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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

28
Nov19

Cultura permanentemente utópica

Rita Pirolita
 
 
 
"Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países."
Não vivemos num Jardim de Éden nem num Inferno de Dante, apenas somos o Planeta Terra que deu origem ao milagre da vida  humana, que sem respeito o destrói! Todos os sistemas se recriam e destroem numa constante espiral. A sustentabilidade dos sistemas foi a primeira a existir, mesmo antes de a começarem a destruir e agora vêm com a palheta de freek chique, dos negócios sustentáveis!...
"Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais."
Já sabiam isto desde os anos 70 e só agora é que anda tudo com a passaroca aos saltos com a "novidade"?!...Maganos dos australianos que não nos disseram nada, guardaram tudo para eles, não foi ético.
"No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia."
Lá está, a pegada deve ser minima, não como os dinossauros que graças à sua grande pegada sabemos hoje que existiram, que não foi Deus que criou esta merda e não viemos todos do Adão e da Eva. 
Porque quando este querido planeta implodir de tão mal tratado por nós, que andamos com frescura a tentar remediar as feridas que provocamos com pensos bacocosnão vai haver vestígio nenhum da vergonha que fomos.  
"E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras."
Pois...o pior é que as necessidades nunca são refreadas sempre que há oportunidade de poder a ambição é desmedida, o consumo é descontrolado e exagerado e ninguém reparte ou partilha a sua riqueza.
"Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões."
Parece que estes foram os fundamentos da Revolução Francesa e pilares da democracia, nunca praticados até hoje.
"Oferecendo-lhes, em vez de sistemas fechados e fragmentários, o paradigma holístico contemporâneo, que tudo articula e re-laciona, para a construção de projetos abertos ao infinito."
Pois, Buda já o apregoava e existiu muito antes de aparecer o Cristo.
"As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem."
Comunismo vs capitalismo. Todos temos que ser iguais e trabalhar para o bem comum. Houve um tal de Estaline lá para os lados da Russia e um tal de Mao Tse Tung lá para os lados da China...não parece que aquilo resultou.
"A Agência Mandalla DHSA, com sede na Paraíba, é uma OSCIP que está desenvolvendo tecnologias Sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural, alcançando para a Permacultura a maior repercussão já vista no país (leia seção da página 4). Em menos de três anos, chegou a mais de 80 municípios de nove estados brasileiros, beneficiando diretamente duas mil pessoas com a garantia da segurança alimentar e a geração de excedentes para a comercialização. Entre as famílias beneficiadas, a renda média é de R$400,00 ao mês, sendo que há exemplos de agricultores auferindo renda mensal de R$1.700,00."
Seus capitalistas, a lucrar com os bens que possuem. Parece que não é a primeira vez que a humanidade vai por este caminho. Com milhões a viver no Brasil só 2 mil pessoas beneficiaram desta iniciativa...muito parecido aos Institutos, Fundações, Associações, Cruz Vermelha, Cáritas, Santa Casa da Misericórdia...
"Os Institutos de Permacultura

São oito no total, atuando de forma diversa. Aqueles que fundaram a RBP, Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul), funcionam como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas, com apoio financeiro da PAL – Permacultura América Latina, instituição comandada pelo iraniano Ali Sharif, com sede em Santa Fé, Estados Unidos. A única exceção é o IPAB, que não possui centro demonstrativo e, por isso, atua de forma independente, dispensando financiamentos vindos do estrangeiro através da PAL."
 
Só uma é independente?!...Mas caminha a passos largos para também se financiar com dinheiro alheio.
 
"A exemplo do IPAB, o Instituto de Permacultura da Bahia (IPB), o Instituto de Permacultura

Cerrado Pantanal e o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), possuem projetos sociais e muitos parceiros, mas não fazem parte da RBP. A título de ilustração, cito o Projeto Policultura no Semi-Árido, implantado no sertão da Bahia, atendendo hoje 700 famílias de pequenos agricultores. Com o apoio do IPB, as famílias estão desenvolvendo sistemas agroflorestais e garantindo para si segurança alimentar, trabalho e renda. O projeto ajuda os sertanejos a combater a desertificação e conviver harmoniosamente com a caatinga."
Destroem a subsistência dos pobres, tornando-os miseráveis para depois lhes darem esmolas em forma de terra para cultivar ao abrigo de projectos financiados, cujos beneficiários nunca mexeram num punhado de terra!
"O IPOEMA (Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente), no Distrito Federal, que é o mais novo entre os institutos brasileiros, vai atuar fortemente no atendimento a comunidades locais e tradicionais, além de trabalhar com pesquisa e formação de novos permacultores.Por enquanto, há pouca ou nenhuma interação entre os institutos de Permacultura do Brasil."
Pois...querem todos parecer mais diferentes que os outros...
"Mesmo na Permacultura, que está fortemente enraizada na cooperação, a competição tem acontecido, causando estranheza, mas, sobretudo, mostrando quando o processo ainda não amadureceu. Em ecossistemas maduros, assim como em sociedades tradicionais estáveis, as relações tendem a se tornar mais mutualísticas e simbióticas”."
A competição faz parte dos processos que estão mais que maduros, aliás já caíram de podres e as sociedades tradicionais estáveis não existem, porque o Mundo avança mesmo com cada um a puxar a brasa à sua sardinha. 
"Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram."
 
A Humanidade é um projecto autónomo de avanço para a destruição.
 
"Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação."
 
Isto faz lembrar aqueles cabeludos dos anos 60 que fumavam erva e não tomavam banho...os...ai...os Hippies? Mas eram visionários, devia ser do LSD ou dos cogumelos estragados.
 
Eu acho engraçada esta frescura de ser vegan, guru, viver em comunidades, pertencer a seitas e fazer retiros mas foi graças a invenções malucas como a bomba atômica, guerras seguidas de períodos de grande prosperidade, industrialização e aumento do consumo, exploração de petróleo, criação de necessidades desnecessárias, que cada vez nos apercebemos mais da globalização e distribuição das consequências dos actos. 
Foi graças a todas as coisas boas, más e assim-assim que muitas pessoas não morreram de fome, graças à produção massiva de alimentos que os que mais necessitam não conseguem comprar, e os que menos precisam deitam fora, excedente desaproveitado e não partilhado. 
Foi graças a vacinas que muita gente não morreu, dando origem a gerações de contracultura à cultura vigente, que  lutam por causas tão variadas como o cancro de pele da toupeira cega do deserto, a extinção dos mamutes que já não existem, a anorexia em África, apoio a refugiados em provas de natação no Mediterrâneo, etc... 

Meus amigos enquanto andarem ocupados com utopias que não levam a lado nenhum, a brincar aos pobrezinhos ou a brincar aos nossos avós que viviam em condições miseráveis porque não tinham outra escolha, não andam a fazer mal a ninguém nem trazem mal ao mundo, aliás a vossa pegada ecológica vai ser tão pequena que seres de outro planeta que nos façam uma visita nem vão dar conta que vocês existiram. Namasté!

Permacultura

 
 
Tudo o que está entre aspas é da autoria do senhor acima mencionado, como vocês bem sabem o plágio não é ético, logo não é Permacultura.
03
Mai19

Testemunhas de Jeová

Rita Pirolita
Já fui interpelada na rua por pares de velhotas com a revista 'Despertai!' na mão.
Eu nunca entregaria uma revista com este nome logo pela manhã ou à tarde na altura da sesta, com medo de agressões!
Já fui abordada por miúdos novos que também andam aos pares, falam numa língua de outra dimensão, em nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 
Nunca convidam para tomar uma jola na esplanada da tasca, que por mim não tem que ser forçosamente no sétimo dia, aliás para esse tipo de coisas não há dia nem hora marcada.
Estes mancebos são todos loiros, de olhos azuis e da mesma altura! Serão todos filhos da mesma mãe? 
Se forem, não devem ter possibilidades económicas para renovar o guarda-roupa e os fatos passam de geração em geração!
As velhotas lá por andarem aos pares não pertencem ao mesmo grupo dos mancebos mas que andam todos a falar do mesmo, disso não tenho dúvidas!
Por serem tantas só me leva a crer que a partir do desaparecimento do Jeová, que já foi há muito tempo, foram todas compradas, não estiveram lá, não viram nada, têm que inventar tudo e a K7 nunca falha!
Nunca abro a porta às Testemunhas mas certo dia descuidei-me e abri a porta de casa atarantada, num acto desesperado de fazer tudo ao mesmo tempo, agarrar e acalmar a cadela que não parava de ladrar com o som da campainha e assim evitar que fugisse porta fora. O meu pet estava apenas a cumprir a sua missão e muito bem!
Deparei com um casal, também em missão mas não sabiam ladrar, faziam-se acompanhar de uma miúda para aí de 10 anos, possivelmente já em formação para futura espalhadora da palavra ou como estratégia de marketing. 
Isto não é exploração de trabalho infantil? 
Nesta igreja deve ser tudo abençoado em nome do tal. 
Com muito esforço, este casal de ar simpático e submisso, tentou falar da sua missão porta a porta...a espalhar não sei o quê...e que vinha aí o dia do Julgamento...
Não dei muita atenção porque não tinha problemas com a justiça, nem tinha deixado nenhuma multa por pagar. 
Amigos do Jeová, esse dia vai demorar colhões de anos a acontecer, com o enorme rol de testemunhas que têm para ouvir até ao dia do Apocalipse! 
Descansem, não são os únicos, os tribunais em Portugal sofrem do mesmo problema!
Aceitei a revista e fechei a porta, depois virei-me para a peluda e tive uma conversa em canês muito séria, 'tinha passado o tempo todo a ladrar e não deixou ouvir o que aquele simpático casal tinha para dizer.' Será que o raio da bicha viu o Diabo??? 
Acredito que os cães vêm coisas que nós não vemos, nem que estejam mesmo à frente dos nossos olhos e sejam do tamanho de um palácio…nós somos os burros a olhar.
A revista usei para forrar o caixote do lixo!
Também podiam oferecer mais serviços, tal como entrega expresso de marmitas ao domicilio com opções vegetarianas...
Realmente Portugal é um bom exemplo de respeito pela religião, costumes e culturas diferentes.
Os chineses não pagam casa porque comem e dormem nas lojas e para poupar mais ainda não se deixam morrer, pelo menos em território português.
Nunca ninguém no meio da rua se atirou à testa de uma monhé  para raspar a pinta e ver se tinha prémio?!
Por acaso adoro comida Indiana, é muito condimentada e tem imensas opções vegetarianas, o que me levou a crer que a maioria dos indianos não comiam carne. 
Certo dia essa crença foi posta em causa, precisamente quando fui almoçar com um amigo indiano que já vivia há muitos anos em Portugal. 
Contou-me que já tinha sido dono de um restaurante no Porto, o que não deixava dúvidas pela sua compleição física dilatada. Nesse restaurante além de outras coisas também servia carne e quando a família vinha da Índia visitá-lo tinha que os fazer acreditar que carne por aqueles lados, nem vê-la nem cheirá-la
Saímos do restaurante até as cuecas cheiravam a caril, o meu amigo apenas tinha no papo uma sopinha, não sei se foi para me impressionar...mas não se devem julgar as pessoas apenas pelo aspecto!
Buda também era vegetariano e olha o corpinho que deitava, se calhar comia da gaveta como os algarvios!
 

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