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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

04
Ago20

A gorda do banco

Rita Pirolita
Vocês às vezes devem pensar que algumas das histórias que conto por aqui não são verdadeiras por tantas vezes serem insólitas e caricatas mas asseguro-vos que tudo o que por aqui passa é verdade verdadinha, contada com muita ironia e graça, se eu não me rir do menos bom que me acontece quem o fará por mim e é verdade que tristezas não pagam dividas. 
Se calhar vocês até acreditam porque Portugal também é fértil em situações inusitadas mas graças aos anjinhos papudos, aos descobrimentos, ao fado, à pobreza, à corrupção, aos ladrões ou lá o que seja nós somos um povo muito mais inteligente e desenrascado que estes gajos das Américas do Norte! 
Gente que não passa grandes dificuldades não aguça o engenho, deixa-se ficar pela comida-conforto de peida sentada a engordar e a empanturrarem-se de diabetes, depressões, psicoses, mimo e mau feitio. 
Hoje, não interessa o dia, o meu querido e extremoso moço dirigiu-se a um banco onde não tinha conta aberta apenas para saber se podia fazer a operação online de transferências para a nossa querida pátria com mais facilidade e menos encargos que a oferecida no banco com que costumamos trabalhar.  
Eu não fui mas asseguro que o meu moço foi de certeza delicado e se expressou bem no seu inglês quase irrepreensível que nada tem a ver com o meu, trapalhão e com um sotaque de estrangeira que é de bradar aos céus e cada vez falo pior, tanto o inglês como o português, já caguei no assunto, quem me quiser perceber tudo bem quem não, que vá dar uma curva à esquina das putas!
Ora bem, estava eu a contar que imagino o moço a aproximar-se do balcão com delicados modos a fazer a pergunta com muita educação e óptima dicção, portanto não tenho dúvidas que a gorda do banco tenha percebido bem.
Perguntou pois ela de volta, se ele era cliente do banco, ele disse que não, então ela prontamente respondeu do alto do seu elevado colesterol e diabetes 'que vais morrer cedo que até te fodes, pelo menos com um pé amputado até à virilha', que se não tinha conta naquele banco tinha que abrir uma para depois descobrir a resposta à sua pergunta inicial das transferências, lembram-se?
Ele deve ter olhado para ela com aquele ar de gozo e desprezo que tão bem lhe conheço e disse que se era assim também não precisava dos serviços deles para nada, virou costas e veio-se embora! 
A gorda deve ter ficado com a mesma cara de cu com que acorda todas as manhãs ou seja não se deu conta da tamanha burrice que nem se deu ao trabalho de disfarçar. 
Acho que mesmo que a situação fosse filmada e fosse posta à frente daquela tromba de porca roncolha ela continuaria a achar que estava a prestar um serviço de qualidade e que não estaria a tentar amesquinhar e fazer de estúpido um potencial cliente!
E pronto, é esta gentinha que presta serviço num dos países mais civilizados e com melhor qualidade de vida do mundo, dizem eles deles próprios! 
Não sei como é que conseguiram chegar a este ponto mas que estão cá para ficar e se reproduzir, ai isso estão! 
Santa Ignorância, livrai-nos destas situações e não nos deixeis cair na tentação de mandar tudo à merda e começar a distribuir chapada por esta gente!
PS: A questão fisica da 'gordice' não serve à primeira para diminuir seja quem fôr mas quando a estupidez abunda até os brincos ficam mal!
20
Jul20

Deixem-se de parvoíces

Rita Pirolita
Sabem aquelas pessoas que a cada minuto do dia que lêem uma coisa diferente sobre vida saudável, assim que podem vão logo praticar ou comer, nem que seja com uma cenoura enfiada no cu enquanto bebem um copo de leite de burra a tapar o nariz! 
Tudo o que apareça nas redes sociais ou digam na TV, é verdade! 
Tanto é que conseguiram convencer as pessoas que a diabetes é hereditária e não resultado de maus hábitos alimentares que despoletam tendências familiares que foram potênciadas por alimentação cada vez mais processada ao longo de gerações e assim se desresponsabilizam pela própria saúde. 
Assim as cadeias de fast-food cumprem o seu acordo com os laboratórios, uma mão lava a outra do mal que provocam oferecendo de bandeja aos laboratórios mais doentes e dependentes de medicação, que são mantidos mais tempo vivos graças aos avanços da medicina para continuarem a gerar lucro. 
Vivos mad doentes a arrastarem-se, magros ou gordos demais e com um mau aspecto de zombies! 
Um sistema que mexe com a nossa vida cada vez mais perverso, lucrativo e nada fiável!   
O Estado no seu estado paternalista tenta impingir hábitos de vida saudáveis como se se preocupasse deveras connosco, começando pelo conselho de reduzir o consumo de açucar, como se começassemos a fazer dieta ou a deixar de fumar e passados um ou dois anos de bom comportamento tivéssemos o corpinho limpo de todas as toxinas. 
O mal já está lá e quanto mais tarde a mudança mais difícil é recuperar mas sem dúvida mais vale tarde que nunca.
Temos agora que estar mais atentos e até quem sabe ir tirar um mini-curso de leitura de rótulos de embalagens, quando todos sabemos que os ingredientes não são controlados e a informação nutricional também não. 
Não existe marca nenhuma que vá alterar o sabor do produto para algo menos apelativo, reduzindo efectivamente os ingredientes prejudiciais, sabendo que se tirarem uns têm que substituir por outros tão maus ou ainda piores. 
Por isso nada vai mudar e os rótulos vão corresponder cada vez menos à verdade!  
Após esta breve opinião que espero tenha sido elucidativa continuam mesmo assim a gozar da liberdade de se empaturrarem de merd@, voltando à esquizofrenia bipolar dos yogas, sumos detox, dieta do ar, da Lua e mais do raio que os parta, eu conheço gente assim, que salta de dieta em dieta, o corpo deve ficar tão baralhado que absorve tudo, numa de prevenir os períodos de jejum de coisas boas de que a dona maluca o pode privar num futuro tão alucinadamente imprevisto, tanto que ao fim de um mês ou dois, o próprio corpinho deve cagar no assunto e o ponteiro da balança nem mexe! 
É impossível alguém comer tudo num dia que faça parte da roda dos alimentos e ainda por cima nas quantidades recomendadas, já que a própria roda está sempre a sofrer alterações e cada vez mais se inventam alergias e intolerâncias disto e daquilo, quando o problema está no processamento e não no produto original, cujo resultado final é tudo menos o que vendem. 
Não acredito que o leite ou carne de hoje em dia tenham algo a ver com os produtos de há 100 anos atrás e já havia a venenosa Coca-Cola mas ainda havia esperança, a perdição tinha apenas começado!
Gente que mistura no mesmo prato salada com sobremesa, tudo numa amalgama vomitada!..
A nossa açorda pode não ser o melhor exemplo de boa aparência mas os olhos também comem e já sabemos só de cheirar, que a açorda é boa como a porra e tão simples que é de fazer, agora dar mau aspecto a comida que vocês detestam mas fingem que adoram, espetar com fruta e vegetais num copo misturador e beber meio litro de pega-monstros, isso já é um Inferno, depois andam a comer salsicha alheia às escondidas e despejam o mau-humor da flatulência das sementes de chia nos outros!
Ora, deixem-se de parvoíces, criancices e figuras tristes, sejam felizes e percam tempo com coisas realmente importantes!
01
Abr20

Velhos jarretas

Rita Pirolita

 

Agora todos são solidários com a luta pelos direitos dos animais, antes andava tudo a falar das crianças e noutras alturas dos velhos. 
Vai de modas, na verdade são tudo boas causas e devemos proteger ou pelo menos não prejudicar, os que não se conseguem defender. 
Mas será que alguns são mesmo frágeis ou aproveitam-se da condição? 
Já vi muitos cães passarem-se da bola e desatarem à dentada.
Já vi putos atirarem-se para o chão do centro comercial a esbracejar e a rodar sobre as costas como um escaravelho de pernas para o ar, aos gritos, a chorar baba e ranho por não lhes fazerem a vontade de comprar tudo o que querem.
 vi velhos a correr todos à bengalada, a queixarem-se que ninguém lhes liga ou que são diabéticos e não se podem irritar. Que eu saiba, a diabetes não dá dores de cabeça, dentes ou ouvidos, que são as mais massacrantes. 
Aliás, hoje em dia, velho que não tenha diabetes, gota, osteoporose, colesterol elevado e joanetes, não é idoso que se preze e tem a garantia que ainda vai andar cá muito tempo, a consumir o dinheiro da reforma e a arrastar-se no queixume, dando cabo do juízo aos que o rodeiam.   
Eu bem os vejo no aeroporto quando vou viajar. 
Antes de levantar voo todos requisitam cadeiras de rodas até à porta de embarque, vão de cu sentado e passam à frente de todos, quando a viagem termina o mesmo número de cadeiras que foram requisitadas na origem do voo estarão no destino à espera dos mesmos velhos, é vê-los com a tesão do mijo a tentar sair à frente de todos, comigo não têm sorte que eu não lhes dou abébias. 
Se nem andavam na hora da partida ficam cá com uma energia de atleta à saída? Deve ser da mistura do RedBull com a despressurização, aquilo dá cabo de cabeçinhas com Alzheimer e Parkinson! 
Assim que põem um pé fora do avião metem a bengala debaixo do braço, saem disparados que nem foguetes e deixam os gajos da groundforce a arejar a cadeira de rodas e a lançar a cada velho que passa um olhar de comiseração e esperança frustrada, sem lhes darem oportunidade de praticar o bem e mostrar excelente serviço.
Nem todos os velhos são fofinhos, há-os jarretas ou velhacos e alguns até dá vontade de os matar antes de morrerem!
 
 
04
Dez19

Contos da Estrelinha Serigaita - Comer

Rita Pirolita
Sempre pisca na comida, lingrinhas de carne e alta de ossos, lá ia sobrevivendo sem acusar falta de energia, com muito pouca comida e muita brincadeira de rua. Desenrascada nos gostos e talheres, não gosto de leite, como carradas de carcaças com manteiga e açúcar, o meu fígado ainda não se acusa e desperta para o trabalho dos lipídios e o pâncreas para os glícidos. 
Aos 7 anos perante espanto materno com tanta independência, tiro espinhas de peixe, chego ao fogão assente em pedra mármore com chaminé logo ali, que só dá para um tacho com cabeça por cima a espreitar a comezaina, armários em verde água e azulejos brancos normais que se descolam com frequência, após tachos cheios de comida atirados à parede em acessos irosos do pai que não suporta a mãe nem no namoro quanto mais a partir do primeiro dia do casamento. Trabalho do dia seguinte, logo pela manhã, colar azulejos com a mãe banhada em lágrimas com a esperança nos olhos que as coisas tinham muitos anos para melhorar, só pioraram, até que pôs termo à sua própria vida, cansada de tal tratamento.
Farinha 33, a farinha com sabor a chocolate, recomendada pelo Sr. Doutor, Tulicreme gorduroso, Maggy e Knorr, Maizena com açúcar e casca de limão, mais vezes com grumos que sem, chocolate Milo para o leite, pudim Mandarim de sabor único e artificial a baunilha, O Boca Doce é bom é bom é, diz o avô e diz o bebé, gelatina Royal, Laranjina C, manteiga Milhafre dos Açores, margarina Planta, Nestum e Cerelac, iogurtes Vigor em frasco de vidro com prata por cima, azedos que até amarga, leite não pasteurizado em pacotes plásticos maleáveis, postos a ferver para matar a bicharada, pescada, peixe branco e mioleira para as crianças, rabo de boi na sopa, Epá, Super Maxi, Perna de Pau e pouco mais, Coca-Cola nem vê-la, pudim caseiro com 50 ovos, carne assada no forno com batatinhas loiras e tostadas aos domingos, bacalhau de vez em quando,  sardinha, sarda, cavala, carapau e chicharro...comida de pobre, peixe raimoso, caldeirada de arraia, jardineira, chouriço e presunto nem vê-los, bolacha Maria, leite creme e aletria, vinho Teobar, caracóis...muitos e saborosos, tremoços em barda, camarão nunca.
Era tão feliz, sem ameaças de obesidade, diabetes infantil ou sedentarismo de PlayStation.
22
Set19

A reforma reformulada

Rita Pirolita
 
Os que ainda não chegaram à reforma andam muito preocupados em reformular o sentido dessa fase, a terceira idade.
Não querem passar por preguiçosos desanimados e planeiam fazer tudo o que não tiveram tempo para fazer.
Não se esqueçam que isso inclui as doenças todas que não tiveram por serem mais novos e não terem tempo para ficar de cama nem com uma gripe. 

Fazer muito exercício, baixar o colesterol e os triglicerídos. Depois de andarem mais de 50 anos a comer mal querem corrigir tudo no primeiro ano de aposento, quando o metabolismo contraria tudo e todos. 

Os reformados pelo contrário não os vejo tão preocupados com o seu estado, até porque estão entretidos a fazer o melhor bolo com a pouca farinha que têm.
 
Os 'activos desempregados' estão na idade de poder trabalhar mas ninguém os quer porque já são 'velhos', ficam no limbo à espera de nada e sem ordenado, a fazerem da sua principal actividade, o envio de currículos em frente a um computador. 
Já não acreditam que vão conseguir emprego e já não têm idade para jogar como o Ronaldo, trabalhar nas obras ou carregar móveis porque as hérnias já se instalaram, os ossos doem com a ameaça de chuva e a paciência está esgotada com um subsidio que não dá para nada e não dura para sempre.  
 
Além de tudo isto têm que se mostrar activos, não deprimidos e confiantes no futuro.
Se a vossa realidade é esta, imaginem o ânimo quando chegarem à idade de fazer népia, com mais maleitas ainda...
 
Por essa altura já não têm que fingir, podem dormir até tarde, ter diabetes, demência, esquecimento, mandar vir com os mais chatos ou não lhes ligar nenhuma, só ouvir o que convém, comer e beber o que apetecer, estar à beira das passadeiras uma manhã inteira a ameaçar atravessar e fazer parar todos os carros, andar desdentado com a placa no bolso embrulhada em papel higiênico, beber um bagaço de manhã e viajar ao passado, sentado num banco de jardim, porque têm tempo de sobra...
18
Mai19

Não tiveram culpa

Rita Pirolita



 
Os nossos pais não tinham culpa!...

De nos barrarem com Nivea que não tinha nenhum factor de protecção, era o que havia e aquela camada branca alguma coisa tapava, quanto mais não fosse os poros.
Passávamos o dia inteiro na praia, ainda não sabíamos que a camada de ozono estava esburacada.

Usaram kilos de sulfamidas e pó-de-talco e pararam depois de serem divulgadas as suas propriedades cancerígenas.

Descobri que as bolinhas de mercúrio não se conseguem apanhar, eu queria confirmar que era um metal pesado, sempre que partíamos um termómetro levávamos raspanete porque eram caros como a porra. 

Empanturravam-nos de comida até não podermos mais nem com um grão de arroz, bebé que nascesse com 4 kilos é que era saudável, gordura era formosura e não havia bullying de roupa ou ténis de marca. 
Eramos todos brancos, pretos e ciganos metidos numa escola pública à porrada no recreio ou na rua. Era o salve-se quem puder, não haviam privilegiados nem coitadinhos.

Atascavam-nos de Sugus, Tulicreme, pão e massa, a desafiar a diabetes e concorrer a celíacos do ano, bebíamos leite gordo e comíamos manteiga pura para estimular a figadeira.

Não bebíamos leite achocolatado mas sim chocolate com leite, Milo, Toddy, Ovomaltine ou Suchard Express mais quatro colherinhas de açúcar em cima.


Até muito tarde, só conheci um tipo de queijo, o flamengo, com a típica casca de cera vermelha que tantas vezes comi e nunca caguei velas daquela cor.

Se nos batiam, era porque merecíamos e se nos queixávamos da professora ainda levávamos mais.

Se acne havia, esperávamos que passasse com a idade, a mesma coisa para as botas ortopédicas, os óculos com pala ou aparelhos nos dentes.

Partir cabeças e ossos, levar pontos e esfolar joelhos...Gente com mais de 40 anos que não tenha mazelas e cicatrizes que doem com a mudança de tempo, não foram crianças felizes.  
08
Mai19

All-inclusive

Rita Pirolita
Veraneantes labregos que devoram o all-inclusive com gana de fim de mundo e sofreguidão de sem-abrigo.
Exorbitantes montanhas de camarão, puré de batata, hambúrgueres e douradinhos, que terminam num cocuruto de três e mais molhos em verde fluorescente, vermelho sangue pisado e branco deslavado. 
Pratos de somente amarelas frituras, batatas em palito, às rodelas douradas e azeitadas, panados de tudo e mais algo, ovos estrelados, mexidos ou cozidos. 
Pequenos-almoços de bacon, salsicha, ovo, feijão, pizza, frango, panquecas, queijo, ketchup e outras mais coisas de vómito, salpicados de frutas tropicais numa amalgama de nojo. 
Pais que deixam os petizes entupir-se de parvoíce, devaneios de azeitonas e pepino, rematados com cereais e iogurte. 
 
Ninguém sobrevive muito tempo a comer tudo isto, todos os dias, a entupir-se de colesterol e diabetes, aqui se apanham os que vieram da pobreza e gozam agora das férias popularuchas em sítios que já foram paradisíacos e passaram a brejeiros de brega...
Entrego-me à inquietação do wasabé, ao salgado cortante das alcaparras, à acidez da lima e ao desinfecto coentro.
Mulheres com mamas à frente e outro par nas costas, barrigas dilatadas, descaídas e gelatinosas. 
Mastodontes que se sentam à mesa com maneiras de princesa bela e magra que nem pena cálida, pretensa delicadeza de um peso pluma e abertura frugal de boca de passarinho, como se aquela grandeza de banha, dos excessos de 1º mundo, não fosse fruto de insistência diária de alarvice, que vai do mais processado às desculpabilizantes incongruências de uma tiróide baralhada e um pâncreas à deriva, porque até comem pouco e acompanham tudo com lighteza e pickles como o verde do dia. 
Gente que só se entende aos urros no meio de música gritada e bebedeira debaixo de sol escaldante, de cachaço empolado, de molho, no mijo do bar da piscina. 
Benditos empregados que sabem da profissão e amansam os estridentes bêbedos com shots da pior surrapa que guardam na garrafa que bem sabem, preparada para deitar abaixo titãns de férias em grupo e oferecer-lhes uma boa dor de mona na manhã seguinte.
Velhos das sete da manhã a marcar cadeiras com chinelos e toalhas presas por molas em feitio de golfinho ou estrela-do-mar, para passarem o dia no laró e só porem os cotos na praia ao pôr-do-sol, a recolher o aparato que não usaram.
Senhorecas que se aperaltam para se irem servir num buffet, e terem o baixo prazer de um empregado sem pescoço e suado, lhes servir um vinho frisante de má qualidade nada duvidosa e as tratar por ladys ou madames.
Ouvir falar alemão logo pela manhã, arranha-me o cérebro como cães raivosos de boca espumosa. 
Ingleses expressamente mal-educados de bairros sociais. 
Casais russos que parecem em acesa discussão a toda a hora e a cada olhar, a qualquer momento espera-se uma carga de porrada do quadrado marido na loira esposa.
Seres de olhos em bico, sem expressão, sem respeito, invadem, falam alto, passam à frente como se não houvesse amanhã...se não saíssem da terra deles, não lhes sentiríamos a falta.
Por estes sítios todos fazem de reis, que por pechincha querem coisa fina.
Quem complica o simples merece castigo e desenterias.
E assim descubro mais vezes do que queria e precisava, que a minha salvação e de muitos em meu redor...é não ter uma arma nas mãos!
Obrigado aos participantes deste circo, turistazecos borgessos que deram origem a este texto de escárnio e mal-dizer e dos quais passei os dias a fugir sem não antes, apreciar de relance a decadência dos feios bichos que somos.
 
Boas férias até ao fim do mundo!

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