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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Jul20

Um conto ou dois

Rita Pirolita
Nem sei se vos conte um conto ou dois, sem acrescentar três pontos. 
Eram assim aqueles dias de cabelo comprido, crespo e ondulado, os outros escorridos, loiros e brilhantes, alta e magra, joelhos negros de cicatrizes, outros alvos e gorduchos. 
Semblante de cigana de bairro pobre, quase a viver na rua, com casa virada do avesso.
Sou líder da minha tribo e rodopio para me transformar em super-mulher, tão invencível que até os rapazes se baralham mas não se deixam ficar.
Serei sempre a rapariga que joga carica e berlinde, à macaca, ao canivete e ao pião, aos carrinhos de rolamentos, monta bicicleta alheia, e ao fim do dia olha para as bonecas mas mexe nos carrinhos.
Televisão a preto e branco, escola à tarde, férias de verão em três meses de praia a perder de vista, dois de campismo, calor matinal, abrasador à tarde, noites cálidas, pão com manteiga e açucar, hortas de abelhas, moscardos e minhocas, ervilhas de cheiro e feijoeiros, correria na mata sem medos.  
Regresso às aulas, fim de dias longos, começo de humidade, chuva e estrelas de Natal, frio invernal de galochas.
Amanhã o silêncio será quebrado mas agora vou dormir sem história nem conto...
29
Mar20

Correr, correr, correr...

Rita Pirolita
Correr, correr, correr...
Que cansaço mas aqui deixo considerações sobre a nova moda de correr e quem não pode caminha e quem não pode ainda menos, fica em casa! 
As seniores lá se juntam, divorciadas, amigas, amigadas ou aquelas que apenas querem deixar os maridos em casa ou no café.
Mas o grupo de que vou falar é o meu, melhor dizendo, que anda próximo da minha faixa etária, as antas dos entas, porque de resto não me meto nestas coisas, não sou adepta de grandes esforços, rotinas ou obrigações. 
Eu vejo barrigudos, coxas com celulite, gémeos que parecem filhos únicos ou então uma anaconda que engoliu um ovo de avestruz, barrigudas, mamalhudas e cuzudas, com banha firme ou a abanar, a correr com os bofes de fora, parece que começaram há uma maratona atrás mas acabaram de sair de casa e já estão pesarosos, a suar por todos os lados e a arrastar os ténis. 
Não tenho nada contra correr, CrossFit, bicicleta e outros, desde que não me esfalfe e veja os outros a fazerem-no, por mim está tudo bem mas o que mais me intriga e este é o propósito do meu texto, são as pessoas que observo numa quantidade considerável, quando passo de carro com a peida sentada a caminho de qualquer sitio do meu interesse, a correr em horas de maior calor e depois de almoço ou de jantar, de careca ao léu e camisa manga-cava a apanhar o bronze de trolha, elas de rosa Benetton ou verde ervilha, para que nenhum carro abalroe os camafeus que compraram o equipamento em promoção na Decathlon, antes de saberem se vão aguentar correr muitos dias ou desistir logo nos primeiros 10 metros. 
Não interessa, a roupinha de lycra também é confortável para trazer por casa ou dar um saltinho ao café a beber a biquinha depois de almoço e rematar com o Português Suave!  
O que anda esta gente a fazer à beira de estradas, que muitas vezes nem berma têm para correr, quanto mais para a largura de algumas nalgas, gente de bicicleta que à mínima passagem do camião do lixo são atirados para  cama de caruma...quando muitas vezes existe um caminho mesmo ali ao lado, com mais clorofila, com nenhum trânsito, um arzinho um pouco menos poluído e sem o risco de ser atropelado!
Esta gente de beira de estrada anda à procura de indemnizações por atropelamento, será que os seguros de acidentes pessoais acrescentaram alguma cláusula nova? Têm medo de ir para o meio da mata e aparecer um urso que lhes vá ao cu? Em Portugal a pior espécie de ursos anda fora das matas! Querem mostrar aos que passam que são saudáveis e fazem muito exercício? Querem respirar toxinas de cano de escape porque algum maluco publicou na Wikipédia a teoria que versa sobre maior abertura de pulmões e aumento da capacidade respiratória, isso de fumar está fora de moda?
Querem inspirar os automobilistas e mostrar que aquilo faz melhor do que aparenta, espelhado nas suas caras de babuíno, torcidas de esforço desumano?... 
Não sei o que se passa, já faltou mais para parar na berma de uma qualquer estrada e perguntar a razão de tamanha estupidez mas arrisco um convite de ajuntamento à trupe, para experimentar os prazeres de um bom dióxido de carbono em 2ª ou 3ª mão e isso eu não quero.
Estou farta de gente endoidada, longe deles, enquanto andarem entretidos não atentam a minha paciência e inteligência nem andam a fazer coisas igualmente estúpidas mas muito piores!        
21
Set19

Mãe, achas que era muito pedir uma bicicleta?

Rita Pirolita

 

 
Filhos...não tenho!
Certo dia disseram-me - 'não fiques à espera de sentir o chamamento da maternidade, isso só vem no momento em que engravidares!'.
Porra, e vou engravidar primeiro para tirar as dúvidas depois, nãããããã!!!

Com o azar que tenho ainda me sai um filho autista, de qualquer maneira fico com um mono que só sai de casa aos 30 ou 40 anos, consome dinheiro até à minha reforma ou até eu morrer, reproduz-se e dá-me netos para cuidar, sustentar e sugarem mais, sem puder ir de férias a lado nenhum. 
Desde cedo já estava a passarinhar fora da gaiola e se tivesse sido antes também me desenrascava.

Só engravidaria na vida se puséssemos ovos que dessem para pôr no frigorífico a "frizar", para podermos ir de férias sem parecer um carro de combate estacionado na esplanada. 
Quando os petizes nascessem não mamavam porque quem nasce de ovos não chupa leite. 
No máximo ao fim de um ano saíam da gaiola e encontrávamo-nos de vez em quando para beber um copo.

Isto de ter filhos e olhar para eles a crescer...não vejo onde está a piada, olhem os bebés pretos e chineses, são uma gracinha mas quando crescem, ai kamedo!... 
Para obter os melhores resultados na lavagem da sua roupa misture raças! 
Já agora, expliquem aos primos directos que só os cães e outros animais podem cometer essas infâmias sem maus resultados. 

Mais, tem-se filhos para continuar o sangue da família... Algumas famílias são tão más que mais valia acabarem logo ali, além de que andamos a criar seres que aumentam a pobreza e as estatísticas de doenças como a diabetes e a obesidade. 

Pensem comigo, querem continuar a família? 
Ninguém está preocupado em preservar a espécie, não estamos em extinção, só podíamos ter vindo de um par de células que se reproduziram por isso somos todos família, filhos da mesma origem, então para quê fazer mais filhos?... Não vamos desaparecer, pelo contrário, destruímos tudo como as pragas. Já fizeram as contas a quantos já somos?
Se não nos matássemos uns aos outros e não houvessem doenças já não havia espaço para tanta gente e tínhamos que ir viver para a Lua ou para Marte. 
Era da maneira que a ida à Lua deixava de ser mentira!
Porque não controlar a população de forma mais natural e menos violenta?...
 
E por fim, tem-se filhos para fazerem companhia e tratarem dos pais no fim da vida...MENTIRA!
Espetam com os velhos nos lares e abandonam-nos nos hospitais.

Ter filhos é um acto de egoísmo. Olhem para o lado e comecem por tratar bem os que já cá estão. 
Atenção, eu gosto de miúdos...os dos outros...e tem dias. 
Gosto mais de cães. 

Fedelhos, quando a mãe vos perguntar se querem um mano, perguntem de volta, se era muito pedir antes uma bicicleta, se ela acha que tem abertura (mental) para tal???
11
Ago19

Os meus dias

Rita Pirolita
…eram passados a deslizar em carrinhos de rolamentos e a andar na bicicleta dos outros, partia minhocas em bocados e apanhava ervilhas de mau cheiro nas hortas dos vizinhos, irritavam-me as coquettes, trocava facilmente as bonecas, que insistiam em me oferecer por carrinhos, a maldita bonecada era feia e cheirava mal, tinham cabelo crespo e vinham todas de Espanha, Barbies nem vê-las, brinquei ao berlinde, à carica, à macaca, ao pião...

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