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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Não gosto

Rita Pirolita
Não gosto de pés nem que gostem dos meus, de tão magros parece que têm ossos a mais, são perfeitos para figurações em morgues.
Andar de bicicleta? Só para pélvis masoquistas, fico toda assada, parece que fui para a cama com um elefante.
Maminhas de silicone?...Nenhum cirurgião me vai tirar o prazer de dormir à frango de churrasco de peito virado para o colchão.
Detesto usar saltos altos, mas tenho um par para emergências que espero nunca surjam na minha vida tais como casamentos, batizados ou funerais chiques, já que não me convidam para os casamentos chiques, sempre posso confirmar que essa gente também morre e não preciso de convite.
Não gosto de ver fotos e vídeos meus nem ouvir a minha voz, tudo é mais bonito que a dura realidade, ângulos e expressões patéticas, dentes amarelos e rugas que não reconhecemos nem queremos ver, mas os outros levam com isso todos os dias, é para não andarmos tão convencidas da figura triste que fazemos.
Já para não falar nas fotos do cartão de cidadão ou do passaporte, não podes mostrar os dentes e não deves ir muito maquilhada...eu não matei ninguém para ter aquele ar de presidiária.
Sempre desconfiei de testes psico-técnicos, tinha bons resultados para empregos de contabilidade, quando não sou barra, detesto matemática e sou mais ligada às artes.
Há muitas outras coisas de que não gosto às vezes nem de mim própria!
25
Jul20

Sabrina da Vileda

Rita Pirolita
Lembram-se da Sabrina da Vileda? Constituída por um sistema rudimentar de escovinhas que se movimentavam com a deslocação do engenho, para trás e para a frente? Aquilo resultava, não digo que não mas irritava-me o som das roldanas a chupar o lixo todinho e a posterior limpeza também não era agradável, já que tinha que se olhar para o compartimento de recolha do lixo quanto mais não fosse para conferir se estava suficientemente cheio para ser despejado...ele era migalhas, botões, berlindes, alfinetes...tudo envolvido numa rodilha de cabelos e pintelhos. Kanoije! 
Havia também uma versão mini que era usada sobretudo pelos empregados de mesa que serviam nos casamentos, um chupa-migalhas de mão que não deixava cair nada para o chão, poupando trabalho a quem fosse limpar a tijoleira ou alcatifa e para os convidados não irem para casa com migalhas ou grainhas enterradas na sola dos sapatos! 

22
Jul20

Sonho morto

Rita Pirolita
Porque se compara o amor a um jogo de sorte ou azar, merecido na presença ou castigador na ausência, porque se preferem pessoas que gostem mais dos outros que delas próprias, porque se quer mudar o outro à nossa imagem sem nunca admitir, porque se têm ciúmes e inseguranças, porque falamos em liberdade de expressão mas a opinião dos outros nunca é considerada, porque gostamos e odiamos tudo à distância e ao perto só desprezamos ou somos indiferentes a nunca assumir carinho e amor, porque nos queremos prender em contratos de casas, casamentos e carros e passamos a vida a querer escapar e ser livres? 
Queremos estar arrumados em prateleiras, embora arejadas mas no lugar do dever expectável e cumprido?
Porque fazemos uma coisa, dizemos outra e passamos a vida a sonhar com uma terceira que podia ser as duas primeiras?
Matamos o sonho à nascença porque vivemos uma realidade desencantada por nós também! 
18
Jul20

Sou bicho-do-mato

Rita Pirolita
Sou um bicho-do-mato, não gosto de ir ou permanecer em casa de outros, é sempre um grande constrangimento não deixar de aceitar convites para jantar ou tomar um simples café só para não passar por malcriada e não ser desagradável para quem me convida com boa vontade.
Depois de chegar aos locais fico mais serena, até sou capaz de me distrair se a conversa for boa, como eu adoro uma boa discussão como já há poucas e poucas pessoas para as ter, mas estou sempre a pensar na hora de me esquivar e quando regresso a casa respiro de alívio por estar de volta à toca da minha floresta. 
Não fiquem com a ideia errada, não me importo nada e até gosto que me visitem mas ir eu à casa dos outros? Não gosto de sentir que invado espaços, no meu permaneço descontraída, a comida cai melhor e não fico com tantos gases! Também vos acontece? 
E nos casamentos e festas do género? Vejo tanta comida misturada que nem me apetece começar por lado nenhum!
15
Jul20

Mulherio

Rita Pirolita
Eu não simpatizo nada com mulheres que acham que só por serem mulheres têm direito a ser mulheres...eu explico.

Quantas mulheres se casam ou namoram com um olho no burro e outro na riqueza do cigano?

Quantas entram em ciclos de ciúme desgastante com ex e sogras, uma disputa de posto por quem consegue atrair mais atenção do homem conquistado, quantos homens gozam com essa penosa demonstração de amor viciado à partida, que se esgadanha por atenção, alimentada com prendinhas e beijinhos.

Homens possuídos pelas mães e controlados pelas esposas! 

Em fase de namoro as mulheres submissas deitam garras de fora quando sentem o homem preso o suficiente, com filhos ou uma casa para pagar, o homem atulhado de solicitações, satura-se, procura aventura e liberdade, as mulheres fartas de uma vida monótona fazem o mesmo!

Já tive todo o tipo de futuras sogras e respectivos futuros companheiros, nunca entrei em campos de batalha de areias movediças, quando a mãe domina a cria e esta deixa, as pretendentes espertas abandonam o barco por causa da mãe e abdicam da cria que está visto, não merece a pena manter, vai ser uma criançola a vida toda, cheia de taras, vingativo porque detesta ser tão dependente da mãe mas não consegue evitar, os homossexuais estão mais a salvo, os namorados nunca são concorrência directa às mães!

Posto isto podíamos ser normais e amar descontraidamente sem precisar de jantares oferecidos em troca de uma queca, que essa mesma queca até possa acontecer antes do jantar, sem que condene a continuação da relação, que tudo seja menos sério e enfadonho sem projecções de casamentos de sonho e 1 ou 2 filhos, de quem os sogros tomem conta para não gastar o dinheiro que não se tem em infantários, que os avós mimem os netos de tal forma que criam monstros que pensam que em adultos têm todo o direito a ser tratados como reis e rainhas de castelos suburbanos e reinos perdidos. 

Já ninguém fica encalhado, é tão fácil arranjar companhia, já o relacionamento de uma vida está reservado àqueles que sabem descontrair e deixar que a vida dê, não o que achamos que merecemos mas na maioria das vezes o que precisamos e alguns precisam de coisas boas talvez por saberem os caminhos que se cruzam com elas!

Eu só não gosto do mulherio que só se dizem mulheres por terem uma cona que define o seu poder!

Estas mulheres existem e há homens para gostar delas.

Eu gosto de mulheres que não andam cá para chatear nem homens nem mulheres!

Pensavam que ia falar de assuntos quentes como o feminismo "contemporâneo", os direitos das mulheres, a violência, o assédio?...

Nem tão pouco escrevi a palavra amor neste texto, esse sentimento tão sonhado para nos afastar da nossa pouco merecida existência, quando o amor apenas vagueia entre a terrena razão do cérebro e a selvagem sexualidade, sem quimeras ou contos.

A má coexistência ancestral de humanos cria complicações supérfluas sobre o trivial.

Tinhamos tudo para correr bem...mas não!

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