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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Jul20

MORANGOS

Rita Pirolita
Os meus favoritos, simples, sem nada a fantasiar, tatuados que estão numa perna, a outra poderia levar com cerejas em homenagem à mãe que tanto as adorava.  

Esta fruta pantone-luso, cor-paixão com verde em cocuruto, flor branca delicada, pés ramificados que se espalham e invadem gentilmente a terra num tapete verde de folha recortadinha, salpicado por pequenos corações vermelhuscos, brilhantes, apanhados no minuto antes de estarem muito bons para que não corram o risco de devoração por bicharada. 

Não percebo o chantilly, açucar, chocolate negro ou branco ou champagne...Para disfarçar o quê? Para enriquecer o já ouro?

Exige-se que se desfaçam na boca num doce-amargo de emagrecer e limpeza de toxinas, restam depois pequenas grainhas que nos vêm entre dentes num esmagar de semente de papoila.

Esta é a minha homenagem, a vós MORANGOS, gostava tanto que soubessem ler, talvez consigam ouvir...PARA MIM SÃO OS MELHORES DO MUNDO!
16
Nov19

Contos da Estrelinha Serigaita - Natal

Rita Pirolita
Lembro-me da vida desde os meus 3 anos, dizem que é raro, mas comigo passou-se.
 
Noite de Natal a aproximar-se, a árvore já está a um canto da sala faz um mês, pequenino pinheiro verdadeiro, de agulhas mormas, na altura não havia árvores artificiais e se houvesse, seria fora do país e custariam os olhos da cara.
 
Os enfeites têm uma mistura Kitch, pobre e pirosa preenchida com pequenos chocolates ocos da Regina, embrulhados em pratas, que contornam o feitio do animal impresso, o Pai Natal é o animal maior, seguido das renas e dos coelhos da Páscoa, que convivem antecipadamente na época que não lhes pertence. 
 
Fazendo uso da minha veia artística, que me dá delicadeza de mãos e agilidade de pianista, sem ninguém dar conta, consigo retirar o doce chocolate de dentro da prata, deixando a mesma ainda pendurada por um fiozinho brilhante, ficando intacta na sua forma, devoro o chocolate como recompensa da minha proeza, rapidamente na eminência de ser apanhada e assim vou depenando a árvore de conteúdo mas não de aparência, que se mantém imaculada como o inocente menino Jesus, nas palhas deitado. 
 
Só sou descoberta quando alguém quer ir comer um chocolatinho da árvore, na proximidade da noite do ressuscitado e amachuca a prata ao tentar apanhar algo lá dentro. 
 
Ninguém me acusa de boca mas todos olham para mim...
A risada foi total na primeira vez que fui descoberta, nunca mais voltei a fazê-lo, tudo tinha perdido a piada e a adrenalina tinha desaparecido.
Eu que nem aprecio chocolate, aqueles foram os que melhor me souberam, comidos debaixo da árvore, como os figos melhor sabem também mas que eu igualmente não aprecio...coisas que me dizem!   

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