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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

17
Nov20

Aniversário do moço

Rita Pirolita

É o dia do moço, o que eu lhe chamo, o seu nome nunca saberão, não ecoa nas letras dos meus textos, é insondável para quem me lê, outras coisas não serão, as que eu aqui ponho para vos dar a conhecer propositadamente, sou eu assim a chorar para fora sem que me vejam ou sintam o sal das minhas gotas de iris!

Do moço tenho pouco mais de uma década de conhecimento, quando fizermos, se fizermos, bodas daquele brilhante metal, já estaremos sem nos dar conta da companhia talvez. 

Expresso aqui o meu apreço por aturar a minha inquietação, a minha amizade por ser cúmplice, o meu gostar por ser bondoso, eu também sou algo assim para esses lados mas só a ele mostro, dos outros escondo, ele mostra, já não a muitos mas ainda cai onde não deve, a minha preocupação é protegê-lo e avisá-lo para que não lhe deixem mossa na bondade, para que não se transforme em revolta, ódio ou vingança, dizem que os escorpiões são dados a essas maleitas do feitio, que não se ponha a jeito, que se encolha nas palavras que eu cada vez mais faço de muda.

A força do meu abraço é o quanto eu gosto, eu tenho muita força e aperto muito, quase a estalar os ossos.

Se soubessem o quão gosto do moço? Ele sabe mas ainda não tudo, vai sabendo, conforme a vida me dá ganas para lhe mostrar o que ainda também não sei!

09
Ago20

Botão Orgulho Gay

Rita Pirolita

"O exibicionismo e imposição em demasia tiram legitimidade e seriedade a qualquer luta!"

Este foi o comentário que fiz a um post sobre a adesão ao botão do Orgulho Gay, que está disponível durante o mês de Junho. 

Não sei se me orgulhe da resposta que dei, mas talvez suscite dúvidas e não sei bem como a justificar. 

O post tinha muitos heterossexuais a reclamar atenção, botões, reconhecimento e direitos que haviam causas mais nobres, que os lobbys neste grupo eram fortes e dominantes, blá blá blá...  

A luta por respeito à existência, seja de quem for é de louvar e aderir, por outro lado a imposição satura, tira força e distorce a defesa de qualquer causa. 
Se é para ver pessoas disfarçadas daquilo que gostariam de ser na vida real o ano inteiro, vestidas de cabedal, com perucas, quase nus?...Isso já vejo na altura do Carnaval e eu que acho que a vida devia ser um festejo real diário, mas carnavalesco não.   
Se é para ver grandes linguados e apalpões no meio da rua, desculpem mas quero pensar que a intimidade ainda pode ser privada e por isso não tenho que levar com manifestações lascivas em público, venham elas de LGBT ou heterossexuais. 
Já as manifestações de carinho em público fazem muita falta, numa sociedade que precisa de parar mais para pensar na cumplicidade das relações, sejam elas de amizade ou amor. 
A existência nunca poderá ser condenável pela diferença, por isso no fundo todos pertencemos a uma e à mesma causa, seja ela contra a violência, o abuso, o tráfico, etc.
No fundo todos somos pela causa LGBT desde que os LGBT não sejam só pela causa LGBT.
Se calhar pensando melhor não precisava de explicar mais nada para além daquilo que escrevi. 
As primeiras são sempre as melhores, sejam cerejas, palavras, intuições ou ideias!  
 
17
Dez19

Variantes

Rita Pirolita

 

 
Cá vou eu falar outra vez de aparências, como gaja que sou!
Como já dei a entender noutras escritas, não sou nenhuma bomba mas também não sou nenhum aborto de pessoa.
Tenho altura para ser modelo mas não paciência e não gosto de drogas, detesto exercício fisico com sofrimento e por obrigação, adoro mexer-me e só estou parada quando estou a dormir e mesmo assim é complicado. 
Não faço dietas, como com ameno prazer o melhor que posso, detesto que liquidifiquem tudo em batidos, gosto de ver e sentir os alimentos, sou incapaz de beber sumo de limão, só limonada com algum açúcar. Sei o que são vegetais e fruta e dispenso produtos animais, em primeiro lugar porque não gosto e em segundo porque até dá jeito não os sacrificar e explorar. 
Na comida no sexo e na amizade, não há fretes nem risos amarelos, por isso se me comparar às vedetas que se mostram ao mundo através das redes sociais, chego à conclusão que muito bem estou eu sem sacrifícios, não tenho as mamas descaídas como algumas com pouco mais de metade da minha idade, que fazem plásticas, têm PT, devoram limões e batidos, não sabem o que é comida a sério há muito tempo, não fazem mais nada senão, tirar adiposidade, ir às massagens, fazer branqueamentos dentários, viagens e dietas loucas para atrair a atenção e elogio de outros tantos como elas e no entanto parece que andam presas por fios. 
Para completar o ramalhete, têm que arranjar quem tenha paciência para as aturar e dinheiro para sustentar.
Enganam e alimentam a insegurança com elogios alheios, abusando de imagens que mostram muita carne e pouco pano.
O que posso dizer destas alminhas em etérea e eterna deambulação???
Nada, porque o Gustavo Santos é que é bom em máximas absolutas. 
Apenas deixo uma questão. 
Quantas variantes existem de prostituição?
A foto que ilustra este texto foi escolhida com base nas mamocas descaídas, de resto não conheço a rapariga de lado nenhum mas tem cara de boa moça! 
27
Mai19

Quanto mais 'miga' menos se lhe arrima

Rita Pirolita
Temos conhecidas de vista, aturáveis, conhecidas por arrasto ou solidariedade com amigos nossos, conhecidas do trabalho e depois vários níveis de amigas. 
 
Já tentaram catalogar os vários tipos? 
Eu vou tentar sem me rir muito.
 
Aquela amiga que pensa ter intimidade suficiente para nos tocar e estar constantemente a tirar cabelos, migalhas de bolacha ou borboto da nossa roupa. 
 
Há aquela que se dedica a sacudir a caspa dos ombros e aproveita para nos recomendar a melhor marca de shampoo anti-caspice ou a não usar blusas escuras.
 
A que se acha a maior sumidade com direito a MBA na área da amizade, reclama exclusividade em saber os nossos segredos mais obscuros e íntimos, tem que saber quem namoramos antes do próprio namorado, fica ciumenta se damos mais atenção a outra, chora no nosso colo porque não sente que é a melhor e única amiga e nós lá temos que a confortar sem que perceba que boas amigas vão-se encontrando ao longo da vida e ninguém tira o lugar a ninguém
Estas amigas não percebem que o coração não tem compartimentos e mesmo que tivesse, quando está tudo ocupado, arranja-se sempre lugar para mais um inquilino.
 
As amigas que nos procuram quando têm problemas com o namorado ou estão sozinhas e querem ir sair nem que seja ao centro comercial, a ver se arejam a solidão patarecal e quem sabe arranjam macho, conforme o nível de desespero, às vezes até marcha o rapaz do totoloto.
 
As que se estão a candidatar a grandes amigas e vão fazendo leves incursões nas nossas rotinas com mexericos como desbloqueadores de conversa. Só cai na armadilha quem quer!
 
Há umas de quem continuamos amigas porque o rapazito com quem andam é mais interessante que ela e até chegamos a pensar que não o merece e que nas nossas mãos estaria mais bem entregue. Nunca temos intenção de desfazer lares mas às vezes eles também chegam às mesmas conclusões que nós e a coisa até se proporciona, perdemos uma amiga e ganhamos um curto mas bom período de diversão.
 
Aquelas que ficam chateadas por virem a saber que o moçoilo com quem andam passou pelas nossas mãos e têm nojo de comer restos.
 
Aquelas que são tão chatas, narcisistas e mimadas que servem para ir ao centro comercial em dias que nos apetece beber um café e ver montras sem a intenção de comprar seja o que for, porque o guarda-fatos lá de casa rebenta pelas costuras
Nestes dias tomamos a decisão anual de dar roupa para a igreja, para nos sentirmos melhor com a desculpa de ajudarmos os mais necessitados, quando o que queremos mesmo é renovar os trapos e passamos nós a fazer de princesas pobrezinhas, sempre a queixarmo-nos que não temos nada para vestir ao olhar para um roupeiro quase vazio, isto na perspectiva de quem tem tudo o que quer e até demais.
 
Aquelas que estão sempre a cobrar saídas porque estão sozinhas e nós arranjamos namorado pouco tempo, estão-se sempre a insinuar, até parece que invejam a quantidade de quecas que damos. Elas quando estão acompanhadas ainda fazem pior, voltam a dar à costa todas chorosas, quando os gajos lhes dão com os pés porque voltam para a ex ou porque acabam por confessar que são casados e têm uma família numerosa ao estilo africano.
 
As peganhentas, que num par de meses de amizade nos tratam por 'migas' ou 'quiduxas'.
 
A amiga beta que está sempre a criticar tudo o que vestimos, calçamos, cabelo, make up, unhas, postura...e diz que o faz para nosso bem, para termos um ar decente e não brega, quando o que a corroí é a inveja desmedida do nosso corpo e das nossas conquistas.
 
As que se aproximam porque vêm que temos muitas 'connections' e através de nós acham que até podem arranjar emprego, gajo ou entrar nos sítios da noite frequentados por betos da linha com graveto.
 
No fundo estas são todas amigas 'contrafeitas'!!!
 
A verdadeira amiga é tão autêntica que não existem palavras para a descrever, todos sabemos o blá, blá, blá de trás para a frente - 'está lá sempre e quer se queira quer não, diz o que pensa mesmo que faça mossa.'

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