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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

18
Dez19

Mistura bombástica

Rita Pirolita

A mistura encapotada e falsa de culturas e classes sociais diferentes no mesmo espaço, foi sempre apanágio de grandes cidades em países ricos, que se querem mostrar inclusivos e civilizados, quando em países pobres essa separação é descaradamente propositada. 

As classes são falsamente criadas pelas elites, para distrair da escravização, domínio e controlo pela ignorância, com degladiações e falsas lutas por melhores condições que nunca serão alcançadas.

A pobreza e dependência económicas dos mais desfavorecidos, é criada pelo próprio poder instalado para controlo de actos e ideias de uma forma barata, traduzida em subsídios  que fazem o favor de manter a pobreza sem morte por abandono completo, pela qual o estado não quer ser responsabilizado nem pode ser culpado.

Ajudas poucas, o suficiente para não deixar morrer mas também não deixar mudar a condição social, tudo acompanhado neste melting pot de abandono escolar, pouco interesse com o que se passa fora do bairro, e criação de algumas iniciativas que funcionam numa área muito restrita da comunidade e que o poder local vende como sendo o caminho para uma vida melhor.

É pura ilusão mas tem que se dar ao povo pão e circo, fazê-lo acreditar que só disso deve viver. Se viverem com pouco também não podem pedir nem ansiar por muito.  

Enquanto populações desfavorecidas viverem de subsídios do estado, irão sempre ter a atitude e pensamento de reclamar  e se aproveitar de direitos sem cumprir deveres, as classes massacradas pelos impostos sentem-se mais responsáveis por preservar os espaços que ajudaram a pagar.
Diferentes culturas e costumes nunca convivem pacificamente, principalmente quando a tentativa de mistura é vista no seio de cada grupo como ameaça à sua identidade e costumes, respondendo a essa inclusão forçada com violência, destruição, revolta e consequente marginalidade. 

Cada bairro ou comunidade, podia ser visto e sentido como um jardim, que tem que ser cuidado com orgulho e concorrente com vizinhos igualmente bons.

Os resultados nesta área ao longo dos tempos, são a prova de atropelos atrozes à identidade pessoal e comunitária mas os estudiosos de algibeira, continuam a insistir na mistura bombástica dos outros mas bem longe deles, porque ganham bem, saem cedo e moram na Lapa!

01
Jul19

Gostava de ter uma vida simples mas sai muito caro

Rita Pirolita

Cada um vive com a felicidade que conhece.
Os nossos pais cometeram erros crassos, como por exemplo ,só começar a gozar a vida depois da reforma.

Têm sorte se chegarem aos 65 anos e ainda mais sorte se lá chegarem sem se cagarem todos ao piscar um olho. 

Apercebem-se do erro que fizeram, é tarde demais para remediar, por vergonha fecham-se em copas e incutem o mesmo caminho errante aos filhos. 
Transformam-se em velhos amargos, querem dizer num dia tudo o que a época salazarenta abafou.
Fazem-nos sentir culpados e ignorantes por termos nascido 20 anos depois deles.

Verdade seja dita, não aproveitamos a liberdade de expressão, não sabemos falar e escrevemos ainda pior, passamos os dias a inventar desculpas incríveis para os atrasos ou ausências nos encontros. No tempo dos telefones fixos não tínhamos que puxar tanto pela imaginação, bastava não aparecer e tínhamos dias para inventar uma boa desculpa.

Todos protestamos, todos queremos mais, todos batemos com os burros na água. 
Respeitosos rezingões, agradeçam o facto de terem família, eu não tenho filhos e tive que emigrar! 

Pagas só por existires, se não pagares sobrevives na miséria:
Por inveja do bem estar dos outros, frustração e vingança dizem que temos que aprender errando, neste caso trata-se do erro de uma vida. 
Podiam dar uma grande ajuda se nos pusessem mais à frente na linha de partida, iríamos mais longe de certeza. 

O carácter não faz a diferença, o poder sim:
Que ninguém se queixe, já todos metemos cunhas e tentamos esquivar-nos a pagar um qualquer imposto só para poupar meia dúzia de patacos, os políticos fazem o mesmo, com a diferença que têm mais poder e mais dinheiro para distribuir pelos amigos. 

Os pobres querem ser ricos, os ricos sem eles seriam pobres:
Os pais precipitam o nosso percurso académico para o abismo dos cursos superiores, para colmatarem as suas frustrações de não terem dado nada na escola ou simplesmente por não lhes ter sido dada oportunidade e dinheiro suficientes, fazem-no também para provarem, quais novos ricos, que podem ascender a uma classe mais alta.

A liberdade física não existe, podes voar em pensamento mas ninguém vive de ideias:
Os de cima impedem a ascensão e escalada da classe abaixo, desta luta resultam filhos frustrados que não arranjam trabalho, a frustração é proporcional aos anos que passaram a queimar pestanas, os que apenas fizeram o secundário ou tiraram um curso profissional não sofrem tanto e vão com menos dificuldade para trás de uma caixa registadora de uma qualquer superfície comercial.

Tenho pena que os mais velhos e supostamente mais experientes, apenas nos deixem duas tristes certezas - morrer e pagar impostos!

Porra para a sabedoria, vem quando não precisamos dela!

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