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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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02
Ago19

Raquel e Álvaro

Rita Pirolita

Raquel andava pela verdura sem cântaro, casou com Álvaro das lides, não das tascas, apenas das casas de pasto com brasão!
Ao dia do desfloramento não verteu ela pinga de sangue nem uivou dor mas também nem prazer, muda se fez até ao amanhecer, dormiu tranquila para inquietação de Álvaro.
Então Raquel confirme lá de boca a virgindade de baixo?...Raquel assim o fez e Álvaro acreditou, também já tinham ido os tempos do lençol sanguinolento estendido na janela à espera de apupos libidinosos, além de que ela nunca tinha saído debaixo dos olhares atentos da aldeia.
Foram decorrendo os dias e mostrava ser dona de casa inexperiente mas votada e devota ao perfeccionismo, os cozinhados melhoravam de dia para dia, a limpeza tinha como irmã a imaculada e o corpo da doméstica domesticava-se às mãos do másculo marido de farto pêlo no peito e membro grandioso que Raquel aguentava sem dor e com lascívia crescente. Álvaro acreditou que estava a fazer uma mulher, uma menina a crescer para o sexo e Raquel mostrou-se aprendiz de intuição sem precisar de cartilha, repetições monótonas ou ditados panhonhas, sabia ela passado pouco tempo onde tocar e levar aos céus o seu homem, já Álvaro, ser de mais experiência estava mais perdido e indagava como tinha ela adquirido tanta sabedoria de cama e das intimidades em tão pouco tempo, começou a duvidar novamente da virgindade da sua donzela mas sem grande preocupação acabava sempre por esquecer essas dúvidas perdido em noites de prazer, um dia Raquel até lhe disse quando ao se levantar do leito lhe vieram das entranhas escorrencias dele - abortei de ti sem fecundação!
Álvaro cada dia se surpreendia mais com sua esposa e começou a notar que apenas um sopro no pulso direito a faziam mergulhar de olhos semicerrados na humidade dos corpos, sem hesitação deixava-se levar fosse para onde fosse desde que fosse para o acto consumado.
Álvaro já não dormia descansado ou andava tranquilo durante o dia, só de imaginar que sua mulherzinha se podia entregar a outros braços apenas com um sopro no pulso direito, se alguém por acaso descobrisse a abertura dessa caixinha nunca mais se fecharia e Álvaro passaria de imediato a vergonhoso corno.
Sem demoras mandou Álvaro fazer na melhor costureira umas pulseiras de setim, tinha centenas, tantas quantos os dias do ano, de cores diferentes, com pérolas, com flores miudinhas de grinalda de noiva, malmequeres em seda, papoilas em cachemira, não podia ela esquecer-se um único dia que saisse à rua das suas pulseiras de pulso direito, mais importantes que uma aliança, andava assim Raquel protegida e distante das traições pelo pulso que destapado a tornariam na maior puta de todos os tempos e arredores!
Em dia moliquento saiu Raquel à padaria e trazendo na volta pão cheiroso houve um cão esfaimado, raivoso e cheio de pessonha e sarna que se atirou ao pulso direito da indefesa Raquel que não tendo medo de animais também não se aproximava.
Foi ela parar ao consultório do doutor que logo pregou injecção na nádega de penicilina, ainda a cheirar a curativo foi com a mão entrapada para casa, esteve dias e dias em febre ardente, Álvaro estava em cuidados não só de saúde geral como em particular do seu pulso excitante que tinha sido mordido por cão tinhoso do mafarrico.
Tudo se fez para salvar o pulso de Raquel até que o cheiro da podridão das carnes começou a corroer o ar da cama, sem hesitação amputou-se e Raquel foi levada em braços para descanso que mais parecia eterno, fez Álvaro enterro ao pulso de sua esposa e declarou óbito ao sexo até ao fim da vida!

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