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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Dominatrix virtual

Rita Pirolita

Sou uma Dominatrix virtual, gosto de torcer palavras, espremer conteúdos, subverter sentidos, brincar com o fogo, chicotear ideias, deixar-me estimular por quem responde com alfinetadas de gozo, num crescente prazer intelectual que me vire do avesso e me ponha num êxtase tal que as palavras passam a gritos de dor e deleite. 

22
Jul20

A culpa do luto

Rita Pirolita
Como se faz um luto? Só quando se chega lá se sabe. 
Todos podem querer ajudar mas é melhor que se apercebam da incapacidade e impossibilidade para o fazer, porque o luto é pessoal e intransmissível, não para gáudio de quem o sofre sem orgulho nem afronta de firmeza!
O luto de quem morre novo, em sofrimento, de repente, esperado, desesperado, velho mas boa pessoa, irmão, melhor amigo, quem nos cria...
Sem pedir ajuda, ninguém se ofereceu por terem visto força maior para aceitar, assim se acharam diminuídos! 
A quem culpar? Alguém ou ninguém? 
Quem subtrai a própria vida não fica para acusar ou até dizer que fez da culpa dos outros a sua dor e por isso se libertou desse peso?!
Um luto forte e chocante agarra-se para sempre todos os dias na recordação e ajuda a preparar e atenuar a angústia dos vindouros! 
Era só isto, fiquem bem e que só os maus se suicidem ou nem vivos cheguem a este mundo! 

 

14
Jul20

Extinção por exaustão

Rita Pirolita
Às vezes parece que ainda existe tanto assunto sobre o qual escrever, outras parece que os temas já estão esgotados ou então a minha cabeça já não quer pensar, tem dias que deve fazer manifestação seguida de greve!

Às vezes as coisas parecem tão pequenas ou causam tão leve incómodo que quase desistimos de escrever sobre elas, a repetição desgasta a surpresa e reacção, acomodamo-nos com o pior sem já sentir a dor crónica que passa a fazer parte de todos os dias.

Atentem nisto, no outro dia ouvi nas notícias que já causamos a extinção de muitas espécies no planeta e se quisermos continuar a sobreviver com um mínimo de recursos naturais, temos que tomar já medidas para a sua preservação, dito assim na TV em apenas um minuto, parece uma coisa de outro planeta e de somenos importância para nós, não nos toca, pelo menos individualmente, é o que pensamos, achamos que há um todo que tem que agir e ainda mais os líderes que elegemos, têm a responsabilidade de tomar essas decisões por nós, pois isto não funciona nem nunca funcionará assim, enquanto dedicarmos um minuto apenas à reflexão sobre um futuro real que se avizinha a passos largos em jeito de hecatombe e logo a seguir ficarmos a vibrar com labregos durante horas a discutir futebol e a saber que isso não contribui para salvar o planeta mas pelo menos nos distrai da nossa desgraça, continuaremos a ser os únicos que não merecem o sítio onde vivem, dádiva aleatória tão generosa do universo que merecia tudo menos ser desprezada!

Queimar este planeta não tendo a garantia de poder fugir para outro é de uma burrice e falta de consideração por cada um de nós e pela vida em geral. Que faria se tivéssemos para onde ir, seria mais célere a destruição?...

Eu sei que isto parece banal e conversa para boi dormir dirão vocês...mas é precisamente por desinteresse e cansaço que chegamos onde estamos, à miséria! 

Temos inveja de deixar um mundo melhor para outros, achamos que fizemos alguma coisa de jeito e não queremos que vindouros se aproveitem ou estamos simplesmente a borrifar-nos para tudo e todos...
09
Dez19

A dor do próximo

Rita Pirolita
Já se questionaram porque estamos cada vez mais insensíveis à dor alheia?
É por saturação e banalização ou uma questão de sobrevivência?
 
Num passado não muito distante, éramos mais próximos e solidários com a dor da família, do vizinho ou até de alguém do bairro que era o nosso mundo, a fome e a pobreza eram tabu na TV, agora tudo é manipulado, somos mais ricos e ainda queremos mais, sofrendo de ganância e inveja por coisas dispensáveis, somos mais ciosos, matamos para defender o que pagámos caro com a mesma facilidade que matamos irmãos ou pais por meia dúzia de tostões ou metros de terra, temos mais e partilhamos menos, tratamos pior os que estão ao nosso lado e somos mais solidários à distância, porque essa ajuda é mais fácil e como não temos a desgraça ali ao lado, é todo um processo mais limpo, ausente de sofrimento, no quentinho do sofá, cheio de falsa bondade narcisista,  ao ponto de estarmos à mesa e não vomitarmos o jantar a ver uma criança morrer de fome ou corpos despedaçados com a violência da guerra, ela própria mais implacável que nunca, o inimigo já não se confronta corpo-a-corpo mas elimina-se com um simples carregar de botão no outro extremo do mundo e assim aliviamos o peso da responsabilidade e consciência da vida.
É banal sermos cada vez piores!
 
Como um corpo que entra em estado de choque num acidente, a dor é atenuada, não se sente, deixa-se de ouvir, ver e pensar, o corpo concentra energias para se agarrar à vida o mais que pode e afastar o infortúnio.
 
Será que nós também ficámos mais insensíveis por uma questão de sobrevivência na ilusão de agarrar uma inconsistente e esporádica felicidade?
 
Eu gostava de acreditar que há algo mais que possa ser feito antes de nos matarmos a todos...só porque já não sentimos a dor do próximo por estarmos em choque constante?...

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