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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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20
Fev21

Filosofando

Rita Pirolita

Gosto de filosofia e de filosofar, não sendo por isso que me sinta capaz de fazer raciocínios que possam criar uma corrente com nome, pelo menos sinto com segurança que consigo criar uma linha de pensamento com coerência afastada o suficiente de ideologias políticas, salvaguardando assim o meu orgulho em saber separar as coisas, não as confundir ou misturar e sim relacionar em modo causa-efeito. Ora tendo eu a noção que filosofar também é pensar a vida e viver mediante um caminho que vamos construindo no concordar ou desagrado, filosofar será um ser humano a demonstrar a capacidade que tem de tecer ideias, opiniões e critica sobre si próprio e sobre o que e quem o rodeia. Chegados aqui o meu olhar sobre o mundo, não querendo passar por conservadora que acho não ser, resume-se ao regresso à essência das coisas para não mergulhar em devaneios e sim acreditar que o sonho verdadeiro e não infantilizado se pode materializar.
Vivemos actualmente em países ricos, porque os de 3° mundo continuam a sofrer com a realidade mais atroz da guerra, fome, abuso, miséria e discriminação, em lutas aéreas e vazias, afastadas do essencial e até da realidade, luta-se em paradas carnavalescas pela identidade de género quando muito poucos têm a certeza do que são e estão confusos acerca do que querem ser, existem catálogos de tipos de corpos sem olhar a almas, os que se dizem profissionais do fisisco e do sentir fazem parte da engrenagem de aprovação em enfiar pessoas à força nos mais variados estereótipos só para que os indecisos se sintam aceites e encaixados em minorias que convém serem o mais estravagantes, aberrantes e chocantes de todos os tempos, necessitam sim de se evidenciar, todos querem ser uma estrela num Universo cheio delas em vez de se resumirem à humildade de um grupo, a humanidade nas suas idiossincracias, professam idependência e assunção da condição mais dismorfe ou amorfa só porque sim, sem rumo entram em depressões, ódios, revoltas e lutas que nunca serão as suas!
Banaliza-se a exposição da intimidade, encenam-se choros e queixumes de assédio, vê-se tanta mama, pila e crica que só chego à conclusão sem surpresa que todos temos o mesmo em diferentes feitios e tamanhos, há de tudo para todos os gostos e sobre este assunto do corpo, porque da alma já ninguém se ocupa, poderei falar oportunamente sobre a confusão que também invadiu o quotidiano, porque se tem tempo que já não sendo gasto em actos de sobrevivência poderia ser aproveitado em ócio e contemplação, saber fazer nada também é uma arte mas não, estamos cada vez mais fechados e isolados mas no entanto com uma sede de exposição brutal, diria uma auto-prostituição e aqui não falo do mundo virtual declaradamente erótico ou pornográfico, tudo o que lá está é para ser explicitamente vendido a quem procura e já sabe o que vai encontrar, em paralelo existe uma estimulação feita de imagens, de poses, de linguagem falada ou corporal, que necessidade têm miúdas, gamers, blogers, youtubers de sexualizar o seu trabalho? Anseiam sem dúvida por seguidores, admiradores e aprovação, foram despojados de confiança em si próprios e da sua autodeterminação, ao ficarem desorientados dependem de aprovação alheia e acreditam que não são a sua melhor companhia e ajuda, enfraquecidos querem-se convencer que exorcizam o seu melhor em atitudes estapafurdias que apenas são projecções gráficas sem conteúdo! As cirurgias, a make-up, a dissimulação, o estatuto, a pertença forçada à maior tolice mais in do momento, deixarem-se convencer que devem pensar fora da caixa mas estar inseridos e para isso precisam sempre de ajuda profissional paga e tanto melhor com uma patologia da moda associada, rendem-se à aprovação de uma sociedade que tem ela própria critérios de selecção muito duvidosos e promíscuos, gerações com acesso tão fácil a informação distorcida que por exemplo aceitam e normalizam a violência no namoro, a negação ou a não aceitação de si próprio só leva a mentes equivocadas que não fazem a mínima ideia para onde querem ir e desculpam o desnorte com a fúria de fazer parecer que vivem mas não, já nasceram mortos, estão apenas a enterrar-se e a fazer o luto da sua própria vida!

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