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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

15
Ago19

Revelação

Rita Pirolita

O amigo guru revelou-se falso como Judas?

Vejamos sem recorrer à Bíblia:
Onde conhecemos melhor as pessoas, além da suposta intimidade de um casamento ou apenas ajuntamento de trapinhos?

Nos piores momentos e nas férias, é sobre as últimas que me vou debruçar, sem não antes constatar que entre casais é onde surge cada vez mais mentira e engano, por isso a maioria das ligações são uma batata.

No pior da nossa vida, somos únicos a sentir e na dor estamos mais sós que ratos, ninguém nos chega ou pode amparar como idealizamos, somos todos psicólogos falhados ou em início de carreira, incluindo os psicólogos que também são gente e cometem os mesmos erros ou às vezes com conhecimento ainda fazem pior mas nas férias, quem é que vai disfarçar que está bem e desperdiçar o pouco tempo que tem de lazer?
Eu já vi em sessões de campismo selvagem, no tempo em que ainda se podia fazer, rapazes na posse de secadores, não raro é ver pessoas que levam a casa atrás nas férias, ainda pior, os problemas mas uma das coisas de que felizmente ou infelizmente não se podem deslindar é do seu feitio, que mais tarde ou mais cedo vem à tona, como aquela nhenha nos lagares, que fermenta e cheira mal, digo eu que são os peidos da uva, aqui serão os peidos da alma que se liberta, soltinha em férias!
Ora vejamos, este amigo do moço, note-se que eu não tenho amigos de momento, não fiz novos e não quero reatar com os antigos, as minhas interações resumem-se muito satisfatoriamente para a minha pessoa, a conversas esporádicas numa loja que frequente ou amigos do moço, que não sejam da minha responsabilidade se não prestarem ou mesmo se forem bons, que eu possa criticar ou dizer bem, sem ter que me preocupar em defender alguém ou chatear-me por traição de amizade, sou também avessa a associações, jantares seja do que for, de escola, da universidade, do antigo bairro, gosto de ir jantar fora quando me apetece e com quem me apetece, detesto grupos, grupinhos e grupetas, agrada-me por isso e muito não ter o peso e compromisso dos amigos, os do moço não são meus e por isso é perfeito, não temos ninguém em comum que partilhe memórias menos boas de figuras tristes que fizemos, de relações amorosas anteriores, de conflitos, enfim contamos um ao outro o que acharmos por bem revelar da nossa vida passada, todos temos direito aos nossos segredos e se eu gosto de os ter também reconheço e fico contente que outros os tenham, além de que saber tudo sobre a vida de alguém é um compromisso, um peso e uma trabalheira enormes que não gostaria de ter!
Posto isto este amiguinho do moço sempre mostrou ser um gajo muito cool, descontraído e pouco ligado a coisas materiais e relações sufocantes, parti assim com perspectivas de boa energia e interesses em comum mas a coisa não se deu, quando este senhor começou a parar nas bermas de 10 em 10 minutos para olhar para o GPS no telemóvel, quando começou a acertar em locais pouco simpáticos e nos melhores decidia ficar por apenas 10 minutos, comecei a verificar que esta pessoa de tão planeadas as coisas perdeu o contacto com a sua própria intuição e quando não tinha rede ficava à nora, quando para mim era um descanso andar perdida, sempre se descobrem sítios novos e muitos deles merecem uma segunda visita de tão bons!
Acabei por achar que não era saudável para ninguém continuarmos juntos, já que a pessoa se revelou o oposto do que quer parecer, às vezes podia ter uns pequenos toques de variação mas não!

Continuando eu a ser o que mostro, achei que o amigo do moço devia ir à vida dele e não andar acabrunhado a disfarçar estilo de vida de guru com elevação espiritual ao nível do chão.
Separados os rios eu e o moço seguimos para litoral, passamos a parar nas feiras e festas tradicionais, embora não aprecie ajuntamentos, gosto do ambiente medieval que ainda mantemos em milhentas actividades.

Soubemos depois que o amigo lá continuou a sua cruzada de locais isolados para parecer radical, daqueles que se lhes falta a rede no telemóvel ficam sem vida e perdem o norte!
O moço teve alguma dificuldade em engolir a desilusão com o amigo de longa data mas lá reconheceu, esqueceu e não se consumiu mais com tal dilema. Ninguém chegou ao ponto de se chatear, fomos todos sensatos.
Pessoinhas, sejam ao menos coerentes com as vossas vontades, não façam teatro, é que a qualquer momento podem cair do palco e só a vós faz mossa a queda e o engano!

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