índigo, autistas ou com déficit de atenção, existia pequenada deficiente, aéreos como eu, uns mais lerdos outros mais mexidos, mas no recreio era onde a diferença mais se esbatia, porque se alguém não tinha tanta destreza por limitações, continuávamos a brincar, a competir e a puxar por aqueles que estavam mais perros e todos respondiam com esforço para mostrar estarem à altura, serem iguais ou até melhores. 
Não pensem que estou a falar de cor, na minha turma tinha uma colega que nasceu com uma grave deficiência motora e dificuldades cognitivas, o seu aspecto era muito diferente do nosso, a começar pelo facto de não ter cabelo nenhum mas lembro-me de a vermos como nossa e diferente, como todos nós éramos uns dos outros. Movia-se com a ajuda de uma geringonça de ferros nas pernas que lhe permitiam estar de pé, mover-se e até correr de forma desajeitada mas não se ficava e apenas precisava de ajuda de algum de nós ou da professora para ir à casa-de-banho e empoleirar-se na sanita, porque era meio metro de gente sem perspectivas nenhumas de crescer mais. 
A professora teve o cuidado de a sentar na secretária lá à frente, para que lhe pudesse dar um pouco mais de atenção mas não muita não pensem, lembro-me de sempre se ter esforçado e passado de ano, mediante alguma benesse da professora na avaliação, que nós nem nos apercebiamos nem muito menos achávamos que estaria a ser beneficiada, porque éramos todos iguais com as diferenças necessárias para nos darmos bem ou no minuto a seguir andarmos todos à porrada. 
Todos levamos castigos e elogios e eu levei uma reguada apenas uma única vez, porque coisa que sempre tive de bom e me poupou de muita chatice foi aprender muito rápido com o que observo ou me acontece. 
Percebi que as totós que não se sabiam defender ao murro e ao pontapé como eu, me lixavam a vida na sala de aula ou no recreio fazendo queixinhas à professora por trás das minhas costas, assim que levei a primeira reprimenda com reguada mudei de estratégia e em vez de ser tão impulsiva, guardava a resposta para assim que pusessem o pé fora do recinto da escola já estarem a achar com chapadões e pontapés no rabo, não guardava nada mais além do tempo de aulas desse dia! 
Mas voltando ao motivo que me levou a escrever muito outra vez, não consigo evitar fazer testamentos e escrevo quase sempre de uma assentada!
Ora bem essa minha colega que era diferente mas não tanto assim...nunca mais a vi depois de acabar a primária, mudei de escola e de casa, a esta menina não era dada muita esperança de vida mas cheguei a saber que até há bem pouco tempo ainda era viva, contrariando todos os prognósticos negros dos médicos, que nem lhe davam tempo de chegar aos 8 anos mas lá chegou e isso eu confirmei na entrega dos diplomas da primária. 
Esta menina foi criada apenas pela mãe que era a senhora mais famosa da Margem Sul aos meus olhos, a senhora que vendeu waffles durante muitos anos à entrada do extinto Pão-de-Açucar, sim eu conhecia a Rainha das Waffles e o que eu adorava aquele sabor com bastante canela e açúcar on top, duas para mim se faz favor, quentinhas e saborosas!      
25
Jul20

Armados ao pingarelho

Rita Pirolita
Tantos académicos fazem uso de uma linguagem anti-vernáculo de boa educação, quero eu dizer que usam nomes caros, pouco conhecidos pelo comum dos mortais que parece e talvez seja propositado, baralham e voltam a dar, sentenças e pensamentos. 
Não querendo eu ficar complicada a tentar descomplicar coisas que nos baralham, gostava no fundo de apenas perceber para quem escrevem estas almas fazendo uso de tão erudito linguajar? 
Querem bradar aos anjos-livreiros para que se desfaçam em lágrimas e os livrem do canto dos indigentes, apelar já aos céus para irem alcatifando o caminho da eternidade, dos prosistas e poetas imortais, de livro de prateleira e não de cabeceira?!  
Quero acreditar que não escrevem para eles e para os amigos, mal seria, mais ainda quando escrevem em jornais que estivessem a escrever numa plataforma pública para um público muito restrito e privado, os amigos mais chegados como se de um ritual maçónico se tratasse, congeminado no secretismo! Em última instância se nem os amigos o perceberem estará o criador textual a falar consigo, num monólogo de afogamento no seu narcisismo, um suicídio literário que se consome e alimenta como sistema entrópico, insuflado de admiração pelo seu fogo-fátuo? 
Ah espera, pode ser uma declaração de independência tão parva que ninguém percebe mas eles, os 'artistas', têm que ter espaço, isolarem-se para criar a obra de arte! 
Uns merdosos solitários que ninguém atura, é o que são!
Tantas vezes chego ao fim de alguns artigos e desisto de reler, porque estou cansada da frustração de nada perceber! 
Farão os autores de propósito só para se armarem ao pingarelho? Serei mais burra do que penso? Só quererão atingir as suas elites? Será uma linguagem secreta, codificada ou vazia apenas para baralhar? 
Fico com a sensação que muita gente não consegue perceber o que lê destes eleitos 'connoisseur' de qualquer coisa, iluminados não sei por que candeia que de vez em quando num gesto benevolente para com os pobres de instrução, que nunca serão burros forçosamente, escrevem uns textos com piada tímida, só para dizerem que não pertencem a um mundo à parte que só eles construíram e idealizaram, que até descem de vez em quando cá baixo para sentir a plebe!
Estes escritores de pedestal no seu discurso de equilíbrio politico-correcto, querem acrescentar uma pitada de radicalismo, fazendo uso de tiradas que parecem revolucionárias mas a cada parágrafo acabam a dizer que gostam de massa mas não se importam de comer arroz ou batata. 
Gente que vai a todas é de desconfiar, quando acabamos de ler coisas deste género a única conclusão a que chegamos é que o autor podia nem se ter dado ao trabalho de iniciar a escrita, que o mundo ficaria na mesma e nós também, sem tirar nem pôr ideias!
E talvez se eu não tivesse escrito esta merda também não se perdia nada?...
16
Jul20

Je suis e #MeToo

Rita Pirolita
Tanta solidariedade comodista e ecuménica. 

Nós os bons que estamos sempre do lado certo queremos que nos ouçam nas nossas denúncias de assédio, falta de respeito, contra o terrorismo e a discriminação...

Nós que não fazemos mal a uma mosca mas não gostamos do vizinho do lado sabe-se lá porque razão tão estúpida e insignificante que já nem nos lembramos, nós que nunca contribuímos para as guerras e educação sexista dos nossos filhos, com meninas a lavar louça e meninos a jogar à bola, em vez de criar seres independentes, desenrascados e que pensem pela própria cabeça que não ofereçam a outra face mas que não alimentem o ódio. 

Por mais que se grite, fale e escreva sobre tolerância e democracia...estes são precisamente os estados mais vulneráveis e difíceis de conseguir e manter, são de um equilíbrio periclitante como a cabeça da humanidade que vira consoante o vento da ilusão de mudar para ficar tudo na mesma!  
05
Abr20

A guerra do croquete e as frustrações do rissol

Rita Pirolita

Texto feito a partir de respostas dadas a gente, que se sente admoestada, ferida e perseguida na sua liberdade de escolha por luto imposto ao croquete e rissol!

Não vejo porque se vê a recente lista como uma proibição, parece que nos bares do SNS vão andar a traficar croquetes, rissóis, chamuças e empadas por baixo do balcão, quando os podem adquirir no café do outro lado da rua a preço razoável e sem sofrer olhares indiscretos? É isto??? 

Não vejo como uma imposição, até porque as pessoas podem continuar a comer o que quiserem, basta andarem um pouco mais até lhes faz bem ou até levarem marmita de casa.

Os locais que promovem curas e bem estar, faz todo o sentido que tenham comida saudável, nas escolas deixaram de haver máquinas de tabaco, nos ginásios faz sentido vender comida saudável e nos hospitais servirem refeições equilibradas também. 

Deve sim apostar-se na educação e isso nem as escolas estão habilitadas nem os pais têm tempo ou são bom exemplo, salvo raras excepções. 

Acho que se deve insistir numa vida saudável e equilibrada, sem que seja uma doença, pois todos nós somos beneficiários do SNS o qual pagamos mas queremos usá-lo o menos possível e ter uma vida sem sofrimento, com menos peso, sem tabaco e uma alimentação equilibrada. Agora se esta medida tem propósitos escondidos, pouco clara no objectivo ou avulsa, a seu tempo se saberá mas à primeira vista até me parece das medidas mais benéficas tomadas este ano, porque as outras?...Lei de financiamento dos partidos, propostas loucas para acabar com o alojamento local em Lisboa, por falta de poder de controlo, etc. 

Os portugueses são assim também na sua peculiaridade, beijam a mão de quem rouba e mordem quem os avisa!

Os doentes comem saudavelmente e os restantes reclamam  a liberdade de comer porcaria, para depois ficarem doentes e irem substituir os que lá estavam e começarem a comer de forma equilibrada??? 

É isto que querem para vocês e os vossos?

Atravessem a rua e encham o bandulho de gordura, ninguém os proíbe! 

Isto não é uma proibição é uma indicação! Mas agora ninguém se quer mexer do local de trabalho nem para ir comer, mesmo que seja porcaria??? 

Eu sou vegan, nem consigo entrar num talho ou passar pelas carnes num hipermercado, fico com vómitos mas tenho que aceitar que muitos ainda comem cadáveres, é simples, viro a cara e passo ao largo dos talhos! 

Por isso mexam esse cu e exercitem a mente para uma vida melhor e sinceramente não vejo ditadura nenhuma mas em muitas outras medidas mais importantes para o rumo do pais, vejo hipocrisia, roubo e imposição! 

Vamos discutir o que importa e deixar estes preciosismos! 

Não sofram tanto com o síndrome da perseguição. Volto a dizer, não há proibição. Todos têm a liberdade de entupir as artérias. 

Eu não como animais, por isso vou a restaurantes vegetarianos mas se for a um outro restaurante por escolha de outras pessoas, como os acompanhamentos ou saladas e não deixo de estar! 

Esta exacerbação da maioria em relação a uma medida que até me parece benéfica, só mostra o ressabiamento de que quase todos sofrem com a infelicidade na sua vida, causada por outras coisas que não a comida! 

Revoltem-se sim e devem mas pelas razões certas e sejam consistentes! 

Revoltem-se contra os políticos e banqueiros que vos roubaram! Atirem-lhes croquetes e rissóis!
O apetite educa-se, como tudo na vida. Toda a gente continua a ser livre de comer o que quiser e até de se matar pelas próprias mãos, ser obeso, diabético, fazer diálise! Assim todos usufruem do dinheiro que descontaram para o SNS. 
Os portugueses comportam-se como turistas labregos num all-inclusive resort, têm que trazer em comida e bebida no bandulho, aquilo que pagaram, nem que para isso fiquem de caganeira ou tenham um ataque cardíaco. Eu quando vou para esses sítios vejo tanta barbaridade que felizmente ainda me apetece fazer mais o oposto, caminhadas na praia e muita fruta e água! 
Vocês todos acham que são muito radicais a contestar uma medida tão inócua, estão apenas a descarregar outras frustrações e a pertencerem à carneirada que fica alienada com parangonas propagandistas! Vocês sim, são os verdadeiros zombies do comunismo ou ditadura, como lhe queiram chamar! A ditadura da liberdade!
Há muita gente que tenho quase a certeza que desconhecem os assuntos sobre que opinam. 
Dentro da lista de alimentos a não serem vendidos estão bebidas ou bolos com carradas de açúcar e sandes ou croissants com alto teor de sal e gorduras trans. 
Tudo isto pode ser confeccionado com menores agentes nocivos e fáceis de levar, exemplo: uma sandes de queijo e não de presunto, uma peça de fruta em vez de uma bola de berlim e um sumo fresco ou água em vez de uma Coca-Cola. 
Agora se a maioria dos portugueses acham que comer fritos e enchidos todos os dias é que tem que ser, matem-se à vontade, estes são alimentos de referência para consumir esporadicamente, correndo o risco de ter colesterol elevado, diabetes, excesso de peso ou até insuficiência renal se os comermos todos os dias, até o consumo de carne não é recomendado diariamente. 
Se querem comer todos os dias que nem labregos, comprem salgados e enchidos e montem a barraca no hospital, lá fora continua tudo à venda...
É uma tristeza que os portugueses tenham sido roubados pelos políticos e banqueiros, que lhes tiraram a liberdade económica e de expressão, gente na pobreza é gente amordaçada e depois se abespinhem por causa de oferecerem alimentos mais saudáveis que a maioria vê como retirada de liberdade. 
Querem ter liberdade para daqui a pouco tempo a deixarem de ter, ao acabarem com uma saúde débil, dependentes de fármacos ou máquinas?
Agem como crianças irresponsáveis que são na sua inocência própria da idade que já não é desculpável quando se trata de adultos, que ainda querem fugir de casa, de mochila às costas, na ilusão de descobrir mundo, mas ao fim do dia regressam a casa, por medo da noite, cheios de frio e com apetite para devorar pelo menos 5 carcaças cheinhas de Tulicreme e muitas saudades da caminha quente e dos mimos da mamã!...  
É caso para dizer, povo que não se governa nem deixa governar! 
É mais fácil de cu sentado no sofá fazer revoluções sobre croquetes e despejar todas as frustrações no rissol!

Principalmente os doentes e diabéticos ainda mais, não quererão piorar a sua saúde a enfiar no bucho uns croquetes! O Estado nunca se preocupou com os portugueses, apenas toma medidas avulsas e esta sinceramente não foi das piores! 

Os comentários mostram uma grande frustração dos portugueses em terem que conviver, comer e calar com os roubos e humilhações que os políticos que elegeram lhes fizeram e continuam a fazer. 

Tenho pena de ter deixado para trás um povo tão frustrado, que em vez de se insurgir contra coisas mais importantes se arma em nutricionista expert de sofá. 

A mudança e limpeza de mentes não vai lá com higiene alimentar. 

A deseducação está instalada, num povo cada vez mais pobre de espirito e desprovido de bom senso! 

Ainda bem que a maioria que vem aqui botar faladura, não faz nada, porque só têm ânimo para revoluções de cu sentado! 

Eu vou lutando por me manter lúcida no meio de tanta loucura e burrice, restam alguns que me acompanham e é com esses que consigo evoluir em discussão saudável e não com filosofias de cordel! 

Chego a um ponto, que percebendo que algumas pessoas não conseguem apresentar os seus pontos de vista de forma saudável e enqriquecedora, só me resta bloquear quem não me agrada que leia o que escrevo!

 
20
Fev20

Balde do lixo

Rita Pirolita
Vou falar de um balde do lixo doméstico que caiu dentro de um contentor do lixo por minha culpa mas tudo acabou bem, apesar do mau cheiro!
Desde que me lembro de ter desenvolvido as minhas capacidades motoras em pleno que usava mais para correr, saltar e brincar, lá em casa já me incutiam a responsabilidade de tarefas, como limpar o pó todos os dias, sim, todos os santos dias, menos ao domingo, o que não custava muito num andar minúsculo de 2 assoalhadas.
Um quarto para os progenitores e uma sala que acumulava as funções de estar, jantar e à noite virava o meu quarto, com um sofá-cama forrado a bombazina verde-musgo, muito na moda, que abriu e fechou durante muitos anos, as vezes que foi preciso, no sono e na doença, cumprindo a sua função perfeitamente até ao fim do seu uso, que se deu com a mudança de casa e um quarto só para mim, mas só lá para a adolescência! 
Numa casa onde imperava a discórdia, destruição, gritos e violência ninguém se preocupava com educação ou compreensão, impunham-se regras para diluir a falta de respeito e iludir uma normalidade que nunca existiu. 
A obrigação de ajudar era uma forma de marcar autoridade por imposição maternal, quase como uma vingança e transferência de raiva, vinda de alguém que era tratada como gata borralheira e se queria sentir como a irrepreensível fada do lar, com poder no seu pequeno reino doméstico, já que a sua existência era todos os dias assombrada por discussões humilhantes e uma incompatibilidade visceral mantida à força, um amor doentio, obsessivo e destruidor, com resultados nefastos no futuro...para mim também! 
Os meus dias decorriam embuídos de uma inocência que de alguma forma me protegia do caos à minha volta e cujas memórias apenas mais tarde vieram a ser processadas, por uma cabeça que foi obrigada prematuramente a deixar de ser pueril. 
Nunca éramos desgraçados de quem alguém tivesse pena, não tínhamos onde nos queixar ou recolher, vínhamos ao mundo numa família que nos dava comida e nos punha na escola e só tínhamos que cumprir com o mínimo de obrigações, não fazer birras e se fosse caso disso levávamos dois tabefes que nos acertavam o passo, até à próxima choradeira típica de miúdos, por tudo ou por nada. 
A vizinha do prédio da frente batia na filha com colher de pau todos os dias, partia colheres a toda a hora no lombo da miúda e fartava-se de gritar com ela, eu como não levava tanto, encolhia-me como se as colheradas me estivessem a cair em cima do pêlo, como a dividir as dores em solidariedade para com a minha colega de escola que não esperava ver inteira no dia a seguir, mas lá aparecia ela sem ponta de queixa ou perda de peças, embora tivesse de certeza aquele rabo todo negro!  
Além da limpeza do pó e dos vidros, com vinagre e jornal amachucado que me deixava as mãos pretas mas os vidros imaculados também tinha a tarefa de ir despejar o balde do lixo, o que até gostava, visto que qualquer pretexto para andar com o cu na rua era bem vindo. 
Certa vez ao fim de um dia longo de verão lá fui despejar o lixo no contentor que ficava nem a 100 metros do meu prédio, era uma hora calma de fim de jantar, não se via vivalma e nem os pássaros se ouviam, derretidos na molenga dos ramos. 
Ao virar o balde para despejar aliviei demais as mãos e aquela porra escapuliu-se e foi parar ao fundo do contentor que ainda por cima estava vazio. 
Olhei incrédula para dentro daquele buraco mal cheiroso com paredes incrustadas de camadas de gordura e humidade fétida e não me dando por vencida nem ir a correr chamar a mãezinha que não era nada o meu género, investi em me desenrascar sozinha. 
Tentei esticar um braço ao máximo, depois os dois, depois aos saltinhos e depois de tanta tentativa infrutífera e a enxutar moscas com chapadas de raiva no ar, bichos da merda, que tinham tirado o fim do dia para me chatear e não tinham qualquer sentido de oportunidade ou condescendência com a minha difícil tarefa de salvar o balde do lixo de ficar no lixo, decidi empoleirar-me nas pegas laterais, qual mangusto chafurdeiro e com cuidado para não ir parar lá dentro e fazer companhia ao balde, empenhei-me no equilíbrio e de uma penada lá consegui alcançar o balde. 
Cheguei a casa como se nada fosse, calada que nem um rato, mas com os sovacos doridos e a tresandar a lixo. 
Não tive a pior infância do mundo, nem por lá perto, mas podia ter seguido caminhos piores e mesmo assim ainda bati em algumas portas erradas que me prontifiquei a fechar assim que desse com o erro e a retomar caminho que me parecia menos mau. 
Não tive muito tempo para brincar, a responsabilidade chamou-me logo a alinhar na vida muito cedo e agora olhando para trás, a minha sorte seria outra se me tivessem recolhido sem pena, qual cão de rua abandonado que amassem porque tinham para dar, sem se importarem com o meu curto mas já dolorido passado, traumas e medos e eu iria agradecer que para meu bem me dessem educação com um propósito e não o vazio imposto do "vais fazer porque sim, porque eu digo, posso e mando em ti!"

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