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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Casar sem gastar tostão

Rita Pirolita
Quem se está a preparar para dar um passo tão importante na vida como o casamento não deixe de ler este artigo de opinião, será de grande valor acrescentado! 
Para mim casar é como ir ao circo e não gostar de palhaços.
Vou resumir em algumas sentenças sábias o que vi ao longo da vida:
As noivas chegam sempre ao memorável dia a dizer - 'Estou tão cansada!', se é assim para quê casar? 
É o catering! A banda! O fotógrafo! O padre! A decoração da igreja e do copo de água! Não faço puta ideia porque se chama assim? Imagino sempre os convidados a comer, beber e dançar todos nus, enfiados numa piscina gigante em forma de taça.
"Less but not least"...O VESTIDO!!!
Para quê gastar um balúrdio numa indumentária que depois não dá para ir a funerais ou baptizados, nem ao centro comercial, que vai fazer comichão o dia todo, que não deixa respirar, porque não é o vestido que deve estar à medida da noiva, a noiva é que se deve enfiar nele. Com sorte até ao memorável dia não engorda e a coisa até corre bem, mas depois da lua-de-mel...cortado em quadradinhos serve para limpar coisas delicadas
Normalmente o noivo, anda mais ocupado a organizar a despedida de solteiro. Onde? Em Espanha? Vai ter romenas e brasileiras?
Para que a coisa não seja pobretanas que com sorte o pessoal não se divorcia e volta a casar, haja alguém que pague isto tudo e quem são eles? Os pais e os convidados, os pais infelizmente não podemos escolher ficamos com o que nos calhou na rifa da vida, quanto aos convidados, escolher sempre os que têm graveto claro, quais amigos íntimos e familiares, muitas vezes estão chateados, não se falam e se não forem ainda melhor, não confusão nem trombas.
Tudo isto para ir de lua-de-mel para um sítio barato e ranhoso como a República Dominicana, assim sobra mais dinheiro para a criança que virá de certeza a caminho.
O que levas do registo civil como prova é um pedaço de papel A4 ranhoso que não acrescenta amor para além do que existe ou nunca existiu!
06
Ago20

Indignação animalesca

Rita Pirolita
Alguém tinha ficado indignado por ninguém se ter chocado com as cenas sadomasoquistas das 50 sombras de Grey, mas ter caído o carmo e a trindade com a divulgação de um vídeo que mostra um puto estúpido a agredir um cão!
Confesso que não tive coragem para ver o vídeo de agressão ao cão e também nunca me despertou interesse ver as 50 sombras de Grey.
Vamos lá separar as águas, o pêlo da pele, os grunhidos do ladrar!
Uma coisa é um filme e espero que os actores tenham tido prazer nas cenas, outra coisa bem diferente é um vídeo de uma situação real em que o cão não é actor nem está a fingir que gosta.
Uns são homo erectus e às vezes ficam de quatro, os outros andam em quatro patas, uns quase nunca são dedicados, os outros reconhecem e agradecem até ao fim da vida a quem lhes faz bem, uns cobram tudo na vida, os outros nadinha, uns são veterinários, os outros…nunca vi um cão veterinário especializado em esterilizações, talvez por essa falta de formação, cães e outros animais se reproduzam por instinto e os humanos que os domesticaram é que devem assumir o controlo da sua população, mesmo os da nossa raça, tendo a possibilidade de controlar os filhos que têm, muitas das crias são vítimas de abandono, maus tratos e violação dos seus direitos, tal como fazem aos animais, é ver a desnecessária caça nos tempos que correm e tanto cão abandonado por caçadores grunhos!
Actividades que dêm prazer a todos os que participam e consentem, são bem vindas e recomendam-se, actividades em que só uns têm prazer doentio e os outros não, é de fugir!
Veja-se o caso do homem que colocou um anúncio no jornal à procura de pessoas que quisessem ser comidas, não é isso que estão a pensar, para isso têm as páginas centrais do Correio da Manhã mas sim pessoas para serem divididas em doses para congelar, para mais tarde cozinhar, apareceu um candidato que foi comido até ao tutano, no forno, de cebolada, em quiche!...
Isto aconteceu por consentimento das partes, deu prazer aos dois, um comeu, outro foi comido...
Foi um caso de homicídio consentido e canibalismo!...
Se eram ambos malucos isso já é outra história.
É por existirem pessoas com as indignações distorcidas que eu às vezes não me importava de ser cão, mijar-lhes as pernas e roer-lhes o sofá todinho!

13
Jul20

Amanhã há mais

Rita Pirolita
Mais uma vez na praia...
Os dias passam em calma e entre sonecas na sombra fresca e passeios à beira mar, a molhar o pé com dor de tornozelo do gelo da água mas ombros a escaldar de um sol que se vai tornando baixo e doentio.
Casas de pescadores não tão pobres como antigamente mas sempre em protesto a puxar à chinela e faca na liga, cheira a peixe podre, a lixo ainda mais podre, moscas moles, cães poeirentos, rafeiros, velhos ternorentos ou rufias temerosos que espantam do território lulus de meia tigela à trela, sem a mínima autonomia de se defenderem, se não fossem os donos, a dentada já fervia!  
Vou reparando na fauna que pontilha o areal com as dunas e arriba em pano de fundo. 
Tios a fumar charuto com a sua extremosa gaja de falsas madeixas loiras, cabelo queimado do secador e do sol, pele bem passada, com bikini de cores fluorescentes de surfista reformada.
Homens de tanga, pensei que já não existissem de todo, embora em extinção mas ainda se vêem.
Pescadores que deixam peixe-porco na areia com anzol, surfistas a mostrar o rabo de lula na mudança do fato, caravanistas que trazem e deixam lixo para trás, o mais giro que trazem e levam com eles são os cães.
Gente ao sol das 11 às 16, hora do cancro em grande estilo estrela do mar, fica muito mal esta posição só deve acontecer no recato do lar, se tanto na piscina ou varanda e nunca em frente a menores, mais que isso é...estrela ressequida fora de água.
Baleias encalhadas, coxas presunteiras, gente super fit e insuflada, maratonistas de Verão, ciclistas alucinados, cães com raros donos apanhadores de merda.
Ritas fumadeiras aos pares, estendidas na toalha a fazer topless ou a dar gritinhos no mar, que a água até arrepia os cabelos do estômago, de mama descaída e refegos nas costas ao nível dos rins...se alguém olhar, que se lixe, elas já têm o 25 de Abril no sangue faz muito tempo, além de que agora está na moda, todos se assumirem seguros do seu físico, nem que seja só uma atitude porque não há outra saída.
Gajos sozinhos que se deitam ao lado de gajas sozinhas, a uma distância segura que não passe despercebido mas denote algum respeito pela privacidade mas acima de tudo a uma distância que não deixe escapar a oportunidade de lançar uns olhares em tentativa de abordagem... 
Gente que abanca o dia todo com putos, 50 chapéus de sol, marmitas, geleiras, barraquice que dê até antes do sol-pôr, depois é meter a pequenada na banheira, vai tudo a banhos de água doce antes do jantar e antes de alguém dizer 3 vezes arroz, já os petizes estão com a pálpebra pesada, moídos que baste para aturar o João Pestana. 
Outros ainda põem o pé na areia como quem é alérgico e tem prurido da ralé, só estão de passagem que aquela não é a sua praia, só vão para molhar o pézito de toalha debaixo do braço e chaves do carro enfiada no dedo mindinho, a balançar o reluzente porta chaves Mercedes ou Audi!
Quando o calor aperta vou para casa e vi isto tudo em duas horas pela fresca, entre passeios, um olho aberto e outro fechado de lanzeira que me atinge sempre na leitura de apenas duas páginas do livro da praia que já ando à um mês para terminar, lendo a mesma linha repetidas vezes de olhos trocados com molenguice...
Amanhã há mais se o tempo deixar e eu quiser!   
02
Abr20

História resolvida

Rita Pirolita

Ando cada vez mais farta de pessoas, apenas me apetece dar likes e fazer comentários fofos, em páginas de cãezinhos abandonados, mal tratados, bem tratados, de marca, rafeiros, pernetas, manetas, com cauda, sem ela, com tintins, sem ovários...TODOS!
Confesso que tenho muito mais pena dos animais mal tratados e abandonados que dos adultos ou mesmo crianças e velhos!
Passo a explicar: 
As crianças são maltratadas e abandonadas por pessoas que já foram crianças também, por isso os adultos têm obrigação de ter memória, serem responsáveis e assumirem como convém, a ideia e vontade de trazer uma criança ao mundo, em caso de dúvida não as conceber é sempre a melhor opção!
Quanto mais consciência se tiver dos actos mais se mede a força para os praticar e mais liberdade de escolha temos. 
O exercício não é difícil o problema é que a maioria das pessoas nem sequer o faz, nem perde um pouco de tempo a pensar no assunto e reproduz-se automaticamente, porque é o que vê fazer à sua volta e como somos mais animais de imitação que de imaginação...vamos na conversa e entramos no mesmo barco, assim quando formos ao fundo vamos mais quentinhos!
Os pais descuidados e mal-educados ou sem educação, provavelmente foram crianças vítimas desse desrespeito e vão criar filhos tanto ou mais irresponsáveis que eles, num ambiente de violência doméstica e humilhação ou excesso de mimo e pouca atenção.
Gente crescida, desentendam-se, descabelem-se ou matem-se...Agora, façam-no em privado, ninguém tem que levar com a vossa estupidez, principalmente as crianças que ainda não tiveram muito tempo para perceber bem o que andam cá a fazer ou que mal fizeram para levar com tal azedume tão dispensável em tenra idade!
Os filhos são usados para salvar casamentos, para roubar fortunas, para se prostituirem ou mendigarem e assim porem comida na mesa, para se viver à conta, para ajudarem a sustentar a casa ou pelo menos cobrirem o prejuízo...
E para serem gostados e criados em liberdade e consciência, não? Isso não interessa, além de que o mundo lá fora está tão perigoso e as novas tecnologias?...Uma autêntica ameaça à inocência e segurança das criancinhas? Tudo mete medo!
Não me digam que esta vida que temos caiu de Marte ou foi obra do Espirito Santo?...
Quanto aos velhos...os adultos que os abandonam nos hospitais, depositam em lares, desprezam, lhes dão porrada ou insultam e humilham...esperem até vocês próprios se começarem a borrar pelas pernas abaixo, indefesos, a ver o troco que os vossos filhos vos devolvem?...
A humanidade tem responsabilidade na sua reprodução e consequentemente na proliferação de maus hábitos ou bons costumes! 
Mas como a coisa nasceu torta tarde ou nunca se irá endireitar.
Quanto aos cães, são nossa responsabilidade, foram domesticados por nós, para estar ao nosso serviço e dispôr e acima de tudo não fazem um milésimo da merda que nós fazemos, para limpar a nossa porcaria era preciso um saco do tamanho do mundo, não merecem por isso maus tratos, desleixo ou abandono à reprodução incontrolável, pelo contrário, dão muito mais que aquilo que alguma vez possamos merecer, não somos nada dignos e não têm a mínima noção das consequências que os humanos os fazem sofrer, pelo seu natural e irracional instinto de se reproduzirem! 
Por isso no próximo Natal ou aniversário, em vez de fazerem filhos, cortarem pinheiros, ou reunirem-se à volta da lareira, para foder os que estão mais à mão de semear, como a família por exemplo, adoptem um patudo, se não for para o tratar bem, desejo que morram todos naqueles jantares enfarta burros com um enfarte fulminante, assim também não se reproduzem mais!  
Lavo daqui as minhas mãos, corpo e alma, história resolvida!  
01
Abr20

Velhos jarretas

Rita Pirolita

 

Agora todos são solidários com a luta pelos direitos dos animais, antes andava tudo a falar das crianças e noutras alturas dos velhos. 
Vai de modas, na verdade são tudo boas causas e devemos proteger ou pelo menos não prejudicar, os que não se conseguem defender. 
Mas será que alguns são mesmo frágeis ou aproveitam-se da condição? 
Já vi muitos cães passarem-se da bola e desatarem à dentada.
Já vi putos atirarem-se para o chão do centro comercial a esbracejar e a rodar sobre as costas como um escaravelho de pernas para o ar, aos gritos, a chorar baba e ranho por não lhes fazerem a vontade de comprar tudo o que querem.
 vi velhos a correr todos à bengalada, a queixarem-se que ninguém lhes liga ou que são diabéticos e não se podem irritar. Que eu saiba, a diabetes não dá dores de cabeça, dentes ou ouvidos, que são as mais massacrantes. 
Aliás, hoje em dia, velho que não tenha diabetes, gota, osteoporose, colesterol elevado e joanetes, não é idoso que se preze e tem a garantia que ainda vai andar cá muito tempo, a consumir o dinheiro da reforma e a arrastar-se no queixume, dando cabo do juízo aos que o rodeiam.   
Eu bem os vejo no aeroporto quando vou viajar. 
Antes de levantar voo todos requisitam cadeiras de rodas até à porta de embarque, vão de cu sentado e passam à frente de todos, quando a viagem termina o mesmo número de cadeiras que foram requisitadas na origem do voo estarão no destino à espera dos mesmos velhos, é vê-los com a tesão do mijo a tentar sair à frente de todos, comigo não têm sorte que eu não lhes dou abébias. 
Se nem andavam na hora da partida ficam cá com uma energia de atleta à saída? Deve ser da mistura do RedBull com a despressurização, aquilo dá cabo de cabeçinhas com Alzheimer e Parkinson! 
Assim que põem um pé fora do avião metem a bengala debaixo do braço, saem disparados que nem foguetes e deixam os gajos da groundforce a arejar a cadeira de rodas e a lançar a cada velho que passa um olhar de comiseração e esperança frustrada, sem lhes darem oportunidade de praticar o bem e mostrar excelente serviço.
Nem todos os velhos são fofinhos, há-os jarretas ou velhacos e alguns até dá vontade de os matar antes de morrerem!
 
 
01
Abr20

No aconchego da família

Rita Pirolita
É tão bom sentir o aconchego dos jantares de família aos fins-de-semana ou em dias de celebração, quando os presentes são mais que muitos num lar farto de bonança, bafejado por harmonia e tão iluminado que até as bochechas afogueadas dos petizes reluzem. 
Calorosos ajuntamentos que acabam sempre na sonolência de discussões imberbes onde não se degladia razão. 
Estar à lareira embrulhada em ronhice de gato a beber um bom vinho e ter ainda melhor companhia, mesa ambrosia, crianças a brincar, a correr e a gargalhar.
Os cães lá fora ladram aos pássaros numa azafama própria de quatro patas e os felinos meio domésticos, meio abandonados, são cúmplices de vigília. 
Saber que mesmo depois de adultos quando estamos de maleita, chateados ou magoados a mãe nos aconchega, o pai nos defende de ataques e investidas e os irmão ficam do nosso lado em total conluio cigano. 
Ter a certeza que nunca vamos ficar na rua ou passar fome, não o merecemos, somos boas pessoas, só nos deram amor e cuidaram com carinho extremoso, não fazemos mal a ninguém, não precisamos de dilacerar a nossa alma em acontecimentos viscerais, tudo é doce e suave, até a morte dos mais velhos é chorada com admiração e mantida viva a memória da herança de exemplos altruístas, de compaixão e união indestrutível.
As lágrimas e os soluços são sustentáveis na partilha, já os sorrisos são distribuídos por todos em doses generosas quase a ficar sem ar de tamanho júbilo.
A casa de família é conservada por todos e cuidada como ninho perfeito do amor desinteressado, as férias são sempre em grupo numeroso no meio de dádiva e alegre confusão.
As mais pequenas discussões são resolvidas em nome e respeito pelos mais velhos que ainda vão estando mas também pelos que já partiram e rondam na garantia do equilíbrio, para proteger das incautas e fugazes desavenças e roturas.
Em alguns domingos vai-se à igreja cumprir tradição, arejar a perfeição e agradecer por tamanha harmonia que só poderá vir de bafejo divino.
Os nascimentos são celebrados efusivamente como continuação de tanta bondade que impera no seio de todos.
Esta podia ser eu, bem gostava que fosse mas não, nunca tive nada disto e imagino que a maioria de vocês também não e deduzo isto só para não me sentir tão só nesta minha estranha forma de vida mas se a vossa é melhor, aproveitem ou tivessem aproveitado.
30
Jan20

Freek-chique

Rita Pirolita
O que quero eu dizer com isto?

 

Gosto do espirito I don't give a shit dos freeks mas como não sou fundamentalista não sigo tudo à risca, é como ser vegan e uma vez por ano comer um pedaço de presunto, não tem espinha, é seco que nem um carapau, o suficiente para não haver sangue no prato, o sal é tanto que disfarça o sabor a barrasco e deve-se comer fino, que disfarça a textura esponjosa e nojenta da comum das carnes.

 

Vamos lá falar dos freeks, que eu não vim aqui para dar lições de culinária gourmet mediterrânica, como lhe chamam agora. 

Podemos no entanto dizer que tenho uma alma livre gourmet e chique. Passo a explicar. 

O comum dos pertencentes a este grupo apresenta sinais de alguma tendência de direita ou monárquica, tem casa na costa Alentejana ou nas belas vinhas de Trás-os-Montes, tem uma carrinha vintage da VW que custou os olhos da cara e a mim me custaria o cu também, porque tinha que o pôr a render, às vezes têm um dreadlock a despontar da cabeleira mas nada de exagerado, para não se confundir com um rastafari, usa roupa cara, mais uma vez para não se confundir com gente pobre e mal lavada, tem cães de marca que custaram um balúrdio e passam a vida no veterinário. Por último e nisto são todos iguais, fumam muita ganza, ora é aqui que eu me destaco e na riqueza também, confesso. Sou uma freek-chique pelintra!...  

 

Não sou de direita nem de esquerda, a não ser que isso me garanta uma casa na praia, não fumo, nem muito nem pouco, gosto de rafeiros e com muita adrenalina estou sempre a desafiar a liberdade que este mundo me deixa ter. 
13
Dez19

Bichos cabrones

Rita Pirolita
De passeio por um país do equador, desfrutamos de praias, nunca tão bonitas como as de Portugal, de vendedores ambulantes de fatias de bolo com ou sem erva e surfistas rastafari...
A nossa cor de pele, denunciava logo a condição de veraneantes vindos de outras bandas, não dava para enganar e pelas ruas lá aturávamos 50 ou mais perguntadores, como dizia o moço a fazer uso do seu humor, interessados em saber se fumávamos, por certo muito preocupados com a nossa saúde, não era de certeza para promover um qualquer programa de desintoxicação...
Ficamos hospedados numa simpática casa de madeira construída por um casal, ele espanhol e ela local, com um terraço empoleirado em cima de 3 andares de quartos, onde corria alguma brisa a contrariar a canícula melosa e que à noite era o palanque ideal para observar os vizinhos do bairro, churrascos e rixas com polícia pelo meio. 
A preocupação deste simpático casal era a manutenção e expansão do seu recente hostal que ainda pedia comentários no TripAdvisor, para aparecer na lista dos mais estrelados e para a qual muito contribuía a eliminação, com tratamento adequado à madeira, de uns bicharocos que existem por todo o lado mas talvez pela humidade, se tornavam mais vorazes e descontrolados por aquelas bandas. 
Esta era a grande preocupação deste jovem proprietário que não se imiscuiu de privar connosco e debaixo de um sorriso jocoso de dentes serrados, expressar a revolta contra os 'bichos cabrones' que lhe comiam o negócio, podendo reduzir tantas horas de suor, a farinhenta serradura.
Sempre de portas e janelas escancaradas, que o calor aperta, os cães pareciam deambular à noite pela fresca, mas o certo é que todos sabiam onde iam e a que casa pertenciam, mesmo que os chamasses não te ligavam nenhuma. 
Percebemos depois, que todos os cães têm dono mas parecem pertencer a qualquer transeunte que cruzem. Nunca estão presos, a rua é o seu domínio, saltam muros com ou sem autorização, são cuidados em pleno gozo de liberdade, domesticados qb, saem de casa quando querem e regressam às horas que bem entendem.
Entre uma vasta oferta de erva fumante que não aproveitamos, cães ariscos cheios de piada que parecem abandonados mas nunca se perdem, fruta com o melhor sabor que algum dia comi na vida, galo pinto e peixe grelhado...
Assim deslizaram os nossos dias a rir do doce feroz e bem disposto, 'el matador de bichos cabrones'.      
29
Nov19

Mete nojo aos cães

Rita Pirolita

A única coisa proveitosa que a idade me tem trazido é uma capacidade galopante de ver coisas estúpidas em tudo, de fazer piada de quase tudo, de me rir da palerma que sou em levar a sério o que é passageiro e finito, a vidinha, ela própria!!! Essa bitch, que de resto com a idade só me vai trazendo num crescendo massacrante, desgostos em forma de dores nas costas, joelhos e ancas, incontinência, rugas, mamas e nádegas descaidas e moles e por ai fora numa lista interminável de decadência.
 
Digam lá se o melhor remédio não é rir e deitar o mau aspecto que cada vez mete mais nojo aos cães, para trás das costas?!

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