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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Jul20

Amigos velhos que nunca serão velhos amigos

Rita Pirolita
Já pensaram quando forem velhos e por acaso ou muito de propósito vos deixarem sós, como vai ser? 
Se não tiverem filhos o mais provável é que fiquem sozinhos, se os tiverem também sós ficam! Se tiverem irmãos, tios, sobrinhos também ninguém vos vai ligar, cada um tem a sua vidinha, querem ver-vos pelas costas para deitarem mão à herança!
Eu não tenho família nem tive oportunidade de conservar amigos por ter emigrado, também desde os tempos de escola sempre me puseram de parte porque me achavam uma croma que tirava boas notas até a educação física, era girinha mas se abrisse a boca ninguém tinha estaleca para dar luta porque não percebiam nada, nem liam nada do que eu lia. 
Sempre toda a gente me achou um nariz empinado e eu apenas era incompreendida e não dava muita confiança, entrei assim num ciclo de pescadinha de rabo na boca, não me ligavam porque achavam que eu não queria falar com ninguém e até tinham uma certa razão, vendo bem até foi benéfico, não aturei muita gente burra no meu percurso, funcionou como selecção natural!
Mas agora pensem, voltando à velharia...
Se escolhermos uma pessoa para nos cuidar, que não dentro do âmbito familiar ou com qualquer outro tipo de ligação, quererá manter-nos vivos o mais tempo possível para continuar a receber o ordenado, já que na herança não mete as unhas, a não ser que seja um grande cromo patife, também os há que se aproveitam da demência dos mais fracos, alguns velhos merecem por serem tão velhacos e maus para a família! 
Além de que não temos tanta vergonha de alguém que não conhecemos, nos limpar o cu ou mexer nas mamas. 
Pensem quando estão nos hospitais, as enfermeiras e médicos mexem-nos nos buracos todos, rapam pintelhos e nós nem chus nem mus!
Ao longo da vida quantos amigos se perdem e nos desiludem, não sobrevivem às vicissitudes, às separações, mudanças de local?...
Quantos sobram que sejam bons, verdadeiros e estejam ao nosso lado até àquela altura sensível, em que vamos precisar quanto mais não seja de uma companhia que não nos frite os miolos e tenha mais paciência que nós próprios para nos aturarmos? 
Não existe ninguém assim tão altruísta, se calhar é melhor ter um cão ou em caso de já ter, não se livrar dele!
Não será mais sensato poupar para mais tarde pagar um ordenado justo a quem trate de nós com alguma dignidade e cuidado, em vez de gastar em jantaradas para manter amizades que ao mínimo pedido de ajuda dão de frosques por também já estarem tão decrépitos e aziados com a vida como nós?
19
Out19

Grávidas ou gordas?

Rita Pirolita
 
Por causa de umas fotos de uma cantora, que mostrou o seu corpo após um mês de ter sido mãe do segundo filho e também porque sempre existiram grávidas, magras, assim-assim, balofas, gordas, baixas, altas...
 
Estar grávida deve ser muito bom e motivo de orgulho para quem gosta. 
Eu que não tenho filhos por opção, tenho uma visão muito objectiva e distânciada o suficiente, para não criticar e apenas constatar factos. 
Na boca de muitas mães, a beleza da maternidade sobrepõe-se a mazelas, ao mau estar, à depressão, à emoção, ao choro por tudo e por nada, ao peso excessivo, às  noites mal dormidas, às crostas nos mamilos, às estrias, às pernas inchadas que nem um elefante, a uma recuperação lenta e dolorosa fisica e sexual, mas muitas e com as redes sociais ainda mais, começaram a mostrar que como tudo também este estado de graça das mulheres, tem um lado menos bom e mais desconfortável, que elas, de sorriso na cara, querem partilhar com o mundo e preparar futuras mães para coisas naturais que acontecem a quem tem um ser dentro de si a crescer sem parar, até que não caiba mais e tenha que saltar cá para fora.
Não me choca nada ver grávidas ou mulheres após o parto com uns quilos a mais, o seu corpo conta uma história que espero, esteja mais repleta de curvas felizes que tristes percalços. 
As mulheres acabam sempre por ser as piores críticas umas das outras, a verdade é que não se deve incentivar a obesidade ou a anorexia e sim promover a aceitação.

Neste caso vou falar de momentos embaraçantes entre géneros diferentes, pondo a cabrice feminina de parte.
O moço tem sido vitima de enganos sucessivos que lhe têm custado amizades e provocado alguns amuos. 
 
Das muitas vezes que encontrou colegas que já não via faz muito tempo, para ai desde a secundária, em alguns casos precipitou-se e perguntou para iniciar conversa por cortesia, quantos meses faltavam para a feliz hora da cria saltar cá para fora? Ao que percebia pelo embaraço ou simples linchamento com o olhar, que aquilo não era gravidez mas sim casos graves e de gravidade lipídica. 
Começou a aprender com as repetições de maus encontros, que se não conseguia distinguir uma orca de uma orca grávida, mais valia ficar calado para não andar sempre a meter a viola no saco e não ir cantar a mais freguesia nenhuma. 
Estes breves encontros, encurtados ainda mais pela nossa estupidez e precipitação, acabavam com a triste justificação do outro lado, que o seu estado se devia a um problema de tiróide e não de gula. 
Para mim esta explicação chegava e sobrava, para aquilo que queria saber de alguém que não via faz anos.
 
A mim também me aconteceu com amigos meus, que não tinham gravidez nenhuma a não ser de cerveja, parece que tinham sido atacados por um enxame de abelhas e andavam num torpor tal como se fossem alérgicos às picadas e estivessem só na esplanada à espera que passasse, para se atirarem ao caminho para casa, de cabeça mais leve.

É por estas e por outras, que o moço para não se sentir discriminado continua seriamente e com afinco a tentar a sua sorte, como candidato à maior barriga Nenuco do ano.
 
Nenhum de nós alguma vez fez observações intencionalmente maldosas, fosse a quem fosse mas a nossa inocente distracção, culminou em momentos de vergonha e embaraço.
 
Perdemos a oportunidade de reatar contacto com alguns amigos à pala desta brincadeira e mesmo que emagreçam ou deixem de beber tanta cerveja, nunca mais na vida os vamos recuperar.

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