Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

17
Nov20

Aniversário do moço

Rita Pirolita

É o dia do moço, o que eu lhe chamo, o seu nome nunca saberão, não ecoa nas letras dos meus textos, é insondável para quem me lê, outras coisas não serão, as que eu aqui ponho para vos dar a conhecer propositadamente, sou eu assim a chorar para fora sem que me vejam ou sintam o sal das minhas gotas de iris!

Do moço tenho pouco mais de uma década de conhecimento, quando fizermos, se fizermos, bodas daquele brilhante metal, já estaremos sem nos dar conta da companhia talvez. 

Expresso aqui o meu apreço por aturar a minha inquietação, a minha amizade por ser cúmplice, o meu gostar por ser bondoso, eu também sou algo assim para esses lados mas só a ele mostro, dos outros escondo, ele mostra, já não a muitos mas ainda cai onde não deve, a minha preocupação é protegê-lo e avisá-lo para que não lhe deixem mossa na bondade, para que não se transforme em revolta, ódio ou vingança, dizem que os escorpiões são dados a essas maleitas do feitio, que não se ponha a jeito, que se encolha nas palavras que eu cada vez mais faço de muda.

A força do meu abraço é o quanto eu gosto, eu tenho muita força e aperto muito, quase a estalar os ossos.

Se soubessem o quão gosto do moço? Ele sabe mas ainda não tudo, vai sabendo, conforme a vida me dá ganas para lhe mostrar o que ainda também não sei!

24
Jul20

Conhecimento

Rita Pirolita
Muitos comentam para agradar, por estarem tão acomodados à ausência de opinião desfazem-se em elogios, aval e améns por preguiça de pensar, contrapor, criticar ou acrescentar, tantos outros destilam ódio sem conhecimento, tudo é engolido pelos impávidos que nada comem e tudo vomitam com fel. 
Deixo um apelo, se não têm conhecimento de causa ou mesmo conhecimento de todo, falem pouco, não se envergonhem e tentem informar-se, ninguém sabe tudo ou tem que saber, se sabem muito partilhem com o resto do mundo, quantas vezes já não aprendi com pessoas que relatam com veracidade e sem apologias ou fanatismos políticos o que se passa na Catalunha, no Brasil, na Síria, na China, em África ou mesmo na Venezuela, eu que não estou lá, agradeço que gritem pela liberdade, quero saber o que se passa com esta gente lá longe, sem entrar em demagogias e comentários atirados ao acaso! 
Não quero jornalistas comprados ou tendenciosos a enfiarem-me fake news pelo papo abaixo, como papagaios, vitimas de donos tortuosos! 
O conhecimento engrandece a pequenez com que nascemos. Não querem todos ser altos quando crescerem?... 
16
Jul20

Je suis e #MeToo

Rita Pirolita
Tanta solidariedade comodista e ecuménica. 

Nós os bons que estamos sempre do lado certo queremos que nos ouçam nas nossas denúncias de assédio, falta de respeito, contra o terrorismo e a discriminação...

Nós que não fazemos mal a uma mosca mas não gostamos do vizinho do lado sabe-se lá porque razão tão estúpida e insignificante que já nem nos lembramos, nós que nunca contribuímos para as guerras e educação sexista dos nossos filhos, com meninas a lavar louça e meninos a jogar à bola, em vez de criar seres independentes, desenrascados e que pensem pela própria cabeça que não ofereçam a outra face mas que não alimentem o ódio. 

Por mais que se grite, fale e escreva sobre tolerância e democracia...estes são precisamente os estados mais vulneráveis e difíceis de conseguir e manter, são de um equilíbrio periclitante como a cabeça da humanidade que vira consoante o vento da ilusão de mudar para ficar tudo na mesma!  
14
Jul20

Os eleitos que caíram do céu

Rita Pirolita
A sociedade cria resultados maus que depois quer condenar social, legal e moralmente, como se criasse filhos e depois os castigasse pelo mau comportamento fruto da má educação que lhes deu!  
Somos todos deste planeta e isto não é de todo nenhum sentimento de impunidade para com quem mal provoca, mas será que vamos matar com ferros quem com ferros mata, combater a guerra com guerra para conseguir a paz? 
Andamos a fazer isso há milhares de anos e veja-se o resultado... 
Por usarem gasolina no vosso carro para se deslocarem para o trabalho, não têm um pouco de responsabilidade, inevitável dizem vocês, para desculpar e acalmar a consciência e porque o mundo assim está construído, nas guerras e regimes assentes no ouro Negro no Médio Oriente, Africa e América Latina?  
Quem atira a primeira pedra com ódio e raiva gostaria de ser julgado em praça pública pelos seus erros mesmo que os tivesse praticado com pouca assunção de responsabilidade, por exemplo na adolescência e não ter hipótese de corrigir? Ou são todos uns santos?  
Os homens e mulheres de amanhã agem de acordo com a educação que lhes dão, se for sem tempo ou a correr com pouca atenção, teremos o resultado equivalente. 
A vida é feita de causas e consequências e quanto menos responsáveis menos livres.  
Precisamos de gerações depuradoras dos educadores coxos que temos, que não conseguem eles também ser saudáveis pelo imposto ritmo alucinante de vida e falta de tempo! 
Será que conseguimos benfeitores espontâneos, que se livrem da pesada consequência, exorcizem os traumas e que reajam por oposição à má prática? 
O comportamento humano não pode ser analisado como se de um robot se tratasse.
A pedófilia por exemplo, tem tanta cura como há muitos anos atrás se dizia que a homossexualidade era uma doença. 
O cancro é uma doença inerente à existência de seres vivos e apesar de a cura estar neste planeta, não andamos à procura dela noutra Galáxia, anda a indústria farmacêutica a adiá-la em nome de fazer dinheiro à custa de sofrimento que já poderia ser evitável, de tratamentos violentos que nem garantem grande sucesso mas mantêm os doentes vivos, sem serem saudáveis! 
Por outro lado somos suficientemente parvos para não aproveitarmos os recursos que temos e deixarmos gente a morrer à sede e à fome e depois irmos para Marte à procura de vestígios de água!
Crianças abusadas e pedófilos, são também o retrato da humanidade, umas vezes abusados outras vezes abusadores, vitima e agressor não existem um sem o outro, neste caso a defesa é desequilibrada, por força maior de um adulto que encontra na criança um alvo fácil para dominar, os papeis alternam. 
O tratamento de crianças abusadas nunca foi negado e falar no acompanhamento de pedófilos não quer dizer que estejamos a pactuar com os seus actos desviantes.
Não podemos continuar a tratar as vitimas como coitadinhos apáticos e os agressores como monstros de outro planeta, sem causa aparente, gente apenas doente e coitada.
Ninguém está livre de cometer delitos, a gravidade dos mesmos exige soluções à altura. 
A lei de anular quem não é normal sempre existiu e continua a existir e isso mostra um grau civilizacional baixo da humanidade que não consegue comportar os seus erros.
Ah esperem, os malucos criminosos deixam de ser humanos, essa é a sua condenação? Impossível de aplicar! 
Quando a educação é má ou inexistente, as crianças ficam ao abandono, à mercê de adultos que lhes fazem mal porque também eles são mal formados. 
Se amor-próprio e autodeterminação existissem, não haveria lugar para humilhações deste tipo de seres tão pequenos que absorvem tudo o que lhes fazem, ficam traumatizados e vingam-se noutros sob variadas formas de abuso, humilhação, violência, violações, guerras, homicídios.
Daí não causar admiração o resultado de um estudo recente entre adolescentes que aceitam e até acham normal, a subjugação no namoro por algum tipo de violência humilhação ou chantagem.
Afinal já todos fomos crianças e pertencemos ao mesmo planeta, percebem o ciclo de ódio que tem que ser travado e que algumas pessoas alheias ao assunto instigam? 
A melhor solução está nos envolvidos e não nos 'bonzinhos eleitos' que picam de fora e defendem o que não sabem, apenas baseados em nojo e pouca racionalização e aceitação do problema para assim o poder resolver. 
Separar, nós os bons e os outros, os maus, é o pior engodo de inclusão em que podemos cair!
Porque quando nada se resolve, mantemos o problema e continuamos a alimentá-lo.
Temos em mãos uma enorme solução a tomar, a própria humanidade que já caminha para a destruição desde a sua existência, porque não matá-la muito antes em nome da justiça dos 'bons' que parece vieram de Marte para nos salvar e até se elegeram a eles próprios??? 
Este é um caminho perigoso, cego e prisioneiro de falsos altruísmos, de gente que não sabendo o que diz ainda traz mais achas para a fogueira do mimo e das vaidades, que arde sem se ver e queima sem saber!
04
Fev20

Cultura da diferença para a igualdade

Rita Pirolita
Os extremos tocam-se e repelem-se na gladiação pelo poder. 
É a cultura do salamaleque de quem diz bem e vão todos atrás ou de quem começa a dizer mal e a devassa vem por aí abaixo. 
Assim se arrasta a real carneirada atrás do real coitadinhismo com real queixume, de políticas que aumentam a vitimização atrás da denúncia que expõe, usa e humilha em vez de ajudar!
Os pobres vendem-se aos ricos por tudo e por nada, estendem a mão a dinheiro fácil, em troca de orgulho amarfanhado, delapidação da dignidade e riqueza da pátria. 
Políticos que mantêm povo a ração, numa casa que convém controlada com rédea curta e justiça que não funcione, para que a desorientação deixe o roubo impune e a governação por mérito seja chutada para as catacumbas. 
A vil estupidez dos energúmenos desacredita o acesso justo às oportunidades.
A cultura imposta da diferença quer-nos a todos iguais, numa alienação de luta que leva à divisão ao culto do ódio e à falta de liberdade e independência mal trocada por fugaz segurança e vigilância.
A virtude não está ao centro, deveria estar entre e dentro de cada um de nós!
02
Dez19

Vitima nunca

Rita Pirolita

A violência doméstica continua na ordem do dia. Vou falar dela pela perspectiva de quem já viu e viveu alguma coisa e está alerta para não repetir erros de outros ou deixar prolongar situações pouco agradáveis por comodismo.

Ao mesmo tempo que se alerta para a importância da queixa, o não sentir medo ou vergonha de expor a situação, por outro lado a sociedade empurra no sentido contrário, silenciando com criticas e rótulos quem sofre este tipo de violência tacanha, encurralando a vítima num beco de silêncio e solidão.

O agressor será sempre alguém sem escrúpulos que não tendo respeito por si também não sabe respeitar a integridade e espaço dos outros e cuja única forma de amar que conhece é doentia, agressiva, dominante e humilhante num desespero de esconder a sua própria insegurança e complexo de inferioridade. Atacar antes que o ataquem.

A vítima por outro lado, também ela mal amada ou nunca amada, sempre incrédula e descrente na felicidade, que não  se sente no direito de viver, que é demais para agarrar, que não merece e não lhe pertence. A dor e mal estar são constantes num comodismo quotidiano.

Assim se convencem que têm que aguentar o sofrimento como uma cruz que carregam, segredado a algumas pessoas para angariar defensores da sua causa de comiseração e queixume, única forma de ter alguma atenção e pena, como um animal ferido que sorve parcas e mesquinhas manifestações de carinho e preocupação dos outros, que estão mais interessados em saber o que se passa do que em denunciar a situação ou mesmo ajudar.

No fundo tanto o agressor como a vítima sofrem do mesmo mal, baixa auto-estima e desamor, um manifesta isso com ódio, o outro com medo e submissão. 
Se estas pessoas se cruzam na vida, a violência continua entre quatro paredes, com umas queixas aqui e ali, até um desfecho algumas vezes macabro.

Estas famílias direcionam toda a sua energia para o desentendimento e ficam assim alheados do resto, não conseguindo proteger os mais vulneráveis desta vivência. 
Os filhos ou vivem e acumulam revolta e ódio generalizados por todos os que se aproximarem deles ao longo da vida, encontrando a melhor oportunidade para exorcizar este ódio nas relações intimas que vão tendo e destruindo, ou conseguem quebrar este ciclo, nunca incólumes de todo mas com a sanidade e clarividência suficientes para mudarem o curso das suas vidas, não voltarem a cometer os erros de que foram vítimas e conseguirem relacionar-se com o mundo de uma forma integrada, de partilha do melhor e esquecimento do pior.

Agressor e vítima só coexistem se ambos derem espaço um ao outro. Sem vitimização da vitima, o agressor dilui-se e perde força.

Gente criada com carinho e dedicação tem meio caminho andado para a felicidade, gente criada com pouco e mau,  não deve desperdiçar muitas oportunidades para iluminar os cantos escuros da alma, que todos temos. 

 
22
Set19

Eu sou...sei lá

Rita Pirolita
 
Quem leia os meus textos pode pensar que sou louca, que me estou a marimbar para tudo, que não levo ninguém a sério nem a mim própria, que me rio de toda a gente mas nem toda a gente se ri de mim.
 
Eu sou tudo isto num comportamento bipolar de riso, choro, depressão e euforia.
 
O que querem? Nasci para ser rapaz, saiu miúda, para me portar bem espontaneamente sem exemplos de boa educação, para não ser artista que isso não dá dinheiro, para tirar um curso e ter filhos de alguém da classe média alta.
Nada disto até agora, nem à vista.
 
Outros ainda podem pensar que destilo ódio numa escrita com raiva e sofreguidão ou que sou acutilante com poucas ilusões mas muitos sonhos. Que sou poeta da banha da cobra ou prosista das causas pequenas e pequeníssimas.

Também posso ser tudo isto mas de certeza sou aquilo que escrevo e muito mais, com muita pressa de aprender e menos de envelhecer.
01
Jun19

A minha sogra não é nem deixa de ser

Rita Pirolita


Se gosto da minha sogra? Não tive ainda tempo de criar laços para saber isso, mas posso agradecer-lhe todos os dias, todos os dias é demais, nos aniversários chega, ter dado à luz o Pau d'Arco.    
 
A minha sogra é sempre tratada por você e pelo nome próprio, para terceiros e em primeiro lugar, é a mãe do seu filho que por acaso casou comigo, portanto a mãe dele.

As sogras deviam ser sempre gostáveis à
partida, porque puseram no mundo a extensão por quem nos apaixonámos.
 
*** Mas quando aparece mula no curral, passam de mães a carraças raivosas que quando atacam não vacina que salve. Um esclarecimento para as sogras que mordem - as noras também são filhas e serão talvez mães dos vossos netos.
A felicidade da nossa junção não pode fazer sombra ao infeliz casamento de longa data da sogrinha.

Uma vez, uma amiga minha da linha teve uma conversa interessante com uma candidata a sogra:

- 'Olhe que tivemos sempre empregada e o meu filho não sabe fazer nada!'
Ao que a minha amiga respondeu e muito bem: 
- 'Tem graça, eu também!'

Num passado longínquo uma candidata a sogra, ameaçou-me por telefone, de morte por atropelamento, o corriqueiro 'passo-te com o carro por cima', por eu nã
o ter telefonado todos os dias a saber da evolução de uma forte gripe que ao fim de 3 dias estava curada, em casa do novo namorado taxista que vivia em Mem Martins e durou tanto como a gripe.
Olha agora, as chamadas dos telemóveis eram caras nessa altura e que eu saiba nunca se trataram gripes à distância, eu vivia na Margem Sul e tinha ficado a aturar o filho dela! 

Chamar sogrinha antes de casar ou com 6 meses de namoro apenas precipita as coisas, mais para o mal que para o bem. 

Passe pela cabeça destas mães ciosas que vocês querem ocupar o lugar da matriarca e está tudo fodido, ganham uma guerra para sempre e nunca vencem a batalha, o mais que pode acontecer é deixarem de falar e ela não ir ao vosso casamento, ou seja, o ódio por vocês é maior que o amor pelo próprio filho.

Na maioria dos casos temos idade para sermos vossas filhas, porque nos tratam como netas
Em vez de partilhar a vossa sabedoria e experiência gostam de impor regras e horários, se calhar não aprenderam muito do que a vida tinha para vos ensinar e o que não puderam fazer com os maridos tentam fazer com os próprios filhos e respectivas noras, MANDAR, CONTROLAR e MANIPULAR!

Os genros sã
o sempre adorados pelas sogras ou pelo menos gozam de boa aceitação junto delas. 
É um descanso ter uma pila por perto para aturar a patareca saltitona da filha...e acalmar os nervos da mãe!***

(***) Discurso baseado em histórias minhas e de conhecidas, passadas e verídicas e nã
o na minha experiência única e mais recente de ter uma sogra à distância. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub