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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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13
Dez19

Bichos cabrones

Rita Pirolita
De passeio por um país do equador, desfrutamos de praias, nunca tão bonitas como as de Portugal, de vendedores ambulantes de fatias de bolo com ou sem erva e surfistas rastafari...
A nossa cor de pele, denunciava logo a condição de veraneantes vindos de outras bandas, não dava para enganar e pelas ruas lá aturávamos 50 ou mais perguntadores, como dizia o moço a fazer uso do seu humor, interessados em saber se fumávamos, por certo muito preocupados com a nossa saúde, não era de certeza para promover um qualquer programa de desintoxicação...
Ficamos hospedados numa simpática casa de madeira construída por um casal, ele espanhol e ela local, com um terraço empoleirado em cima de 3 andares de quartos, onde corria alguma brisa a contrariar a canícula melosa e que à noite era o palanque ideal para observar os vizinhos do bairro, churrascos e rixas com polícia pelo meio. 
A preocupação deste simpático casal era a manutenção e expansão do seu recente hostal que ainda pedia comentários no TripAdvisor, para aparecer na lista dos mais estrelados e para a qual muito contribuía a eliminação, com tratamento adequado à madeira, de uns bicharocos que existem por todo o lado mas talvez pela humidade, se tornavam mais vorazes e descontrolados por aquelas bandas. 
Esta era a grande preocupação deste jovem proprietário que não se imiscuiu de privar connosco e debaixo de um sorriso jocoso de dentes serrados, expressar a revolta contra os 'bichos cabrones' que lhe comiam o negócio, podendo reduzir tantas horas de suor, a farinhenta serradura.
Sempre de portas e janelas escancaradas, que o calor aperta, os cães pareciam deambular à noite pela fresca, mas o certo é que todos sabiam onde iam e a que casa pertenciam, mesmo que os chamasses não te ligavam nenhuma. 
Percebemos depois, que todos os cães têm dono mas parecem pertencer a qualquer transeunte que cruzem. Nunca estão presos, a rua é o seu domínio, saltam muros com ou sem autorização, são cuidados em pleno gozo de liberdade, domesticados qb, saem de casa quando querem e regressam às horas que bem entendem.
Entre uma vasta oferta de erva fumante que não aproveitamos, cães ariscos cheios de piada que parecem abandonados mas nunca se perdem, fruta com o melhor sabor que algum dia comi na vida, galo pinto e peixe grelhado...
Assim deslizaram os nossos dias a rir do doce feroz e bem disposto, 'el matador de bichos cabrones'.      

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