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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Incêndios...outra vez!

Rita Pirolita
Lá vou escrever mais uma vez sobre o flagelo de 2017.
Quando já todos e até o próprio governo confiavam que a desgraça já tinha sido tanta que só talvez para o ano teríamos que lidar com os incêndios outra vez, alinhando as ideias, nunca fazendo nada como sempre para inaugurar a próxima 'abertura de época' com anúncios de mais meios, formação e prevenção que nunca se concretizam mas ficam bem no discurso falacioso de promessas políticas. 
Quando estávamos mais ou menos descansados, veio mais uma vaga de calor inesperada, a chuva teimando em não cair e armou-se o circo desastroso e angustiante, um cenário de gente carbonizada, casas destruídas, carros queimados abandonados, com ocupantes desaparecidos, deixados todos à sua sorte, bombeiros que tentam salvar povoações, casas e pessoas e deixam arder o desabitado porque não chegam a todo o lado! Pessoas que teimam em não deixar os haveres e não podem ser obrigadas a partir e é aqui que me detenho hoje na escrita deste texto. 
Mais ou menos pela mesma altura a Califórnia foi assolada por incêndios, algo a que estão também infelizmente habituados, a par do problema de falta de água potável. 
Vi apenas duas declarações de proprietários em solo californiano, com um cenário de destruição por trás, à medida que expressavam a sua tristeza e aflição mas que apesar de tudo, tinham sido abençoados por estarem vivos e terem conseguido salvar algumas fotos de família e os animais de estimação, apenas tinham ficado com a roupa do corpo mas prontos para iniciar vida nova e a reconstrução, pena as pessoas que também morreram, penso eu 31,  provavelmente a tentar a fuga mas não conseguiram, não ficaram de certeza para trás com a ideia que sozinhos conseguiriam salvar os seus pertences.
Os nossos desgraçados portugueses choram em estado de choque em frente às câmaras a dizer que perderam os haveres de uma vida inteira, conseguidos com enorme esforço, que perderam familiares a tentarem salvar as casas, que se recusaram a abandonar as casas, à espera de bombeiros ou que um milagre os salvasse, mudando a direção do vento ou trazendo uma chuva de dilúvio salvador. 
Nada disso aconteceu para muitos que morreram a fugir ou debaixo dos escombros. 
A diferença de atitudes está na pobreza monetária que leva a pobreza de decisões e comportamentos de sobrevivência assentes na ideia de abandono ou ajuda pós catástrofe.
Na Califórnia ninguém por um segundo deixou de acreditar que passado pouco tempo iriam iniciar a construção das suas casas com a cobertura dada pelos seguros. 
Em Portugal os seguros em caso de catástrofe natural tentam escapulir-se à responsabilidade de pagar seja o que for e a ajuda angariada de milhões será toda roubada antes de chegar aos mais necessitados, podendo esses apenas contar com o seu esforço e ajuda de amigos próximos que também não podem fazer muito porque foram atingidos pela mesma desgraça.
Os discursos políticos de consolo são um desconsolo de resignação à incompetência descarada em desgovernar tanto um pais tão pequeno.
As pessoas sentem que estão por sua conta, que nenhum governante as vai ajudar a não ser na aparição, beijos e palmadinhas nas costas, até à próxima desgraça. 
'O presidente exige que o Governo tire todas, mas todas as consequências da tragédia.'...e concluo eu, mas que não assuma responsabilidades nenhumas da desgovernação desastrosa!  
09
Ago20

Trump fez um manguito

Rita Pirolita
 
Anda tudo indignado com o virar costas de Trump ao acordo de Paris... 
Os países ricos e civilizados contribuíram para o aumento da poluição à procura de lucro fácil e rápido ao produzirem em países pouco desenvolvidos, a explorar mão de obra quase escrava. Contribuem para a manutenção da guerra ao produzir armas para a combater. 
Quando a guerra e os efeitos da poluição estavam longe das vidas limpas e civilizadas, ninguém se preocupou, agora que todos sofremos os efeitos também ninguém faz nada e todos são indignados do sofá. 
Perguntem à França quanto armamento produz e a quem vende, à Alemanha o que se passou com os carros da Volkswagen, Espanha insiste na actividade da central nuclear de Almaraz que já devia ter encerrado há pouco menos de uma década, as fábricas da Coca-Cola na India dão trabalho às mesmas populações a quem roubam água potável, milhões na China trabalham horas a fio em troca de abrigo e uma tijela de arroz, em Africa e no Brasil terra fértil continua a ser destruída em busca de metais preciosos e a Arábia Saudita continua o seu domínio tentacular ao controlar a exploração do elemento mais poluidor à face da terra...
De que nos serve separar o lixo ou não deixar água a correr enquanto escovamos os dentes se depois as Câmaras Municipais reciclam muito pouco, porque sai caro e queimam quase tudo ou criam áreas enormes de relva que necessitam de quantidades astronómicas de água para a sua manutenção, quando podiam apostar em espécies autóctones em auto-gestão.
Eu sei que uma gota no oceano pode fazer a diferença e muitas ainda melhor mas Donald Trump apenas fez um manguito a uma coisa que não existe. 
Precisamos de acções e não de acordos de papel.
25
Jul20

Desenganem-me

Rita Pirolita
Desenganem-me que eu gosto!

Digam-me que ninguém escreveu livros religiosos que mais parecem manuais de alienação, que passearam na Lua, que os comprimidos para emagrecer resultam, que o silicone parece natural, que já ninguém sacrifica pessoas e animais, que a água e a floresta não vão acabar, que o respeito, a responsabilidade e a liberdade vão ser renovadas, que a fome e a guerra desaparecem e que o ser humano é digno do mundo que lhe foi oferecido de bandeja! 

Avisem-me quando isto for real, ando por perto mas à parte!
19
Jul20

Desidratação

Rita Pirolita
As pessoas que pagam e bem para ir ao ginásio e nem lá põem os pés, porque é que fogem quando se lhes pede ajuda para mudar um móvel que seja lá em casa? 

Ninguém lhes vai cobrar nada e na melhor das hipóteses até se lhes oferece um copinho de água para evitar a desidratação!
23
Set19

Olhos húmidos

Rita Pirolita
 
 
Ando muito preocupada com os meus olhos húmidos...e o esforço que faço para que não se transformem numa torneira que depois de aberta tenho medo de não conseguir fechar? Desperdiçar água não é o meu género.
 
No meu tempo os homens não choravam e esta mulher não tinha tempo nem permissão. Nunca fui habituada a lamechices e dramas de princesa.
 
Tudo na vida foi aceite a engolir em seco e não a engolir lágrimas, lamber as feridas a um canto sem ajuda de pensos. Fui adulta na infância, por mim assim que nasci tinha logo saído de casa. 
O crescimento rápido e imposto não deixa lugar para a esperança de algum dia sermos muito gostados, seremos sempre secundários na vida de outros.
 
Agora e depois dos 40 a humidade vem-me aos olhos com muita facilidade e com as imagens mais estúpidas deste planeta, é tão estranho para mim que nem me permito chorar, aperto os lábios e limpo logo os olhos sem dar tempo que uma única lágrima caia
Apesar de ser humana, chorar é uma actividade estranha e rara na minha vida. 
Será que por nunca ter estado grávida tenho agora o castigo da emoção hormonal inexplicável com momentos palermas e inesperados? Perco quase o controlo e isso irrita-me porque não sou prefeita mas gosto de caminhar para lá.
 
O que se passa comigo que não percebo, depois de velha é que me dá para chorar?...Não aguento, não tenho dó nem piedade de mim. 
Quero ser uma velha arrebitada e o queixosa ou chorosa, nem mesmo debaixo dos lençóis.
 
E se isto forem tudo lágrimas de crocodilo?...
Depois da menopausa passa.

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