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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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25
Out20

Fim do Mundo

Rita Pirolita
 
Talvez mais lá para o fim do ano escreva sobre o fim do mundo.
Não será melhor escrever agora??? 
Porque o mundo pode mesmo acabar e é importante que deixe a minha visão e testemunho para alguém ler!
As visões apocalípticas nasceram com a humanidade que se entrega mais afincadamente nesta altura a um comportamento bipolar, que salta entre a esperança e a destruição total, imaginamos cenários de castigo para os maus, temos a firme certeza que temos sido cada vez pior uns para os outros, uns verdadeiros selvagens com os animaizinhos e com o planeta em geral e a expiação destes pecados gigantes será de tal forma brutal que não haverá salvação para nada que mexa à face da terra. 
Vem ai um Deus que nos racha ao meio, um meteorito que parte esta merda toda, um Sol enraivecido que queimará tudo, ou uma órbita terrestre que se desorienta de tal maneira que nos atira borda fora e congelamos ao sair da Milky Way. 
Mas não vivemos ou pelo menos muitos de nós, não vivem um apocalipse diário? De alimentar, vestir, calçar, educar e aturar filhos (eu não), de esticar o ordenado (eu sim), rezando para que os meses caiam para 15 dias em vez de 30? O 31 já é abuso e gozo com os baixos salários!
E antes do fim do ano que pode bem ser o último, andamos loucos a gastar a crédito no Natal, o cartão também só se paga em Janeiro, por essa altura se calhar já não estamos cá e os filhos da puta dos bancos também foram com o catano, os espanhóis é que já não vão a tempo para a troca de prendas no dia de Reis...
Até lá vamos vendo a gorda Popota que substituiu a Leopoldina, porque agora todos temos que nos assumir e ser chubby e descontraído, até é trendy, vamos aturando o berreiro das crianças, a loucura dos pais a forçarem os putos a sentarem-se ao colo do Pai Natal, cujas fotos apenas vão recordar momentos de terror, vamos aproveitando a dissimulada bondade de dar passagem no trânsito ou a raiva e stress da azáfama da silly season!
Aceitamos o paganismo promíscuo da sobreposição do Pai Natal com o Menino Jesus, enfeites foleiros e neve de lata, bonecos de neve de esferovite, aturamos a poluição sonora de músicas com sininhos que picam no cérebro como alfinetes, a dizer mentiras fofinhas sobre ajuda, bondade e paz. 
Bem, a minha sugestão é se o mundo acabar que morram todos a fazer o que mais gostam, espero que seja o amor! 
Eu pelo menos aproveito todos os dias como se fossem os últimos, nunca se sabe e tenham sempre presente as que não se deram por alguma razão são irrecuperáveis! 

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