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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

24
Jul20

Laivos hitlerianos

Rita Pirolita
      
Cuidado que agora temos que andar tapadinhas, não nos deixarmos fotografar em posições ousadas e muito menos ganhar dinheiro com isso, é pecado, só as Kardashian e animais similares poderão atentar as nossas vistas, com mau gosto escarrapachado nas nossas caras, como um péssimo modelo de exposição a seguir.    
E assim se 'educam' os olhares, como na velha Rússia, tapa-se o que não interessa mostrar!  
No Irão as mulheres lutam pelo direito e liberdade de se destaparem e escolherem usar ou não o hijab, com largo apoio de maridos e namorados, aqui nos países ditos civilizados e evoluídos, tenta-se maldizer, tapar e assexuar, tudo é instrumentalizado em atentado ao pudor. 
Qualquer dia não podemos namorar, flertar e até pinar. Vamos todos encomendar filhos a con@ alheia, como fez o Ronaldo!
Convenhamos nem tanto ao mar nem tanto à terra. 
Não será que a nova seita de feministas tresloucadas de laivos hitlerianos e homens enconados que vão no seu encalce a ver se comem alguns restos, espalham tanto ruído que acabam por atenuar a diferença, tirar a visibilidade e meter no mesmo saco, sexo consentido entre adultos e pedofilia, fazer parecer que toda a comunidade LGBTI se está a transformar ou já é, uma maioria que vai dominar o mundo? Não precisamos de ameaças de domínios, precisamos de aceitação mútua!
Querem fazer acreditar que fomos todos concebidos cientificamente, com ausência de prazer e desejo, a animalesca atitude de saltar para a espinha uns dos outros apenas para reprodução e não por atracção pura e dura, foi o que nos salvou da extinção?... 
Será que agora nunca mais vamos poder ser mais nada que não modelos gordos e disformes ou modelos magros sem formas, forçados a aceitarem-se na sua desequilibrada existência e nova normalidade? 
'Aceita-te como és, sejas obesa ou sub-nutrida', dizem os gurus da moda! 
Os 'definidos' serão os novos anormais em países ricos, os 'indefinidos' serão mortos em ditaduras de conservadorismo?... 
Já agora para onde podemos fugir? 
É que daqui a pouco nem lobo, nem toca!
Eu sei que a humanidade tem o GPS avariado desde sempre, que nunca teve missão nenhuma, nunca soube para onde caminhava e já perdeu o Norte há muito, mas é demais que mudem as regras e estado de humor vigente a cada nanésimo de segundo neste planeta!
Decidam-se porra, já não sei se use a peruca arco-iris ou rape o cabelo, se ponha o strap-on ou o cinto de castidade ou se mije de pé ou sentada?!
23
Set19

Arrepio

Rita Pirolita
 
 
Sabem aquelas pessoas com quem somos obrigados a conviver por questões laborais mas que nunca deviam ter tropeçado na nossa, já de si, errante vida? Quanto mais desejarmos que sejam nossas amigas, vizinhas ou até conhecidas do café, mas acabam por gostar de nós, porque somos as únicas com quem conseguem soltar uma gargalhada aqui e ali e até sentem uma invejazinha por sermos descontraídas, destravadas e irreverentes como elas nunca serão.  

São aquele tipo de pessoa que é tão oposta à nossa forma de ver e viver as coisas, que em vez de atracção existe repulsa, arrepio e pouca tolerância à sua presença mesmo à distância do horizonte, mais ainda na versão feminina, que tenta fazer concorrência directa aos seres do mesmo sexo, tempo perdido claro, mas também precisa de fazer amigos e não desgruda quando há rambóia ou simples mexerico. 
Mal elas sabem que são o tema principal da bisbilhotice e galhofa nos nossos momentos de descontração.
 
Pela descrição, até parece que me estou a referir a pessoas com comportamentos muito desviantes, tais como assassinos, políticos, palermas, estúpidos, etc. 
Mas não, estou apenas a referir-me a pessoas que para mim são sociopatas e psicopatas encobertos, para esta minha conclusão basta uma pessoa não saber estar sem trabalhar, ser sovina, convencida que é o cúmulo da pontualidade e profissionalismo, não saber falar de mais nada a não ser de trabalho, orgulhar-se de não gozar férias há 2 anos, ser peganhenta ao ponto de falar tão próximo da nossa cara que parece que nos vai passar aquele bafo negro de peçonha dos filmes de terror, para nos rendermos à sua seita de adoração e submissão lambe-botas ao patrão e ao Deus dinheiro, não aguentar uma relação por muito tempo e já quase se ter convencido que está sozinha porque é boa demais, mas continua a deitar a rede a tudo o que mexe e se não põe a hipótese de virar fufa, devia pensar seriamente no assunto e também não pensar mais em mim.
 
Eu trabalho para ganhar dinheiro suficiente para gozar a vida, não me esforço mais até ao próximo momento de necessidade e não disfarço esta relação interesseira com o trabalho. 
O trabalho por mais aprazível que seja é uma obrigação escravizante na visão de uma boémia contemplativa como eu. 
O amor próprio deste tipo de gente só subsiste com os elogios ao seu irrepreensível comportamento laboral e relação de fachada com os colegas, colegas que se forem como eu, escondem atrás de um sorriso amarelo, peninha da criatura que se esfola para mostrar que é a melhor e porque sem essa bajulação não é nada na vida nem põe um pézinho que seja, no adorável mundo da diversão e alegria.

Ainda existe um subgrupo desta espécie que também me põe os cabelos em pé, aqueles que nunca fizeram nada de jeito na vida, aos quais nunca pedi dinheiro emprestado mas a quem as minhas férias fazem muita impressão e são sempre demais!  
 
Ora dito isto, eu gostava de ter nascido já reformada e rica, sem saber que esta gente existe.

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