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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

18
Jul20

Sou bicho-do-mato

Rita Pirolita
Sou um bicho-do-mato, não gosto de ir ou permanecer em casa de outros, é sempre um grande constrangimento não deixar de aceitar convites para jantar ou tomar um simples café só para não passar por malcriada e não ser desagradável para quem me convida com boa vontade.
Depois de chegar aos locais fico mais serena, até sou capaz de me distrair se a conversa for boa, como eu adoro uma boa discussão como já há poucas e poucas pessoas para as ter, mas estou sempre a pensar na hora de me esquivar e quando regresso a casa respiro de alívio por estar de volta à toca da minha floresta. 
Não fiquem com a ideia errada, não me importo nada e até gosto que me visitem mas ir eu à casa dos outros? Não gosto de sentir que invado espaços, no meu permaneço descontraída, a comida cai melhor e não fico com tantos gases! Também vos acontece? 
E nos casamentos e festas do género? Vejo tanta comida misturada que nem me apetece começar por lado nenhum!
04
Dez19

Contos da Estrelinha Serigaita - Ciganos

Rita Pirolita
Depois da mercearia, no caminho para casa, dois ciganos adolescentes que ainda permanecem na escola primária onde ando, perseguem-me, lançando olhares peganhentos e palavras melosas. 'Aiiiiiiii, fazia-te isto e aquilooooo, porque estamos fora da escola e no recreio só atrás dos pavilhões te podemos apanhariiiiiiii....' 
Acelero o passo e penso em porto de abrigo assim que entro no meu prédio e eles, travando o fecho da porta, pressentem local onde ninguém vê. 
Atiram-se a mim de mãos ávidas em má imitação adulta, à procura de curvas que ainda não estão lá, beijos de línguas salivadas e mau cheiro de quem não toma banho faz meses ou talvez nunca tenha tomado desde que nasceu, consigo gritar mesmo de mão na boca que me abafa, sem ninguém aparecer, assustam-se só com a ideia de vizinhos em meu socorro a enxotar a pouca vergonhice e desistem de continuar a invasão. 
Subo as escadas em relâmpago, entro em casa, largo as compras, nervosa na impotência digo à mãe, a mãe não dá muita importância e atalha os meus soluços de raiva... 
- A culpa é tua, para a próxima defende-te e não deixes que te toquem! 

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