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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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15
Jul20

Chef José Avillez - O melhor do mundo

Rita Pirolita
Assisti a uma entrevista ao recente eleito melhor Chef do mundo, José Avillez. 
Antes de começar a vomitar frases sem parar, não por indigestão, deixo aqui um curto reparo.
Estão a ver o jornalista Vítor Gonçalves que apresenta o programa na RTP, Grande Entrevista?...Não presta, por favor ponham-no de baixa prolongada, não importa se por depressão ou por lhe partirem as perninhas mas tirem-no da tela! 
Nesta entrevista fez perguntas em tom humilhante de galhofa, a um Chef que por mais mau que fosse não merecia e afinal só ali ia falar de comida, assunto que reune muito consenso, nem que seja pelo facto de todos gostarmos de comer por gosto e prazer e acima de tudo para nos mantermos vivos!
Não sei se vai surtir efeito mas fica o pedido para afastamento vitalício!
Ora bem, vamos lá falar de comida, um assunto de bom gosto que domina e muito bem, os dias dos portugueses. 
Enquanto almoçamos já estamos a falar do jantar que se segue, mesmo sem a firme garantia que não estamos livres de sofrer um ataque cardíaco ou uma diarreia tal que nos leve por tanta alarvice, a meio da tarde, lá mais pela hora do lanche, que não será de chazinho e scones!
O Chef falou de reduções, geis de coentros, gelatinas, cozinha molecular com o seu nitrogénio liquido que nos põe a fumegar que nem dragões, tudo apresentado em pratos enormes e quantidades mínimas e concentradas, disse ele. 
Não é uma comida de encher bandulho, num restaurante com nome terminado em 'ia', não querem alarves a palitar dentes, a arrotar e a ameaçar bufa de pantufas com o rabo de lado na cadeira, onde se paga mais de uma centena de euros para se tanto, se darem 6 garfadas de provas. 
A propósito de nomes que terminam sempre em 'ia', a última inauguração do Chef Avillez é uma Pitaria, que no norte seria uma churrasqueira, já que por lá se chama pito ao frango. 
Continuando, esta é uma cozinha de suposições e sugestões, em que o cozido à portuguesa por exemplo, alegadamente deveria conter enchidos mas só a couve que foi cozida juntamente com as carnes lhe leva o aroma entranhado a fumado, para depois se servirem apenas duas folhas de legumes com umas nozes de gordura de porco que diz ele, se desfazem na boca. 
O que fazem às carnes que cozeram? Não foram servidas e só aproveitaram a couve e o molho para dar a comer aos pacóvios que se acham finos! 
Comida tão pouca que nem faz lastro para cagar, paga-se uma aguinha com couves a boiar e o cozinheiro e os ajudantes levam o precioso conduto para casa em tupperwares?
As flores são comestíveis, eu sei mas põem-nas nos pratos para a pessoa ficar com tanta pena de as comer de tão lindas que são? Paga-se para fazer dieta não comendo a sobremesa? 
O que menos engorda nos pratos são as flores está visto, por isso por mais lindas que sejam para quem está de regime, são a única coisa que se deveria comer durante uma semana inteira, era ver as obcecadas com a linha a pastar em canteiros pelos ajardinados recantos deste país!
O Chef falou também no lagostim que é mostrado a cores e ao vivo à mesa do cliente, regressa à cozinha e passados 5 minutos está no prato de pernil esticado, pronto a ser devorado. 
Se pensarem em provar a frescura de todos os pratos que servem, começam a levar vacas e veados até à mesa dos clientes e depois tiram um bife à pressa nas traseiras? 
Levam vasos e vasinhos com as plantas aromáticas ou vazões com abacateiros, mangueiras, oliveiras ou videiras para apresentar a carta de vinhos?
Podemos parar por aqui porque já me embrenhei demais nesta selva e não estou para me alongar a falar de coisas que não me dizem respeito, só ao Chef que faz muito dinheiro com a redução reduzida de alimento e fome dos clientes, bem convencidos que comeram uma refeição concentrada, uma injecção de puro prazer para os sentidos, um momento de deleite, uma explosãozinha de sabores, uma degustação dos deuses...blá, blá, blá. 
Só vos digo que enquanto escrevia este texto fui dando umas colheradas numa sopa feita por mim, daquelas à moda do norte, de pôr a colher em pé, com couve galega, grão e massa, estou aqui que nem posso consolada até às orelhas e o efeito já se está a fazer sentir no buraco baixo deste meu corpinho. 
Por isso vos deixo, já não aguento o cheiro que me envolve, vou só ali morrer gazeada!

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