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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

28
Dez19

A talhar caixões

Rita Pirolita
Nas atabalhoadas entrevistas de jornaleiros, a pessoas desesperadas, no meio de um inferno de labaredas, todos respondem à pergunta "vai abandonar a sua casa?" com um raivoso "não arredo pé daqui", como se o papão fosse o fogo e não quem o provocou.
 
Não se revoltem contra os poucos incendiários maluquinhos, desejando a pena de morte ou que morram assadinhos e bem passados!  
 
Depois de acautelarem as vossas coisas e baixarem os braços, porque já fizeram tudo o que podiam para salvar as vossas casas e animais, descarreguem essa azia toda nos canalhas que vos desgovernaram até hoje, que em nome da ganância pelo poder fazem qualquer coisa, até matar de uma penada ou aos poucos com requinte! 
 
Alguns inúteis já estão mortos, estão demitidos da culpa por isso? 
Os mortos foram vitimas da seleção natural e muitos nem deviam ter nascido.
Estes vivos deixados por herança envenenada, perpetuam a tradição da grande escola da hipocrisia e continuam a aproveitar-se do fruto do roubo dos seus mestres, orquestrando mais e mais assaltos!
 
Andamos todos a talhar as tábuas dos nossos caixões com unhas e dentes, porque até os machados já nos roubaram!
01
Dez19

Nem pró menino nem prá menina!

Rita Pirolita





Ditadura da liberdade, é disso que sofremos e somos escravos, de uma liberdade coersiva, tão descartável que nem dá tempo para sermos consistentes, soltos e assumidos.

Fazemos tentativas inglórias de educar crianças num vazio sem referências, pensando que lhes estamos a dar liberdade para que cresçam sem grilhões, para que possam decidir o que querem ou fiquem confusas e mudem de ideias constantemente e queiram experimentar tudo sem se decidir por nada, como se fossem animais em cativeiro, objecto de experiências que logo se vê no que dá mas na realidade apenas nos estamos a demitir do trabalho que dá educar, porque em muitos casos também não sabemos como o fazer.

Não educar e deixar ao abandono é o poço da desorientação.  

Saltamos esquizofrenicamente da segregação sexual para uma mal enjorcada igualdade de género, acabamos por condicionar na mesma o carácter, com a nossa ansiosa mostra de adultos lutadores, que desfilam por causas nobres, em vez de expormos as crianças a cenários variados, para que a escolha seja mais consistente. 

Nenhuma criança vai pedir um brinquedo que não existe, se não que o invente ela própria e estimula assim mais a sua capacidade cognitiva.

A ausência de discriminação deverá sempre ter origem na igualdade de acesso às oportunidades e aí reside o problema, que nem nas auto-proclamadas democracias se cumpre, onde ninguém ocupa lugares por concursos justos de acesso e selecção ou mérito, onde até um lugar de pouco destaque e interesse é ocupado por cunha.

Salvo as raras excepções dos que se revelam génios, sem estarem expostos ao elemento para que mostram forte apetência e inclinação, dependem mesmo assim do factor económico ou sensibilidade de quem os acompanha, para poderem explorar e singrar na área para que estão dotados.

Sem comparação, é muito mais grave meter uma arma nas mãos de uma criança, que dar uma Barbie a um menino que a peça ou uma bola a uma menina.

As pessoas vão-se definindo e enriquecendo com a variedade de escolha e exposição aos vários ambientes que estimulam a capacidade de ultrapassar e resolver dilemas, problemas e questões, mais que pela imposição de uma longa, confusa e espartilhada lista de regras e condicionamentos de comportamento.

Não queremos adultos a sair do armário constantemente, porque nunca ninguém os aceitou como eram mas também não queremos aproximar géneros e desvanecer diferenças saudáveis e complementares com medo de ferir susceptibilidades.

É muito difícil, se não impossível, proporcionar igualdade de oportunidade de acesso, é mais fácil por preguiça política, colocar todos a pensar e concordar com o mesmo, numa consciencialização forçada e tolerância paralisante que culminam num desnorte de conceitos!

A diferenciação de género e do indivíduo deve-se basear na livre escolha e acesso a oportunidades e não na incongruência de quem não sabe o que quer ou não sabe ter ideias próprias, porque foi criado com mimo e dinheiro!

Post Scriptum em jeito de grito...

Porque há coisas mais importantes para resolver no mundo, que atiram este tema para um canto!

Pensem apenas em crianças que nunca brincaram e cresceram no meio da morte, miséria, guerra e fome...o resultado é assustador, não é???

A não ser que sejam gerações depuradoras, que tragam a mudança por oposição ao erro em que nasceram!





16
Out19

Peixe com ar a mais

Rita Pirolita
Agora tenho um estranho prazer mórbido por vídeos de Mukbangs, com gordas não muito gordas mas muito mais gordas que eu, que não sou gorda. 

Deleite que me chega a incomodar de tão doentio, em ver caras de lua cheia com um orifício a sorver molhos, a mastigar alto e bom som hamburgueres suculentos, a dar arrotos de deitar paredes abaixo com bebidas sem açúcar, para não ficarem diabéticos, depois de ingerir uma refeição de 10.000 calorias carregada de sal e gordura. 

Os únicos vegetais que vejo entrar naquelas bocas santas que só comem merd@, são pickles ou couve e pimentos fritos em manteiga ou óleo de canola, tudo cheio de trans e polis. 

Com este circo de gula fico tão enojada que perco logo a vontade de comer mas por instantes continuo à espera que a gorda rebente no próximo minuto. 
Todos dão a derradeira desculpa que gostam de comer, por isso não se importam de ter o corpo que têm e até aprenderam a sentir orgulho no imenso espaço que ocupam, incentivam a obesidade e investem no consumo de comida processada de péssima qualidade com sabor a cartão do lixo vomitado. 
 
Consigo aproveitar-me de imagens com gordos a empanturrarem-se, só não consigo ver animais torturados, nem suporto o cheiro de morte e sangue da secção de cadáveres nos supermercados. 

Para mostrar até onde vai esta minha picuinhice maluca...
Um dia foi a família toda, que não é grande, para a Ponta dos Corvos no Seixal, o moço pescou um belo peixe, a sogra tirou-lhe as tripas mesmo ali onde foi pescado, apesar de todos darem palpites, que o peixe não pode ser amanhado no local do crime, nem as tripas deixadas nas redondezas, os outros amigos escamudos parece que conseguem cheirar o funeral, viram barbatana e vão-se embora, deixando outros pescadores do pontão a chupar no anzol.
Sem abrir o bico e com cara de nojo, assisti a toda a confusão que um peixe pode gerar mesmo depois de morto e esventrado.

O sogro assou o animal, o melhor naco foi para o autor do crime do carreto e todos comeram e lamberam os dedos, menos eu. 
Não consegui comer um peixe que vi morrer com ar a mais e água a menos, ser estripado à minha frente, assado e revirado, chupado até ao tutano da espinha, não consegui...
 
Para quem se anda sempre a queixar da violência, este seria um bom exercício. 
Ver um animal nascer, fazê-lo crescer saudável com comida a tempo e horas e sem o deixar envelhecer a criar carne rija e mal gostosa, aplicar-lhe a pena de morte, cozinhá-lo e por fim comê-lo. 
Quero acreditar que muitos ficariam de faca no ar e acabariam por desistir.
 
Já há seres vivos a mais, impróprios para consumo, a matar-se pelas próprias mãos nos Mukbangs!!!
01
Jun19

A minha sogra não é nem deixa de ser

Rita Pirolita


Se gosto da minha sogra? Não tive ainda tempo de criar laços para saber isso, mas posso agradecer-lhe todos os dias, todos os dias é demais, nos aniversários chega, ter dado à luz o Pau d'Arco.    
 
A minha sogra é sempre tratada por você e pelo nome próprio, para terceiros e em primeiro lugar, é a mãe do seu filho que por acaso casou comigo, portanto a mãe dele.

As sogras deviam ser sempre gostáveis à
partida, porque puseram no mundo a extensão por quem nos apaixonámos.
 
*** Mas quando aparece mula no curral, passam de mães a carraças raivosas que quando atacam não vacina que salve. Um esclarecimento para as sogras que mordem - as noras também são filhas e serão talvez mães dos vossos netos.
A felicidade da nossa junção não pode fazer sombra ao infeliz casamento de longa data da sogrinha.

Uma vez, uma amiga minha da linha teve uma conversa interessante com uma candidata a sogra:

- 'Olhe que tivemos sempre empregada e o meu filho não sabe fazer nada!'
Ao que a minha amiga respondeu e muito bem: 
- 'Tem graça, eu também!'

Num passado longínquo uma candidata a sogra, ameaçou-me por telefone, de morte por atropelamento, o corriqueiro 'passo-te com o carro por cima', por eu nã
o ter telefonado todos os dias a saber da evolução de uma forte gripe que ao fim de 3 dias estava curada, em casa do novo namorado taxista que vivia em Mem Martins e durou tanto como a gripe.
Olha agora, as chamadas dos telemóveis eram caras nessa altura e que eu saiba nunca se trataram gripes à distância, eu vivia na Margem Sul e tinha ficado a aturar o filho dela! 

Chamar sogrinha antes de casar ou com 6 meses de namoro apenas precipita as coisas, mais para o mal que para o bem. 

Passe pela cabeça destas mães ciosas que vocês querem ocupar o lugar da matriarca e está tudo fodido, ganham uma guerra para sempre e nunca vencem a batalha, o mais que pode acontecer é deixarem de falar e ela não ir ao vosso casamento, ou seja, o ódio por vocês é maior que o amor pelo próprio filho.

Na maioria dos casos temos idade para sermos vossas filhas, porque nos tratam como netas
Em vez de partilhar a vossa sabedoria e experiência gostam de impor regras e horários, se calhar não aprenderam muito do que a vida tinha para vos ensinar e o que não puderam fazer com os maridos tentam fazer com os próprios filhos e respectivas noras, MANDAR, CONTROLAR e MANIPULAR!

Os genros sã
o sempre adorados pelas sogras ou pelo menos gozam de boa aceitação junto delas. 
É um descanso ter uma pila por perto para aturar a patareca saltitona da filha...e acalmar os nervos da mãe!***

(***) Discurso baseado em histórias minhas e de conhecidas, passadas e verídicas e nã
o na minha experiência única e mais recente de ter uma sogra à distância. 
21
Mai19

Tempo

Rita Pirolita
 
 

 

O tempo não volta para trás por mais que se cante, não estica para os lados, para cima ou para baixo, não é nosso por isso não se dá, não se tira e não se partilha, muito menos se vende ou tem preço.

Sentimos a passagem do tempo nas rugas e nas recordações.

O tempo de cada um termina na morte.

As marcas do tempo não se apagam nem com a maior borracha do mundo.

Não temos noção do tempo mas sim a ilusão de o medir, controlar e aprisionar. 

O tempo passa e não fica, será espiral, continuo ou interrompido pulsado?

Se pára, o que pára com ele? Se tudo pára, ele é o Rei do Universo? Se não pára, o espaço ganha tempo e o tempo passa a ocupar espaço? 

O tempo não se deixa enganar ou roubar.

O tempo não se guarda no bolso para mais tarde recordar.

O tempo parece que pára quando amamos e corroí quando esperamos abandonados.

O tempo impõe respeito e não liga a faltas de respeito de quem fala dele quando não tem mais nada para dizer! 

O tempo não se esgota, nós é que não o aproveitamos.

O tempo não se perde, nós é que não o encontramos.

O tempo não corre, nós é que não temos pernas para o alcançar.

O tempo não foge, é que não temos mãos para o agarrar

Correr contra o tempo é batalha perdida à nascença.

Transporte no tempo...não comboio que aguente.

O tempo não pára nos relógios avariados.

Só estamos certos quando dizemos que não temos (o) tempo...porque até a falta dele inventamos!

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