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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

07
Ago20

Batman

Rita Pirolita
 
 
Sr. Adam West, com todo o respeito pela sua mortalidade mas porque continuam até hoje a insistir em super-heróis de body de lycra, cueca vestida por cima dos collants e máscara de carnaval?
Sempre me disseram que os heróis deviam andar de cara lavada e dar sempre a cara por boas causas?! 
Se tiver tempo envie esclarecimento para esta comum mortal!
19
Dez19

Miúdas coquetes

Rita Pirolita

Nunca gostei de miúdas coquetes e rapazes mariquinhas, desde a infância até agora, mas olhando para trás só me posso rir e nunca chorar. 
 
Nunca alguém me conseguiu manter uns collants vestidos, davam uma comichão desgraçada nas nádegas ou mesmo uma Thermotebe, estalava tanto da electricidade estática que até deixava os cabelos em pé.

As miúdas picuinhas...tinha que as aturar no horário de aulas, depois metiam-se em casa a brincar com as Barbies e a estudar, enquanto eu cá fora andava entretida à porrada com os ciganos, a jogar ao espeta, ao pião, à carica, a saltar à macaca... 
Dentro do recinto da escola portavamo-nos todos bem e ninguém olhava a etnias, piolhos ou ranho. 
 
Só parava em casa uma tarde inteira, ao terceiro trambolhão que arrancasse mais uma vez a crosta dos joelhos.
12
Set19

Rufias e enconados

Rita Pirolita

Na minha infância e até à adolescência nunca vi ao vivo nenhum autista, hiperactivo ou sobredotado, éramos todos ou rufias ou enconados. 
O meu caso era de tal maneira invulgar que a minha mãe na tentativa frustrada de me vestir umas simples collants grossas de lã, que picavam como a merda e davam comichão nas nádegas, ou só mesmo uma camisola interior toda feitinha de eletricidade estática que até punha os cabelos em pé, desistiu ao fim do primeiro...e último dia. 
Já não tinha de usar saias e era só jardineiras de ganga ou bombazine, galochas e o belo do Kispo.

Os rufias, que davam mais trabalho, não eram logo levados para o psicólogo. Havia uma maneira de resolver as coisas no momento, se estivessem ao pé de adultos...dois chapadões na tromba, se estivessem ao pé de mim era pontapé que até fervia que eu também não me ficava...e já nem chorávamos de tão habituados ao tratamento de choque, passados 10 minutos estávamos a levar outra vez! Aquilo é que era o festim do traz-paz catra-paz. 
Se chorávamos, no segundo a seguir já estávamos a rir e não éramos esquizofrénicos.

Eu tenho cá para comigo que certos comportamentos passam a doenças, quando os médicos e as amigas de merda, se lembram de dar nomes pomposos às coisas e dividem tudo por espécies com pedigree...
Ai, eu sou border line (são aqueles que o médico lhes disse que não têm nada de especial e toda a maluqueira em geral). Ai, que eu sou border collie...Ui, que eu sou dalmata...
Não há paciência!

Passados uns tempos não ouvi falar mais de miúdos sobredotados, os pais descobriram que os filhos não eram assim tão inteligentes e depois fecharam-se em copas para não admitirem que os filhos eram burros que nem uma porta. 

Os hiperactivos mantiveram-se activos até hoje. 
Acho que tenho um pouco disto, sou distraída como a porra, tenho pilhas Duracell e gosto de fazer coisas diferentes a toda a hora. 
Os hiperactivos não gostam é de rotina e saltitam de actividade em actividade. Fazem eles muito bem, não sabem fazer nada em especial e fazem tudo em geral. 

Quanto aos autistas, mais recentes, a coisa já pia mais fininho. Não conheço nenhum caso mas já vi documentários.
Ora bem, parece-me que os autistas são o reflexo de uma geração de pais divorciados, isolados, agarrados ao computador a ver coisas que devem e não devem, sedentários, com extrema dificuldade em manter relações próximas, saudáveis, intimas e duradouras com os outros. 

Embora não exista a certeza se é herditário, genético, social/ambiental ou culpa dos pesticidas, estas pessoas desligaram de um mundo que não lhes interessa, diga-se em abono da verdade nem interessa aos ditos "normais". 

Vivemos em constante alucinação, por isso acho bem que alguns tenham a capacidade de desligar. A mim dava-me um jeitaço!
O autismo parece uma resposta de defesa do individuo à sua integridade/sanidade mental por mais paradoxal que isto seja - parecem malucos a preservar a sua maluqueira e a defenderem-se da loucura dos outros.

Como vamos ensinar estas crianças a serem adultos funcionais? Colocá-los em turmas de ensino especial e andarem sempre no psicólogo? 
Na minha altura era tudo ao mólho como os caracóis, uns devagar iam ao longe, outros acabavam na panela.
Esta é mais uma questão para a qual não tenho resposta mesmo assim aqui fica uma tentativa:

Numa turma os mais inteligentes são forçados a abrandar e descer ao nível dos mais burros, vou chamar as coisas pelos nomes, não vou chamá-los de menos inteligentes e não são deficientes, o contrário não acontece, dá muito trabalho estimular os mais lentos e preguiçosos, é muito difícil fazer de um burro esperto, por outro lado um esperto nunca será burro tal como um inteligente não saberá ser esperto e um esperto nunca será um génio.
" Ninguém gosta de andar de cavalo para burro" e o que eu gosto dos jumentos, que não são nada burros, são é teimosos como a porra mas isto desanima, até se perde a vontade de continuar a ser inteligente.

Se tem vontade de matar e violar, entregue-se já à policia ou feche-se num quarto e espere que passe, se não "don't worry, be happy". 
De médicos e de loucos todos nós temos um pouco mas também não precisam de se orgulhar tanto por ter filhos índigo...eu gosto mais de turquesa.

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