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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Há por aí MULHERES?

Rita Pirolita
Há por ai gente pouco ou nada susceptível que encare a realidade com nudeza e crueza? Há por aí especialmente mulheres que não sejam violentas, assanhadas, ressabiadas, frustradas e que não andem cegas com o feminismo moderno das Capazes ou Marias malucas do BE? 
Há por aí mulheres que em vez de se armarem em independentes com trabalho no lombo que se farta, dão um berro, um murro na mesa e protestam. Também trabalham além da vida doméstica, recebem menos é certo mas em vez de um homem que as ajude, querem um homem que divida tarefas, já que eles não podem parir um filho ou outro de vez em quando? Há por aí mães sós e desamadas que deixem de educar os filhos em total machismo e mimalhice, em guerra aberta e prejuízo para as mulheres que os vão aturar que se devem dar por muito contentes se eles puserem as próprias peúgas para lavar enquanto elas lavam, limpam, cozinham, dão banho aos miúdos e ainda têm que estar sempre lindas e cheirosas com um ar fresco e fofo nas fuças, de unha arranjada e dieta feita...como sendo tudo dado adquirido da sua condição feminina, como se tivessem nascido com isso agarrado aos genes? Há por aí mulheres que não perdem tempo com movimentos #metoo e em vez de se vitimizarem sabem o que querem e dizem e não andam armadas em coitadinhas de elite caviar que critica o sistema mas vive e é produto dele?
Ponham os olhos nos homens que encaram o dia do casamento como um dia de festa com oportunidade de  se divertirem, estarem com os amigalhaços e passado duas horas andarem sem gravata, de camisa aberta e bêbedos que nem cachos! 
Deixem lá os gays gozar com entusiasmo a novidade do casamento!
Deixem de desejar que de vez em quando vos cresça uma pila para violarem com ódio as mulheres que apenas têm ideias diferentes e não se fazem de coitadinhas a toda a hora. 
Dá trabalho ser diferente por isso não empatem o percurso de outras ou façam perder tempo com frustrações, perseguições e teorias da conspiração, fruto de vidas mimadas. Há por isso por aí mulheres que se preocupem com as verdadeiras violações dos direitos humanos, que queiram caminhar pela diferença ao lado dos homens que merecem, sem os meter a todos no mesmo saco, tal como nós não gostamos que nos façam?!
Há por aí mulheres que não sejam malucas esquizofrénicas como a girafa que namora com o macaco e lhe pede constantemente, beija-me a boca, chupa-me as mamas, beija-me a boca, chupa-me as mamas, que canseira andar para cima e para baixo naquele longo pescoço.
Não queiram por isso ser aquelas que querem tudo ao mesmo tempo, serem galanteadas, seduzidas, no fundo até já querem ser assediadas e não distinguem os limites, porque querem é ter importância para alguém, porque não conseguem estar sós e existir por si, não serem desprezadas, não serem julgadas, terem atenção exclusiva, serem elogiadas, terem os presentes que pedem porque impõem que merecem, serem amadas, não ficarem furiosas por serem feias e ninguém se interessar em conhecer o  vosso interior, nisso têm que ter mais paciência, as mais giras são mais importunadas por toda a merda, têm mais por onde escolher, mais porcaria para aturar e no fim resta-lhes o mesmo que às menos bafejadas pela beleza! 
Adivinhem lá...
Os homens, as crianças, os passarinhos, as árvores também precisam de atenção e amor da vossa parte e podem dizer asneiras de vez em quando, não fica mal na altura certa!
Deixem de admirar vitimas que se vitimizam e deixem de criticar ou ter inveja das vitimas que não se vitimizam e combatem o medo de ser olhadas de lado, por dizerem o que realmente sentem e pensam.
Deixem de pôr as culpas apenas na gaja que vos destruiu a relação, supresa, foi ele que também se meteu com ela e vos pôs os chavelhos, a outra ou sabe e continua ou não sabe e continua.
Deixem de se criticar e julgar pelas unhas de gel e pela peruca que exibem, concentrem-se mais na merda de gajos que muitas vezes escolhem, sim porque também os há que não prestam, a versão masculina das cabras, os cabrões!
Deixem-se lá de mimimis e sejam mulheres, apenas diferentes dos homens, dos dinossauros, das abelhinhas e das florzinhas!...
Mas porra que anda tudo ao mesmo anda, seja lá o que for!
20
Jul20

As mulheres que não querem

Rita Pirolita
As mulheres que não querem ter carreiras, que querem ficar em casa a cuidar dos filhos a organizar o seu tempo, a não ir à guerra fora de casa, a procurarem no supermercado as únicas promoções que fazem parte do seu dia-a-dia...
Embora não discordem e até apoiem, não faz parte do seu quotidiano andarem metidas em confusões de liderança e representação empresarial mais activa, atribuindo a desigualdade salarial à simples existência dos homens.
Se forem trabalhar têm que pôr os filhos na creche e lá se vai o dinheiro, mais vale ficar em casa, não se ganha mas também não se gasta e mais importante, cansa na mesma mas não desgasta tanto. 
Eu tenho costela de doninha de casa mas sem filhos e muito menos sem um gajo chato de quem não dependa.
Embora não faltassem pretendentes, quando era mais nova não ligava a essas coisas nem tinha paciência para submissões em troca de dinheiro, agora que estou mais velha a visão mudou mas também já não vou a tempo de nada e a pouca paciência que tinha...esqueci-me onde a pus.
Nunca tive o sonho de me armar em empreendedora ou mulher lutadora para mostrar orgulhosamente que era independente, também ainda não casei com um gajo rico que tivesse dinheiro suficiente para me sustentar sem andar a contar tostões à pobre. 
Sou rapariga sossegada, vegan, não uso peles, não gosto de caviar, ostras ou alcool, sou boa dona-de-casa, sei coser meias, embora isso não acrescente nada ao currículo porque nos dias que correm, meias com buracos deitam-se fora e agora a moda até é andar sem elas. 
Só preciso de um cão para ir passear e conhecer Sugar Daddys. Mesmo em idade avançada ainda me considero em bom estado e disponível para adopção.  
Nunca fez sentido dar o meu melhor, quanto mais armada ao pingarelho do profissionalismo, quanto mais e melhor fazes mais trabalho te dão e não te pagam mais por isso, com a grande desvantagem de só atraíres inveja das cabras do trabalho.
Nunca tive jeito para mandar em cães e crianças, quanto mais domar gente e lucrar com o seu suor.
Tive oportunidade de subir na horizontal porque tenho atributos que atraem esse tipo de promoção como néons, não o fiz mas se o fizesse, quase de certeza hoje não estaria arrependida e as únicas a insurgirem-se pelos corredores seriam as gordas do trabalho. 
Eu sei que não é justo mas também não venham com  a conversa da ressabiada, têm a opção e liberdade de fazer dieta, podem é não ir a tempo de ficar com o lugar.
15
Jul20

Velhos de morte

Rita Pirolita
Sabem quando se fala dos velhinhos que nos são familiares ou mesmo familiares de sangue, avós, tetravós, bisavós, tios-avós, avós de amigos, mães velhinhas?...

Da velhice vêm os velhacos, os doces ou amargos, as coscuvilheiras, as beatas, as timidas ou conservadoras, as fogueteiras ou badoleiras, os compreensivos e suaves, os irrascíveis ou maus como cobras, as bestas e os bestiais, os ditadores, os sumiticos e sovinas, os marotos e malandros e os que nunca deixaram de ser bons, daimosos e boémios, com piada ou sem graça, asneirentos...

Ficaria aqui infinitamente a descrever o que os novos refinam em velhos e nunca mudam!

Bem vistas as coisas recordamos até umas poucas gerações à frente o que foram os nossos atrasados defuntos, depois tudo se esfuma, excepto os que ficaram na história por actos inventados de bravura que na realidade foram precipitados acasos, condicionados por acontecimentos muitas vezes alheios à força deificada do personagem.

Os nossos antepassados, anónimos para o resto do mundo, são recordados e falados quando vamos buscar gestos ou atitudes siamesas, não considerando que somos todos da mesma cepa torcida e retorcida, damos uma importância especial ao nosso tio que um dia pegou num cajado e pôs 100 homens em fuga para salvar a honra de ser pobre mas honesto!

Na cabeça dos ascendentes as atitudes mais estapafúrdias são sempre justificadas com uma forte razão de agir, ou sim ou sopas ou vai ou racha que no momento outro desfecho, no quente da situação, não se vislumbrava, algumas vezes dava-se piada à historieta no meio de tanta desgraça.

Falamos da força e bravura de se viver em tempos idos sem latas de Coca-Cola ou tupperwares, sem pensos higiénicos ou rápidos, de parteiras, bruxas e aberrações, de cataclismos de céu-fogo e lua dançante, chuvas de sapos e canivetes, visões, loucuras e milagres.

Loucos para os que vêm a seguir, não seremos também nós que morremos de cancro mais que nunca, que tanto desafiamos a natureza e cada vez menos sabemos ler e respeitar os seus desígnios e ciclos, que andamos sempre a contrariar o que é simples???

Quando alteamos com mais ou menos verdade dilatada, atalhamos e encurtamos o triste fim de cada um, mesmo que tenha sido em sofrimento prolongado ou atrozmente repentino e fulminante e por mais hediondo que alguém seja, parece que vira santo e bravo na boca das gentes recentes e nem merecia a morte quanto mais se fosse em sofrimento! 

A vergonha que temos de alguns iguais, leva-nos a desculpar o seu veneno numa oportunidade esfarrapada de redenção da humanidade, para que cada um tenha a desculpa de puder fazer mal e mesmo assim não merecer morrer ou ser alvo de maldição finada! 

Aquela parte da vida em que perdemos faculdades e somos uma névoa fraquinha, não interessa engrandecer porque os velhos em momento de mareio e ensandecimento já não discernem se a vida é uma preparação para a gozona e acabrunhenta morte ou apenas a salvação de repetir o errante viver!

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