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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

01
Fev20

Não percebem?...

Rita Pirolita
Não percebem que fui croma de escola, sempre posta de parte, a quem ninguém ligava por ter bons resultados sem grande esforço, apresentar trabalhos e falar de coisas que só os professores percebiam e me deitavam o olhar de pergunta telepática: 'Que estás aqui a fazer, num ensino redutor até para professores quanto mais para alunos, que não responde a quase nada do que perguntas, que te obriga a memorizar mentiras, que não satisfaz nem estimula a tua curiosidade, que te tenta amarrar o sonho a profundezas tristes e pesadas??? Que fazemos contigo? Não temos onde te pôr e para casa não te podemos mandar!'
Que não tinha ninguém com quem falar sobre Nietzsche, Carl Sagan, Salvador Dali, António Aleixo, Jorge de Sena, Haldous Huxley?...  
Não percebem que há muito desisti de procurar sabedoria  nos mais velhos e experientes? Só os maus exemplos de vida alheia me abriram os olhos.
Hoje sou o resultado de ter contrariado tudo o que vi e não gostei.
Não percebem que as minhas tentativas de diálogo são uma forma de evoluir e sobreviver neste marasmo de alienação, falta de ideias e tacanha argumentação?
Não percebem que fico profundamente triste quando calo alguém, não quero ganhar batalhas, quero-me tornar maior, se não for à vossa custa, lá terá que ser sozinha...
Não percebem que para chegar à conclusão que nada no mundo faz sentido, não precisava de ninguém nem ninguém de mim?...
28
Jan20

Burros e ovelhas

Rita Pirolita
Muitos na ânsia de mostrar bondade tornam-se agressivos!
Na ânsia da compaixão mostram raiva, pensam combater injustiça com vingança, serão assim tão altruístas ao ajudar a manter a pobreza de ideias?
Ao ler os comentários sobre uma notícia de um menino que tinha sido posto de parte no colégio por ter Síndrome de Asperger, chegou mesmo a ser expulso da turma a pedido de muitos pais, por a sua condição estar a prejudicar o ritmo de ensino dos restantes alunos, veio-me isto à cabeça!
E aqueles que viveram num tempo onde estas diferenças não tinham ainda sido catalogadas e se esperavam resultados medianos para passar, as negativas eram selectivas e as excelentes notas eram discriminatórios.
Quem era usado como bom exemplo pelos professores cá fora era trucidado por malvadez.
Quem se esforça por ser melhor ou o é naturalmente, é uma ameaça e eleva a demanda de objectivos. 
Uns atrasam e outros apressam, será que os poucos restantes devem tentar acompanhar o ritmo da maioria ou devem ser ainda mais isolados para estimular ou rentabilizar o rendimento?
Os ostracizados não serão todos os que são diferentes mas não querem impor essa diferença a ninguém, apenas querem ter a liberdade de viver e explorar porque não se sentem diferentes, os outros é que os vêm assim? 
O ensino é uma tentativa de chamar a todos burros e empenhado em criar ovelhas desde sempre.
05
Dez19

Retórica gramatical

Rita Pirolita
Precisamos de nos sentir precisados! 

De sermos chamados dos melhores pais do mundo, melhores avós, filhos, netos, alunos, amigos, trabalhadores, combatentes...

Precisamos de um papel que nos defina e prenda por prazer!

Precisamos de admiração e aceitação, nem tanto de compreensão, muitas vezes nem nos entendemos a nós próprios ou não queremos, quanto mais os outros darem-se a esse trabalho, tantas vezes inglório, superficial e pouco lucrativo!

Precisamos do mundo para lhe pousar os pés, mais para o espezinhar, coisa que temos feito até hoje de forma magistralmente egoísta mas o mundo não precisa de nós para continuar a girar, nem se rende às nossas guerras e maldade, apenas responde na mesma moeda mas sempre em trocos, porque os grandes diálogos do mundo, são naturais e imprevisíveis, incompreensíveis por mentes tão pequenas como as nossas, encarados como castigos a inocentes. O mais que poderiam ser, era castigos à nossa prepotência! 

Temo-nos erradamente em tão grande conta, que achamos que a natureza age apenas para nos martirizar e irritar e não para equilibrar as suas energias, estando nós apenas no seu caminho imparável!

A nossa sensibilidade perdida deu lugar à irracionalidade da religião, da incompreensão da morte, sofrida e chorada e nunca entranhada como transformação incontornável.  

Quereríamos nós aproximar-nos de deuses imortais que não existem em parte alguma do Universo?

Só nós inventámos o nosso poder, tão frágil e efémero? 

Com tal ruinosa imaginação e falta de senso, os humanos alheados perdem muito em não observar com olhos de ver. 

Os animais não racionalizam a morte, já nascem com ela nas entranhas sem saber, esta ignorância pura e primitiva, encerra a verdade do sentido e instinto da vida. 

O mundo se-lo-á sempre até à sua extinção e continuará a girar mesmo que não estejamos cá para o chamar pelo nome de mundo. 

E assim consegui reduzir a existência humana a pura retórica gramatical!

Os restantes seres, que não aprendam a falar, continuem a sentir e a ser felizes sem saber, a viver num mundo que não lhe sabem o nome! Já agora, para quê?

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