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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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22
Jul20

Rir sem remédio

Rita Pirolita

Fazer rir às vezes não tem tanta piada assim!
Temos assistido no nosso país a uma geração de escritores de humor em escassez, comparativamente a comediantes de palco de espectáculos de stand-up que aparecem como cogumelos em plena humidade!
Ele é cursos e workshops por todo o lado, de escrita criativa e humoristica, youtubers engraçadinhos, parvinhos e palhacitos. 
No meu entender ou tens ou não tens jeito para a coisa, nada disto se fabrica, pode-se sim melhorar algumas coisas mas há tanto beto lambe-cus de famílias bem a dominar o mercado que até mete nojo! 
Embora não sejamos um país visto pelos de fora como alegre, somos bem dispostos, acolhedores e prontos para a fiesta mas menos que os esfusiantes espanhóis, acho bem que se tente, os ingleses não parecem dados à festarola e risota mas são donos de um cinismo típico que caracteriza o seu humor sarcástico e seco, a fazer sempre incursões no humor negro e depois temos o humor de grandes artistas americanos com tarimba de décadas, que não são mais que filhos de emigrantes vindos dos mais variados pontos do mundo, se não fossem estes movimentos castradores que vêem racismo, sexismo e xenofobia em tudo, continuariam a fazer-nos rir ainda mais, lá havemos de voltar a essa liberdade de criticar estereótipos, os judeus, os negros, os chineses, os indianos, aliás, cada um destes grupos possui no seu seio os maiores críticos, mais conscientes e a fazer as piadas mais assertivas e acutilantes, o que demonstra uma capacidade saudável de conviver com a riqueza peculiar que os distingue! 
A critica em humor é uma paródia à diferença, pode ser sarcástica e mordaz, acredito que da parte do humorista não pretende nunca ser um insulto ou uma inferiorização, quanto muito será a exaltação de características que abonam na distinção de cada grupo visado! 
Voltando aos nossos poucos mas bons artistas-humoristas de recente tradição, com destaque para o Herman José de inspiração nos Monty Python, o gago mais famoso, Raúl Solnado, o multifacetado artista plástico Henrique Viana e os mais antigos Vasco Santana e Ribeirinho, nas mulheres, Ivone Silva e Maria Rueff não podem ser esquecidas, queria eu dizer que a nova geração na sua maioria me parece um pouco pussidónia, como médicos a salvar vidas além fronteiras, com parcos recursos e pouca assistência, assim eles acham que com o riso podem salvar da depressão um povo que esteve sempre em crise, carregam um fardo forçado para fazerem dinheiro enquanto houver vontade de rir, que parece em alguma altura vai acabar, os humoristas passam a viver do plágio, a imaginação escasseia e a saturação instala-se, muitos temas passam a intocáveis e censurados e os que realmente sobrevivem por amor e fé à risota e brincadeira com o sério, estarão confinados a bares-catacumba com entradas controladas para evitar infiltrados pidescos e coninhas! 
Os nossos humoristas parecem a palhaçada da corte, tentam manter a cabeça à tona num país onde embora se goste de rir tem pouca tradição humoristica, a não ser que se conte com o humor revisteiro, parece-me a mim, tem pouca gente que possa pagar bilhetes, sendo que na maioria são as Câmaras que compram os bilhetes para oferecer, poucos irão pelo seu pé e que lhes saia do bolso, não que não gostassem de ir mas com o preço da gasolina mais alto da Europa e um IVA a 23%, a coisa não estica e não podem encher salas! 
Leva-me a crer que a maioria dos esforçados em palco nos querem fazer passar uns bons momentos como um remédio para os calos que alivia o andar mas ainda assim não deixa correr, andam pendurados nas barbas de um sítio pequeno, pobre e de alguma nostalgia de passado salazarista e censura do ridículo Toma bordalesco! 
O humor é muito democrático e popular mas deve ser produto de fino trato. 
Ainda não aprendemos bem a rir-mo-nos de nós próprios, levamos muito a peito as coisas sérias quando gracejadas e deixamo-nos enganar tão facilmente com as maiores balelas políticas que dariam mais vontade de chorar que de rir! 
Precisamos de mais traquejo e consciência própria como nação de tradições para gozar e encarar o humor de forma inteligente, isto inclui sermos empáticos com os mais distantes de nós, se cada um se puser no lugar do outro um momento que seja, entende melhor a piada de existir e assim todos podemos rir mais da figura que andamos a fazer neste mundo!

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