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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

01
Abr21

Dia das mentiras

Rita Pirolita
'A mente, mente...'
(Guru Guga)
Dizem que todos mentimos, todos os dias, um pouco, muito, aqui e ali...
Estás mais sexy (gorda)
Estás magra demais (quem me dera estar assim)
Estás mais madura (velha)
Descontrai...(és uma chata)
Não posso ir ao teu casamento porque o meu primo de Alhos Vedros faz anos (não tenho dinheiro) 
Ainda não troquei de carro, gosto de linhas vintage (desempregado)
Fiz madeixas para celebrar a primavera (para disfarçar os brancos)
Não sei como aguentas salto alto o dia todo (a invejosa com varizes)
O teu namorado só tem olhos para ti (já o catrapisquei)
O que mais me atrai num homem é o sentido de humor (o interior não interessa)
Agora que tens novo romance já não ligas aos amigos (os ressabiados)
No dia dos namorados vou ao jantar dos encalhados orgulhosos (ando com uma pessoa que tem outra relação e nesse dia não está disponível para mim)
Não posso ir ao jantar mas apareço para um café (estou liso)
Só vou ali tomar um café ao centro comercial (preciso de comprar um trapinho na ZARA)
Só vou dar um saltinho à minha cabeleireira para cortar as pontas (...arranjar os cascos, fazer depilação brasileira e definitiva, fazer madeixas, alisar, brushing, unhas de gel, massagem e tratamento à celulite...)
Dava menos trabalho sermos sinceros mas não tinha tanta piada!
Como diz o 'grande guru' Gustavo Santos 'a mente, mente...' 
24
Out20

Outubro-Outono

Rita Pirolita
O mês de Outubro nos últimos anos tem-nos brindado com um Verão prolongado!
Com Outonos retardados não pensamos tanto no Natal, as castanhas assadas não sabem tão bem, custa decidir acender a lareira sem frio suficiente, as mantas ainda alojam naftalina, o musgo e os cogumelos não se deixam ver, arroz doce e aletria, raia, anho ou cabrito no forno, arroz de barro e batatas à consoada, filhoses gordurosas e Santa Claus seboso, ai que belo entupimento do miocárdio! 
Não fosse o mês do meu aniversário e tivesse eu signo de mandona-déspota, virava o mundo do avesso, punha tudo a viver nos trópicos quentes e húmidos, sem trabalhar nem furacões, os glaciares seriam intocáveis e longe da vista,  o frio nunca tocaria osso ou faria pele de galinha, só nos gorgumilos com uma piña colada, os churrascos de rua seriam imperativos, o surf e a praia, casamento todo o ano!  
09
Ago20

Há por aí MULHERES?

Rita Pirolita
Há por ai gente pouco ou nada susceptível que encare a realidade com nudeza e crueza? Há por aí especialmente mulheres que não sejam violentas, assanhadas, ressabiadas, frustradas e que não andem cegas com o feminismo moderno das Capazes ou Marias malucas do BE? 
Há por aí mulheres que em vez de se armarem em independentes com trabalho no lombo que se farta, dão um berro, um murro na mesa e protestam. Também trabalham além da vida doméstica, recebem menos é certo mas em vez de um homem que as ajude, querem um homem que divida tarefas, já que eles não podem parir um filho ou outro de vez em quando? Há por aí mães sós e desamadas que deixem de educar os filhos em total machismo e mimalhice, em guerra aberta e prejuízo para as mulheres que os vão aturar que se devem dar por muito contentes se eles puserem as próprias peúgas para lavar enquanto elas lavam, limpam, cozinham, dão banho aos miúdos e ainda têm que estar sempre lindas e cheirosas com um ar fresco e fofo nas fuças, de unha arranjada e dieta feita...como sendo tudo dado adquirido da sua condição feminina, como se tivessem nascido com isso agarrado aos genes? Há por aí mulheres que não perdem tempo com movimentos #metoo e em vez de se vitimizarem sabem o que querem e dizem e não andam armadas em coitadinhas de elite caviar que critica o sistema mas vive e é produto dele?
Ponham os olhos nos homens que encaram o dia do casamento como um dia de festa com oportunidade de  se divertirem, estarem com os amigalhaços e passado duas horas andarem sem gravata, de camisa aberta e bêbedos que nem cachos! 
Deixem lá os gays gozar com entusiasmo a novidade do casamento!
Deixem de desejar que de vez em quando vos cresça uma pila para violarem com ódio as mulheres que apenas têm ideias diferentes e não se fazem de coitadinhas a toda a hora. 
Dá trabalho ser diferente por isso não empatem o percurso de outras ou façam perder tempo com frustrações, perseguições e teorias da conspiração, fruto de vidas mimadas. Há por isso por aí mulheres que se preocupem com as verdadeiras violações dos direitos humanos, que queiram caminhar pela diferença ao lado dos homens que merecem, sem os meter a todos no mesmo saco, tal como nós não gostamos que nos façam?!
Há por aí mulheres que não sejam malucas esquizofrénicas como a girafa que namora com o macaco e lhe pede constantemente, beija-me a boca, chupa-me as mamas, beija-me a boca, chupa-me as mamas, que canseira andar para cima e para baixo naquele longo pescoço.
Não queiram por isso ser aquelas que querem tudo ao mesmo tempo, serem galanteadas, seduzidas, no fundo até já querem ser assediadas e não distinguem os limites, porque querem é ter importância para alguém, porque não conseguem estar sós e existir por si, não serem desprezadas, não serem julgadas, terem atenção exclusiva, serem elogiadas, terem os presentes que pedem porque impõem que merecem, serem amadas, não ficarem furiosas por serem feias e ninguém se interessar em conhecer o  vosso interior, nisso têm que ter mais paciência, as mais giras são mais importunadas por toda a merda, têm mais por onde escolher, mais porcaria para aturar e no fim resta-lhes o mesmo que às menos bafejadas pela beleza! 
Adivinhem lá...
Os homens, as crianças, os passarinhos, as árvores também precisam de atenção e amor da vossa parte e podem dizer asneiras de vez em quando, não fica mal na altura certa!
Deixem de admirar vitimas que se vitimizam e deixem de criticar ou ter inveja das vitimas que não se vitimizam e combatem o medo de ser olhadas de lado, por dizerem o que realmente sentem e pensam.
Deixem de pôr as culpas apenas na gaja que vos destruiu a relação, supresa, foi ele que também se meteu com ela e vos pôs os chavelhos, a outra ou sabe e continua ou não sabe e continua.
Deixem de se criticar e julgar pelas unhas de gel e pela peruca que exibem, concentrem-se mais na merda de gajos que muitas vezes escolhem, sim porque também os há que não prestam, a versão masculina das cabras, os cabrões!
Deixem-se lá de mimimis e sejam mulheres, apenas diferentes dos homens, dos dinossauros, das abelhinhas e das florzinhas!...
Mas porra que anda tudo ao mesmo anda, seja lá o que for!
09
Ago20

Casar sem gastar tostão

Rita Pirolita
Quem se está a preparar para dar um passo tão importante na vida como o casamento não deixe de ler este artigo de opinião, será de grande valor acrescentado! 
Para mim casar é como ir ao circo e não gostar de palhaços.
Vou resumir em algumas sentenças sábias o que vi ao longo da vida:
As noivas chegam sempre ao memorável dia a dizer - 'Estou tão cansada!', se é assim para quê casar? 
É o catering! A banda! O fotógrafo! O padre! A decoração da igreja e do copo de água! Não faço puta ideia porque se chama assim? Imagino sempre os convidados a comer, beber e dançar todos nus, enfiados numa piscina gigante em forma de taça.
"Less but not least"...O VESTIDO!!!
Para quê gastar um balúrdio numa indumentária que depois não dá para ir a funerais ou baptizados, nem ao centro comercial, que vai fazer comichão o dia todo, que não deixa respirar, porque não é o vestido que deve estar à medida da noiva, a noiva é que se deve enfiar nele. Com sorte até ao memorável dia não engorda e a coisa até corre bem, mas depois da lua-de-mel...cortado em quadradinhos serve para limpar coisas delicadas
Normalmente o noivo, anda mais ocupado a organizar a despedida de solteiro. Onde? Em Espanha? Vai ter romenas e brasileiras?
Para que a coisa não seja pobretanas que com sorte o pessoal não se divorcia e volta a casar, haja alguém que pague isto tudo e quem são eles? Os pais e os convidados, os pais infelizmente não podemos escolher ficamos com o que nos calhou na rifa da vida, quanto aos convidados, escolher sempre os que têm graveto claro, quais amigos íntimos e familiares, muitas vezes estão chateados, não se falam e se não forem ainda melhor, não confusão nem trombas.
Tudo isto para ir de lua-de-mel para um sítio barato e ranhoso como a República Dominicana, assim sobra mais dinheiro para a criança que virá de certeza a caminho.
O que levas do registo civil como prova é um pedaço de papel A4 ranhoso que não acrescenta amor para além do que existe ou nunca existiu!
25
Jul20

Os meus amores

Rita Pirolita
Pouco falei por aqui dos meus amores, paixões, desencontros e ilusões. 
Desilusões? Muitas mas como só se desilude quem anda iludido e o meu forte é mais sonhar, aprendi rápido a lidar com espirito prático com questões do coração, que para mim são mais do cérebro e sexo que outra coisa! 
Não sinto que vá expor aqui a minha intimidade porque vou falar de coisas que se passam praticamente com todos, é que não sei se já repararam, também sou deste planeta embora às vezes não o sinta nem se note muito, mas sou e tantas vezes não me apetecia ser, acreditem, adiante que para este texto não estão reservadas dúvidas existenciais e sim histórias de cambalhota! 
Sempre fiz questão de ser directa e nada armada ao pingarelho, tentando iniciar as aproximações com piada e nunca com planos mal intencionados de lixar a minha vida ou a de alguém, com rebanhos de filhos atrás, festarolas de casamento, a ficarmos gordos rodeados de filhos igualmente anafadinhos e parvos, a sermos desempregados e assim vivermos felizes para sempre na dependência do sustento-esmola dos pais!
Vamos lá à minha realidade passada.
Estava eu a dizer que sempre iniciei as coisas com naturalidade e descontração, coisa que muitas amigas e alguns amigos criticavam e encaravam como desleixo e despreocupação, também não estavam tão longe da verdade em alguns casos. 
Fazia questão de mostrar que não estava ali para esconder nada que fosse naturalmente humano e não para andar a contar as minhas aventuras passadas para provar que as minhas intenções eram as mais honestas do mundo, ninguém tem nada a ver com isso e só eu decido o que alguém pode saber sobre mim ou não. 
Ser sincera não quer dizer ser parva a ponto de contar tudo e não ter segredos, necessito de sentir que tenho algo só meu de direito, o controlo da minha vida, sem dar justificações a ninguém! 
Ora neste meu percurso tão errante como o de qualquer um que nasceu na década de 70, o apelo à educação nunca praticada por aqueles que a impunham, o famoso 'olha para o que eu digo e não para o que eu faço', ainda teve alguns resquícios de efeito negativo em muitos, eu não sofri com esse dilema! 
Tinha amigas que eram recatadas no sexo ou pelo menos faziam questão de transmitir essa imagem e quanto mais se esforçavam, mais se enterravam na mentira que lhes saia da boca, as chamadas sonsas.
Havia também aquelas que diziam não se peidar em frente aos namorados, iam a correr à casa-de-banho para pensarem eles que estavam na presença de uma mulher limpinha e boa cozinheira, a verdadeira fada do lar, tão perfeita que nem se peidava e se preciso fosse não comia para não cagar! 
Ora a minha sinceridade acompanhada dos actos era recebida por uns com alívio, por outros com supresa mas nunca com afastamento ou falta de identificação e sempre mas sempre com mau cheiro, elevado até às vezes ao nível competição, a ver quem conseguia expulsar mais ar em menos tempo! 
Nunca perdi nesta modalidade aérea e pouco palpável, quanto mais não fosse com o golpe baixo de obrigar o adversário a render-se, pelo alto teor de intoxicação no recinto do amor, ao qual sou imune, baixando os meus níveis olfativos para criatura dos mares!
O moço incomoda-se muito com cheiro que não venha das suas entranhas, é natural a mim acontece-me o mesmo, ao ponto de muitas vezes questionar se não terei comido botões de rosas a mais? Digo-lhe sempre que não havendo bela sem senão, posso ser uma doninha fedorenta mas sou bonitinha, bem acabada, organizada, cozinheira desenrascada e em tempos até soube tricotar, fazer renda e coser à máquina e à mão!
Ainda hoje mantenho uma performance invejável que penso me acompanhará até ao fim dos meus dias, com tendência a refinar! Tenho no entanto que redobrar o cuidado com os que incontrolavelmente possam vir de pantufas acompanhados de molho!
25
Jul20

Golpe mortal da viúva negra

Rita Pirolita
Leiam com a atenção que merece, mais abaixo já comento! 
Juro que não vou começar a fazer leituras de aura, cartas de Tarot, bolas de cristal, búzios, borras de café, xixi ou cocó!...
 
Lua cheia em Virgem em 2-3.
A consciência mais profunda não está condicionada pela experiência do mundo. Mercúrio, regente de Virgem diz que escolhas bem as tuas batalhas. Faz-te amigo do desconforto e aceita o processo. Nao julgues o mensageiro, atenta na mensagem. Conserva a tua energia. Escuta-te. Muitos falam de amor pouco o vivenciam. Stellium em Peixes ♓︎, Daemon! Mas primeiro o que não é amor. Não é romance, fixação, apego. Um condicionamento primitivo da natureza humana. Permite-te receber. Parece fácil. Sim!?
 
Como te sentes? Um grande trigono de terra: Lua em Virgem, Saturno em Capricórnio e Pallas Athena em Touro; pelo corpo se trata mente e espírito. O poder está no agora. O tempo é radial. Fica aí. Sê pratico. Recorda o teu poder. Curar as memórias do planeta. O Amor emana do conhecimento. Florescer. Não vive nas palavras, mas conduz-te, não depende do outro, porém expande-se ao outro, pois esse é o estado energético de compreensão plena. Não habita na núvem mística. Mas na expansão do Universo, onde a Natureza vive, predatória, misteriosa e insondável. Ao curarmos memórias, curamos a Terra e todos os nossos ancestrais. Não se pode entender, mas pode-se sentir. ♏︎🔺♓︎. Sonhar é o acto de mudar o ponto de ligação com o mar escuro da consciência. É a entrada para outros mundos da percepção. Vénus, Estrela da noite. Amor, alegria, beleza e prazer. Pela acção, a vontade. O Infinito escolhe. Sente esse magnetismo. No cosmos, o silêncio. Sigo por caminhos inexplicáveis, que não podem ser entendidos, apenas praticados. “Não nos damos conta de que podemos cortar qualquer coisa de nossas vidas, a qualquer momento, num piscar de olhos.” O máximo é ter o céu como livro aberto a ser lido. O mínimo é ler uma página por dia. 
Magia é saber fluir
Intuição e sensualidade
Guiados por um amor maior
Unos com os desígnios do Infinito 
Encantamento, aqui, agora, sempre
Lembro, vida é continuidade. 
Todos somos aprendizes. No caminho para verdadeiros magos.
Recorda...Deixa a tua luz brilhar 
 
Lua nova em Aquário em 15-2.
Novos começos envolverão uma entrega clara, surpreendente. Fazemos parte de um sistema maior. Júpiter quadra o eclipse. Obtém todos os factos, provas e não concordes com o que não te for confortável. Urano sextil Sol-Lua. Ser desapegado significa não colocar a vida, a felicidade, na dependência de outra pessoa. Se amas o outro mais do que a ti mesmo, estás a um passo da infelicidade. Há tantas dimensões. Realidades paralelas. Para fluir com o Espírito, é preciso ser um canal e estar vazio. A chave é sentir. E a partir daí tudo se organiza. Com Urano e Aquário envolvidos tudo se torna imprevisível. É no DNA de Aquário, que a possibilidade reside.

No que pensas, assim te tornas.
A 17-2, Sol e Mercúrio farão uma conjunção superior. Uma culminação, resposta, decisão ou declaração. Um momento de clareza. Tudo o que precisas saber estará à tua frente.
Vénus vespertina em Peixes. A pessoa vibra naquilo que precisa expandir. Daí a necessidade de nos conectarmos com outras pessoas. A nossa identidade torna-se uma identidade compartilhada. O nosso eu superior não é um só indivíduo. Eclipse solar. Que importa onde vou, se não sei de onde venho?
"Existem dois tipos de riscos: Aqueles que não podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que não podemos nos dar ao luxo de não correr."
Trata-se da necessidade mais profunda da alma. Não procuro respostas. Procuro experiências porque, quando vivemos a experiência, vivemos a resposta, numa evolucão crescente. 
No símbolo Chandra para 28º♒︎:
Um tear. Uma tapeçaria inacabada. O processo cármico restringe o eu, e determina o que deve acontecer. Um trabalho sobre ti, muito forte, que exige autodisciplina está em andamento há muito tempo. Deve ser retomado, levado adiante, não importa o que custe. Há deveres a cumprir, faz o que tens a fazer. Se não tem coração, o trabalho torna-se mecânico. O dilema em cruzamentos recorrentes: ficar com o que foi criado ou introduzir inovações. Quaisquer inovações são também desafios. Mas sem eles, não há evolução. Estamos a ser impulsionados para um destino maior, para honrar todos os acordos kármicos, aprimorá-los, trazendo à prática uma disposição atenta. Para surpreendermo-nos, encontrar coisas desconhecidas. Tudo está começando agora, com paixão real.
Atenção, tudo é perigoso, tudo é divino e maravilhoso...
🌙♒️
 
Lua cheia em Leão em 31-1.
Eclipse total da Lua. Nodo Norte conjunto à Lua. Aquilo que me seduz é também o mais me pode desiludir. Quando? Sempre que activamos a projecção da crença da perfeição, de não nos bastarmos por nós mesmos, de o outro ser o complemento. Espelhos da Matrix. Lua oposta a Vénus! Como? Não tomes nada pessoalmente. Hora de crescer. Vence o medo. Do outro. Da rejeição, de te mostrares como és, de seres aceite, de conhecerem as tuas fraquezas, de te magoares, de não seres bom. Padrões e mais padrões. Urano descondiciona. Um raio de luz! O medo do apego, da intimidade, e sobertudo o medo de ser feliz! Recalibra. Eleva a frequência. Uma sensação de vitalidade, clareza, gratidão e atenção plena, frescura, desponta com essa alteração da configuração energética. As fibras luminosas ficam mais fortes, brilhantes. 
E as coisas resplandecem quando estão onde devem estar!
Mantém-te constante. 
Leão rege o coração. Marte ♐︎ mútua recepção com Júpiter ♏︎. Curar em amor. As coisas têm o SIGNIFICADO que lhes atribues. Abundância é um processo de deixar ir; só o que está vazio pode receber. A essência do amor sagrado. O colectivo ressoa os ecos de todos nós. O segredo é aproximar o coração de um outro para conversarem no silêncio... que dá descanso à palavra.
Onde tudo é dito.
Feliz Lua Azul!🐬💎

São estes textos, exemplo de muitos transcritos ou mesmo copiados por alguém que deixei de ver há uns anos atrás porque emigrei, descobrindo a sua renovada existência nas redes sociais. 
Karma ou coincidência infeliz? 
Dúvido muito da original autoria destes autênticos 'relatórios', pois sendo a pessoa portuguesa e até na posse de canudo, nem se deu ao trabalho de corrigir expressões que não soam familiares e algumas são mesmo características de um português-brasileiro, ou fruto de uma tradução mal feita de outra qualquer língua! 
A não ser que seja uma linguagem só para eleitos iluminados, tão especial e avançada que o comum dos mortais, burros ou pouco eruditos como eu, não consiguem entender!?
À parte este pormenor na escrita, a pessoa em questão, do sexo feminino, mais ou menos da minha idade, andou comigo na escola e saímos algumas vezes juntas, conviveu comigo o suficiente  para que me desse conta de uma alma chata e chateada com a vida, que forçava relacionamentos numa base muito calculista e programada, na procura de estatuto social e riqueza material, muita, tinha que ser tanta que se visse e até transpirasse. 
Apenas me procurava quando tinha que resolver desavenças com namorados que queriam acabar com a relação que ela queria manter, um pelo menos sei que desapareceu sem deixar rasto ou hipótese nenhuma de o perseguirem, tanto que mudou de número de telemóvel, estava ela numa cama de hospital com tuberculose por causa das dietas malucas que andava a fazer. 
Chorava que nem Madalena desgraçada à procura de consolo ou quando estava só e entediada entre relações, passava a vida no centro comercial a fazer poucas compras mas a apalpar muito tecido, debaixo de uma forretice atroz, com uma pobretanas como eu a reboque a fazer de dama de companhia. 
Seria uma pessoa pelo que me apercebi de que todos se queriam livrar, quando em vez de se divertir a conhecer e descobrir gente nova e gira, queria comprometimento sério de casamento marcado mas nunca sem descorar a parte material, ela que era filha como eu, de simples operários fabris da Margem Sul, quase sempre comunistas e que viviam em bairros muito modestos, degradados ou mesmo pobres!
Não condeno ninguém que seja possidónio, beto, pato-bravo, novo rico, burguês...ao ponto de querer subir e pertencer à aristocracia, mesmo que não tenha apelido de família, muito menos lhe corra sangue azul nas veias ou tenha corpinho de ócio.
Ter uma profissão é uma humilhação para quem é realmente privilegiado, filho de gente que não se lembra de geração nenhuma ter trabalhado para sobreviver!
Conseguir tirar um curso para quem ainda não está no topo da hierarquia de classes é uma grande conquista para o próprio mas alvo de gozo por quem vive de heranças!
Voltando à personagem em foco!
Fazer-se valer de textos confusos armada em astróloga de livros de bolso ou revista Maria, não abona em nada uma alma perdida e fria que esconde um pensamento lógico maquinal, próprio de formação cientifica mas que se quer mostrar eclética, esotérica, bondosa e a espalhar 'paz catra paz' pelo mundo...
Não me parece nada natural e sim algo muuuuuuuito forçado ou mudança radical resultante de desgosto amoroso tão grande que mais parece assistente da Alexandra Solnado ou que escreve em parceria com o Gustavo Santos, maravilhosos livros de auto-desajuda, cheios de lugares comuns e frases plagiadas, 300 páginas a cagar em circulo mas em mil posições diferentes!...
Pretendem dizer este mundo e o outro mas nada dizem para não correr o risco de se contradizerem, darem um nó na língua, meterem os pés pelas mãos...
Tão empenhados que estão em disfarçar a tremenda aldrabice, torná-la numa verdade única, universal, incontornável e incontestável, ao ponto de já nem saberem o que pensam sobre o que escrevem ou o que escrevem sobre o que pensam!
Eu até sou capaz de acreditar que as pessoas queiram mudar, estão no direito e liberdade de o fazer mas que lhes baste apenas mostrar que parece que mudaram ou que são completamente diferentes daquilo que outros verdadeiramente conhecem mas nas redes sociais podem encobrir e disfarçar com facilidade, já vejo isso como congeminação maquiavélica, válida no entanto e perfeitamente justificada pelo menos para quem a constrói mas que parece teia elaborada demais, só para atrair elogios e no fim dar o golpe mortal da viúva negra!
Digam lá se não faço a minha sorte em não conservar amigos que nunca considerei ou não manter contacto com conhecidos que mais valia não ter conhecido ou algum dia voltar a encontrar?...
18
Jul20

Do casamento ao divórcio vai um almoço

Rita Pirolita
Dias atrás almocei em local popularucho, sitiozinho de famílias de fim-de-semana, restaurante de peixe típico de praia, sardinha assada a pingar no pão, choco frito lambuzado de gordura, mosca quase a pousar no pão, cheiro a entre-folhos mal lavados de berbigão e outros cascudos mariscos, vinho à casa, garrafas de azeite escorregadias, alface, tomate, pimento e cebola, salada que mais parece criada numa salina, haja sal na vida e nas artérias, travessas de alumínio barulhentas-inquebráveis, talheres de nações diferentes, pratos nicados ao bom estilo pesado e resistente da fábrica de Sacavém, copos a cheirar a fesquio, sobremesas de babas de animais e doces da mãe, da tia e da avó, ananás de bordas secas e salada de fruta com cereja cristalizada...  
A primeira servidora que abordou a mesa tinha ar de modelo rejeitado, que não queria estar ali a trabalhar porque achava que merecia mais, mas era aquilo ou casa de alterne que talvez estivesse na calha, pelo menos às sextas e sábados à noitinha! O moço observou que também tinha ar de designer de jóias, mais propriamente na especialidade de broches! Ora bem, o que salvou a moça de nos levantarmos e darmos lugar a outros, foi ter ido brochar para outra sala do restaurante, veio em sua substituição um puto com a palermice típica da idade do acne, de barba semeada em dias de vento e de penteado híbrido, entre o jogador da bola do clube do Arranha a Picha à Pescador e empregado de mesa durante a semana no restaurante onde estava. 
Até agora tudo a bater certo. 
A única miúda gira e de ar decente que tanto poderia estar ali a servir como estava a fazer e muito bem, como podia ser gerente da ZARA, discreta, desempertigada e vestidinha com classe, se é que as há, foi a que não nos calhou, por acaso era a filha do dono e tinha um ar normal o que nos dias que correm é o mínimo que já desejo encontrar, gente simples e normal com os cornos minimamente alinhados para se fazerem entender e saberem ao menos uma pontinha do que andam por cá a fazer sem se armarem em pindéricas!
O almoço começou com anúncio de festejo por parte do meu pai, celebramos o divórcio de segundo casamento de três anos, decidido o nó em três dias, decidiu-se a desfeita do atilho em três dias também. 
Alvitrou ele - 'Festejamos porque mereço e porque já fiz quase tudo o que queria na vida, passando pelos estados civis de solteiro, casado, viúvo e divorciado, nada mais resta senão continuar a viver como quero e me vão deixando.'
Confesso que foi um momento de riso para mim, quase a tocar o hilário de um progenitor que sempre fez o que lhe deu na bolha, sem pedir conselhos ou cair em lamúrias, tal como eu casou mas não disse nada a ninguém, só o par tem que saber e ser para se dar o casório de assento A4 ranhoso, de uma penada em menos de uma hora. 
Foi o único momento em que achei que o pai era da sua filha em algum ponto, com o acréscimo de ter tomates para ficar mais uma vez sozinho para lá dos 70, sem mostrar arrependimento, porque o orgulho o impede e porque aos outros tal como a ele, já falha a paciência para lidar com arrufos de amor.
Nestas idades, já sinto eu um cheirinho, seremos mais crus, rijos na emoção, flexíveis no futuro que já não tem muito a perder nem dar a ganhar, o tempo que sobrar, aproveita-se como fim-de-semana prolongado de feriado à quinta ou terça!
Serei eu assim, sem medo do estigma do lar, do abandono de quem não tive nem mantive, porque não cultivei e reguei amigos de longa data, porque não rebentei outros seres afilharados, porque a família me pariu de sangue em sangue sem afinidade ou cuidado próximo, porque os sobrinhos e primos têm outros padrinhos e tios para cuidar, a mim ninguém me tocará por herança ou dedicação, apenas o dinheiro, se o poupar, garantirá tratamento por alguém frio e distante, que não sofrerá com o meu degredo nem eu olharei nos olhos de quem me cuida, com humilhante vergonha de me ser querido, a quem poderia provocar sofrimento por ligação, porque o apego é uma merda de liberdade envenenada pela fraqueza de morrer, seja em amor, comiseração ou compaixão!
14
Jul20

Sem previsão ou razão

Rita Pirolita
Farta de me esquecer dos sonhos que tenho vou acertando na realidade, titubeante vou juntando cacos de vida, nem tudo liga à primeira e há tanta peça despernada, nem vos conto!...
Se me dissessem que seria assim, hoje como me sinto, não me lembro se o previ.
Isto a propósito da irmã de um amigo meu, para cujo casamento fui convidada.
Sem mais me sair da memória, reza assim o acontecimento.
Antes da noiva sair de casa chorou baba e ranho de arrependimento, o mano, sempre senhor do bom senso que até irritava, meteu-a no quarto e encarregou-se de lhe dizer que se chegou a este dia com um vestido, cerimónia marcada e convidados, não caiu de certeza do céu, foi ela que também foi programando e dizendo que sim ou nim a tudo, que não deitasse um namoro de 7 anos para o charco, com pais a frequentarem-se e os do lado da noiva com alguma sovinice, a quererem ver a filha bem casada com um homem de famílias com posses, assim não teria problemas monetários pelo menos, teve outros mais graves a meu ver!
Presenciei a cena do choro antes do casório com uma dor no peito, sabendo que aquela noiva, linda que nem uma boneca, uma bailarina de caixa, amava outro, o das artes, das danças como ela, almas mais próximas do que o caçador burgesso com quem ia casar, com ar de tasqueiro, a viver à sombra do amealho dos pais.
Em pleno copo de água as amigas para disfarçar a bebedeira que a noiva apanhou, enfiaram-na várias vezes no WC, estive lá algumas e vi-a passar a porta, de riso nervoso a choro de desespero, as amigas gritavam de loucura para abafar aquela tristeza que tão bem se via nos olhos marejados da noiva!
Presenciei tudo, com vontade de pegar na mão dela e tirá-la dali para fora, para que corresse para os braços do seu amor mas não, fui cobarde, além de ser amiga do irmão e conhecer bem os pais, se fizesse algo para impedir aquele sofrimento, ninguém me ia agradecer, nem a própria talvez.
Apesar de nunca pensar que ficassem o tempo suficiente para ter três filhos, ainda o mais velho era adolescente e o mais novo muito novo, ironia do destino, quando ela já se tinha acomodado a uma família e deixado talvez de sonhar em concretizar o amor da vida, adivinhem o que aconteceu, o bazófias do marido, abandona a rapariga e embeiça-se pela empregada do restaurante que tinha.
Fogem para o Sul, ficam todos a condenar a atitude de merda e a dar apoio à irmã do meu amigo que se viu a braços com a educação de três miúdos.
Sinto uma pontinha de culpa mas ela deve sentir uma enorme frustração de vida perdida que alguma coisa boa deixou, os filhos, que se espera saiam à mãe e não atirem ao pai!

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