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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Jul20

Golpe mortal da viúva negra

Rita Pirolita
Leiam com a atenção que merece, mais abaixo já comento! 
Juro que não vou começar a fazer leituras de aura, cartas de Tarot, bolas de cristal, búzios, borras de café, xixi ou cocó!...
 
Lua cheia em Virgem em 2-3.
A consciência mais profunda não está condicionada pela experiência do mundo. Mercúrio, regente de Virgem diz que escolhas bem as tuas batalhas. Faz-te amigo do desconforto e aceita o processo. Nao julgues o mensageiro, atenta na mensagem. Conserva a tua energia. Escuta-te. Muitos falam de amor pouco o vivenciam. Stellium em Peixes ♓︎, Daemon! Mas primeiro o que não é amor. Não é romance, fixação, apego. Um condicionamento primitivo da natureza humana. Permite-te receber. Parece fácil. Sim!?
 
Como te sentes? Um grande trigono de terra: Lua em Virgem, Saturno em Capricórnio e Pallas Athena em Touro; pelo corpo se trata mente e espírito. O poder está no agora. O tempo é radial. Fica aí. Sê pratico. Recorda o teu poder. Curar as memórias do planeta. O Amor emana do conhecimento. Florescer. Não vive nas palavras, mas conduz-te, não depende do outro, porém expande-se ao outro, pois esse é o estado energético de compreensão plena. Não habita na núvem mística. Mas na expansão do Universo, onde a Natureza vive, predatória, misteriosa e insondável. Ao curarmos memórias, curamos a Terra e todos os nossos ancestrais. Não se pode entender, mas pode-se sentir. ♏︎🔺♓︎. Sonhar é o acto de mudar o ponto de ligação com o mar escuro da consciência. É a entrada para outros mundos da percepção. Vénus, Estrela da noite. Amor, alegria, beleza e prazer. Pela acção, a vontade. O Infinito escolhe. Sente esse magnetismo. No cosmos, o silêncio. Sigo por caminhos inexplicáveis, que não podem ser entendidos, apenas praticados. “Não nos damos conta de que podemos cortar qualquer coisa de nossas vidas, a qualquer momento, num piscar de olhos.” O máximo é ter o céu como livro aberto a ser lido. O mínimo é ler uma página por dia. 
Magia é saber fluir
Intuição e sensualidade
Guiados por um amor maior
Unos com os desígnios do Infinito 
Encantamento, aqui, agora, sempre
Lembro, vida é continuidade. 
Todos somos aprendizes. No caminho para verdadeiros magos.
Recorda...Deixa a tua luz brilhar 
 
Lua nova em Aquário em 15-2.
Novos começos envolverão uma entrega clara, surpreendente. Fazemos parte de um sistema maior. Júpiter quadra o eclipse. Obtém todos os factos, provas e não concordes com o que não te for confortável. Urano sextil Sol-Lua. Ser desapegado significa não colocar a vida, a felicidade, na dependência de outra pessoa. Se amas o outro mais do que a ti mesmo, estás a um passo da infelicidade. Há tantas dimensões. Realidades paralelas. Para fluir com o Espírito, é preciso ser um canal e estar vazio. A chave é sentir. E a partir daí tudo se organiza. Com Urano e Aquário envolvidos tudo se torna imprevisível. É no DNA de Aquário, que a possibilidade reside.

No que pensas, assim te tornas.
A 17-2, Sol e Mercúrio farão uma conjunção superior. Uma culminação, resposta, decisão ou declaração. Um momento de clareza. Tudo o que precisas saber estará à tua frente.
Vénus vespertina em Peixes. A pessoa vibra naquilo que precisa expandir. Daí a necessidade de nos conectarmos com outras pessoas. A nossa identidade torna-se uma identidade compartilhada. O nosso eu superior não é um só indivíduo. Eclipse solar. Que importa onde vou, se não sei de onde venho?
"Existem dois tipos de riscos: Aqueles que não podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que não podemos nos dar ao luxo de não correr."
Trata-se da necessidade mais profunda da alma. Não procuro respostas. Procuro experiências porque, quando vivemos a experiência, vivemos a resposta, numa evolucão crescente. 
No símbolo Chandra para 28º♒︎:
Um tear. Uma tapeçaria inacabada. O processo cármico restringe o eu, e determina o que deve acontecer. Um trabalho sobre ti, muito forte, que exige autodisciplina está em andamento há muito tempo. Deve ser retomado, levado adiante, não importa o que custe. Há deveres a cumprir, faz o que tens a fazer. Se não tem coração, o trabalho torna-se mecânico. O dilema em cruzamentos recorrentes: ficar com o que foi criado ou introduzir inovações. Quaisquer inovações são também desafios. Mas sem eles, não há evolução. Estamos a ser impulsionados para um destino maior, para honrar todos os acordos kármicos, aprimorá-los, trazendo à prática uma disposição atenta. Para surpreendermo-nos, encontrar coisas desconhecidas. Tudo está começando agora, com paixão real.
Atenção, tudo é perigoso, tudo é divino e maravilhoso...
🌙♒️
 
Lua cheia em Leão em 31-1.
Eclipse total da Lua. Nodo Norte conjunto à Lua. Aquilo que me seduz é também o mais me pode desiludir. Quando? Sempre que activamos a projecção da crença da perfeição, de não nos bastarmos por nós mesmos, de o outro ser o complemento. Espelhos da Matrix. Lua oposta a Vénus! Como? Não tomes nada pessoalmente. Hora de crescer. Vence o medo. Do outro. Da rejeição, de te mostrares como és, de seres aceite, de conhecerem as tuas fraquezas, de te magoares, de não seres bom. Padrões e mais padrões. Urano descondiciona. Um raio de luz! O medo do apego, da intimidade, e sobertudo o medo de ser feliz! Recalibra. Eleva a frequência. Uma sensação de vitalidade, clareza, gratidão e atenção plena, frescura, desponta com essa alteração da configuração energética. As fibras luminosas ficam mais fortes, brilhantes. 
E as coisas resplandecem quando estão onde devem estar!
Mantém-te constante. 
Leão rege o coração. Marte ♐︎ mútua recepção com Júpiter ♏︎. Curar em amor. As coisas têm o SIGNIFICADO que lhes atribues. Abundância é um processo de deixar ir; só o que está vazio pode receber. A essência do amor sagrado. O colectivo ressoa os ecos de todos nós. O segredo é aproximar o coração de um outro para conversarem no silêncio... que dá descanso à palavra.
Onde tudo é dito.
Feliz Lua Azul!🐬💎

São estes textos, exemplo de muitos transcritos ou mesmo copiados por alguém que deixei de ver há uns anos atrás porque emigrei, descobrindo a sua renovada existência nas redes sociais. 
Karma ou coincidência infeliz? 
Dúvido muito da original autoria destes autênticos 'relatórios', pois sendo a pessoa portuguesa e até na posse de canudo, nem se deu ao trabalho de corrigir expressões que não soam familiares e algumas são mesmo características de um português-brasileiro, ou fruto de uma tradução mal feita de outra qualquer língua! 
A não ser que seja uma linguagem só para eleitos iluminados, tão especial e avançada que o comum dos mortais, burros ou pouco eruditos como eu, não consiguem entender!?
À parte este pormenor na escrita, a pessoa em questão, do sexo feminino, mais ou menos da minha idade, andou comigo na escola e saímos algumas vezes juntas, conviveu comigo o suficiente  para que me desse conta de uma alma chata e chateada com a vida, que forçava relacionamentos numa base muito calculista e programada, na procura de estatuto social e riqueza material, muita, tinha que ser tanta que se visse e até transpirasse. 
Apenas me procurava quando tinha que resolver desavenças com namorados que queriam acabar com a relação que ela queria manter, um pelo menos sei que desapareceu sem deixar rasto ou hipótese nenhuma de o perseguirem, tanto que mudou de número de telemóvel, estava ela numa cama de hospital com tuberculose por causa das dietas malucas que andava a fazer. 
Chorava que nem Madalena desgraçada à procura de consolo ou quando estava só e entediada entre relações, passava a vida no centro comercial a fazer poucas compras mas a apalpar muito tecido, debaixo de uma forretice atroz, com uma pobretanas como eu a reboque a fazer de dama de companhia. 
Seria uma pessoa pelo que me apercebi de que todos se queriam livrar, quando em vez de se divertir a conhecer e descobrir gente nova e gira, queria comprometimento sério de casamento marcado mas nunca sem descorar a parte material, ela que era filha como eu, de simples operários fabris da Margem Sul, quase sempre comunistas e que viviam em bairros muito modestos, degradados ou mesmo pobres!
Não condeno ninguém que seja possidónio, beto, pato-bravo, novo rico, burguês...ao ponto de querer subir e pertencer à aristocracia, mesmo que não tenha apelido de família, muito menos lhe corra sangue azul nas veias ou tenha corpinho de ócio.
Ter uma profissão é uma humilhação para quem é realmente privilegiado, filho de gente que não se lembra de geração nenhuma ter trabalhado para sobreviver!
Conseguir tirar um curso para quem ainda não está no topo da hierarquia de classes é uma grande conquista para o próprio mas alvo de gozo por quem vive de heranças!
Voltando à personagem em foco!
Fazer-se valer de textos confusos armada em astróloga de livros de bolso ou revista Maria, não abona em nada uma alma perdida e fria que esconde um pensamento lógico maquinal, próprio de formação cientifica mas que se quer mostrar eclética, esotérica, bondosa e a espalhar 'paz catra paz' pelo mundo...
Não me parece nada natural e sim algo muuuuuuuito forçado ou mudança radical resultante de desgosto amoroso tão grande que mais parece assistente da Alexandra Solnado ou que escreve em parceria com o Gustavo Santos, maravilhosos livros de auto-desajuda, cheios de lugares comuns e frases plagiadas, 300 páginas a cagar em circulo mas em mil posições diferentes!...
Pretendem dizer este mundo e o outro mas nada dizem para não correr o risco de se contradizerem, darem um nó na língua, meterem os pés pelas mãos...
Tão empenhados que estão em disfarçar a tremenda aldrabice, torná-la numa verdade única, universal, incontornável e incontestável, ao ponto de já nem saberem o que pensam sobre o que escrevem ou o que escrevem sobre o que pensam!
Eu até sou capaz de acreditar que as pessoas queiram mudar, estão no direito e liberdade de o fazer mas que lhes baste apenas mostrar que parece que mudaram ou que são completamente diferentes daquilo que outros verdadeiramente conhecem mas nas redes sociais podem encobrir e disfarçar com facilidade, já vejo isso como congeminação maquiavélica, válida no entanto e perfeitamente justificada pelo menos para quem a constrói mas que parece teia elaborada demais, só para atrair elogios e no fim dar o golpe mortal da viúva negra!
Digam lá se não faço a minha sorte em não conservar amigos que nunca considerei ou não manter contacto com conhecidos que mais valia não ter conhecido ou algum dia voltar a encontrar?...
14
Jul20

Tudo igual

Rita Pirolita
Se me fizerem a mais que gasta pergunta, onde estavas no 25 de Abril de 74? 

Eu respondo que apesar de um par de anos por essa altura me lembro da minha mãe feita barata tonta a arrepiar sapatos no soalho de tacos grossos, alguns levantados, rádio ligado a medo e logo desligado a seguir, vezes sem conta por receio que a revolta entrasse à boleia das ondas hertzianas. O meu pai agarrado à nicotina a ressacar por falta de SGFiltro, a pensar ir a Cacilhas comprar tabaco por que tudo tinha fechado e Cacilhas era o buraco mais sujo que garantidamente estaria aberto mesmo em dia de revoluções irrepetíveis.

Eu devia andar por ali a cirandar e de vez em quando lá a minha mãe me agarrava que não sabendo o que pensar de tal situação muito menos saberia o que fazer com mais uma à sua responsabilidade, ainda sem idade para entender a revolução iria ser sua filha forçada, parida no Estado Novo e abandonada aos que destruiam, não comiam nem deixavam comer, fugidos os ricos voltaram depois da Reforma Agrária para pegar no poder que deixaram em suspenso.

De uma pobreza extrema como ervas daninhas cresciam num jardim inculto crianças ranhosas, agora obrigadas a ir à escola ou literadas à distância de uma inovadora tele-escola!

De divórcios em barda ficou a capital cheia, mini-saias, cabelos oxigenados e fumadoras, licenças de isqueiro para o catano e soutiens para o galheiro. 

Estagnação e miséria continuaram no interior e zonas rurais ali mesmo aos pés da cidade, as viúvas continuariam de negro como as ciganas, até ao fim da vida, as sopeiras sofreram empurrão para casar e se arrumarem com o mais composto e de posses que aparecesse.

Comunistas convictos que viviam sem televisão ou carro a reboque dos comunistas mandatários e capitalistas, a AD e a APU conviviam nas paredes de qualquer bairro, os cartazes dos vários partidos, demais, acumulavam-se em camadas de cola-ranho a pincel, em luta que contínua do povo que jamais será vencido, lado a lado com anúncios de touradas.

Idas a Fátima, por mais sacrifício que se fizesse tirar pão da boca para dar aos santos de pedestal e ao cura ainda respeitado, violador de todas as regras de uma vida com parcimónia teatral, abuso descarado nos prazeres da comezaina e beberrice e mais escondido o salivar por carnes fêmeas e bezerras!

Todos a trabalhar e a reclamar para ganharem tanto como o patrão, greves e sindicatos, cooperativas desfalcadas, políticos oportunistas. 

Que todos tenham direito a pão, saúde e ensino, o trabalho dignifica, não aos escravos do campo que nos dão a comida, cursados em classe média começaram a ter e saber demais, nem todos podem ser ricos, é melhor que sejam mais os pobres, amofinados e controlados, sem casa grande de ostentar, enfiados e arrumados em drogas e quezílias. 

O progresso travado traz libertinagem, falsa liberdade e servilismo.

Deixamos sempre passar tempo demais para nos esquecermos que quase tudo está igual.
22
Fev20

Racismo

Rita Pirolita
O ideal seria vivermos em feliz comunhão e miscigenação, até chegarmos ao ponto de não haver raças distintas e aí arranjaríamos de certeza outras formas de segregação que não fosse por raça, religião, género ou riqueza.
A diferença será aceite quando deixar de existir e formos todos iguais em aspecto e condição, numa monotonia visual de almas deambulantes em ruas esterilizadas em que ninguém é pobre ou rico, preto ou branco, gordo ou magro, triste ou alegre.Estes extremos que não dispensarão um líder mundial, que poderá ser um computador sem dor ou lágrimas reais, são característicos de regimes comunistas, socialistas ou de extrema-direita, nunca típicos da tão proclamada democracia, bandeira hasteada, esfarrapada por tanta intempérie e nunca honrada!
Os portugueses emigrantes dos primeiros tempos em França, não foram viver no meio da lama e dos ratos nos bidonville? Os franceses já lá estavam a ocupar os sítios e trabalhos melhores! 
Os africanos que chegam a Portugal vão viver para bairros da periferia à procura de trabalho, que nem para os que cá estão já existe ou não querem fazer. 
Dos ciganos, que têm fortes raizes nómadas, não se pode esperar que a maioria viva do trabalho ou respeite a ordem e paz social, vitimizam-se e aproveitam os subsídios, sem nunca ter descontado ou contribuído na comunidade para a ajuda que recebem. 
As mulheres, os gays, os deficientes, os pobres...são todos descriminados e há-os pretos, brancos, ciganos e às riscas. As comunidades querem manter os seus costumes, são segregados por não pertencerem ao local que habitam, chegam a reboque de promessas de vida melhor, a fugir da guerra, da fome ou da perseguição, não lhes são dadas oportunidades de luta nem defesa.
A revolta da desigualdade traduz-se em delinquência e agressividade e assim se distanciam e são postos de parte, perdendo o interesse na integração. 
Existem exemplos de existência pacifica controlada, entre comunidades diferentes mas nunca convivência saudável ou mistura de culturas no mesmo local. 
É natural que pessoas do mesmo país ou cidade se agrupem em comunidades e eles próprios exerçam exploração e até humilhação sobre os novos vulneráveis que chegam, em troca de guarida, salários baixos e trabalho precário. 
Ninguém está para ajudar ou se o faz é de forma dura e vingativa para exorcizar o passado do seu próprio início, outrora não facilitado por outros também. Enquanto existirem países que fomentam a existência de coitadinhos, de escravos que limpam a merda dos que os recebem por ordenados baixos, más palavras e maus tratos, tudo em nome da luta de classes, fomentada pelas elites para desviar os olhares da corrupção.
Enquanto a maioria se culpar e roubar a ela própria,  iremos ter sempre bairros da lata, bairros sociais metidos em buracos e distantes dos olhares dos mais ricos e ordem e paz que não serão respeitadas. 
Os pobres são o isco, a origem e o bode expiatório das desgraças do mundo, para gáudio dos ricos.
Lembro-me agora, que cresci com ciganos, pretos e deficientes que naquela idade pequenina, eram apenas seres com quem brincava, andava à porrada, dava a mão e agora já não os tenho, nem sei onde páram mas às vezes recordo-os, para voltar à inocência livre de preconceitos.
Não será isto tudo fruto da vazia complexidade dos adultos que criam problemas e hierarquias de poder e humilhação em vez de simplificar como as crianças e os cães tão bem sabem fazer?

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