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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

19
Jan22

Desamados

Rita Pirolita

Realmente exponho-me muito pela escrita mas deixem lá partilhar as minhas feridas e as lições que tenho tirado da vida, sem queixume e ultimamente de cabeça erguida, tendo a noção que sou responsável pelas minhas escolhas, a vida é repleta delas a cada minuto, de vontades decididas, gostos marcados e acima de tudo de aproveitar opções e oportunidades, há quem não as tenha e isso é a maior falha na liberdade de um ser!
Aviso já que este texto é impróprio para inseguros, irresponsáveis, queixosos e coitadinhos, choramingas ou armados ao pingarelho que se acham no poder de dar palpites e lições de vida e moral quando são eles a própria merda em pessoa, resumindo, gente fraca, se assim forem não leiam, podem perder a virgindade do vosso cérebro formatado, reconhecer que a vossa força é uma caca, entrar em choque e começarem a destilar ódio por se sentirem retratados!
Comecei a vida com uma mãe que já pouca vontade tinha de me tratar e compreender, uma mãe massacrada a quem ruiu por completo a ilusão de família harmoniosa, uma mãe que comigo nos braços abriu o gaz do forno para irmos de vez as duas, que esteve inúmeras vezes com uma lâmina no pescoço sem coragem de o fazer, que não se protegeu nem me ensinou a amar e ser amada, deixou que um pai quase me matasse, fiquei uma adolescente solitária, a achar que merecia todo este desleixo, deprimida e calada na dor, chegou-me o suicidio e a anorexia perto, deixei a casa desarrumada para trás e recuperei ao viver sozinha, numa conversa comigo, ainda a retaliar ódio em quem não merecia, não consegui equilíbrio em relações, eu própria era um vulcão de euforia desmedida, percebi que a culpa não era só minha, que também não podia passar a vida a pô-la inteiramente nos que me magoaram no passado mas a recuperação estava nas minhas mãos, não conheci nenhum psicólogo ou psiquiatra do SNS que me pudesse ajudar, para os particulares nunca tive dinheiro, que mostrasse interesse ou disponibilidade de tempo para investir na minha saúde mental, reconheci que não devemos venerar ajuda exterior, a nossa fé é o melhor, é aquela que também nos deixa acreditar que outros nos podem ajudar no arranque! O serviço de saúde mental ou fisica tendencialmente gratuito é no fundo pago por todos mas a maioria age como se estivesse num resort all-inclusive em que têm que comer, beber e sujar na proporção da quantia que pagaram nem que para isso fiquem indispostos, bêbedos com diarreia ou mesmo regressem a casa doentes e cansados, eu pelo contrário sou a favor de contribuir para um SNS que para meu bem evite usar, será bom sinal e responsabilidade minha manter-me longe da doença e sofrimento, seja ele fisico ou mental, temos para isto que criar gente normal, forte e sensível que não se dedique a destilar ódio porque não gostam deles próprios e sabem que alguém se deixará ir abaixo com as suas críticas, temos que educar para um mundo de empatia e não de agressores falhados e vitimas desamadas. Sim veio-me culpa quando a mãe teve coragem de se matar e não consegui mostrar-lhe outras opções, fomos vitimas de um mundo que não devia ser assim!
Venham-me dizer que alguns têm propensão para o desequilíbrio ou depressão, que têm falhas químicas no seu corpo, caramba e não temos todos? Somos únicos nisso, uns mais real outros mais em potência com possibilidade de se passar de bestial a besta a qualquer momento e é nesta fronteira que temos que trabalhar, percebendo que tudo o que temos a fazer, errar, aprender e melhorar é nesta vida, não noutra que não existe, que somos seres tristes e alegres, efusivos, confiantes e frustrados e está tudo bem não estar sempre bem, que seria de nós sem emoções e seus altos e baixos, a competição desenfreada mata a originalidade, enfraquece os guerreiros, ficamos vulneráveis a críticas e golpes baixos, deixamos que a opinião dos outros nos dite o caminho, sobrevivemos de aprovação alheia e sucumbimos à fama ou falta dela!
Caramba vocês não sentem culpa de sermos uma amálgama pouco nobre e nada inteligente, de sermos combativos odiosos em vez de adaptados evoluídos?
Se estou orgulhosa por ter ultrapassado tudo com atitude? Humildemente acho que era minha obrigação ser feliz, alcançar paz e convicção e transformar em ouro toda a merda que me deram, é para esta capacidade de crédito e fé em nós que temos que ser formados, com isso conseguiremos muita coisa ou quase tudo!

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