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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

04
Ago20

Emigrados

Rita Pirolita
Aos poucos vou arranjando espaço em mim para organizar ideias e aceitar memórias das tormentas, deitá-las cá para fora sem arrependimento e com bom senso.
A minha saída do país para começar vida noutro sítio coincidiu não por acaso com uma fuga de lugares comuns que já me cansavam de uma pobreza remediada, da morte de quem me pôs no mundo, porque ficar nos locais muitas vezes não resolve nada e na dúvida a mudança é sempre a melhor aposta.
Deixei para trás uma familia que se resumiria a 2 elementos, tudo o resto desde primos a tios ou avós não se falavam desde a altura da minha adolescência por zangas de partilhas, nada de novo, o mais comum deste mundo em países de famílias pobres como o nosso, que mais tarde podem descambar em novos ricos medíocres mas que não passam de remediados, uma raça pouco humilde e chata que está sempre a queixar-se que não tem dinheiro se calhar para ninguém lhes pedir emprestado?...Não tenho nada para discutir com este tipo de gente nem tenho paciência para aturá-los a falar sempre do mesmo!
Amigos? Deixei muito poucos, uns já tinham emigrado, o contacto era feito por email ou Skype muito esporadicamente até se resumir a enviar mensagens por cortesia pelo Natal e Fim de Ano, quando calhasse pela Páscoa também e tão somente se ficaria por aí.
Isto com pessoas que conhecíamos desde o tempo da escola.
Naturalmente a maioria casa-se e tem filhos, a disponibilidade para estar com os amigos que não constituíram família e que ainda vão tendo tempo para gozar a vida não é nenhuma, muitos mudam de terra de cidade e os laços perdem-se. 
Restam assim muito poucas pessoas com quem estamos regularmente.
Quando te vais embora ainda manténs à distância alguma frequência no contacto na ilusão de acalmar a saudade e a lágrima de pena de já não poder ir à praia, de estar mais isolada sem amigos ou família. 
Passado uns tempos começamos a espaçar os contactos e chegamos ao ponto de só falar no Natal e alguns aniversários. 
Cais na frustração de estar sempre a telefonar como se devesses explicações ou para aliviar a culpa que te fazem sentir de teres decidido ir embora, porque os outros ficaram no mesmo sítio, não mudaram, não abandonaram nada nem ninguém, continuam na vida de queixume mas lá vão andando, dizem eles, rodeados de amigos mais ou menos sinceros, de relações familiares mais ou menos dependentes e tóxicas, enganosas e enganadas, da dor e consolo nos funerais de quem vai partindo, enfim...   
Notamos em quem ficou um desprezo, uma mágoa por os termos abandonado que nos querem fazer pagar com mais distanciamento ainda, além da intransponível distância fisica que já nos separa. 
Alguns sentem que já não os veremos vivos e chateiam-se com a dureza das decisões que separam e magoam! 
Não ficamos para o bem nem para o mal, não nos podem pedir ajuda ou apoio, não têm lata para pedir dinheiro emprestado, nem um beijo ou abraço podemos dar por isso descomprometemo-nos com quem ficou e nota-se zanga em respostas cada vez mais esporádicas e frias.  
Não se lembram que também nós, ainda mais nós, estamos mais sós e desamparados, a começar tudo de novo e tudo é diferente, casa, carro, trabalho, clima, comida, pessoas, hábitos, culturas, horários...e não podemos gritar a pedir ajuda porque do outro lado do mundo não nos vão ouvir nem compreender, acomodamo-nos por isso ao silêncio dos que estão lá longe sem cobrar e a tentar compreender e aceitar que coração que não vê não sente, o que só é verdade para quem quer que assim seja.  
Quem acho que merece continua a ter carinho da minha parte, pessoas que gosto ou a quem não quero mal apenas me basta saber que estão bem e fico descansada.
Curiosamente algumas pessoas que não da família revelaram uma preocupação fora do normal e verdadeiro desejo que tudo corresse bem mas se não estivesse feliz que voltasse que haveria lugar.
Não preciso de tocar ou ver para acreditar, basta sentir uma voz, uma lágrima ou uma gargalhada com verdade que já me sinto mais perto de quem quer que seja que me queira bem também. 
25
Jul20

Animal de coice

Rita Pirolita
Muitas vezes me pergunto se sou normalmente humana e a resposta cada vez mais se aproxima da anormalidade e aberração associal que sou, não tanto anti-social.
Lá vou eu explicar mais uma vez sem me querer justificar ou desculpar.
Apenas faço constatações do animal que sou, adjectivado e muito bem pela minha mãe, umas vezes de 'mula ruça' outras de 'cabra do monte', pela precoce convicção e muita inquietude e agitação de alma e corpo! 
Na era tresloucada saía para socializar e me sentir normal e integrada, nunca fui de fazer amigos ou mesmo fidelizar conhecidos, saltitava com facilidade de grupo em grupo, nunca ficando ancorada às mesmas caras, hábitos e sítios, sempre foi um atentado à minha alérgica reacção à monotonia e pressão de corresponder às expectativas dos hábitos de jantarzinhos aos fins-de-semana, reuniões todas as noites no café do costume, aniversários e casamentos, batizados e funerais, bem a estes últimos não se escapa com facilidade, muito menos o morto.
Não procurando com quem desabafar, coisa que nunca me assistiu muito, não tinha também com quem me comprometer em confidências e mexericos! 
Esquivei-me assim de dar muita prenda e fazer sala em convívio forçado com hora e arranjinhos marcados, com que tentavam armadilhar a minha livre existência, por já ir ficando para tia e parecer mal ser maluca e libertina até tão tarde! 
Lá fui aproveitando o que me davam de bandeja, com a leviana assunção de que um dia se calhasse e se acordasse para aí virada, até 'assentava' a poeira mas não era meu interesse nem nunca esteve nos meus planos, ter filhos muito menos, esses nem pensar trazer ao mundo que já tenho uma trabalheira louca com o animal de coice que sou!
Tantas vezes altas horas da matina olhava à minha volta, atordoada por música ensurdecedora e pensava o que estava ali a fazer perdida em bebida e gente como eu, que preferia a dormência de noites mal dormidas para que os dias passassem mais alheios à desilusão de estarmos condenados a uma vida de trabalho de merda, com horários fodidos e ainda fodiamos mais a coisa numa espiral desesperante  de prazer nunca encontrado!
Passou-se a adolescência e grande parte da vida adulta em noitadas e agora da gente fujo, até fico doente com marcações seja do que for, não gosto que importunem a minha improgramável quietude!  
Arrasto-me na obrigação de em meia dúzia de vezes mostrar a mim própria que devo arejar a beleza e até ainda consinto um convívio curto, sem jantares ou coisas de monta, um café vá lá, para dois dedos de conversa.
Estão todos bem? Eu também! Até ao próximo ano, lá mais para o final mas sem ser no Natal ou Reveillon, Páscoa, Carnaval, feriados, aniversários, casamentos, funerais...o defunto que descanse em paz e não se incomode em avisar! 
O moço é que ainda me vai arrastando para alguns ajuntamentos, se não fosse ele por mim ficava longos períodos sem falta de gente, quietinha a fazer de conta que não existo! 
Embora faça uma tromba daqui ao Alasca e até chegue a ficar com febre e calafrios quando ele começa com combinações, lá acabo por ir e ser a mascote ou anfitriã da festa! 
Afinal sou um animal de palco e não tanto um bicho do mato!
21
Mar20

Millennials, centennials e snow flakes

Rita Pirolita
Mais um jantar de amigos de conquilha coberta de coentros e acidosa laranja amarela, tarte de côco em bocadas tropicais, vinho tinto mostoso e verde picante, cerveja luposa no goto e ao gosto de cada um e de todos! 
Noites quentes de calafrio tardio, cão satisfeito a rondar a mesa em tentadas infrustradas de petisco fácil. 
Por cada olhar canino tão convincente, que parte corações, iriamos até ao fim do mundo buscar um osso de roer, mesmo que não precisasse e estivesse a rebentar de obesidade, não é o caso ainda mas com tanta insistência não demorará a chegar ao estado de intumescida salsicha com pernas!
Ar feliz em casa de mar, cheiro a fumeiro e cacimba de lua, as conversas saem parvas com ruidosas gargalhadas sem vizinhos para queixa, as falas tornam-se sérias por breves segundos, a minha tentativa forçada de tirar nabos da pucara para escrever este texto sai frustrada com perguntas tão corriqueiras que nem as reconheço como minhas, armada em psicóloga da fava bruxosa ou terapeuta de banha cobreira que recorre a métodos brumosos para obter respostas. Ainda bem que a tentativa não tem resposta que a alimente, em pouco tempo percebo que nem a noite nem o convívio são de forças medidas, nunca serão, shame on me!...
As ideias e deduções seguintes são imaginação despretenciosa de como se foi confirmando ao que hoje se chegou!
O tema que desse fruto, esperava eu, seria a desgastada caixa de Pandora que revive como Fénix, homens e mulheres que de tão reprodutiva coelhice, nunca se extinguirão a não ser por força maior catastrófica de natureza desalmada e impiedosa com a pequenez sexual.
As mulheres são mais inteligentes? 
Para mim que o sou, não... 
Os homens que planam na pragmância levam a vida com mais esperteza e contemplativo esforço! 
As mulheres são difíceis de aturar e não se aturam a elas! Engalfinham problemas para inventarem soluções, baralham-se e voltam a dar-se!
São primorosas picuinhas de introspecção dilatada, porque uterinam as crias? 
Os homens acomodam-se em atitude de vida que está bem assim na constança do ócio, as mulheres esbracejam e sangram energia em gritos de protesto, não foram à guerra mas querem arranjar uma sua!
Dos primórdios os homens não engravidam, um só espalha crias em úteros abertos e receptivos que depois de fecundados, se a cepa pegar e o enxerto não desmaiar, tão depressa não estarão disponíveis para nova aventura. 
Os olhos fêmeos brilham de atracção ao melhor exemplar testeróneo que garanta cria forte e sobrevivente, não uma semente definhosa, que não desponte da terra, nem lhes cresça para dentro bem fundo e arreganhe em orla de gordura sangrenta.  
Degladiam a procriação pelo macho mais dotado que lhes dê varão, usam dos métodos mais escabrosos e escondidos de traição às restantes fêmeas pela primazia da escolha, a evitarem a segunda-mão no leito que cabe às mais ousadas e tratadas com menos requinte e respeito. 
Fémea usada e engravidada não é surpreendida na virgindade nem tem novidade, macho experiente tem procura para envolver, dominar e sustentar.
Abespinham-se com piropos e criam leis que os condenam, quando os machos querem é espalhar semente ao vento, debaixo de humidade moliqueira ou apenas dar música de acasalamento em competição garbosa e marialva.
O choque é de vontades e aumenta o fosso, quando os seres que se julgam civilizados ainda lutam para serem instintosos, como se vestíssemos um macaco com fato Hermenegildo Zegna e o largássemos a engatar macacas numa discoteca, cheias de perfume a lixiviar as feromonas, o símio fica baralhado e acaba por se lenganhar no fácil sem consequência, engancha o esporádico de prazer fugidio, sem prolongamento genético! 
Ela pensa da altivez da eleita e escolhida mas ele é que se entrega à escolha, em torpor e libertino desleixo.
Elas já não são domésticas nem falsas submissas, apaixonam-se por cartões de crédito não podem por isso reclamar muito crédito, vivem e largam o momento.
A estabilidade dos millennials e centennials está na mudança supersónica, snow flakes que morrem ao focinhar chão! 
Nos jantares que nunca chegam ao fim, forçamos o cansaço a fazer despedidas, de barriga cheia e alma regada, o cão adoptado de rua e lixo espraia-se nas pernas de um macho rendido a sofá fundo e morno de lareira!        
05
Dez19

Retórica gramatical

Rita Pirolita
Precisamos de nos sentir precisados! 

De sermos chamados dos melhores pais do mundo, melhores avós, filhos, netos, alunos, amigos, trabalhadores, combatentes...

Precisamos de um papel que nos defina e prenda por prazer!

Precisamos de admiração e aceitação, nem tanto de compreensão, muitas vezes nem nos entendemos a nós próprios ou não queremos, quanto mais os outros darem-se a esse trabalho, tantas vezes inglório, superficial e pouco lucrativo!

Precisamos do mundo para lhe pousar os pés, mais para o espezinhar, coisa que temos feito até hoje de forma magistralmente egoísta mas o mundo não precisa de nós para continuar a girar, nem se rende às nossas guerras e maldade, apenas responde na mesma moeda mas sempre em trocos, porque os grandes diálogos do mundo, são naturais e imprevisíveis, incompreensíveis por mentes tão pequenas como as nossas, encarados como castigos a inocentes. O mais que poderiam ser, era castigos à nossa prepotência! 

Temo-nos erradamente em tão grande conta, que achamos que a natureza age apenas para nos martirizar e irritar e não para equilibrar as suas energias, estando nós apenas no seu caminho imparável!

A nossa sensibilidade perdida deu lugar à irracionalidade da religião, da incompreensão da morte, sofrida e chorada e nunca entranhada como transformação incontornável.  

Quereríamos nós aproximar-nos de deuses imortais que não existem em parte alguma do Universo?

Só nós inventámos o nosso poder, tão frágil e efémero? 

Com tal ruinosa imaginação e falta de senso, os humanos alheados perdem muito em não observar com olhos de ver. 

Os animais não racionalizam a morte, já nascem com ela nas entranhas sem saber, esta ignorância pura e primitiva, encerra a verdade do sentido e instinto da vida. 

O mundo se-lo-á sempre até à sua extinção e continuará a girar mesmo que não estejamos cá para o chamar pelo nome de mundo. 

E assim consegui reduzir a existência humana a pura retórica gramatical!

Os restantes seres, que não aprendam a falar, continuem a sentir e a ser felizes sem saber, a viver num mundo que não lhe sabem o nome! Já agora, para quê?
22
Set19

Modelitos

Rita Pirolita
De vez em quando dou uma espreitadela às páginas dos famosos, dos menos famosos, dos que querem ser famosos à força, dos que são famosos pelas piores razões e nestes incluo os dos reality shows, más apresentadoras, cantoras e actrizes e acabo também por bisbilhotar gente da altura da escola, amigos recentes e por ai em diante. 
Garanto que as surpresas são imensas, esfrego e esbugalho os olhos de incredulidade pelo rumo que algumas vidas parece que tomaram e digo parece, porque quase nada é genuíno e muito menos nobre nestas amizades cibernáuticas.
 
Descubro que uma amiga que era porta-estandarte do pragmatismo e das ciências e cuja ideia mais sonhadora que tinha na vida era apaixonar-se por alguém rico e bonito, se dedica agora a escrever textos esotéricos, não diz ainda que fala com Deus como a Alexandra Solnado mas simpaticamente já a trato no meu intimo por bruxinha. 
Realmente os indícios já lá estavam quando há muitos anos, para ai uns 15 pelo menos, me ofereceu um livro sobre linhas da mão e interpretação da grafia, com a exigência encapotada de no final da minha leitura lhe dar uma consulta de graça, já que esta pessoa era, se calhar já não é, a maior bota de elástico, incapaz de gastar o seu abastado ordenado de engenheira numa consulta daquele tipo com um profissional encartado da banha da cobra, além da exposição que isso lhe traria ao mostrar que até se interessava por essas coisas menos terrenas, que bem contrariam a exatidão das ciências.
 
Descubro pessoas que publicam textos que não são da sua autoria, textos bonitos em jeito de sermão, altamente proféticos e filantrópicos mas que são o oposto das acções que lhes conheço na realidade.
Muitas vezes fala-se mais daquilo que não temos e precisamos, confirmo...há tanta falta de juízo! 
 
Aquelas que publicam fotos quando estão bem maquilhadas como se acordassem assim naturalmente, na casa da Aroeira, têm um ou dois cães, um gato, um ou dois filhos, um casal de gêmeos é mais que perfeito, um marido que nunca aparece nas fotos que partilham mas imagina-se implícito naquela vida maravilhosa e falsamente equilibrada e feliz, sorrisos rasgados a mostrar os dentes branqueados, óculos de sol de marca cara e espero eu original...já agora. 
Publicam frases dignas de um Mahatma Gandhi acompanhadas de fotos exclusivas e actualizadas todos os dias, os telemóveis da nova geração são exemplo de eficiência e rapidez para estas pessoas que dizem trabalhar muito mas que mesmo assim arranjam tempo para tirar fotos, escrever frases lindas e ainda responder a todos os comentários de bajulação com bonecada que até ferve e borrarem-se todas em "mil beijinhos, adoro-te titi, love you sis", enfim...  
Isto deve fazer o ego inchar tanto que qualquer dia rebenta e espalha merda por todo o lado!
 
Os que não conheço pessoalmente, só têm aquilo que merecem. O objectivo é serem conhecidos o mais rápido possível e assim num período muito curto de ribalta sentirem-se amados e senão fosse escarrapacharem tudo o que fazem, não teriam a experiência de ter uma vida quanto mais amigos, mesmo que tão falsos como eles. 
Algumas queixam-se que falam mal das suas maminhas de striper mas que não as incomoda porque isso é só inveja. Boa sorte, até caires de fuças ao chão e rebentares o silicone!
 
Actrizes e apresentadoras que têm o Face pejado de fotos descaradamente inocentes a gozar o sol, a trabalhar com os amigos de cena, que são amigos da onça, não conhecemos nós o mundo do espetáculo? Qual ninho de víboras em competição feroz porque o país é pequeno demais para tanta falta de talento! 
Também digo uma coisa, nunca achei saudável ter amigos do peito no trabalho, nunca dá certo, soa a falso e só por conveniência ou comodismo, nada mais. 
Fotos com a cara encostada ao focinho do cão ou do gato ou da sobrinha, sim, estas estrelas não têm filhos porque ainda não encontraram quem lhos quisesse fazer e ajudar a criar, por isso tiram fotos com os sobrinhos ou primos para mostrarem que têm familia ou com os animais de estimação para escarrapachar na cara de quem os segue "olhem como estou com a melhor companhia do mundo, sincero no amor e dedicação, estou só por opção, não porque tenho um feitio de merda e acho que sou famosíssima, intocável e por isso não mereço estar com um qualquer sarrabeco que não seja tão ou mais famoso que eu." 
Atenção, eu gosto muito de videos de gatinhos, cãezinhos e criancinhas, mas sou contra a exploração da sua imagem, tenho dito! 
 
As mais novas que têm um corpo giro...são o cumulo, postam fotos, "olha eu no CrossFit, olha eu na dança do varão", que passou de actividade putéfia a animadora de maridos apáticos com a monotonia de ter uma gorda em casa todos os dias à sua espera e agora finalmente passa a tão bem reputada modalidade, não de entretenimento mas de desporto capaz de criar corpos de sonho. 
Não percebem que tiraram a piada às acompanhantes ilícitas e badalhocas? Já estou a ver qualquer dia o varão fazer parte dos jogos olímpicos e quem sabe paralímpicos. 

Estes corpos de famosinhas que têm metro e meio e por isso não podem desfilar na passarela, desfilam o rabo na praia em poses de modelo de calendário de oficina, de dedo na boca, a comer gelados com goji ou bananas que complementam com os igualmente "saudáveis" batidos para queimar gorduras, que arruinam o coração, fígado e rins. Para quê viver longo tempo com um corpo normal e ajustado às mudanças da idade, quando em poucos anos posso deixar uma boa imagem para o mundo e morrer sem chegar à idade da reforma com um rabo de miúda de 15 anos? Não correndo o risco de ficar na lista de espera para um transplante de fígado ou agarrada a uma máquina de hemodiálise.
 
Os estilistas que são quase todos gays não gostam de mulheres, por isso as fazem desfilar o esqueleto em roupas que pouco ou nada favorecem as curvas femininas. 
São estimulados comportamentos doentios nos homens ao ponto de os fazer acreditar que desejar mulheres adultas com corpo de jovens ou mesmo jovens que têm idade para ser suas filhas, lhes retira anos de cima e os faz sentir com 20 outra vez, quando em todas as idades temos um corpo diferente que deve ser cuidado.
 
Nem todas podemos ser Saras Sampaio e muito menos nem todas o somos de forma natural, a maioria faz dietas loucas, come limões ao pequeno almoço, faz plásticas, consome baldes de proteína a torto e a direito e diz que tem tendência para ser magra mas que sem sacrifício não se consegue um corpo de Ana Malhoa, que se me mostrarem uma foto de costas mais parece um camião, quando os homens que desejam ser mulheres querem ganhar gordura e curvas...
Decidam-se e dediquem-se a ser naturais, dá menos trabalho.

As nossas avós não tinham celulite nem eram obesas, gastavam tudo na lavoura, a lavar roupa e a ter filhos, não estou a dizer para começarem a cavar um campo de batatas e estragar as unhas de gel, mas vós que passais tempo em festas de beneficência para os coitadinhos, onde se gasta mais dinheiro a organizar o evento em si que aquele que é angariado, a ser actrizes, bloggers, a tratar o corpinho com os patrocínios dos ginásios, da make-up "maquilha enquanto fala, caga ou toma duche", viagens, spas, batidos, sapatarias, roupa, lojas de pechisbeque disfarçado de jóia cara, cremes, bikinis, cabeleireiros e autobronzeadores...MEXAM-SE só pela vossa saúde.

Não queiram fazer o mundo acreditar que estão orgulhosamente sózinhas porque se acham muito especiais mas quando têm mouro na costa "postam" tudo...porque daqui a uns meses já sabemos que a paixão arrefece e o ódio desponta.
Passam a vida a dizer que são pessoas comuns mas no fundo querem ser distintas e na realidade são mais insignificantes que um cão abandonado e têm vidas mais vazias que o comum mortal, que tem mais que fazer e anda ocupado a viver e muitas vezes a sobreviver.
 
16
Mai19

Portugueses pelo Mundo e Hora dos Portugueses

Rita Pirolita

 

 
Sempre gostei muito de ver estes programas, fazem-me sonhar e acreditar que os portugueses são pessoas de sucesso para qualquer lado que se virem. 

Incrível, o nosso sangue lusitano de descobridores corajosos e fofinhos, que não mataram, não roubaram o ouro nem violaram a liberdade dos povos que colonizaram, ao contrário dos espanhóis, ingleses, alemães, franceses e holandeses, esses malandros, impetuosose chacinadores!
Lá levamos doenças que ceifaram a vida de muitos nativos, mas disso não tivemos culpa, já nos estava no sangue. 

Realmente os portugueses são únicos e esta singularidade manteve-se até aos nossos dias, ora vejamos.
 
Portugueses Pelo Mundo:
Esta crónica lusa vai aos mais variados locais, desde Paris ao longínquo oriente, com quem sempre tivemos uma relação fresca, até oferecermos literalmente de bandeja, Macau aos chineses, mas isso é outra história! 

Este programa televisivo faz uma breve resenha de como os portugueses trabalham e aproveitam as poucas horas de lazer que têm, em locais tão diferentes como Londres ou o Butão.

Em cada episódio temos pelo menos três histórias sofridas de vida, as equipas de filmagem saltitam de Paris para o Bangladesh, no segundo a seguir já estão no Japão, passam as reportagens a fazer isto, a um ritmo alucinante, como se estivessem numa máquina supersónica. 
Não está mal feito o alinhamento, não senhor, muito radical, fresco e jovem.

Mas eu 'tô' aqui é para falar da vida sofrida destes bravos portugueses. 
A idade dos visados anda sempre entre os 20 e os 40 anos, época mais produtiva das nossas vidas, a parte que mais me fascina é que toda a minha gente faz o que gosta, pessoas realizadas nas suas profissões que não emigraram por necessidade e desempenham cargos tão importantes para o avanço da humanidade, como DJ na Índia, leitora em voz alta de textos de Camões no Egípto, chef gourmet de asas de libelinha roxa às riscas no Liechtenstein...

Enfim, uma parafernália de profissões impressionantes, prometedoras e às vezes até de alto risco. 
Em Portugal nem existem cursos nestas áreas, por isso ainda deve ter sido mais difícil para esta gente, serem estudantes-trabalhadores fora da sua pátria. 
Na Índia deve ser difícil, com aquele calor e humidade!...

Os nomes de família desta gente, que acredito não serão fictícios, por não ser jornalismo de investigação, são bonitos e sonantes mas não me diziam nada ao início, até que, num raro momento de actividade cerebral, pareceu-me que os portuguesinhos seriam talvez filhos de banqueiros, embaixadores, donos de redes de hotéis...
Sou sincera, não me parece que estes portugueses tenham tido a vida facilitada por serem filhos de quem são, não tem nada a ver de certeza!
 
Este programa é tão isento que deixa sempre a ideia de um retrato fidedigno de vidas reais e a coragem de viver além e sem fronteiras!!!
 

Hora dos Portugueses:
Pelo que tenho visto, o magazine não é tão Maria vai com todos como o anterior, mais na onda conservadora, anda por países de origem anglo-saxónica, Canadá, Estados Unidos, Austrália...a perpetuar o apego a Salazar, o continuar da tradição e admiração a Fátima, ao fado e futebol. 

A vida no campo continua a ser uma referência que mantêm, trazida de um país pobre, principalmente os Açorianos que são mais que as mães para esses lados. Deixaram as vacas nos socalcos e agora dedicam-se aos bois que correm em liberdade por herdades planas a perder de vista. 

São todos ricos ao estiloTexano. 
Elas são de um loiro tipicamente português e aparecem maquilhadas ao estilo novela Mexicana. 
Toda esta mescla de estilos só mostra que são 'open mind' e se adaptaram bem demais às tradições do país que os recebeu de braços abertos.
 
Meus amigos, eu sei que todos estes personagens existem, mas não representam a maioria. 
Eu também conheço outra realidade menos feliz, a dos portugueses que chegam a estes países sem nada e os primeiros a acolhê-los e explorá-los são os compatriotas que já lá estão de peito inchado e barriga cheia.
Muita gente chega, desilude-se e volta, ganham tanto como gastam. 

Se querem ter uma casa maior do que precisam, um carro que gasta tanto como um avião e estão dispostos a ser escravos destes bens materiais?…Emigrem. 

Se querem ter uma casa à medida da família, um carro à medida do país e do preço do combustível, usufruir de boa comida, sol, praia e amigos sem gastar muito dinheiro, que o sol ainda é de graça, fiquem.

Se tiverem o curso de engraxador e forem filhos de algum diplomata, podem ir para onde vos apetecer e até podem levar um balde para apanhar mais seja do que for!

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