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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Jul20

Os meus amores

Rita Pirolita
Pouco falei por aqui dos meus amores, paixões, desencontros e ilusões. 
Desilusões? Muitas mas como só se desilude quem anda iludido e o meu forte é mais sonhar, aprendi rápido a lidar com espirito prático com questões do coração, que para mim são mais do cérebro e sexo que outra coisa! 
Não sinto que vá expor aqui a minha intimidade porque vou falar de coisas que se passam praticamente com todos, é que não sei se já repararam, também sou deste planeta embora às vezes não o sinta nem se note muito, mas sou e tantas vezes não me apetecia ser, acreditem, adiante que para este texto não estão reservadas dúvidas existenciais e sim histórias de cambalhota! 
Sempre fiz questão de ser directa e nada armada ao pingarelho, tentando iniciar as aproximações com piada e nunca com planos mal intencionados de lixar a minha vida ou a de alguém, com rebanhos de filhos atrás, festarolas de casamento, a ficarmos gordos rodeados de filhos igualmente anafadinhos e parvos, a sermos desempregados e assim vivermos felizes para sempre na dependência do sustento-esmola dos pais!
Vamos lá à minha realidade passada.
Estava eu a dizer que sempre iniciei as coisas com naturalidade e descontração, coisa que muitas amigas e alguns amigos criticavam e encaravam como desleixo e despreocupação, também não estavam tão longe da verdade em alguns casos. 
Fazia questão de mostrar que não estava ali para esconder nada que fosse naturalmente humano e não para andar a contar as minhas aventuras passadas para provar que as minhas intenções eram as mais honestas do mundo, ninguém tem nada a ver com isso e só eu decido o que alguém pode saber sobre mim ou não. 
Ser sincera não quer dizer ser parva a ponto de contar tudo e não ter segredos, necessito de sentir que tenho algo só meu de direito, o controlo da minha vida, sem dar justificações a ninguém! 
Ora neste meu percurso tão errante como o de qualquer um que nasceu na década de 70, o apelo à educação nunca praticada por aqueles que a impunham, o famoso 'olha para o que eu digo e não para o que eu faço', ainda teve alguns resquícios de efeito negativo em muitos, eu não sofri com esse dilema! 
Tinha amigas que eram recatadas no sexo ou pelo menos faziam questão de transmitir essa imagem e quanto mais se esforçavam, mais se enterravam na mentira que lhes saia da boca, as chamadas sonsas.
Havia também aquelas que diziam não se peidar em frente aos namorados, iam a correr à casa-de-banho para pensarem eles que estavam na presença de uma mulher limpinha e boa cozinheira, a verdadeira fada do lar, tão perfeita que nem se peidava e se preciso fosse não comia para não cagar! 
Ora a minha sinceridade acompanhada dos actos era recebida por uns com alívio, por outros com supresa mas nunca com afastamento ou falta de identificação e sempre mas sempre com mau cheiro, elevado até às vezes ao nível competição, a ver quem conseguia expulsar mais ar em menos tempo! 
Nunca perdi nesta modalidade aérea e pouco palpável, quanto mais não fosse com o golpe baixo de obrigar o adversário a render-se, pelo alto teor de intoxicação no recinto do amor, ao qual sou imune, baixando os meus níveis olfativos para criatura dos mares!
O moço incomoda-se muito com cheiro que não venha das suas entranhas, é natural a mim acontece-me o mesmo, ao ponto de muitas vezes questionar se não terei comido botões de rosas a mais? Digo-lhe sempre que não havendo bela sem senão, posso ser uma doninha fedorenta mas sou bonitinha, bem acabada, organizada, cozinheira desenrascada e em tempos até soube tricotar, fazer renda e coser à máquina e à mão!
Ainda hoje mantenho uma performance invejável que penso me acompanhará até ao fim dos meus dias, com tendência a refinar! Tenho no entanto que redobrar o cuidado com os que incontrolavelmente possam vir de pantufas acompanhados de molho!
19
Jul20

Sem título não é título

Rita Pirolita
Porque fazem os artistas questão de pelo menos ter uma obra sem título, às vezes quase todas?

Edite um escritor um livro sem nome, de folhas em branco e lance uma nova agenda sem tempo, semanas ou meses, memos ou contactos de telefone para arrumar no devido sítio, por ordenzinha alfabética, andará tudo a dançar ao Deus dará, dentro de folhas feitas de lixo reciclado, cor moca desmaiada, sem marcas de orientação, que a vida já está tão pautada e desorganizada que uma agenda não salva a arrumação dos momentos, reuniões ou encontros marcados com tanta antecedência, que fazem cair a avidez do momento, em chegado se esquece, desmarca ou destrói.

Para que fazem então questão os artistas de arte não escrita, em não pôr nomes nas suas criaçõezinhas, para não coisificar? 

A plebe que admira ou se faz entendida e engole a borrada ou até gostava de saber o que sentiu o famosinho ao fazer aquilo que fez. 

Será que os autores da cagada pensam que a obra é tão boa que fala por si ou a imaginação é tão árida que nem eles sabem o que chamar à desideia? 

Pois não, senhores artistas pomposos a maioria das obras a que não põem título parecem arlequins tresloucados, não transmitem nada a não ser vazio de ideias e intenções, não mostram atitude nem criam reacção!

É preciso ser muito bom para fazer uma obra de arte falar e viver por si fora do regaço do criador! 

Dediquem-se ao giz e não se deixem encantar por pozinhos de perlim-pim-pim!
18
Jul20

Curar a dor

Rita Pirolita
Porque achamos que nunca mais vamos amar depois de uma queda, em vez de acreditarmos em gostar mais e melhor da próxima vez? 

O amor mais nobre não é a paixão mais forte, são todas as loucuras a que nos entregamos para curar a dor dos desencontros!
15
Jul20

As desculpas que inventamos

Rita Pirolita
É tão mais fácil disfarçar a falta de jeito para desencontros e evitar chatices nas relações através do virtual. 
Nunca o convívio foi tão interessante de enfadonho e irresponsável. 
Como solitária que sou, agradeço o descanso, protecção e limpeza da distância!
Adoro esta troca de ideias sem o incómodo de aturar gente que não gosto, não sou daquelas que usa e vem para aqui queixar-se que sente falta do convívio face to face! 
Sou solitária e adoro ser assim, sinto-me saudável e o certo é que a proximidade imposta me põe doente! 
A maioria usa as relações para cobrar, não para se libertar, interiorizou-se o discurso de ter amigos, família e fazer esforço por ser social e agradar, há dificuldade em compreender ou não se quer, anda-se iludido pela obrigação de nos darmos todos bem e gostarmos uns dos outros e assim estaremos protegidos e seremos humanos mais bondosos e comunicativos, prontos a ajudar!
O virtual é o que fazemos dele, eu aproveito o melhor que me serve, só existe porque o criamos, não é uma entidade que nos afasta uns dos outros! 
Se calhar temos que reconhecer que o futuro das relações vai mudar muito e isso não tem que ser mau ou bom, é o que merecemos por aquilo que fazemos!
As pessoas isolam-se com a dependência exagerada das redes sociais porque deixam de ter interesse ou medo da vida real e assim perdem a capacidade de se relacionar intimamente! 
No fundo são sempre elas que fazem escolhas de se deixar dominar ou não!
Nas mentes limitadas só existem dois tipos de vidas que têm que ser forçosamente sociais e notadas, a vida real com pessoas de merda ou a vida virtual com as mesmas pessoas de merda, ninguém quer estar no anonimato, todos querem ter o seu quinhão de importância num mundo cada vez mais baralhado e aqueles que não encaixam nisto são excluídos do tal meio que vive sob o falso baluarte da inclusão!
Preocupar-me-ia se não tivesse já sítios para onde fugir, até lá vou aproveitar e não perder tempo com queixumes ou a viciar-me em coisas dispensáveis e que nem são a única coisa que vislumbro como burro com palas!
 

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