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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

03
Set20

Carta ao Facebook

Rita Pirolita

Facebook é uma rede social lançada em 4 de fevereiro de 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc..[5] Em 4 de outubro de 2012, o Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos, sendo por isso, a maior rede social em todo o mundo.[6] O nome do serviço, decorre do nome coloquial para o livro, dado aos alunos no início do ano letivo por algumas administrações universitárias nos Estados Unidos, para os ajudar a conhecerem-se uns aos outros. O Facebook permite que qualquer usuário, que declare ter pelo menos 13 anos, se possa tornar usuário registado do site.[7]
Venho por este meio comunicar a V. Exas...
Assim começam normalmente as cartas, respeitosamente, seja para dar boas notícias ou negar coisas pequenas ou grandiosas.
A minha reclamação para a Central de Ajuda do Facebook não teve introdução que se parecesse a esta, nem por lá perto.  
A piada começa logo no nome, Central de Ajuda, já que não ajudam nada, nunca me responderam a nenhuma exposição e apenas se limitam a repetir as regras e política de utilização do Facebook.
A coisa foi mais ou menos assim desta última vez que me desactivaram a conta pela enésima vez.
Gostava de obter da vossa parte uma vez que fosse, a razão pela qual desactivam a minha conta constantemente, se é por denúncia de inveja alheia só preciso de saber que foi por denúncia, não preciso de saber de quem vem, embora se devesse identificar, mas de quem inveja e se esconde, não se espera mais que cobardia, passemos à frente. 
Não vos reconheço autoridade nem tenho confiança para enviar informação de documentos pessoais, dos quais é ilegal reter cópias, se não for em situações e actos legais devidamente identificados na presença de pessoas idóneas, esperamos nós, tais como casamentos, contratos, multas...
A vossa promessa de destruição desses dados e não utilização indevida, não me dá segurança nem vos dá credibilidade nenhuma. 
Se me deitam contas abaixo sem explicação fruto de denuncias anónimas, porque não posso ter uma conta com um perfil anónimo ou falso, como lhe queiram chamar?...
As vossas acções de disciplina imposta aos utilizadores não têm fundamento, porque a vossa existência não tem consistência, vocês são um vazio a alimentar mais vazios. Se não sabem para onde vão e nisso o vosso destino vai-se desenrolando, não podem saber de onde vêm ou no que assenta a vossa criação, por isso é desprovido de sentido criarem regras e calarem utilizadores, se não sabem o que andam a fazer fiquem quietos ou tentem controlar a coisa para caminhos mais nobres e proveitosos. 
Além de que, mediante as minhas consultas, só me propõem porcaria, oposta aos meus gostos...querem condicionar-me e controlar?...Mal, muito mal!...
Não queiram ser um PornHub que também alimenta predadores sexuais.
Os vossos algoritmos andam todos baralhados e a culpa é de quem os vai estudando, é tão subversivo como isso. 
Não sei que veracidade vislumbram numa foto que vos faz ficar convencidos que é realmente o utilizador e não a foto de um amigo, mesmo assim parece-me que andam armados em polícias das redes sociais e a censura continua pelas vossas 'mãos'. 
O que fazem apenas pelo poder da vossa grandeza e não qualidade, é uma falta de respeito e um acto de enorme covardia, já que chamam a vocês a responsabilidade de limpar a porcaria, não seria melhor incluir regras que fossem mais de encontro ao estimulo da inteligência, contribuindo para uma utilização mais lúcida destas redes, sem no entanto aplicar medidas coercivas que deitam abaixo uma conta, desaparecendo para sempre seguidores e comentários sem possibilidade de recuperação, preferem tratar os vossos utilizadores como crianças postas de castigo e as que são ditas normais que não se portam nem bem nem mal mas também não dizem nada de jeito, continuam como a passar pelos intervalos da chuva?... 
O Face não tem a função de educar, se tivesse estávamos  mais perdidos ainda mas pode contribuir minimamente para um mundo melhor. 
Eu sei que se não gosto de algo tenho a opção de não comer ou não fazer mas também tenho a obrigação e liberdade de dar a minha opinião, pensando assim que posso contribuir para um mundo, pelo menos para os que me rodeiam e visualizam, mais lúcido, em maior aceitação e discussão saudável.
Os vossos castigos são de uma enorme baixeza, não sabemos de onde vêm, nunca está identificada a origem ou porque razão acontecem e ainda pior, são vazios, não têm finalidade nenhuma, pelo contrário...peneiram a pior farinha da sociedade que nem um pão de jeito dá para fazer, para saciar a fome a mentes minimamente ávidas de clareza e ideias novas. Continuem a alimentar ratos e baratas da sociedade e a contribuir para a sua mesquinha destruição alienada. 
Em vez de serem um meio de estreitamento ou criação de novas relações e divulgação de ideias, transformaram-se num depósito de insultos de gente irada e vazia que posta tudo e mais alguma coisa e vocês aceitam e não fazem nada, gostava de saber os vossos insondáveis e secretos critérios de selecção que fazem parecer muito valiosos mas depois se mostram nada selectivos e muito irresponsáveis, aliás, parecem até sem critério ou fundamento. 
Se aceitam toda a merda aceitem coisas boas de vez em quando...só numa de equilibrar, sei lá!...  
A vossa Central de Ajuda não ajudando nada acaba por prejudicar, contribuindo para que a comunicação entre uma sociedade menos esclarecida prolifere. 
Pelo menos tive a vantagem de conhecer meia dúzia de pessoas que pensam como eu.  
Vou continuar a ter contas de Face até me fartar porque a minha vida não é nem um pouco disto, não vivo de likes nem estou interessada em salvar o irrecuperável mundo velho que quando acabar vocês também desaparecerão com ele e ainda bem, se desaparece o Belo que o mau vá com ele também. 
Continuem desse lado a tentar calar alguns que não interessa que abram a boca numa sociedade controlada pelo medo e julgamentos pouco humanos, primitivos e burros mas não se iludam, não calam ninguém, nem nunca nem para sempre. 
Vou continuar a ter uma relação perversa com estas redes, não concordando com a sua política de utilização mas fazendo uso para contrariar, espero não estar só...
Só existem porque nós vos damos existência, respeitem isso e não se aproveitem para com a premissa de aproximar pessoas, aumentar o fosso e vazio entre utilizadores, enganam muita gente que quer ser enganada mas não enganam todos. 
A vossa missão é mais larga que 'cumprida'.
A vossa grandeza faz-vos prisioneiros da vossa própria criação!
Sejam bem vindos ao meu admirável mundo e até ao próximo bloqueio no vosso pequeno canto que eu vou procurando novos mundos!
Por outras palavras, resumindo e concluindo...
Vão para o CARALHO!

09
Ago20

Os CTT e o emprego

Rita Pirolita
Com o encerramento de muitos postos de atendimento dos CTT os filhos ou netos podem começar agora a pensar em se revezar ao levar os velhotes na carripana para levantar a reforma num posto bem longe da casinha e incentivar o regresso ao velho hábito de enviar cartas, pelo menos uma por semana, nem que seja para o primo que vive duas ruas abaixo.  
Em vez de se começarem já a queixar vejam as coisas pelo lado dos CTT que tanto precisam, coitadinhos, para se livrarem do que não dá lucro, deixam as despesas a cargo das Câmaras e Juntas de Freguesia.
Ora bem, quem dá boleia aos velhotes pode começar a cobrar de mansinho nos primeiros tempos quantia que dê para a gasolina, vai depois aumentando a tarifa até dar para pagar a prestação de um andarzeco nem que seja na Buraca, continuam até atingirem o patamar de deixarem os seniores sem pilim nenhum mas felizes de andarem de cu tremido no carro do netinho, que também ajudaram a pagar. 
Com estas atitudes de verdadeira nobreza matam-se muitos coelhos com uma só paulada, a ver vamos: 
Criam-se micro-empresas e postos de trabalho.
Podem todos criar startups tão na moda, S.A., em nome individual ou Filhos e coiso ou Irmãos e coiso, uma espécie de rede UBER sénior!
É dada ajuda e atenção aos velhos tão resmungada de há longa data, ficando colmatada esta lacuna, automaticamente os seniores sentem também que estão a proporcionar e investir num melhor futuro para os seus ascendentes, aliviando o típico aperto do fim do mês e preparando adultos melhores e mais felizes, porque vão mais vezes comer caracóis e beber jolas à tasca da esquina, mesmo que levem os velhos a reboque é sempre uma festa!
Dinamização e recuperação da velha tradição das cartas e mundo da filatelia com lançamento de novos selos que sempre animaram a face das missivas, com as suas esfuziantes cores de flores e animais ou importantes figuras da história.
Portanto, a todas as pessoas que se manifestam nos locais contra o encerramento destes postos e todos os outros que se insurgem no sofá, digo já que não percebem nada desta maravilhosa governação secreta e subreptícia pensada só para o vosso bem! 
Deixem-se lá dessas ideias de que estamos a ser vendidos a retalho, os beneméritos querem tanto manter o anonimato e discrição que quase nem nos apercebemos destas medidas tão valorosas para o avanço da nação! 
 
04
Ago20

Sinónimo de Amizade

Rita Pirolita
Amizade: sentimento que apenas sobrevive intacto no imaginário se for mantido à distância bem como as respectivas pessoas que dizem sofrer dele e por ele, caso contrário começam-se a aproveitar do à vontade da proximidade, para pedirem ajuda para tudo e mais algumas botas, sem pelo menos darem de volta um ar da sua graça. 
Se é para lixar a vida ao próximo dêem-se ao trabalho de ao menos o fazerem com requinte e piada mas sabendo que a maioria é gente foleira e sisuda...o melhor é ficarem quietos! 
Coisa que também não vai acontecer, porque é certo e sabido que o lixo está em constante processo de decomposição e reciclagem!
Desisto, vou eu mexer o cu daqui para fora que já não aguento o mau cheiro! 
Conclusões tiradas de cosntatações, fruto de profunda observação de comportamentos desumanos que coloquei o mais rápido possível em prática para me defender e assim evitar danos emocionais irreversíveis que levam à comiseração e coitadinhismo! 
18
Jul20

O pai

Rita Pirolita
Vai parecer estranho e inventado, surreal macarrónico.
Quem me dera fosse, acreditem!
mãe arrancou a vida de si faz uns anos, vem agora o pai dizer-me de terras lusas que também pensa fazê-lo. 
De lágrima máscula contida confessa nas entrelinhas que o tempo de sobra lhe atenta a vida reformada.
Sente agora o que a mãe sem dar sinal sentiu nos antecedentes momentos de entrega aos seus fantasmas, sente a fraqueza a dominar, a força a abrandar e decide-se por comprimidos que lhe tiram pensamento, sonolento e de boca seca fica sem saber se sim ou sopas, por agora é muito melhor assim que não saiba o que sente de revolta atentatória.
Não será melhor tirar eu senha para ir à frente, abrir caminho nos céus e não levar com tamanha desgraça que parece pespegar a vida à traição?
Claro que não, ao pai caiu-lhe agora a moeda da vida que levou e fez outros levar, sem razão de revolta aparente é espontânea a luta contra moinhos de D. Quixote, tenho que montar o burrico e rumar para amparo.
Não consigo negar ajuda, cai-me tão mal naquele canto da alma que não reconheço em mim.
Tudo vai passar e não acabar como acabou da última vez, em que tudo acabou de vez!
14
Jul20

Se assim fosse...

Rita Pirolita

Morava na casa onde minha mãe nasceu, os pais foram-me deixando ficar, por protecção e ajuda em início de vida, mudei-me para a rua abaixo, ao pé dos avós maternos. 

O primeiro namorado foi do largo do mercado, ao cimo da rua, depois de coordenadas quezílias e amuos, acabamos por ficar juntos com forte aval da família. 

A mãe avisava para a vida com alguns espinhos mas nada que não se ultrapassasse com muito carinho e dedicação! 
Assim o fiz a quem vi fazer!
Íamos jantar a casa dos avós todos os dias, aos fins de semana ficávamos em casa dos pais a vegetar, a ouvir os canários e periquitos a palrear, o cão deitado de barriga ao sol a giboiar em cima de nós, tinhamos ovos e galinhas caseiras até não poder mais, bolos doces como a família, cheirava a comida de forno, cobertores em sofás de afundar, TV a reunir todos em frente aos Jogos sem Fronteiras, Festival da Canção ou Miss Portugal, tapetes em soalho para não arrefecer os pés, casacos para todos para o resto do corpo, música para a alma, clássica ou portuguesa, luz cálida de abundância remediada, névoa de sonho à hora das refeições.
Os avós adoravam-me e faziam qualquer coisa por mim, os pais desdobravam-se em sacrifícios para me darem todos os mimos possíveis, sem medo de me estragarem, nunca sem desrespeitar ou abusar do amor, aproveitei toda a união familiar, era eu o seu orgulho.
Fazíamos praia combinada com demorados piqueniques, visitávamos e eramos visitados pelos primos e tios, sempre de cesta plantada de iguarias da terra, cobertas com panos alvos de linho a serem levados de volta para a próxima visita, repleta de chouriças, azeite luminoso, couves doces, nabiças amargas e fruta picada, castanhas já livres de ouriço, nozes e avelãs sem ranço.
As festas populares eram de presença obrigatória e combinado convívio, os feriados religiosos com passagem pela igreja mas sem grande aparato, em nome da tradição.
Um dia o avô morreu de ataque fulminante, o coração explodiu, a avó disse que foi de tanta bondade, chorou o amor de uma vida de forma tão bonita e doce em homenagem de lágrimas e cerimónia simples.
Continuamos a viver todos juntos, perto em ruas, casa e coração, os Natais e aniversários eram celebrados com alegre parcimónia e saudade recordada e contida. 
Casei, depois de estudos concluídos e trabalho arranjado por conhecimentos do pai, lá nas finanças, o avô já não estava nem viu netos, dois lindos gémeos que romperam para a vida, um casalinho sonhado por todos de feições suaves e calma beleza, meninos de sua mãe, dóceis, sem sobressaltos ou traumas, mimados pelos avós e bisavó, mostrados a babar elogios no bairro onde todos respeitavam a família pela antiguidade e nada a apontar! Perfeita!
A avó foi deixando de andar, tratamos dela em casa, recusamos o lar de idosos, recorremos ao médico em domicílio, fizemos tudo para seu conforto, morreu feliz rodeada por todos, com dor minimizada pelo aconchego e amor verdadeiro e inocente. 
Os pais foram envelhecendo, os doces gémeos botaram corpo, orgulho meu e do pai que tanto os protegia, homem caseiro, ganhador, dócil de gestos contidos, não se bebia nem fumava em casa limpa e arejada todos os dias, não se levantava a voz, não se discutia com gritos de mãos agarradas à cabeça, tudo exemplar, sem trauma ou segredos.
Os pais partiram, deixaram a casinha de suas alegrias, naturalmente a mim, filha única, genro e netos adorados, ficamos algum tempo em desabafo de luto, os gémeos mostraram-se à altura da séria morte, choraram o que deviam, controlaram a dor e a vida continuou sem extravaso, sem sobressaltos de outro planeta. 
Fui sempre feliz, não dei desgosto aos pais, mereço os filhos que tenho, fui talhada para ser abençoada!
 
Se assim fosse...eu era outra que não esta, tão imperfeita pela mágoa, tão avessa a que me agarrassem para me destruir, sempre atraí sentimentos de desprezo, sempre fui cavalo para espicaçar e besta a abater, a culpar pela minha força, para domar, porque a liberdade natural é invejada, quase tanto como a riqueza ou a beleza!

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