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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

20
Jul20

Fraco poder da cannabis

Rita Pirolita
A legalização de drogas deste tipo por parte dos Governos nunca é por preocupação com o bem estar de alguém e sempre com o intuíto em deter lucros. 
Duvido que consigam controlar o seu uso apenas para fins medicinais e diminuir o crime associado e mercado paralelo e ilegal. 
Eu sei que a maioria gosta de fazer uso da liberdade de fumar, beber alcool, consumir drogas, comer carradas de açúcar e sal, sendo fortes candidatos à toxicodependência, alcoolismo, diabetes, insuficiência renal ou cardíaca...
Acima de tudo a minha lógica aqui é esclarecer e relembrar que as medidas tomadas por todos os governos neste tipo de coisas nunca são a pensar no bem da maioria e sim populismos a pensar em satisfazer a maioria dos votantes que lhes dão poleiro para poderem dominar, manipular e mais roubar. 
Se não formos nós a zelar pelo nosso bem individual e consecutivamente comunitário, ninguém o fará. 
Devemos ser livres de tomar decisões sobre o nosso corpo mas também devíamos ser conscientes da premissa de mais responsabilidade, mais liberdade e isso sinceramente não vejo, apenas vejo cada vez mais adultos infantilizados que precisam de brinquedos para não pensarem nem terem que resolver a real vida! 
A liberdade nas mãos certas é o caminho do altruísmo e filantropia, nas mãos erradas é uma prisão infernal! 
Lembrem-se que cada um paga o seu vício mas todos pagamos a cura no SNS, até aqueles que cuidam da sua saúde pagam pela falta da dos outros. 
Não admira por isso que as listas de espera para transplante de órgãos chutem para último pessoas que não levaram um tipo de vida mais saudável, que a eutanásia e cuidados paliativos estejam cada vez mais na ordem do dia, que os ricos tenham acesso a quase tudo, até a comprar mais tempo de vida ou uma morte melhor e com menos sofrimento e o tráfico ilegal de órgãos seja uma realidade chocante e frequente demais. 
Que os pobres tenham salas de chuto e os ricos passem a vida em clínicas de desintoxicação mas nada acaba com o vício nem impede que mais gente tome a má decisão de se meter na droga. Sim é uma má decisão que depois todos temos que pagar, não é um vício à espera de gente desprevenida em que se tropeça ao virar da esquina! 
Não seria mais democrático e solidário pensar que se fazemos bem a nós próprios fazemos aos outros, sem perda de liberdade e pelo caminho temos uma vida mais saudável sem estarmos 'agarrados a vícios' que impedem a liberdade pela dependência e condicionam a dos outros. 
Já basta as doenças que aparecem sem o nosso controlo, se conseguirmos evitar umas quantas para nosso bem e dos outros e não aumentar o negócio perverso da saúde, já não precisamos de dar a desculpa do estado paternalista que cuida de nós e controla as nossas acções, assim seremos nós a tomar as rédeas mas a maioria não sabe o que fazer com tanta liberdade e consequente responsabilidade. 
Exigir melhor produção alimentar, educar o consumo e lutar contra a massificação. 
Um Estado em cada homem se fosse possível mas a maioria não gosta de assumir a responsabilidade e resultado das suas acções e escuda-se em ditaduras que lhes tolhem a liberdade! 
Por isso os governos gostam de criar incapacitados para depois lhes imputarem a impossibilidade de gozarem uma liberdade que fazem sentir não merecer, alimentam assim as nossas depressões, aumentam a dependência, eleitos por nós e reflexo do que somos, ainda enriquecem à nossa custa, com o nosso dinheiro, em troca da nossa saúde e mal estar a vender bem estar ilusório!
Somos prisioneiros da nossa estupidez e actuamos como uns loucos que se acham donos do mundo só porque podem fumar uma ganza.  
Fraco e ilusório poder este que construimos e oferecemos a nós próprios, um verdadeiro presente envenenado que passa de prisão em prisão.
Sem grilhões na mente façam da adrenalina e entusiasmo a vossa droga de eleição! 
A força é original e está dentro de nós, não a roubem, trafiquem ou falsifiquem!
 
07
Abr20

Selecção natural

Rita Pirolita

Trabalhei e fui espectadora em muitos festivais, vi cenas degradantes e ouvi boa e má música.

Como não consumo drogas a minha sobriedade careta de pura adrenalina incomodava alguns e fazia-me sentir única e só no meio de tanta gente que não aproveitava quase nada por estar em transe constante, bêbeda ou em coma. 
Cada um com as memórias que merece, as minhas são definitivamente muitas e boas. 

Vive e deixa a selecção natural funcionar, desde que não te pisem os calos ou vomitem em cima!

01
Fev20

A longevidade dos velhos

Rita Pirolita
A longevidade dos massacrados impressiona-me mas faz sentido, se resistiram ao sofrimento a ponto de sobreviverem é porque estavam destinados a ser mais fortes ou aí se tornaram mais resistentes para chegar muitas vezes perto ou mesmo ultrapassar os 100 anos. Como sobrevivem as mães de filhos mortos em atentados? Não deitam por todos os poros que têm no corpo, uma raiva e revolta que cala os gritos por impotência de contrariar a maré e trazer de volta os filhos mártires???
Pessoas com 90 anos, deixaram de fumar há 2 porque a reforma já não dava para o vício e vê-se que ainda estão ali para as curvas!...
Dizem que se não tivermos muitas flutuações na nossa vida, de local, de alimentação e talvez quem sabe de preocupações e com uma grande ajuda genética podemos viver para lá dos 100. 
Pessoas que rezam e têm muita , não têm rugas e parece que andam tanto tempo que até elas próprias pedem para ir embora porque acham que estão a roubar tempo de vida a outros e não é justo uns viverem até tão tarde e outros morrerem tão cedo.
Aqueles que se queixam de todas as doenças, nunca mais morrem e dão cabo da cabeça a quem os acompanha dia sim dia nãàs urgências do hospital. 
Os velhos velhacos por menos que durem parece que andam a atazanar meio mundo faz uma eternidade.
Já que Deus não existe para fazer justiça, gosto de acreditar que a bondade e o sorriso ajudam na longevidade e que os maus passam rápido por este mundo...mas na realidade os maus duram demais e os bons gozam sempre vida curta.
30
Jan20

Freek-chique

Rita Pirolita
O que quero eu dizer com isto?

 

Gosto do espirito I don't give a shit dos freeks mas como não sou fundamentalista não sigo tudo à risca, é como ser vegan e uma vez por ano comer um pedaço de presunto, não tem espinha, é seco que nem um carapau, o suficiente para não haver sangue no prato, o sal é tanto que disfarça o sabor a barrasco e deve-se comer fino, que disfarça a textura esponjosa e nojenta da comum das carnes.

 

Vamos lá falar dos freeks, que eu não vim aqui para dar lições de culinária gourmet mediterrânica, como lhe chamam agora. 

Podemos no entanto dizer que tenho uma alma livre gourmet e chique. Passo a explicar. 

O comum dos pertencentes a este grupo apresenta sinais de alguma tendência de direita ou monárquica, tem casa na costa Alentejana ou nas belas vinhas de Trás-os-Montes, tem uma carrinha vintage da VW que custou os olhos da cara e a mim me custaria o cu também, porque tinha que o pôr a render, às vezes têm um dreadlock a despontar da cabeleira mas nada de exagerado, para não se confundir com um rastafari, usa roupa cara, mais uma vez para não se confundir com gente pobre e mal lavada, tem cães de marca que custaram um balúrdio e passam a vida no veterinário. Por último e nisto são todos iguais, fumam muita ganza, ora é aqui que eu me destaco e na riqueza também, confesso. Sou uma freek-chique pelintra!...  

 

Não sou de direita nem de esquerda, a não ser que isso me garanta uma casa na praia, não fumo, nem muito nem pouco, gosto de rafeiros e com muita adrenalina estou sempre a desafiar a liberdade que este mundo me deixa ter. 
16
Nov19

Contos da Estrelinha Serigaita - Natal

Rita Pirolita
Lembro-me da vida desde os meus 3 anos, dizem que é raro, mas comigo passou-se.
 
Noite de Natal a aproximar-se, a árvore já está a um canto da sala faz um mês, pequenino pinheiro verdadeiro, de agulhas mormas, na altura não havia árvores artificiais e se houvesse, seria fora do país e custariam os olhos da cara.
 
Os enfeites têm uma mistura Kitch, pobre e pirosa preenchida com pequenos chocolates ocos da Regina, embrulhados em pratas, que contornam o feitio do animal impresso, o Pai Natal é o animal maior, seguido das renas e dos coelhos da Páscoa, que convivem antecipadamente na época que não lhes pertence. 
 
Fazendo uso da minha veia artística, que me dá delicadeza de mãos e agilidade de pianista, sem ninguém dar conta, consigo retirar o doce chocolate de dentro da prata, deixando a mesma ainda pendurada por um fiozinho brilhante, ficando intacta na sua forma, devoro o chocolate como recompensa da minha proeza, rapidamente na eminência de ser apanhada e assim vou depenando a árvore de conteúdo mas não de aparência, que se mantém imaculada como o inocente menino Jesus, nas palhas deitado. 
 
Só sou descoberta quando alguém quer ir comer um chocolatinho da árvore, na proximidade da noite do ressuscitado e amachuca a prata ao tentar apanhar algo lá dentro. 
 
Ninguém me acusa de boca mas todos olham para mim...
A risada foi total na primeira vez que fui descoberta, nunca mais voltei a fazê-lo, tudo tinha perdido a piada e a adrenalina tinha desaparecido.
Eu que nem aprecio chocolate, aqueles foram os que melhor me souberam, comidos debaixo da árvore, como os figos melhor sabem também mas que eu igualmente não aprecio...coisas que me dizem!   

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