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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

15
Jul20

Mulherio

Rita Pirolita
Eu não simpatizo nada com mulheres que acham que só por serem mulheres têm direito a ser mulheres...eu explico.

Quantas mulheres se casam ou namoram com um olho no burro e outro na riqueza do cigano?

Quantas entram em ciclos de ciúme desgastante com ex e sogras, uma disputa de posto por quem consegue atrair mais atenção do homem conquistado, quantos homens gozam com essa penosa demonstração de amor viciado à partida, que se esgadanha por atenção, alimentada com prendinhas e beijinhos.

Homens possuídos pelas mães e controlados pelas esposas! 

Em fase de namoro as mulheres submissas deitam garras de fora quando sentem o homem preso o suficiente, com filhos ou uma casa para pagar, o homem atulhado de solicitações, satura-se, procura aventura e liberdade, as mulheres fartas de uma vida monótona fazem o mesmo!

Já tive todo o tipo de futuras sogras e respectivos futuros companheiros, nunca entrei em campos de batalha de areias movediças, quando a mãe domina a cria e esta deixa, as pretendentes espertas abandonam o barco por causa da mãe e abdicam da cria que está visto, não merece a pena manter, vai ser uma criançola a vida toda, cheia de taras, vingativo porque detesta ser tão dependente da mãe mas não consegue evitar, os homossexuais estão mais a salvo, os namorados nunca são concorrência directa às mães!

Posto isto podíamos ser normais e amar descontraidamente sem precisar de jantares oferecidos em troca de uma queca, que essa mesma queca até possa acontecer antes do jantar, sem que condene a continuação da relação, que tudo seja menos sério e enfadonho sem projecções de casamentos de sonho e 1 ou 2 filhos, de quem os sogros tomem conta para não gastar o dinheiro que não se tem em infantários, que os avós mimem os netos de tal forma que criam monstros que pensam que em adultos têm todo o direito a ser tratados como reis e rainhas de castelos suburbanos e reinos perdidos. 

Já ninguém fica encalhado, é tão fácil arranjar companhia, já o relacionamento de uma vida está reservado àqueles que sabem descontrair e deixar que a vida dê, não o que achamos que merecemos mas na maioria das vezes o que precisamos e alguns precisam de coisas boas talvez por saberem os caminhos que se cruzam com elas!

Eu só não gosto do mulherio que só se dizem mulheres por terem uma cona que define o seu poder!

Estas mulheres existem e há homens para gostar delas.

Eu gosto de mulheres que não andam cá para chatear nem homens nem mulheres!

Pensavam que ia falar de assuntos quentes como o feminismo "contemporâneo", os direitos das mulheres, a violência, o assédio?...

Nem tão pouco escrevi a palavra amor neste texto, esse sentimento tão sonhado para nos afastar da nossa pouco merecida existência, quando o amor apenas vagueia entre a terrena razão do cérebro e a selvagem sexualidade, sem quimeras ou contos.

A má coexistência ancestral de humanos cria complicações supérfluas sobre o trivial.

Tinhamos tudo para correr bem...mas não!
12
Set19

Rufias e enconados

Rita Pirolita

Na minha infância e até à adolescência nunca vi ao vivo nenhum autista, hiperactivo ou sobredotado, éramos todos ou rufias ou enconados. 
O meu caso era de tal maneira invulgar que a minha mãe na tentativa frustrada de me vestir umas simples collants grossas de lã, que picavam como a merda e davam comichão nas nádegas, ou só mesmo uma camisola interior toda feitinha de eletricidade estática que até punha os cabelos em pé, desistiu ao fim do primeiro...e último dia. 
Já não tinha de usar saias e era só jardineiras de ganga ou bombazine, galochas e o belo do Kispo.

Os rufias, que davam mais trabalho, não eram logo levados para o psicólogo. Havia uma maneira de resolver as coisas no momento, se estivessem ao pé de adultos...dois chapadões na tromba, se estivessem ao pé de mim era pontapé que até fervia que eu também não me ficava...e já nem chorávamos de tão habituados ao tratamento de choque, passados 10 minutos estávamos a levar outra vez! Aquilo é que era o festim do traz-paz catra-paz. 
Se chorávamos, no segundo a seguir já estávamos a rir e não éramos esquizofrénicos.

Eu tenho cá para comigo que certos comportamentos passam a doenças, quando os médicos e as amigas de merda, se lembram de dar nomes pomposos às coisas e dividem tudo por espécies com pedigree...
Ai, eu sou border line (são aqueles que o médico lhes disse que não têm nada de especial e toda a maluqueira em geral). Ai, que eu sou border collie...Ui, que eu sou dalmata...
Não há paciência!

Passados uns tempos não ouvi falar mais de miúdos sobredotados, os pais descobriram que os filhos não eram assim tão inteligentes e depois fecharam-se em copas para não admitirem que os filhos eram burros que nem uma porta. 

Os hiperactivos mantiveram-se activos até hoje. 
Acho que tenho um pouco disto, sou distraída como a porra, tenho pilhas Duracell e gosto de fazer coisas diferentes a toda a hora. 
Os hiperactivos não gostam é de rotina e saltitam de actividade em actividade. Fazem eles muito bem, não sabem fazer nada em especial e fazem tudo em geral. 

Quanto aos autistas, mais recentes, a coisa já pia mais fininho. Não conheço nenhum caso mas já vi documentários.
Ora bem, parece-me que os autistas são o reflexo de uma geração de pais divorciados, isolados, agarrados ao computador a ver coisas que devem e não devem, sedentários, com extrema dificuldade em manter relações próximas, saudáveis, intimas e duradouras com os outros. 

Embora não exista a certeza se é herditário, genético, social/ambiental ou culpa dos pesticidas, estas pessoas desligaram de um mundo que não lhes interessa, diga-se em abono da verdade nem interessa aos ditos "normais". 

Vivemos em constante alucinação, por isso acho bem que alguns tenham a capacidade de desligar. A mim dava-me um jeitaço!
O autismo parece uma resposta de defesa do individuo à sua integridade/sanidade mental por mais paradoxal que isto seja - parecem malucos a preservar a sua maluqueira e a defenderem-se da loucura dos outros.

Como vamos ensinar estas crianças a serem adultos funcionais? Colocá-los em turmas de ensino especial e andarem sempre no psicólogo? 
Na minha altura era tudo ao mólho como os caracóis, uns devagar iam ao longe, outros acabavam na panela.
Esta é mais uma questão para a qual não tenho resposta mesmo assim aqui fica uma tentativa:

Numa turma os mais inteligentes são forçados a abrandar e descer ao nível dos mais burros, vou chamar as coisas pelos nomes, não vou chamá-los de menos inteligentes e não são deficientes, o contrário não acontece, dá muito trabalho estimular os mais lentos e preguiçosos, é muito difícil fazer de um burro esperto, por outro lado um esperto nunca será burro tal como um inteligente não saberá ser esperto e um esperto nunca será um génio.
" Ninguém gosta de andar de cavalo para burro" e o que eu gosto dos jumentos, que não são nada burros, são é teimosos como a porra mas isto desanima, até se perde a vontade de continuar a ser inteligente.

Se tem vontade de matar e violar, entregue-se já à policia ou feche-se num quarto e espere que passe, se não "don't worry, be happy". 
De médicos e de loucos todos nós temos um pouco mas também não precisam de se orgulhar tanto por ter filhos índigo...eu gosto mais de turquesa.
10
Ago19

52 semanas

Rita Pirolita
Porque falam as grávidas em semanas em vez de meses, se querem mesmo baralhar, falem em dias ou horas. 
Eu sei que 52 semanas equivalem a um ano e isso é o tempo de gestação de um burro!

Dá-se música clássica às barrigas para parirem génios?!... 
Eu não tive nada disso e reparem na sumidade que sou!
 
Amor e educação dos progenitores não são garantidos, a vida, a escola ou a escola da vida que façam esse trabalho.
 
Crescemos em moralidade imposta, nunca compreendida ou explicada por quem nunca a praticou.
 
Não sou parecida com ninguém de família mas todos me dizem que conhecem alguém parecida comigo.
Se calhar sou fruto de (a) parição espontânea.
 
Gostava de ser melhor todos os dias por intuição e não por oposição aos que me alimentaram a quem peço que não me humilhem e não me deixem dívidas.

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